Pesquisadores criam IA que processa 5 trilhões de dados em única solicitação

Colocar a física no centro é uma visão centrada na natureza
Anandkumar explica a diferença filosófica entre sua abordagem e os modelos de IA baseados em linguagem.
Mark

Por que abandonar a arquitetura Transformer se ela funciona tão bem para linguagem?

Mimi

Porque a linguagem é apenas uma forma de representar a realidade. A física é a realidade em si. Os operadores neurais conseguem aprender padrões que existem no espaço e no tempo de forma muito mais direta.

Mark

E por que isso importa para empresas? Qual é o ganho prático?

Mimi

Imagine otimizar um chip sem fazer centenas de testes em laboratório. Ou prever um furacão com mais precisão. Ou entender como um material vai se comportar em uma temperatura extrema. Tudo isso sem modelos matemáticos frágeis e específicos para cada problema.

Mark

Eles recusaram US$ 2 bilhões. Como conseguem financiamento agora?

Mimi

Anandkumar não quis discutir os detalhes, mas ela tem parcerias com provedores de computação que fornecem o hardware. E há cinco anos ela foi diretora da Nvidia. Essas conexões abrem portas.

Mark

O que Jensen Huang disse quando ela mencionou "roubar o pão" dos físicos?

Mimi

Ele respondeu que queria que ela roubasse o pão de todos eles. Huang viu o potencial desde o início, quando ela estava na Nvidia trabalhando com GPUs para aplicações de IA.

Mark

Isso significa que a IA vai substituir os físicos?

Mimi

Não é substituição. É uma ferramenta que consegue processar fenômenos de forma que um físico sozinho levaria anos para calcular. A questão é se as empresas vão usar isso para entender melhor o mundo ou apenas para cortar custos.

  • Modelo processa 5 trilhões de dados em uma solicitação, 5 milhões de vezes mais que ChatGPT e Google
  • Usa operadores neurais em vez da arquitetura Transformer
  • Fundadores recusaram oferta de US$ 2 bilhões do Projeto Prometheus apoiado por Jeff Bezos
  • Anima Anandkumar é professora do Caltech e ex-diretora da Nvidia

O novo modelo processa 5 milhões de vezes mais dados que ChatGPT e Google, usando operadores neurais em vez da arquitetura Transformer. Tecnologia foi desenvolvida independentemente após recusa de oferta do Projeto Prometheus apoiado por Jeff Bezos, que oferecia US$ 2 bilhões em financiamento.

Dupla de pesquisadores lança Accelerated Understanding, modelo de IA capaz de processar 5 trilhões de dados em uma solicitação, focado em prever fenômenos físicos em vez de linguagem.

Dois pesquisadores que recusaram uma oferta bilionária de Jeff Bezos lançaram nesta terça-feira uma empresa de inteligência artificial capaz de processar 5 trilhões de dados em uma única solicitação. A Accelerated Understanding, fundada por Anima Anandkumar e Benedikt Jenik, representa uma abordagem radicalmente diferente daquela que domina o mercado de IA: em vez de treinar máquinas para entender linguagem, eles as treinaram para compreender e prever fenômenos físicos.

O volume de informação que o sistema consegue processar é difícil de visualizar. Equivale a cerca de 5 milhões de vezes o que modelos como ChatGPT e sistemas do Google conseguem lidar em uma única operação. Para colocar em perspectiva: seria como ler "Guerra e Paz" de Tolstói não uma vez, mas 5 milhões de vezes simultaneamente. A diferença fundamental, porém, não está apenas na escala. O novo modelo abandona a arquitetura Transformer, a tecnologia que alimenta o ChatGPT, e se baseia em operadores neurais—uma abordagem que Anandkumar ajudou a desenvolver anos atrás.

Anandkumar, professora de ciências da computação e matemática no Caltech, explicou a filosofia por trás da escolha: colocar a física no centro da inteligência artificial é uma visão centrada na natureza, diferente da abordagem centrada na linguagem que coloca os humanos no centro. Enquanto o ChatGPT aprendeu a prever a próxima palavra correta em uma frase, este sistema aprendeu a prever fenômenos que ocorrem no espaço e no tempo, inclusive aqueles que o olho humano não consegue ver.

A trajetória até este lançamento passou por uma encruzilhada financeira. No final de 2024, durante um jantar em um restaurante sofisticado na região metropolitana de Los Angeles, Vik Bajaj—um investidor e empresário do setor de biotecnologia—discutiu com Anandkumar e Jenik uma colaboração para o Projeto Prometheus, apoiado por Bezos. A carta de oferta era generosa: 35% de participação na empresa, salário anual combinado de US$ 1 milhão que dobraria para US$ 2 milhões após três meses, e mais de US$ 2 bilhões em capital comprometido para financiamento até a Série B. Anandkumar já havia trabalhado como cientista na Amazon e foi diretora da Nvidia por cinco anos. Jenik, seu marido, é engenheiro de infraestrutura de IA. Os dois decidiram continuar desenvolvendo o projeto por conta própria.

Enquanto isso, Bezos e Bajaj conseguiram levantar uma Série B de US$ 12 bilhões para a Prometheus em junho de 2026, com o objetivo de desenvolver uma IA capaz de automatizar a fabricação de sistemas físicos complexos. A Prometheus se recusou a comentar sobre a situação.

As aplicações práticas do sistema da Accelerated Understanding são amplas. No design de chips, por exemplo, a empresa acredita que uma compreensão intrínseca da física é fundamental para otimizar materiais e temperaturas para o desempenho, reduzindo tentativa e erro em laboratório. O mesmo modelo pode impulsionar robótica, prever condições climáticas extremas ou analisar dados geológicos para empresas de energia. Em vez de modelos matemáticos frágeis e personalizados para cada caso, uma única IA pode lidar com qualquer consulta física para o mundo dos negócios.

A empresa está focada inicialmente em negócios corporativos, não em ofertas para consumidores. Anandkumar não revelou os nomes dos parceiros que forneceram clusters de hardware para desenvolver e executar o sistema, mas confirmou que possui parcerias com provedores de computação. A Nvidia não respondeu a perguntas sobre se estava apoiando a iniciativa, embora Jensen Huang, presidente-executivo da empresa, tenha sido quem incentivou Anandkumar a levar a ideia adiante desde o início. Quando ela mencionou como a IA poderia "roubar o pão" dos teóricos da física, Huang respondeu: "Quero que ela roube o pão de todos eles."

Quero que ela roube o pão de todos eles
— Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, respondendo a Anandkumar sobre a IA substituir teóricos da física
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