Dudu retorna a um Palmeiras transformado por títulos e novos talentos

A estrela é a equipe, não o jogador individual
Abel Ferreira deixa claro qual é a nova filosofia do Palmeiras para Dudu e outros retornados.
Mark

Quando Dudu saiu, o Palmeiras era um time que dependia dele. Como um clube muda tanto em um ano?

Mimi

Não foi só um ano. Foi um ano com Abel Ferreira, que é a diferença. Ele chegou em novembro e começou a construir algo que não dependia de uma estrela isolada.

Mark

Mas Dudu era o craque do time. Como você substitui isso?

Mimi

Você não substitui. Você distribui. Gabriel Menino, Patrick de Paula, Danilo, Wesley — eram garotos quando Dudu saiu. Agora são titulares. Rony marcou gol. Breno Lopes marcou na final da Libertadores.

Mark

Então o Palmeiras não precisa mais de Dudu?

Mimi

Precisa da qualidade dele, sim. Mas não precisa dele como era antes — como a estrela que tudo girava em torno. Abel deixou isso muito claro.

Mark

E Dudu aceita isso?

Mimi

Essa é a pergunta. Ele tem qualidade para estar entre os titulares. Mas tem que entender que agora a estrela é o coletivo, não ele.

Mark

Qual foi o momento que mais marcou essa transformação?

Mimi

Talvez quando venceram o São Paulo em seu próprio estádio. Algo que nunca tinha acontecido. Dudu não estava lá para ver, mas aquilo mostrou que o time tinha evoluído para algo diferente.

  • Dudu saiu em julho de 2020 para o Al-Duhail por 7 milhões de euros
  • Palmeiras conquistou Copa do Brasil, Libertadores e Paulista na ausência dele
  • Último jogo de Dudu foi em 14 de março de 2020 contra Inter de Limeira
  • Abel Ferreira chegou em 2 de novembro e transformou a filosofia do clube

Desde a saída de Dudu em julho de 2020, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil, a Libertadores e o Paulista, quebrando jejuns históricos. Jovens promessas como Gabriel Menino, Patrick de Paula, Danilo e Wesley se firmaram como titulares, enquanto Rony desencantou e Breno Lopes marcou gol decisivo.

Dudu retorna ao Palmeiras após um ano no futebol árabe e encontra um clube radicalmente diferente, com três títulos conquistados, novos talentos consolidados e uma filosofia de equipe sob comando de Abel Ferreira.

Quando Dudu embarcou para Doha em julho de 2020, o Palmeiras era um clube ainda marcado pela ausência de títulos estaduais recentes e pela dependência de seus craques individuais. Um ano depois, ao retornar do Al-Duhail, ele encontraria uma instituição profundamente alterada — não apenas pelos troféus conquistados, mas pela transformação estrutural que os acompanhou.

O último jogo de Dudu pelo Palmeiras aconteceu em 14 de março de 2020, contra a Inter de Limeira, no Estádio Major Levy Sobrinho. Vanderlei Luxemburgo comandava o time naquele dia, e a partida marcou um ponto de inflexão involuntário: seria o último confronto do clube com público nas arquibancadas antes que a pandemia fechasse os estádios brasileiros. Daquele elenco que começou a partida — Weverton, Marcos Rocha, Felipe Melo, Vitor Hugo, Viña, Ramires, Bruno Henrique, Dudu, Willian, Rony e Luiz Adriano — apenas onze permaneceriam no clube. Vitor Hugo seguiu para o Trabzonspor, na Turquia. Ramires rescindiu seu contrato após ser flagrado violando o isolamento social. Bruno Henrique foi vendido ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

Dois dias após o anúncio do empréstimo de Dudu ao Al-Duhail — negócio avaliado em 7 milhões de euros com opção de compra de 80% dos direitos econômicos por mais 6 milhões até maio de 2021 — o futebol paulista foi suspenso por pressão da diretoria palmeirense. Quando retomou, em 22 de julho, Dudu já estava na Ásia. Ele não viu o Palmeiras quebrar um jejum de 13 anos sem títulos estaduais ao derrotar o Corinthians nos pênaltis, em 8 de agosto. Tampouco presenciou a saída de Luxemburgo, em 14 de outubro, após uma derrota de 3 a 1 para o Coritiba. Ou o feito histórico de vencer o São Paulo em seu próprio estádio — algo que nunca havia acontecido — com gol de Pablo.

Mas as mudanças mais profundas ocorreram no elenco e na filosofia do clube. Quando Dudu ainda era jogador do Palmeiras, Gabriel Menino, Patrick de Paula, Gabriel Veron, Danilo e Wesley eram apenas promessas da base. Danilo e Wesley sequer haviam estreado pelos profissionais. Abel Ferreira chegou em 2 de novembro para substituir o interino Cebola, e sua passagem transformaria o clube em campeão da Copa do Brasil e, principalmente, da Libertadores — títulos que Dudu conquistara apenas uma vez, em 2015, quando venceu a Copa do Brasil. Rony, que não havia marcado um gol sequer enquanto Dudu estava no clube, finalmente desencantou. Breno Lopes, que marcaria o gol do título da Libertadores em janeiro de 2021, nem havia sido contratado quando Dudu partiu.

Agora, com Dudu de volta, Abel Ferreira deixou clara a nova ordem. Questionado sobre o retorno do jogador — que se apresentaria no dia 1º de julho — e também sobre Pedrão e Borja, o técnico português foi direto: ainda não havia visto nenhum deles na Academia de Futebol. "No Palmeiras, recebemos bem todos os jogadores que estão no clube. Se vierem para trabalhar com a equipe, se perceberem que a estrela é a equipe, podem nos ajudar muito com a qualidade que têm", afirmou após vitória sobre o Internacional. A mensagem era inequívoca: não havia espaço para uma estrela maior que as demais, como Dudu havia sido em sua primeira passagem. O clube havia evoluído para um modelo coletivo, e o retorno do jogador dependeria de sua capacidade de se integrar a essa nova realidade.

Se vierem para trabalhar com a equipe, se perceberem que a estrela é a equipe, podem nos ajudar muito com a qualidade que têm
— Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
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