Dona de Habib's e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 mi

Investimentos em expansão versus receita em queda
O descompasso que levou o Grupo Gennius a buscar recuperação judicial após quase 40 anos de operação.
Mark

Como uma rede que funcionou por quase 40 anos chega a esse ponto?

Mimi

Não foi um colapso de um dia para o outro. A pandemia foi o primeiro golpe — as lojas em shoppings ficaram vazias. Mas enquanto isso, o delivery crescia e mudava o jeito das pessoas comerem. O Habib's estava estruturado para restaurante, não para entrega.

Mark

E o dinheiro? Por que não conseguiram se adaptar?

Mimi

Os juros subiram muito. Quando você tem dívida e os juros sobem, fica impossível respirar. O caixa estava caindo, mas as contas crescendo. Fornecedores não recebiam. Era um aperto de todos os lados.

Mark

As lojas vão fechar?

Mimi

Não, pelo menos não agora. Estão abertas, funcionando normalmente. A recuperação judicial é justamente para evitar isso — para dar tempo de reorganizar.

Mark

Qual é o risco real?

Mimi

Se não conseguirem apresentar um plano viável em 60 dias, vira falência. Aí sim, as coisas ficam sérias.

Mark

E as franquias? Elas não estão nesse processo?

Mimi

Não. As franquias são independentes, não fazem parte da recuperação. Só as lojas próprias e as empresas do grupo.

Mark

Então o Habib's pode desaparecer?

Mimi

Pode, se o plano não funcionar. Mas a empresa está tentando evitar isso. Tem 60 dias para provar que consegue se reorganizar.

  • Com R$ 265,2 milhões em dívidas e credores à porta, o Grupo Gennius recorreu à Justiça antes que a situação se tornasse irreversível.
  • A pandemia, a ascensão do delivery e os juros elevados formaram uma tempestade perfeita que corroeu o caixa da empresa ao longo de anos.
  • A KPMG foi nomeada administradora judicial e tem 15 dias para mapear a real situação financeira do grupo — o primeiro passo de um processo delicado.
  • O prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação funciona como uma contagem regressiva: sem proposta, o processo vira falência automaticamente.
  • As 151 lojas próprias seguem abertas e os clientes não percebem nada diferente — mas nos bastidores, o destino de quase 40 anos de história está sendo negociado.

Quase quatro décadas depois de apostar em preços baixos e escala para alimentar o Brasil, o Grupo Gennius — dono do Habib's, do Ragazzo e das churrascarias Tendall — chegou à Justiça de São Paulo carregando uma dívida de R$ 265,2 milhões e um pedido de recuperação judicial aprovado em agosto de 2026. A pandemia esvaziou os salões, o delivery redesenhou os hábitos de consumo e a alta dos juros tornou o peso das dívidas insuportável — uma combinação que transformou décadas de crescimento em uma crise existencial. O grupo tem 60 dias para convencer credores e juízes de que ainda há um futuro a construir.

Na segunda-feira, 24 de agosto, o Grupo Gennius bateu à porta da Justiça de São Paulo com um pedido que nenhuma rede de restaurantes gostaria de fazer: recuperação judicial, com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. Um dia depois, o juiz Jomar Juarez Amorim aceitou o pedido e nomeou a KPMG como administradora judicial. As lojas continuaram abertas. Os clientes não notaram nada diferente.

O grupo controla 119 unidades próprias do Habib's, 26 do Ragazzo e seis churrascarias Tendall — além de uma rede de franquias que não integra o processo. Fundada em 1987 pelos irmãos Alberto e Belchior Saraiva, a empresa construiu ao longo de quase quatro décadas uma operação verticalizada, com indústrias, laticínios e panificadoras próprias, apostando em preços baixos e escala como pilares do negócio.

Os motivos da crise, segundo o próprio grupo, são três: a pandemia esvaziou shoppings e centros urbanos onde as lojas estavam concentradas, criando um descompasso entre investimentos em expansão e receita em queda; o crescimento do delivery transformou os hábitos de consumo, afastando clientes dos salões; e a alta dos juros tornou as dívidas progressivamente mais caras de carregar, dificultando até o pagamento a fornecedores.

A recuperação judicial funciona como uma pausa protegida: a empresa fica blindada de cobranças e ações legais por até 180 dias enquanto negocia um plano de pagamento com os credores. O prazo crítico, porém, é de 60 dias — tempo que o Grupo Gennius tem para apresentar uma proposta concreta. Se não cumprir, o processo é convertido automaticamente em falência. O processo envolve não apenas as lojas, mas também os controladores e as empresas de gestão, patrimônio, produção e marketing do grupo.

Em nota, a empresa afirmou que a medida faz parte de um processo de reestruturação financeira para preservar a sustentabilidade do negócio no longo prazo. As palavras soam como rotina — mas o relógio já está correndo.

Na segunda-feira, 24 de agosto, o Grupo Gennius — a empresa por trás das marcas Habib's, Ragazzo e Tendall — bateu à porta da Justiça de São Paulo com um pedido que nenhuma rede de restaurantes gostaria de fazer: recuperação judicial. A dívida declarada era de R$ 265,2 milhões. Um dia depois, o juiz Jomar Juarez Amorim aceitou o pedido, nomeando a consultora KPMG como administradora judicial do processo. As lojas, porém, continuaram abertas. Os clientes não notaram nada diferente.

O Grupo Gennius controla 119 unidades próprias do Habib's, 26 do Ragazzo e seis churrascarias Tendall — além de uma rede de franquias que não integra o processo de recuperação. A empresa nasceu em 1987, fundada pelos irmãos Alberto e Belchior Saraiva, com uma aposta simples: preços baixos e escala. Para manter essa estratégia viva, o grupo construiu uma operação verticalizada, com indústrias, laticínios e panificadoras próprias. Quando o Habib's cresceu, a empresa diversificou: criou o Ragazzo para coxinhas e lanches, depois as churrascarias Tendall para o segmento de rodízio. Quase 40 anos de operação no Brasil, e agora isso.

Os motivos da crise, segundo o próprio grupo, são três. Primeiro, a pandemia de Covid-19 esvaziou os shoppings e centros urbanos onde muitas lojas estavam localizadas — justamente os lugares onde a empresa havia investido pesadamente para atender à demanda. Havia um descompasso claro: investimentos em expansão versus receita em queda. Segundo, a transformação dos hábitos de consumo. O delivery cresceu, e as pessoas deixaram de ir aos restaurantes. Terceiro, a alta dos juros. Enquanto o caixa encolhia, as dívidas ficavam mais caras de carregar, dificultando até mesmo o pagamento aos fornecedores.

A recuperação judicial funciona como uma pausa. A empresa fica protegida de cobranças e ações legais por um período que, em regra, dura 180 dias. Durante esse tempo, ela negocia com os credores um plano de pagamento que evite a falência. A KPMG, agora administradora, tem 15 dias para apresentar um relatório sobre a situação das empresas. Depois, será publicado um edital listando todos os credores, que terão 15 dias para contestar valores ou incluir créditos que acreditem estar faltando.

O prazo crítico é de 60 dias. O Grupo Gennius precisa apresentar um plano de recuperação com a proposta de como vai pagar as dívidas. Se não cumprir esse prazo, o processo é convertido automaticamente em falência. Não há margem para atraso. O processo inclui não apenas as lojas próprias, mas também os controladores Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto, além das empresas responsáveis pela gestão das marcas, patrimônio, produção de insumos e marketing.

Em nota, o grupo afirmou que a medida faz parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo. As operações seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes e a qualidade das unidades. É uma mensagem de rotina, de continuidade — mas o fato de estar em recuperação judicial diz outra coisa. Agora, tudo depende do plano que será apresentado nos próximos dois meses.

As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades
— Grupo Gennius
Começou a se verificar um descompasso entre os investimentos feitos — lojas e mais lojas — e a receita obtida
— Grupo Gennius, em documento à Justiça
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