Em um Brasil que se fragmenta por dentro enquanto os números gerais permanecem estáveis, a mais recente pesquisa Datafolha revela não uma corrida eleitoral, mas dois países sobrepostos: um que vota em Lula e outro que vota em Flávio Bolsonaro. Com 47% contra 43% em cenário de segundo turno, a vantagem do presidente persiste há meses — mas é nas camadas internas, divididas por gênero, raça, renda e fé, que a verdadeira tensão da democracia brasileira se manifesta.
Datafolha: Lula lidera entre mulheres e pobres; Flávio domina entre evangélicos
Flávio marca 62% entre evangélicos; Lula, apenas 29%
Por que esses números praticamente não mudaram em um mês? Parece congelado.
Porque o eleitorado já está bastante definido neste ponto. Não há muita volatilidade — as pessoas já sabem em quem votam. O que muda é a margem, não a direção.
Então a eleição já está decidida?
Não. Quatro pontos é margem confortável, mas dentro da margem de erro quando você olha para subgrupos. E há regiões inteiras ainda em jogo — o Sudeste está tecnicamente empatado.
Por que Flávio é tão forte entre evangélicos? É uma vantagem que Lula não consegue recuperar?
Evangélicos tendem a priorizar pautas morais e conservadoras. Flávio herda parte do capital político da família Bolsonaro nesse segmento. Lula teria que mudar sua própria identidade política para competir ali.
E a divisão por renda — isso é novo ou sempre foi assim?
Sempre foi assim, mas ficou mais nítida. Quanto mais pobre, mais Lula. Quanto mais rico, mais Flávio. É quase uma eleição de classe.
O Nordeste é realmente tão petista assim?
Sim. Lula tem 61% lá. É seu território. Flávio precisaria de uma mudança tectônica para virar aquilo.
Então o que decide?
O Sudeste. Se Lula conseguir sair do empate técnico lá, vence. Se Flávio vira aquilo, ele ganha.
Il Polso
- A margem de quatro pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro permanece congelada desde julho, sugerindo um eleitorado já cristalizado em suas escolhas.
- A divisão de gênero é quase absoluta: mulheres favorecem Lula por 13 pontos, enquanto homens favorecem Flávio por 5 — como se dois eleitorados paralelos coexistissem na mesma pesquisa.
- Entre evangélicos, Flávio constrói sua maior fortaleza com 62% contra apenas 29% de Lula, o abismo mais profundo de todo o mapa eleitoral.
- O Nordeste permanece praticamente inexpugnável para o PT, com Lula em 61%, enquanto o Sul responde com 50% para Flávio — e o Sudeste, o mais populoso, permanece em empate técnico e potencialmente decisivo.
- A renda funciona como termômetro invertido: quanto mais pobre o eleitor, mais forte é Lula; quanto mais rico, mais sólido é o apoio a Flávio.
Em um Brasil que se fragmenta por dentro enquanto os números gerais permanecem estáveis, a mais recente pesquisa Datafolha revela não uma corrida eleitoral, mas dois países sobrepostos: um que vota em Lula e outro que vota em Flávio Bolsonaro. Com 47% contra 43% em cenário de segundo turno, a vantagem do presidente persiste há meses — mas é nas camadas internas, divididas por gênero, raça, renda e fé, que a verdadeira tensão da democracia brasileira se manifesta.
A mais recente pesquisa Datafolha projeta um segundo turno praticamente imóvel: Lula com 47%, Flávio Bolsonaro com 43% — margem quase idêntica à de julho. O levantamento ouviu 2.058 eleitores nos dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos, e foi encomendado pela Folha e TV Globo.
Mas a estabilidade agregada esconde um país profundamente partido. Entre mulheres, Lula vence com 51% contra 38% de Flávio. Entre homens, o quadro se inverte: Flávio marca 48%, Lula 43%. A divisão racial segue o mesmo padrão de fraturas: Lula atinge 55% entre eleitores pretos e 48% entre pardos, enquanto Flávio lidera entre brancos com 47%.
A renda amplifica tudo isso. Lula domina entre os que ganham até dois salários mínimos, com 55% contra 35%. Conforme a renda sobe, o apoio migra para Flávio, que chega a 54% entre os mais ricos. A religião oferece o contraste mais nítido de todos: católicos preferem Lula por 54% a 36%, mas evangélicos constroem a maior fortaleza de Flávio — 62% contra apenas 29%.
Geograficamente, o Nordeste é reduto petista com 61% para Lula. O Sul responde com 50% para Flávio. O Sudeste, região mais populosa do país, permanece em empate técnico — 46% a 43% — e pode ser o território onde a eleição se decide. O que os números revelam, no fundo, são duas coalizões que mal se tocam: de um lado, mulheres, negros, pobres e católicos; do outro, homens, brancos, ricos e evangélicos. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-04496/2026.
A mais recente rodada de pesquisa Datafolha desenha um cenário de segundo turno praticamente congelado no tempo. O presidente Lula segue à frente do senador Flávio Bolsonaro por uma margem de quatro pontos percentuais — 47% contra 43% — praticamente idêntica à registrada um mês antes, quando marcava 48% e seu adversário, 43%. O levantamento, realizado nos dias 18 e 19 de agosto junto a 2.058 eleitores, carrega margem de erro de dois pontos percentuais e foi encomendado pela Folha e TV Globo.
Mas a estabilidade no agregado mascara uma geografia política profundamente dividida. Quando se observa quem vota em quem, emerge um retrato do Brasil fragmentado por classe, religião, cor e gênero — cada segmento respondendo a apelos distintos.
Entre as mulheres, a vantagem de Lula é esmagadora. Ele recolhe 51% das intenções de voto contra apenas 38% de Flávio, uma diferença que se mantém praticamente inalterada desde julho. Entre os homens, porém, o quadro se inverte: Flávio marca 48% enquanto Lula fica em 43%, configurando um empate técnico. A divisão de gênero é tão clara que parece quase dois eleitorados diferentes respondendo a pesquisas diferentes.
A questão racial aprofunda ainda mais essas fraturas. Lula atinge seu pico entre eleitores que se declaram pretos, com 55% contra 37% de Flávio. Entre pardos, mantém vantagem: 48% a 42%. Mas entre brancos, a ordem se inverte completamente — Flávio sai na frente com 47% contra 41% de Lula. A renda amplifica esse padrão. Lula domina entre os mais pobres, aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, onde alcança 55% contra 35% de Flávio. Conforme a renda sobe, o apoio migra: na faixa de dois a cinco salários, Flávio lidera com 51% contra 37% de Lula. Entre os que ganham acima de cinco salários, o senador amplia ainda mais sua vantagem para 54% contra 39%.
A religião oferece talvez o contraste mais nítido. Entre católicos, Lula vence com folga: 54% a 36%. Mas entre evangélicos, Flávio constrói sua maior fortaleza, alcançando 62% das intenções de voto contra apenas 29% de Lula — uma diferença de 33 pontos percentuais que representa o abismo mais profundo do mapa eleitoral.
Regionalmente, o Nordeste permanece reduto petista praticamente inexpugnável. Lula marca 61% contra 30% de Flávio, sua melhor performance em qualquer recorte geográfico. No Sul, Flávio recupera terreno com 50% contra 38% do presidente. No Sudeste, há empate técnico: 46% para Flávio e 43% para Lula. No agrupamento Centro-Oeste e Norte, a situação se repete, com Flávio em 49% e Lula em 42%.
O que emerge desses números é menos uma corrida eleitoral tradicional e mais um mapa de duas coalizões que se tocam apenas nas margens. Lula consolida apoio entre mulheres, negros, pobres e católicos, com força particular no Nordeste. Flávio constrói sua base entre homens, brancos, ricos, evangélicos e no Sul. O Sudeste, região mais populosa do país, permanece em suspenso — tecnicamente empatado, potencialmente decisivo. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
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Os recortes mostram diferenças maiores de acordo com o perfil do eleitor— Datafolha