DGS pondera reduzir intervalo entre doses da AstraZeneca face à variante Delta

Esta quarta-feira diz-se o contrário
A inversão de estratégia da DGS perante a variante Delta, reconhecida por Lacerda Sales.
Mark

Por que é que agora querem encurtar o intervalo entre doses, quando há poucos meses o objetivo era o oposto?

Mimi

Porque a Delta mudou o jogo. Antes, pensava-se que doses mais afastadas davam melhor imunidade. Mas esta variante é mais contagiosa e parece contornar melhor a proteção de uma dose única. Os dados britânicos mostram que só com duas doses se consegue 92% de proteção contra hospitalizações.

Mark

E isso significa que as pessoas que já receberam a primeira dose vão ter de esperar menos tempo pela segunda?

Mimi

Potencialmente, sim. Mas a DGS está a ponderar, não decidiu ainda. Precisam de mais informação da farmacêutica e da agência europeia. Não é uma decisão que se tome de um dia para o outro.

Mark

A AstraZeneca já tinha problemas de confiança em Portugal por causa dos coágulos. Isto não complica ainda mais as coisas?

Mimi

Complica, sem dúvida. Mas o risco de coágulos é raro, e o risco da Delta é imediato e real. É um cálculo de risco-benefício que as autoridades têm de fazer publicamente.

Mark

Quantas pessoas em Portugal ainda não têm a vacinação completa?

Mimi

Mais de dois milhões. Apenas 25% da população tem as duas doses. Se a Delta se propagar como se espera, essa lacuna é perigosa.

Mark

E se reduzirem o intervalo, conseguem acelerar o processo?

Mimi

Sim, significativamente. Mas depende também de terem doses suficientes em stock. Têm 250 mil em reserva, o que é um bom colchão, mas as entregas da AstraZeneca têm sido incertas.

  • A variante Delta, mais contagiosa e já presente em Lisboa e Vale do Tejo, está a forçar uma revisão urgente do plano de vacinação com AstraZeneca em Portugal.
  • Estudos britânicos revelam que uma única dose não protege suficientemente contra a Delta — apenas o esquema completo atinge os 92% de eficácia contra hospitalizações.
  • O secretário de Estado da Saúde admitiu publicamente a contradição: o que se recomendava há meses sobre espaçar as doses é agora posto em causa pela nova evidência.
  • Com 42% da população com primeira dose mas apenas 25% totalmente vacinada, Portugal enfrenta uma janela de vulnerabilidade que a aceleração do intervalo poderia fechar.
  • A decisão final aguarda análise técnica aprofundada, mas a redução do intervalo entre doses da AstraZeneca está formalmente sobre a mesa das autoridades portuguesas.

Perante a expansão da variante Delta em Portugal, as autoridades de saúde confrontam-se com uma inversão de estratégia: o intervalo alargado entre doses da AstraZeneca, antes considerado vantajoso para a resposta imunitária, pode agora tornar-se um risco calculado. A evidência científica britânica, que aponta para 92% de proteção contra hospitalizações apenas com vacinação completa, empurra a DGS e a sua comissão técnica a reconsiderar o calendário vacinal — lembrando-nos que, em tempo de pandemia, a certeza de hoje é frequentemente a dúvida de amanhã.

A Direção-Geral da Saúde e a sua comissão técnica de vacinação estão a ponderar encurtar o intervalo entre as duas doses da AstraZeneca. A razão é concreta: a variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia, circula já em Portugal — com particular incidência em Lisboa e Vale do Tejo — e exige uma resposta vacinal mais rápida e completa.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Anténio Lacerda Sales, reconheceu abertamente a mudança de posição durante uma visita a São Pedro do Sul. Meses atrás, as autoridades defendiam que doses mais espaçadas geravam melhor imunidade. Hoje, a lógica inverte-se: a Delta não espera. Autoridades britânicas publicaram dados que mostram 92% de proteção contra hospitalizações com duas doses de AstraZeneca — mas apenas com o esquema completo. A Pfizer oferece 96%, igualmente dependente da vacinação total. Uma dose isolada não é suficiente.

A comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, reforçou a urgência: a Delta "diminui a força do escudo protetor" das vacinas quando a vacinação não está concluída, instando à aceleração em toda a Europa.

Em Portugal, o retrato é de uma corrida contra o tempo. Cerca de 4,3 milhões de pessoas receberam a primeira dose, mas apenas 2,6 milhões completaram a vacinação. A AstraZeneca tem um papel central neste esforço, com um milhão de doses já administradas e 250 mil em reserva. A história desta vacina no país foi turbulenta — em abril, foi restringida a maiores de 60 anos após casos raros de coágulos, e o intervalo de três meses entre doses foi justificado pela necessidade de recolher mais informação.

Agora, essa margem de espera estreita-se. Portugal conduz estudos sobre o impacto das variantes na eficácia das vacinas, mas Lacerda Sales admite que os resultados não são imediatos. A redução do intervalo entre doses da AstraZeneca permanece uma possibilidade técnica em análise — uma decisão que a ciência, mais do que a política, terá de validar.

A Direção-Geral da Saúde e sua comissão técnica de vacinação estão a considerar encurtar o intervalo entre as duas doses da vacina AstraZeneca. A mudança de rumo responde a uma ameaça específica: a variante Delta do coronavírus, identificada pela primeira vez na Índia e agora a circular em Portugal, particularmente na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Anténio Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, explicou a reviravolta durante uma visita a São Pedro do Sul. Meses atrás, as autoridades recomendavam espaçar as doses da AstraZeneca — quanto mais afastadas, melhor a resposta imunitária. Agora, perante a Delta, a lógica inverte-se. "Esta quarta-feira diz-se o contrário", afirmou Lacerda Sales aos jornalistas, reconhecendo que a variante obriga a repensar a estratégia.

O que mudou é a evidência científica. Autoridades de saúde britânicas publicaram um estudo mostrando que duas doses da AstraZeneca protegem 92% contra hospitalizações causadas pela Delta. A Pfizer oferece proteção ligeiramente superior — 96% — mas ambas as vacinas só alcançam esta eficácia com o esquema completo. Uma única dose não é suficiente contra esta variante. Mary Ramsay, responsável pela vacinação no organismo britânico, foi clara: é "absolutamente vital" receber ambas as doses assim que possível para obter proteção máxima.

A comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, reforçou a urgência na terça-feira. Evidências emergentes mostram que a Delta "diminui a força do escudo protetor" das vacinas, especialmente quando a vacinação não está completa. Ela instou à aceleração da vacinação em toda a população europeia.

Em Portugal, o contexto é de corrida contra o tempo. No momento da reportagem, 4,3 milhões de pessoas — 42% da população — tinham recebido a primeira dose, enquanto 2,6 milhões (25%) completaram a vacinação. A AstraZeneca representa uma parte significativa deste esforço: um milhão de doses já administradas, com 250 mil em reserva de um total de 450 mil encomendadas. As incertezas sobre entregas da farmacêutica explicam por que nem todas as doses disponíveis foram ainda utilizadas.

A história da AstraZeneca em Portugal já tinha sido turbulenta. Em abril, as autoridades restringiram a sua administração a maiores de 60 anos após relatos raros de coágulos sanguíneos pós-vacinação. Na altura, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, justificou o intervalo de três meses entre doses dizendo que permitiria recolher informação adicional da empresa produtora e da Agência Europeia do Medicamento antes de tomar decisões.

Agora, com a Delta a circular e a evidência a apontar para a necessidade de vacinação completa rápida, essa margem de manobra desaparece. Portugal está a conduzir estudos — em paralelo com esforços internacionais — sobre como as variantes afetam a eficácia das diferentes vacinas e qual o perfil clínico das pessoas internadas. Lacerda Sales sublinhou que estes estudos não são rápidos, mas são essenciais para guiar as próximas decisões. A redução do intervalo entre doses da AstraZeneca é uma possibilidade técnica que está agora sobre a mesa, aguardando análise mais profunda.

É absolutamente vital receber ambas as doses assim que forem oferecidas para obter a máxima proteção contra todas as variantes existentes e emergentes
— Mary Ramsay, responsável pela vacinação no organismo britânico Public Health England
Têm surgido provas de que as variantes, nomeadamente a variante Delta, diminuem a força do escudo protetor fornecido pelas vacinas, especialmente quando a vacinação ainda não é completa
— Stella Kyriakides, comissária europeia para a Saúde
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