Anvisa aprova Coronavac para crianças de 3 a 5 anos

Desde o início da pandemia, morreram duas crianças menores de cinco anos por covid-19 por dia no Brasil, totalizando 291 óbitos entre janeiro e junho de 2022.
Vacinar crianças pode ajudar a evitar que fiquem gravemente doentes
A diretora da Anvisa reconheceu que a vacina não previne transmissão, mas reduz risco de doença grave.
Mark

Por que a Anvisa levou tanto tempo para aprovar a vacina para essa faixa etária, se outros países já estavam vacinando crianças de 3 anos?

Mimi

A agência precisava de dados robustos. Quando a Coronavac foi aprovada para maiores de 6 anos em janeiro, o Butantan pediu liberação para os 3 anos, mas a Anvisa considerou as evidências insuficientes. Levou mais três meses e novos estudos para que houvesse confiança.

Mark

A vacina realmente protege contra a transmissão?

Mimi

Não, não principalmente. A diretora Meiruze foi clara: há indícios de que a Coronavac não confere proteção expressiva contra transmissão. O que ela faz é reduzir o risco de doença grave e hospitalização.

Mark

Então por que vacinar crianças que não transmitem tanto?

Mimi

Porque crianças morrem. Duas por dia desde o início da pandemia no Brasil. E há complicações graves como síndrome inflamatória multissistêmica e covid longa. Mesmo que a criança não transmita, ela pode ficar gravemente doente.

Mark

Qual é o risco da vacina para essa idade?

Mimi

Muito baixo. As reações adversas são predominantemente leves — dor no local da injeção. Nenhuma morte foi registrada com a Coronavac em nenhuma faixa etária. O Butantan agora precisa continuar monitorando.

Mark

Por que pais estavam pressionando tanto?

Mimi

Porque havia vazio. Nenhuma outra vacina estava aprovada para essa idade no Brasil. Pais queriam proteger seus filhos e não tinham opção. Grupos nas redes sociais se organizaram cobrando celeridade.

Mark

O que muda agora?

Mimi

Médicos e pais têm uma ferramenta a mais. Não é obrigatório — é uma opção. E o Butantan continua apresentando dados de estudos em andamento para que a Anvisa acompanhe a segurança.

  • Desde o início da pandemia, o Brasil perdeu em média duas crianças menores de cinco anos por dia para a covid-19 — uma urgência silenciosa que pressionava por resposta.
  • A Anvisa havia negado a aprovação em janeiro por falta de dados suficientes, e apenas novos estudos submetidos em março reabriram o caminho para a decisão.
  • Grupos de pais nas redes sociais e sociedades médicas intensificaram a pressão pública por celeridade, tornando a aprovação também uma questão de mobilização coletiva.
  • A diretora relatora reconheceu abertamente que a vacina oferece proteção limitada contra a transmissão, mas argumentou que evitar formas graves da doença já justifica o uso.
  • Com a aprovação, o Brasil se alinha a países como Chile, China e Estados Unidos, que já vacinavam crianças pequenas, e o Butantan assume compromisso de monitoramento contínuo.

Na quarta-feira, 13 de julho de 2022, o Brasil deu um passo significativo na proteção de suas crianças mais jovens ao aprovar, por unanimidade, o uso da Coronavac para a faixa etária de 3 a 5 anos — tornando-se o primeiro imunizante contra a covid-19 liberado no país para esse grupo. A decisão da Anvisa, fundamentada em estudos internacionais e na realidade dolorosa de duas mortes infantis diárias desde o início da pandemia, reflete a tensão permanente entre a urgência de agir e a incompletude inevitável do conhecimento científico. Ao autorizar a vacina mesmo reconhecendo lacunas nas evidências, a agência escolheu o peso da vida concreta sobre a espera pela certeza absoluta.

Na quarta-feira, 13 de julho, a Anvisa aprovou por unanimidade o uso da Coronavac em crianças de 3 a 5 anos, tornando-se a primeira vacina contra a covid-19 autorizada no Brasil para essa faixa etária. O Instituto Butantan havia solicitado a expansão da aprovação — que até então cobria crianças a partir de 6 anos — e, após uma primeira negativa em janeiro por dados insuficientes, submeteu novas evidências em março, reiniciando o processo.

A vacina será aplicada em duas doses com intervalo de 28 dias, mantendo a formulação dos adultos. Crianças imunocomprometidas estão excluídas da indicação. Os estudos que embasaram a decisão incluem dados do Chile, onde a Coronavac demonstrou 55% de efetividade na prevenção de hospitalizações nessa faixa etária, além de pesquisas em outros países. As reações adversas registradas foram predominantemente leves, e nenhuma morte foi associada ao imunizante em qualquer grupo etário.

A diretora relatora Meiruze Freitas reconheceu que a vacina não oferece proteção expressiva contra a transmissão, mas defendeu que evitar formas graves da doença — incluindo a síndrome inflamatória multissistêmica e a covid longa — já justifica a autorização. A aprovação, segundo ela, oferece a pais, médicos e gestores públicos uma ferramenta adicional de proteção.

Os números que tornaram a decisão urgente são contundentes: desde o início da pandemia, o Brasil registrou média de duas mortes diárias de crianças menores de cinco anos por covid-19, com 291 óbitos apenas entre janeiro e junho de 2022. Com a aprovação, o Brasil se alinha a países como Chile, China e Estados Unidos, que já vacinavam crianças pequenas. O Butantan ficou comprometido a apresentar dados de estudos clínicos em andamento e a incluir essa faixa etária no monitoramento contínuo de efeitos adversos.

Na quarta-feira, 13 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou por unanimidade o uso da Coronavac em crianças de 3 a 5 anos de idade. É a primeira vacina contra a covid-19 autorizada no Brasil para essa faixa etária. O Instituto Butantan, fabricante do imunizante, havia solicitado a expansão da aprovação, que até então cobria apenas crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, disponível desde janeiro de 2022, além de adultos desde o ano anterior.

A vacina será administrada em duas doses com intervalo de 28 dias entre elas, mantendo a mesma formulação utilizada em adultos. Crianças imunocomprometidas — aquelas que receberam transplantes ou estão em tratamento oncológico — não devem ser vacinadas. A decisão da agência reguladora baseou-se em novos estudos científicos que demonstraram a capacidade do imunizante de proteger contra hospitalizações. Embora reconhecesse lacunas nas evidências disponíveis, a Anvisa considerou haver indicativos suficientes de benefício para autorizar o uso nessa população.

Um estudo de efetividade conduzido no Chile apontou que a Coronavac apresenta 55,06% de efetividade na prevenção de hospitalização em crianças de 3 a 5 anos. Pesquisas preliminares realizadas no Chile, Malásia, Filipinas, Turquia e África do Sul, envolvendo crianças e adolescentes de 6 meses a 17 anos, também indicaram eficácia do imunizante. Além disso, a vacina demonstrou baixo volume de reações adversas na população pediátrica, predominantemente leves, como dor no local da injeção. Nenhuma morte foi registrada decorrente da vacinação com a Coronavac em qualquer faixa etária. Estudos brasileiros em andamento pela Universidade Federal do Espírito Santo e pela Fundação Oswaldo Cruz também sugeriram benefícios do imunizante para crianças.

A diretora Meiruze Freitas, relatora do processo, reconheceu em seu voto que há indícios de que a vacina não oferece proteção expressiva contra a transmissão da doença. Ainda assim, argumentou que a vacinação pode ajudar a evitar que as crianças desenvolvam formas graves da enfermidade. Apesar das limitações e incertezas quanto à eficácia completa, Freitas considerou apropriado permitir que gestores públicos de saúde, médicos e pais considerassem a Coronavac como uma estratégia para reduzir os danos causados pela covid-19. Ela também mencionou a circulação de novas variantes com alta transmissibilidade e o risco de complicações graves, como a síndrome inflamatória multissistêmica e a covid longa.

Os números que fundamentaram a urgência dessa aprovação são significativos. Desde o início da pandemia, o Brasil registrou uma média de duas mortes diárias de crianças menores de cinco anos por covid-19. Entre janeiro e 11 de junho de 2022, foram contabilizadas 291 mortes nessa faixa etária. Um levantamento do Observatório da Primeira Infância da Fiocruz identificou esses dados. O diretor da Anvisa, Romison Mota, reforçou a preocupação com o risco de complicações graves na população pediátrica.

O caminho até essa aprovação não foi direto. Quando a Coronavac foi autorizada para crianças acima de 6 anos em janeiro, o Instituto Butantan já pleiteava a liberação a partir dos 3 anos. A Anvisa, porém, considerou naquele momento que os dados apresentados eram insuficientes. Novos dados foram submetidos em março, reiniciando o processo de avaliação. Nos últimos meses, grupos de pais organizados nas redes sociais pressionavam pela celeridade na aprovação, assim como sociedades médicas que destacavam a importância de ampliar a cobertura vacinal.

A aprovação também determina que o Instituto Butantan se comprometa a apresentar dados de estudos clínicos controlados em andamento e a incluir essa faixa etária no monitoramento contínuo de efeitos adversos. Internacionalmente, a vacinação de crianças menores de 5 anos já ocorre em vários países. Os Estados Unidos autorizaram o uso emergencial das vacinas da Moderna e Pfizer em bebês a partir de 6 meses. No Chile, a Coronavac é aplicada desde dezembro de 2021 em crianças a partir de 3 anos, assim como na China e Hong Kong. Com essa aprovação, o Brasil se alinha a essas práticas globais, oferecendo aos pais e médicos uma ferramenta adicional para proteger as crianças mais jovens contra a covid-19.

A totalidade das evidências científicas disponíveis sugerem que há indicativos de benefício para a utilização da vacina na população pediátrica
— Área técnica da Anvisa
Vacinar crianças pode ajudar a evitar que fiquem gravemente doentes, apesar das limitações e incertezas quanto à eficácia completa
— Diretora Meiruze Freitas, Anvisa
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