Debate-mico revela estratégias de Cury, Renan e Caiado para a campanha presidencial

Ele já é considerado carta fora do baralho
A indiferença dos candidatos em relação a Romeu Zema revela seu status irrelevante na corrida presidencial.
Mark

Por que Cury insistiu tanto em frases poéticas e de autoajuda em um debate presidencial?

Mimi

Porque é o que ele tem. Cury não é político tradicional — é um psiquiatra que vendeu milhões de livros com mensagens otimistas. Ele está apostando que em um momento de polarização e raiva, o eleitorado pode estar cansado e receptivo a alguém que promete paz e cura. É uma aposta arriscada, mas é a única que ele tem.

Mark

E Renan? Por que ele xingou tanto, até rejeitando votos?

Mimi

Renan está consolidando um nicho muito específico: o eleitor que quer alguém que diga as coisas que ele pensa mas não pode falar em público. Ao rejeitar votos de quem ele chama de canalha, ele está dizendo: eu não preciso de você, eu tenho meus princípios. É uma estratégia de pureza que funciona em nichos, mas tem teto.

Mark

Caiado pareceu mais contido. Qual era sua estratégia?

Mimi

Caiado está vendendo competência. Ele é governador, tem números para mostrar, tem experiência. Enquanto Cury vende esperança e Renan vende raiva, Caiado vende a ideia de que ele sabe como fazer as coisas funcionarem. É menos emocionante, mas é mais sólido.

Mark

Por que Lula e Flávio não foram?

Mimi

Porque não precisam. Eles lideram as pesquisas. Aparecer em um debate com candidatos nanicos seria dar visibilidade a quem está desesperado por relevância. Melhor ficar fora e deixar que os outros gastem energia atacando você.

Mark

E Zema? Por que ninguém nem mencionou?

Mimi

Porque ele já morreu politicamente. Não é nem digno de ataque. É o pior lugar em que um candidato pode estar — não é forte o suficiente para ser ameaça, não é fraco o suficiente para ser alvo. É invisível.

  • Sem os dois favoritos na sala, o debate se transformou em um tribunal improvisado onde Lula e Flávio foram julgados à revelia por corrupção, omissão e ausência de caráter.
  • Renan Santos cruzou linhas com linguagem agressiva e declarações que beiraram a transfobia e a misoginia, enquanto prometia 'banho de sangue' no combate ao crime — e sua equipe já havia ensaiado a captura dos púlpitos vazios para postar nas redes.
  • Augusto Cury apostou no lirismo e no otimismo como antídoto ao ambiente político corrosivo, chegando a promover um de seus livros ao vivo, transformando o debate em extensão de sua marca de autoajuda.
  • Caiado repetiu sua fórmula conhecida, invocando Goiás como prova de competência administrativa e posicionando-se como o candidato experiente e moralmente superior aos demais.
  • Romeu Zema foi o grande ausente invisível: ignorado até mesmo nas críticas, sua irrelevância foi selada não pelo ataque, mas pelo silêncio absoluto dos adversários.

Na noite de domingo, três candidatos presidenciais de baixo desempenho nas pesquisas subiram ao palco da Band não apenas para debater, mas para esculpir, diante das câmeras, as identidades que esperam carregar até outubro. A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro, longe de esvaziar o evento, tornou-se o próprio combustível da noite — um espelho em que Caiado, Renan e Cury projetaram suas críticas e afirmaram suas diferenças. É o eterno paradoxo da política: os ausentes, por vezes, dominam o palco com mais força do que os presentes.

Três candidatos que ainda não emplacaram nas pesquisas subiram ao palco da Band no domingo com um propósito compartilhado: usar o debate para consolidar as imagens que pretendem levar até outubro. Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury sabiam de antemão que Lula e Flávio Bolsonaro não compareceriam — e transformaram essa ausência em munição.

Cury chegou ao estúdio com dose generosa de teatro. Protagonizou uma cena de vai-não-vai na porta da emissora que serviu ao seu propósito: reforçar a imagem de pacificador nacional. Ao longo da noite, caprichou nas frases de efeito — chamou professores de 'cozinheiros do conhecimento' e disse que 'a vida é bela e breve como gota de orvalho'. Em determinado momento, chegou a fazer propaganda de um de seus livros, usando o lirismo como diferencial em um campo político cada vez mais áspero.

Renan escolheu o caminho oposto. Xingou Lula e Flávio de canalhas e criminosos, chamou o governo de porcaria e usou linguagem que beirou a transfobia e a misoginia ao se referir a Erika Hilton e à primeira-dama Janja. Na segurança, prometeu 'banho de sangue' nos criminosos. Sua campanha demonstrou ainda destreza digital: assessores haviam ensaiado a captura das imagens dos púlpitos vazios para postagem imediata nas redes — nada foi improviso.

Caiado repetiu a fórmula que o levou ao governo de Goiás: referências autoelogiosas à segurança, educação, saúde e economia do estado, posicionando-se como o candidato experiente e pragmático. Sutilmente, explorou a seu favor ser o mais velho dos três, invocando uma 'autoridade moral' que faltaria aos adversários.

Os três atuaram de forma coordenada contra os ausentes, explorando casos como Lulinha e Master. Caiado teve boa sacada ao falar de 'Dark Horse e Dark lobby'. O trio jogou entrosado, com raciocínios que frequentemente se completavam.

Mas nem todos os ausentes receberam o mesmo tratamento. Romeu Zema passou completamente despercebido — sem críticas, sem menções, sem existência no debate. A indiferença dos três em relação a ele foi talvez o sinal mais eloquente da noite: enquanto Lula e Flávio eram atacados com coordenação, Zema simplesmente não existia.

Três candidatos presidenciais que ainda não decolam nas pesquisas subiram ao palco da Band na noite de domingo com um objetivo claro: usar o debate para consolidar as imagens que pretendem levar até outubro. Ronaldo Caiado, do PSD, Renan Santos, da Missão, e Augusto Cury, do Avante, sabiam que Lula e Flávio Bolsonaro não compareceriam, e aproveitaram a ausência para montar um ataque coordenado contra os dois favoritos — enquanto cada um reforçava sua própria marca de campanha.

Cury chegou ao debate com uma dose generosa de teatro. Protagonizou uma cena de vai-não-vai na porta da emissora que beirou o ridículo, mas que serviu a seu propósito: reforçar a imagem de pacificador nacional que ele quer vender ao eleitorado. Seu slogan, "o Brasil tem cura", resume bem a estratégia. Como autor de best-sellers de autoajuda, Cury caprichou nas frases de efeito durante toda a noite. Chamou professores de "cozinheiros do conhecimento, que não têm apetite em razão da intoxicação digital". Em outro momento, poeticamente, disse que "a vida é bela e breve como gota de orvalho". Em determinado ponto, ao falar da necessidade de uma atitude positiva, chegou a fazer propaganda de um de seus livros. A estratégia era clara: usar a lirismo e o otimismo como diferencial em um campo político cada vez mais áspero.

Renan escolheu o caminho oposto. Fiel a seu estilo de franco-atirador, investiu pesado na verborragia e no choque. Xingou Lula e Flávio Bolsonaro de canalhas e criminosos, chamou o governo de porcaria e não hesitou em cruzar linhas ao se referir à deputada federal Erika Hilton e à primeira-dama Janja da Silva com linguagem que beirava a transfobia e a misoginia. Na segurança, seu principal trunfo de campanha, prometeu um "banho de sangue" e "passar a rapa" nos criminosos. Renan cumpriu seu papel de candidato "antissistema" com eficiência, ocupando um nicho que vem explorando há meses. Numa atitude talvez inédita na política, chegou a rejeitar publicamente votos de alguns eleitores, chamando-os também de "canalhas". Sua campanha, aliás, demonstrou destreza digital: assessores capturaram imagens dos púlpitos vazios de Lula e Flávio e as postaram rapidamente nas redes. Não foi improviso — a estratégia havia sido ensaiada, inclusive com uma reprodução do púlpito para ensaio.

Caiado, por sua vez, repetiu a fórmula que o levou ao governo de Goiás: Goiás, Goiás e mais Goiás. Sua goianidade explícita não surpreende, já que sua experiência administrativa é seu maior trunfo. Ao longo do debate, fez referências autoelogiosas à segurança, educação, saúde e economia do estado do Centro-Oeste — às vezes com uma intensidade que pareceu excessiva. Sutilmente, também soube explorar a seu favor o fato de ser o mais velho dos três, reforçando ter uma "autoridade moral" que faltaria aos adversários. A estratégia era clara: vender-se como o candidato experiente e pragmático.

Os três atuaram de forma coordenada contra os ausentes. Exploraram os flancos de Lula e Flávio na área de corrupção, trazendo à tona casos como Lulinha e Master. Caiado teve uma boa sacada ao falar de "Dark Horse e Dark lobby". O trio que compareceu ao estúdio jogou entrosado, com raciocínios que frequentemente se completavam — uma demonstração de que, apesar das diferenças de estilo, havia um entendimento tácito sobre o alvo principal da noite.

Mas nem todos os ausentes receberam o mesmo tratamento. Romeu Zema, do Novo, passou completamente despercebido. Não recebeu nem mesmo críticas por ter faltado. A indiferença dos três candidatos em relação a Zema é talvez o sinal mais claro de seu status na corrida: ele já é considerado carta fora do baralho, alguém tão irrelevante que nem merece ser atacado. Enquanto Lula e Flávio foram alvo de críticas coordenadas, Zema simplesmente não existiu no debate.

O Brasil tem cura
— Augusto Cury, resumindo sua estratégia de campanha
Professores são cozinheiros do conhecimento, que não têm apetite em razão da intoxicação digital
— Augusto Cury, em frase de efeito durante o debate
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