No final de março de 2022, uma pesquisa Datafolha revelou que o Brasil caminhava para uma eleição presidencial com contornos já bastante definidos: Luiz Inácio Lula da Silva liderava as intenções de voto em todas as faixas etárias, regiões e grupos raciais, com exceção dos evangélicos, onde Bolsonaro mantinha uma vantagem estreita. O dado mais expressivo vinha dos jovens de 15 a 24 anos — grupo historicamente disperso em suas preferências —, entre os quais Lula reunia 51% das intenções, sinalizando que a geração que mais recentemente chegou à vida política inclinava-se com força para o ex-pres
Datafolha: Lula lidera com 51% entre jovens de 15 a 24 anos
Lula vence em todas as faixas etárias, mas sua vantagem é mais aguda entre os jovens
Como uma vantagem de 29 pontos entre jovens se traduz em termos de campanha? É realmente tão decisiva assim?
Jovens são voláteis, mas 51% é uma concentração notável. Significa que Lula não apenas lidera — ele tem a maioria absoluta nesse grupo. Para Bolsonaro, 22% é praticamente um piso.
Mas precisamos lembrar: essa é uma pesquisa de intenção de voto, não de mobilização. Quantos desses jovens de 15 a 24 anos realmente votam? A taxa de comparecimento eleitoral nessa faixa é historicamente baixa.
Ponto justo. Mas o dado sobre o Nordeste é mais sólido — 62% dizendo que não votariam em Bolsonaro "de jeito nenhum" é uma rejeição estrutural, não apenas preferência.
E entre evangélicos, onde Bolsonaro vence, a margem é tão pequena que parece estar se erodindo também.
Três pontos de diferença entre evangélicos está dentro da margem de erro. Tecnicamente, é um empate. O que importa é se essa erosão é real ou flutuação normal.
O padrão que salta aos olhos é a consistência: Lula lidera em todas as faixas etárias, em quase todas as regiões, entre negros, entre católicos. Não é um candidato com um nicho forte — é um candidato com uma coalizão.
Então Bolsonaro está em apuros?
Ele está em posição defensiva, sem dúvida. Mas uma pesquisa de março não é o resultado de outubro. O que importa agora é se esses números se mantêm ou se movem.
O Pulso
- Lula vence Bolsonaro por 29 pontos percentuais entre jovens de 15 a 24 anos — 51% contra 22% —, sua maior vantagem em qualquer recorte etário.
- No Nordeste, território historicamente petista, a distância chega a 35 pontos, e 62% dos entrevistados afirmam categoricamente que jamais votariam em Bolsonaro.
- A religião divide o eleitorado: entre católicos, Lula domina com 48% contra 23% de Bolsonaro; entre evangélicos, o presidente consegue sua única vitória, por margem apertada de 37% a 34%.
- Entre eleitores negros, Lula alcança 52% contra apenas 18% de Bolsonaro, enquanto até entre brancos mantém a dianteira com 37% ante 31%.
- Bolsonaro permanece confinado a nichos específicos — evangélicos e eleitores acima de 45 anos —, enfrentando o desafio estrutural de expandir sua base antes do pleito de outubro.
No final de março de 2022, uma pesquisa Datafolha revelou que o Brasil caminhava para uma eleição presidencial com contornos já bastante definidos: Luiz Inácio Lula da Silva liderava as intenções de voto em todas as faixas etárias, regiões e grupos raciais, com exceção dos evangélicos, onde Bolsonaro mantinha uma vantagem estreita. O dado mais expressivo vinha dos jovens de 15 a 24 anos — grupo historicamente disperso em suas preferências —, entre os quais Lula reunia 51% das intenções, sinalizando que a geração que mais recentemente chegou à vida política inclinava-se com força para o ex-presidente. O retrato era o de um eleitorado em movimento, mas com uma direção predominante.
A pesquisa Datafolha divulgada em março de 2022, que ouviu 2.556 pessoas com margem de erro de dois pontos percentuais, ofereceu um retrato detalhado de um eleitorado que já sinalizava suas preferências com clareza. O dado mais marcante vinha dos jovens: entre os 15 e os 24 anos, Lula concentrava 51% das intenções de voto, deixando Bolsonaro em apenas 22% — uma vantagem de 29 pontos em um grupo que historicamente costuma fragmentar seu apoio entre candidatos.
A liderança do ex-presidente não se restringia aos jovens. Ele vencia em todas as faixas etárias, embora com intensidades diferentes. Entre os eleitores com mais de 60 anos, sua margem encolhia para 39%, ainda assim suficiente para manter a dianteira. Bolsonaro encontrava seu melhor desempenho entre os eleitores acima de 45 anos, onde chegava a 29% — distante de Lula em todos os cenários.
A geografia eleitoral aprofundava as fraturas. No Nordeste, Lula acumulava 55% contra 20% de Bolsonaro, com 62% dos entrevistados afirmando que não votariam no presidente sob nenhuma circunstância. Mesmo no Sul, região mais favorável a Bolsonaro, a diferença era de apenas seis pontos — 39% a 33% para Lula.
Religião e raça desenhavam linhas igualmente nítidas. Entre evangélicos, Bolsonaro obtinha sua única vitória, por margem estreita de 37% a 34%. Entre católicos, a situação se invertia: Lula com 48%, Bolsonaro com 23%. No recorte racial, o ex-presidente dominava entre eleitores negros com 52% contra 18% do presidente, e mantinha vantagem até entre brancos.
O quadro geral era o de uma coalizão ampla e diversa consolidada em torno de Lula — jovens, nordestinos, católicos, eleitores negros —, enquanto Bolsonaro permanecia dependente de nichos específicos, com o desafio de ampliar seu alcance antes de outubro.
A pesquisa Datafolha divulgada no final de março de 2022 capturou um eleitorado brasileiro em movimento, e o retrato mais nítido aparecia entre os mais jovens. Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente do PT, reunia 51% das intenções de voto entre adolescentes e adultos jovens de 15 a 24 anos — uma margem que o colocava à frente de todos os demais candidatos nessa faixa etária e sinalizava uma vantagem estrutural em um grupo que historicamente fragmenta seu voto.
O levantamento, que ouviu 2.556 pessoas entre 22 e 23 de março com margem de erro de dois pontos percentuais, revelava que a liderança de Lula não era um fenômeno isolado dos jovens. Ele vencia em todas as faixas etárias — uma raridade em pesquisas presidenciais. Mas a intensidade dessa vantagem variava drasticamente conforme a idade. Enquanto conquistava mais da metade dos votos entre os 15 e 24 anos, sua margem encolhia para 39% entre os eleitores com mais de 60 anos, ainda assim mantendo a dianteira. Jair Bolsonaro, o presidente em exercício pelo PL, chegava a apenas 22% entre os jovens, sua pior performance em qualquer recorte etário. O grupo que mais o apoiava era formado por eleitores acima de 45 anos, onde alcançava 29% — ainda assim distante de Lula. Ciro Gomes e Sérgio Moro, respectivamente do PDT e do Podemos, permaneciam marginais na disputa, empatados tecnicamente em praticamente todos os segmentos.
A geografia eleitoral revelava fraturas ainda mais profundas. No Nordeste, região que historicamente constitui o maior reduto de votação petista, Lula acumulava 55% das intenções de voto contra 20% de Bolsonaro — uma vantagem de 35 pontos percentuais que tornava aquele território praticamente inacessível para o presidente. Naquela região, 62% dos entrevistados afirmaram categoricamente que não votariam em Bolsonaro sob nenhuma circunstância. A menor distância entre os dois candidatos aparecia no Sul, onde Lula tinha 39% e Bolsonaro 33%, sugerindo que mesmo em seu terreno mais favorável, o presidente enfrentava uma competição acirrada.
A religião e a raça desenhavam linhas de divisão igualmente significativas. Entre os evangélicos, Bolsonaro conseguia sua única vitória clara: 37% contra 34% de Lula, uma margem apertada que indicava que mesmo esse grupo, historicamente sua base mais sólida, não era monolítico. Entre os católicos, a situação se invertia completamente — Lula alcançava 48% enquanto Bolsonaro ficava com 23%. No recorte racial, o ex-presidente dominava entre os eleitores negros com 52% contra 18% do presidente. Até entre os brancos, onde a disputa era mais equilibrada, Lula mantinha a dianteira com 37% ante 31% de Bolsonaro.
O quadro geral que emergia da pesquisa era o de um candidato que havia consolidado uma coalizão ampla — jovens, nordestinos, católicos, eleitores negros — enquanto seu principal adversário permanecia confinado a nichos específicos, particularmente entre evangélicos e eleitores mais velhos. A pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-08967/2022, oferecia um instantâneo de um momento em que a corrida presidencial de 2022 já apresentava contornos bem definidos, com Lula em posição de força e Bolsonaro enfrentando o desafio de expandir seu apoio além de suas bases consolidadas.
Citações Notáveis
62% dos entrevistados no Nordeste disseram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum— Pesquisa Datafolha