Em setembro de 2026, o Brasil contempla a si mesmo dividido não apenas por opiniões, mas por estruturas mais profundas: renda, fé e escolaridade traçam fronteiras quase tão nítidas quanto as geográficas. O Datafolha revela que Lula e Flávio Bolsonaro disputam não um eleitorado único, mas múltiplos eleitorados sobrepostos — cada um com sua própria lógica de pertencimento e desconfiança. O empate técnico no segundo turno, 46% a 44%, não é ausência de escolha, mas expressão de um país que ainda não encontrou uma narrativa capaz de atravessar suas próprias fraturas.
Datafolha: Lula lidera entre pobres; Flávio avança nas classes mais altas
Lula ganha entre pobres e católicos; Flávio entre ricos e evangélicos
O que essa pesquisa realmente nos diz sobre como o Brasil está dividido?
Que a divisão não é principalmente por idade ou região — é por classe e religião. Lula ganha entre os pobres e católicos. Flávio ganha entre os ricos e evangélicos. Essas são as fraturas que importam.
Mas precisamos ser precisos: Lula tem 47% entre os mais pobres, Flávio tem 27%. Isso não é empate. Mas entre os ricos, Flávio tem 47% e Lula tem 27%. É o espelho perfeito.
E por que a idade não importa tanto quanto esperaríamos?
Porque a idade sozinha não determina voto. Um jovem rico vota diferente de um jovem pobre. A classe atravessa todas as gerações.
Verdade, mas note: entre os mais velhos, Lula tem 42% e Flávio 34%. Isso é oito pontos. A margem de erro é cinco. Então tecnicamente empatados, mas há uma tendência.
E a religião? Flávio tem 50% entre evangélicos?
Tem. Enquanto Lula tem apenas 22%. É uma diferença de 28 pontos. Entre católicos é o oposto: Lula 46%, Flávio 29%. A religião é quase tão estruturante quanto a classe.
Sim, mas lembre-se: essas margens de erro são de três e quatro pontos. Então essas diferenças são reais, não ruído estatístico.
O que muda se chegarmos ao segundo turno?
Pouco. Lula fica em 46%, Flávio em 44%. É o mesmo empate que havia antes. Nenhum dos dois consegue romper para cima.
E isso é importante: em um segundo turno, você esperaria que os votos se consolidassem mais. Mas não está acontecendo. O eleitorado permanece muito dividido e muito indeciso.
Der Puls
- A divisão de classe emerge como o fator mais determinante: Lula domina entre os mais pobres com 47%, enquanto Flávio inverte o quadro nas faixas de renda mais alta, chegando a 47% entre quem ganha acima de cinco salários mínimos.
- A religião reacende a polarização com intensidade: evangélicos favorecem Flávio por 50% a 22%, enquanto católicos preferem Lula por 46% a 29% — uma das clivagens mais profundas do eleitorado brasileiro.
- A escolaridade segue a mesma lógica de inversão: Lula lidera por 28 pontos entre eleitores com ensino fundamental, mas perde terreno progressivamente conforme a instrução aumenta.
- O Nordeste é o único reduto fora do empate técnico, com Lula em 53% e Flávio em 25%; nas demais regiões, a disputa permanece tecnicamente indefinida.
- No segundo turno, o placar de 46% a 44% repete o empate da rodada anterior, sinalizando um eleitorado polarizado com poucos votos ainda em trânsito.
Em setembro de 2026, o Brasil contempla a si mesmo dividido não apenas por opiniões, mas por estruturas mais profundas: renda, fé e escolaridade traçam fronteiras quase tão nítidas quanto as geográficas. O Datafolha revela que Lula e Flávio Bolsonaro disputam não um eleitorado único, mas múltiplos eleitorados sobrepostos — cada um com sua própria lógica de pertencimento e desconfiança. O empate técnico no segundo turno, 46% a 44%, não é ausência de escolha, mas expressão de um país que ainda não encontrou uma narrativa capaz de atravessar suas próprias fraturas.
A pesquisa Datafolha divulgada em setembro de 2026 revela um eleitorado profundamente segmentado por classe social. Lula concentra 47% das intenções de voto entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, mas essa vantagem se dissolve — e se inverte — nas faixas superiores. Entre quem ganha de dois a cinco salários mínimos, Flávio Bolsonaro marca 42% contra 31% de Lula; acima de cinco salários mínimos, o senador sobe para 47% enquanto o presidente cai para 27%. As margens de erro confirmam que essas diferenças são estatisticamente robustas.
Por idade, o quadro se nivela: os dois candidatos estão tecnicamente empatados em todas as cinco faixas etárias analisadas, incluindo entre os mais jovens e os mais velhos. A religião, porém, reintroduz a polarização com força. Católicos preferem Lula por 46% a 29%; entre evangélicos, a situação se inverte radicalmente, com Flávio em 50% e Lula em apenas 22%. Entre mulheres, Lula mantém vantagem de 41% a 30%; entre homens, Flávio aparece numericamente à frente, mas dentro do empate técnico.
A escolaridade segue padrão semelhante ao da renda. Lula domina entre eleitores com ensino fundamental por 52% a 24%, mas perde essa vantagem conforme a instrução avança — no ensino médio e superior, a disputa cai no empate técnico. Regionalmente, o Nordeste é o único território onde uma liderança clara emerge: Lula com 53%, Flávio com 25%. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste/Norte, o senador aparece numericamente à frente ou empatado, mas sempre dentro das margens de erro.
No cenário de segundo turno, Lula teria 46% e Flávio 44% — o mesmo empate técnico registrado na rodada anterior. No total da amostra, Lula oscilou de 38% para 39% e Flávio subiu de 33% para 35%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre 8 e 10 de setembro, com margem de erro nacional de dois pontos percentuais, e está registrada no TSE sob o número BR-01833/2026.
A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira traça um retrato eleitoral profundamente dividido por classe social. O presidente Lula domina entre os mais pobres, capturando 47% das intenções de voto entre eleitores cuja renda familiar não ultrapassa dois salários mínimos. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, inverte completamente esse quadro nas faixas de renda superior: entre aqueles que ganham de dois a cinco salários mínimos, ele marca 42% contra 31% de Lula, e na faixa acima de cinco salários mínimos, sobe para 47% enquanto o presidente cai para 27%. As margens de erro — três pontos na faixa mais pobre, quatro na intermediária e sete na mais alta — garantem que essas diferenças não se dissolvem em incerteza estatística. A divisão de classe emerge como o fator mais estruturante da disputa.
Quando o foco muda para a idade, o quadro se nivela. Lula e Flávio estão tecnicamente empatados em todas as cinco faixas etárias analisadas. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, Lula tem 36% e Flávio 34%. Na faixa de 25 a 34 anos, os números se invertem ligeiramente: 35% para Lula e 36% para Flávio. Dos 35 aos 44 anos e dos 45 aos 59 anos, ambos marcam 39% e 35%, respectivamente. Apenas entre os eleitores com 60 anos ou mais Lula abre uma vantagem mais clara, com 42% contra 34% de Flávio, mas mesmo essa diferença de oito pontos permanece dentro do empate técnico considerando a margem de cinco pontos naquele segmento.
A religião, porém, reintroduz a polarização com força. Entre católicos, Lula lidera por 46% a 29%. Entre evangélicos, a situação se inverte radicalmente: Flávio chega a 50% enquanto Lula fica em apenas 22%. Essa clivagem religiosa reflete uma das fraturas mais profundas do eleitorado brasileiro. Entre as mulheres, Lula mantém vantagem confortável com 41% contra 30% de Flávio. Entre os homens, Flávio aparece numericamente à frente com 40% contra 36% de Lula, embora a diferença se dissolva no empate técnico.
O nível de escolaridade também segmenta o voto de forma clara. Lula domina entre eleitores com ensino fundamental, alcançando 52% contra 24% de Flávio — uma diferença de 28 pontos que reflete sua força entre os menos instruídos. Conforme a escolaridade aumenta, essa vantagem desaparece. Entre os que completaram o ensino médio, Flávio marca 40% e Lula 35%, em empate técnico. Entre os com ensino superior, o senador sobe para 37% enquanto o presidente fica em 30%, mantendo o empate técnico.
Regionalmente, o Nordeste é a única área onde uma liderança clara emerge fora do empate técnico. Lula repete os 53% da pesquisa anterior enquanto Flávio marca apenas 25%, uma diferença de 28 pontos que consolida a região como seu reduto mais seguro. No Sul, Flávio aparece com 40% contra 29% de Lula, uma diferença de 11 pontos que, apesar de numericamente significativa, permanece dentro do empate técnico considerando a margem de seis pontos. No Sudeste, Flávio tem 37% e Lula 35%, tecnicamente empatados. No agrupamento Centro-Oeste/Norte, o senador marca 40% contra 32% do presidente, também dentro do empate técnico.
No cenário de segundo turno, a disputa se aperta ainda mais. Lula teria 46% e Flávio 44%, mantendo o empate técnico que já havia sido registrado na rodada anterior. Essa estabilidade sugere um eleitorado polarizado mas ainda em movimento, com poucos votos flutuantes disponíveis para qualquer um dos candidatos.
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores de 16 anos ou mais em 125 municípios entre 8 e 10 de setembro. No total da amostra, Lula oscilou de 38% para 39%, enquanto Flávio subiu de 33% para 35% em relação à rodada anterior. Augusto Cury, do Avante, caiu de 8% para 6%. A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026.
Bemerkenswerte Zitate
Lula lidera entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos com 47%, enquanto Flávio Bolsonaro fica à frente nas duas faixas acima desse patamar— Datafolha