Na quarta-feira, 13 de julho de 2022, o Brasil deu um passo significativo na proteção de suas crianças mais jovens ao aprovar, por unanimidade, o uso da Coronavac para a faixa etária de 3 a 5 anos — tornando-se o primeiro imunizante contra a covid-19 liberado no país para esse grupo. A decisão da Anvisa, fundamentada em estudos internacionais e na realidade dolorosa de duas mortes infantis diárias desde o início da pandemia, reflete a tensão permanente entre a urgência de agir e a incompletude inevitável do conhecimento científico. Ao autorizar a vacina mesmo reconhecendo lacunas nas evidência
Anvisa aprova Coronavac para crianças de 3 a 5 anos
Vacinar crianças pode ajudar a evitar que fiquem gravemente doentes
Por que a Anvisa levou tanto tempo para aprovar a vacina para essa faixa etária, se outros países já estavam vacinando crianças de 3 anos?
A agência precisava de dados robustos. Quando a Coronavac foi aprovada para maiores de 6 anos em janeiro, o Butantan pediu liberação para os 3 anos, mas a Anvisa considerou as evidências insuficientes. Levou mais três meses e novos estudos para que houvesse confiança.
A vacina realmente protege contra a transmissão?
Não, não principalmente. A diretora Meiruze foi clara: há indícios de que a Coronavac não confere proteção expressiva contra transmissão. O que ela faz é reduzir o risco de doença grave e hospitalização.
Então por que vacinar crianças que não transmitem tanto?
Porque crianças morrem. Duas por dia desde o início da pandemia no Brasil. E há complicações graves como síndrome inflamatória multissistêmica e covid longa. Mesmo que a criança não transmita, ela pode ficar gravemente doente.
Qual é o risco da vacina para essa idade?
Muito baixo. As reações adversas são predominantemente leves — dor no local da injeção. Nenhuma morte foi registrada com a Coronavac em nenhuma faixa etária. O Butantan agora precisa continuar monitorando.
Por que pais estavam pressionando tanto?
Porque havia vazio. Nenhuma outra vacina estava aprovada para essa idade no Brasil. Pais queriam proteger seus filhos e não tinham opção. Grupos nas redes sociais se organizaram cobrando celeridade.
O que muda agora?
Médicos e pais têm uma ferramenta a mais. Não é obrigatório — é uma opção. E o Butantan continua apresentando dados de estudos em andamento para que a Anvisa acompanhe a segurança.
The Pulse
- Desde o início da pandemia, o Brasil perdeu em média duas crianças menores de cinco anos por dia para a covid-19 — uma urgência silenciosa que pressionava por resposta.
- A Anvisa havia negado a aprovação em janeiro por falta de dados suficientes, e apenas novos estudos submetidos em março reabriram o caminho para a decisão.
- Grupos de pais nas redes sociais e sociedades médicas intensificaram a pressão pública por celeridade, tornando a aprovação também uma questão de mobilização coletiva.
- A diretora relatora reconheceu abertamente que a vacina oferece proteção limitada contra a transmissão, mas argumentou que evitar formas graves da doença já justifica o uso.
- Com a aprovação, o Brasil se alinha a países como Chile, China e Estados Unidos, que já vacinavam crianças pequenas, e o Butantan assume compromisso de monitoramento contínuo.
Na quarta-feira, 13 de julho de 2022, o Brasil deu um passo significativo na proteção de suas crianças mais jovens ao aprovar, por unanimidade, o uso da Coronavac para a faixa etária de 3 a 5 anos — tornando-se o primeiro imunizante contra a covid-19 liberado no país para esse grupo. A decisão da Anvisa, fundamentada em estudos internacionais e na realidade dolorosa de duas mortes infantis diárias desde o início da pandemia, reflete a tensão permanente entre a urgência de agir e a incompletude inevitável do conhecimento científico. Ao autorizar a vacina mesmo reconhecendo lacunas nas evidências, a agência escolheu o peso da vida concreta sobre a espera pela certeza absoluta.
Na quarta-feira, 13 de julho, a Anvisa aprovou por unanimidade o uso da Coronavac em crianças de 3 a 5 anos, tornando-se a primeira vacina contra a covid-19 autorizada no Brasil para essa faixa etária. O Instituto Butantan havia solicitado a expansão da aprovação — que até então cobria crianças a partir de 6 anos — e, após uma primeira negativa em janeiro por dados insuficientes, submeteu novas evidências em março, reiniciando o processo.
A vacina será aplicada em duas doses com intervalo de 28 dias, mantendo a formulação dos adultos. Crianças imunocomprometidas estão excluídas da indicação. Os estudos que embasaram a decisão incluem dados do Chile, onde a Coronavac demonstrou 55% de efetividade na prevenção de hospitalizações nessa faixa etária, além de pesquisas em outros países. As reações adversas registradas foram predominantemente leves, e nenhuma morte foi associada ao imunizante em qualquer grupo etário.
A diretora relatora Meiruze Freitas reconheceu que a vacina não oferece proteção expressiva contra a transmissão, mas defendeu que evitar formas graves da doença — incluindo a síndrome inflamatória multissistêmica e a covid longa — já justifica a autorização. A aprovação, segundo ela, oferece a pais, médicos e gestores públicos uma ferramenta adicional de proteção.
Os números que tornaram a decisão urgente são contundentes: desde o início da pandemia, o Brasil registrou média de duas mortes diárias de crianças menores de cinco anos por covid-19, com 291 óbitos apenas entre janeiro e junho de 2022. Com a aprovação, o Brasil se alinha a países como Chile, China e Estados Unidos, que já vacinavam crianças pequenas. O Butantan ficou comprometido a apresentar dados de estudos clínicos em andamento e a incluir essa faixa etária no monitoramento contínuo de efeitos adversos.
Na quarta-feira, 13 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou por unanimidade o uso da Coronavac em crianças de 3 a 5 anos de idade. É a primeira vacina contra a covid-19 autorizada no Brasil para essa faixa etária. O Instituto Butantan, fabricante do imunizante, havia solicitado a expansão da aprovação, que até então cobria apenas crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, disponível desde janeiro de 2022, além de adultos desde o ano anterior.
A vacina será administrada em duas doses com intervalo de 28 dias entre elas, mantendo a mesma formulação utilizada em adultos. Crianças imunocomprometidas — aquelas que receberam transplantes ou estão em tratamento oncológico — não devem ser vacinadas. A decisão da agência reguladora baseou-se em novos estudos científicos que demonstraram a capacidade do imunizante de proteger contra hospitalizações. Embora reconhecesse lacunas nas evidências disponíveis, a Anvisa considerou haver indicativos suficientes de benefício para autorizar o uso nessa população.
Um estudo de efetividade conduzido no Chile apontou que a Coronavac apresenta 55,06% de efetividade na prevenção de hospitalização em crianças de 3 a 5 anos. Pesquisas preliminares realizadas no Chile, Malásia, Filipinas, Turquia e África do Sul, envolvendo crianças e adolescentes de 6 meses a 17 anos, também indicaram eficácia do imunizante. Além disso, a vacina demonstrou baixo volume de reações adversas na população pediátrica, predominantemente leves, como dor no local da injeção. Nenhuma morte foi registrada decorrente da vacinação com a Coronavac em qualquer faixa etária. Estudos brasileiros em andamento pela Universidade Federal do Espírito Santo e pela Fundação Oswaldo Cruz também sugeriram benefícios do imunizante para crianças.
A diretora Meiruze Freitas, relatora do processo, reconheceu em seu voto que há indícios de que a vacina não oferece proteção expressiva contra a transmissão da doença. Ainda assim, argumentou que a vacinação pode ajudar a evitar que as crianças desenvolvam formas graves da enfermidade. Apesar das limitações e incertezas quanto à eficácia completa, Freitas considerou apropriado permitir que gestores públicos de saúde, médicos e pais considerassem a Coronavac como uma estratégia para reduzir os danos causados pela covid-19. Ela também mencionou a circulação de novas variantes com alta transmissibilidade e o risco de complicações graves, como a síndrome inflamatória multissistêmica e a covid longa.
Os números que fundamentaram a urgência dessa aprovação são significativos. Desde o início da pandemia, o Brasil registrou uma média de duas mortes diárias de crianças menores de cinco anos por covid-19. Entre janeiro e 11 de junho de 2022, foram contabilizadas 291 mortes nessa faixa etária. Um levantamento do Observatório da Primeira Infância da Fiocruz identificou esses dados. O diretor da Anvisa, Romison Mota, reforçou a preocupação com o risco de complicações graves na população pediátrica.
O caminho até essa aprovação não foi direto. Quando a Coronavac foi autorizada para crianças acima de 6 anos em janeiro, o Instituto Butantan já pleiteava a liberação a partir dos 3 anos. A Anvisa, porém, considerou naquele momento que os dados apresentados eram insuficientes. Novos dados foram submetidos em março, reiniciando o processo de avaliação. Nos últimos meses, grupos de pais organizados nas redes sociais pressionavam pela celeridade na aprovação, assim como sociedades médicas que destacavam a importância de ampliar a cobertura vacinal.
A aprovação também determina que o Instituto Butantan se comprometa a apresentar dados de estudos clínicos controlados em andamento e a incluir essa faixa etária no monitoramento contínuo de efeitos adversos. Internacionalmente, a vacinação de crianças menores de 5 anos já ocorre em vários países. Os Estados Unidos autorizaram o uso emergencial das vacinas da Moderna e Pfizer em bebês a partir de 6 meses. No Chile, a Coronavac é aplicada desde dezembro de 2021 em crianças a partir de 3 anos, assim como na China e Hong Kong. Com essa aprovação, o Brasil se alinha a essas práticas globais, oferecendo aos pais e médicos uma ferramenta adicional para proteger as crianças mais jovens contra a covid-19.
Notable Quotes
A totalidade das evidências científicas disponíveis sugerem que há indicativos de benefício para a utilização da vacina na população pediátrica— Área técnica da Anvisa
Vacinar crianças pode ajudar a evitar que fiquem gravemente doentes, apesar das limitações e incertezas quanto à eficácia completa— Diretora Meiruze Freitas, Anvisa