Datafolha: Lula mantém 45% e abre 11 pontos sobre Bolsonaro a 23 dias do pleito

A vantagem se mantinha, mas as chances de vitória no primeiro turno diminuíam
Lula oscilava para baixo em votos válidos enquanto se aproximava o dia da eleição.
Mark

Como uma pesquisa feita logo após as manifestações de 7 de setembro consegue medir o impacto real daquele dia? Não há um atraso natural?

Mimi

A Datafolha coletou dados nos dias 8 e 9, então sim, estava medindo reações muito imediatas. Mas você tem razão em questionar — mudanças de opinião profundas podem levar dias ou semanas para aparecer em pesquisas.

Luke

E é importante notar que a pesquisa diz explicitamente que não houve impacto imediato. Isso não significa que não haverá impacto depois. É um retrato de um momento muito específico.

Mark

A queda de Lula nos votos válidos é preocupante para ele? De 54% em maio para 48% agora?

Mimi

Sim, porque significa que suas chances de vencer no primeiro turno estão diminuindo. Se cair mais, vai para o segundo turno.

Luke

Mas aqui está o detalhe: isso pode ser apenas volatilidade natural em uma campanha, ou pode ser consolidação de voto em Bolsonaro. A pesquisa mostra que 77% estão decididos, então há pouco espaço para mudança. Precisaríamos de mais dados para saber se é tendência ou flutuação.

Mark

Por que Bolsonaro mantém tanta vantagem entre evangélicos mesmo com Lula investindo pesadamente nesse segmento?

Mimi

Porque a relação entre Bolsonaro e evangélicos é estrutural, não apenas eleitoral. Vai além de campanha.

Luke

Verdade, mas a pesquisa não nos diz por quê. Ela só mostra os números. Seria importante entender se Lula está ganhando terreno nesse segmento ou se está estagnado.

Mark

O Auxílio Brasil em R$ 600 não está funcionando?

Mimi

Aparentemente não, pelo menos não até o momento da pesquisa. Lula continua com 54% entre os mais pobres.

Luke

Mas a primeira parcela saiu em agosto. Essa pesquisa é de setembro. Talvez o efeito ainda não tenha se consolidado, ou talvez nunca se consolide. Não sabemos ainda.

  • Com 77% do eleitorado declarando voto definitivo, a eleição mais polarizada da história recente do Brasil caminha para seu desfecho com pouco espaço para surpresas de última hora.
  • As manifestações de 7 de setembro, aposta política de Bolsonaro, não moveram o ponteiro: a avaliação do governo e as intenções de voto permaneceram praticamente congeladas nos dias seguintes.
  • Lula vê sua chance de vitória no primeiro turno encolher pesquisa após pesquisa — de 54% dos votos válidos em maio para 48% agora —, sinalizando que o segundo turno se torna cenário cada vez mais provável.
  • No eleitorado evangélico, Bolsonaro mantém vantagem expressiva de 51% a 28%, resistindo aos esforços de Lula para penetrar nesse segmento decisivo.
  • Em segundo turno, Lula sustenta 53% contra 39% de Bolsonaro, margem estável que sugere um teto de crescimento para o presidente mesmo diante de eventos mobilizadores.

A menos de um mês do primeiro turno, o Brasil observa uma corrida presidencial que, apesar de suas turbulências — manifestações, declarações polêmicas, transferências de renda —, permanece surpreendentemente estável em suas linhas fundamentais. Lula lidera com 45% contra 34% de Bolsonaro, uma vantagem que resiste ao tempo mas que, nos votos válidos, revela uma trajetória de lenta erosão das chances de vitória no primeiro turno. O eleitorado, em sua maioria já decidido, parece ter feito as pazes com sua escolha antes mesmo do desfecho.

A 23 dias do primeiro turno, a pesquisa Datafolha divulgada em 9 de setembro confirmava o que as semanas anteriores já desenhavam: Lula na liderança com 45% das intenções de voto, Bolsonaro em segundo com 34%. A diferença de 11 pontos representava uma leve recuperação do presidente em relação à semana anterior — quando o intervalo era de 13 pontos —, mas ainda dentro da margem de erro. Ciro Gomes marcava 7% e Simone Tebet, 5%. Três por cento do eleitorado ainda se dizia indeciso.

O levantamento foi realizado nos dias 8 e 9 de setembro, inteiramente após os atos de 7 de setembro convocados pelo presidente. Os números não registraram impacto imediato do evento nas preferências eleitorais. A avaliação do governo permanecia estável — 31% consideravam a gestão ótima ou boa, 42% a viam como ruim ou péssima —, e metade do eleitorado afirmava nunca confiar no que Bolsonaro diz. Entre as mulheres, maioria do eleitorado, os índices também mal se moveram, mesmo após declarações polêmicas do presidente durante as manifestações.

O dado mais revelador para a estratégia de Lula estava nos votos válidos: 48% em setembro, contra 51% em agosto, 53% em junho e 54% em maio. A queda consistente indicava que a vitória no primeiro turno, antes vista como possível, tornava-se cada vez menos provável. Em um eventual segundo turno, porém, o petista mantinha 53% contra 39% de Bolsonaro — margem praticamente idêntica à da semana anterior. Com 77% dos eleitores já totalmente decididos, a campanha seguia seu curso sobre um terreno mais firme do que movediço.

A 23 dias da eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva mantinha uma vantagem confortável sobre o presidente Jair Bolsonaro, segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, 9 de setembro. O petista registrava 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro marcava 34%, abrindo uma diferença de 11 pontos percentuais entre os dois principais candidatos. Uma semana antes, a margem era de 13 pontos — Lula com 45% e Bolsonaro com 32% — indicando uma pequena recuperação do presidente, ainda que dentro da margem de erro.

No segundo escalão da disputa, Ciro Gomes, do PDT, aparecia com 7% das intenções, uma queda de dois pontos em relação à pesquisa anterior. Simone Tebet, do MDB, mantinha-se estável em 5%. Soraya Thronicke, do União Brasil, registrava 1%. Quatro por cento do eleitorado declarava intenção de votar em branco ou nulo, enquanto 3% ainda se diziam indecisos. Os demais candidatos não pontuavam. Um dado significativo emergia do levantamento: 77% dos eleitores afirmavam estar totalmente decididos sobre seu voto para presidente, sugerindo uma eleição com baixo potencial de grandes oscilações nos dias finais.

O Datafolha realizou a coleta de dados nos dias 8 e 9 de setembro, inteiramente após as manifestações de 7 de setembro promovidas pelo presidente. Os números indicavam que aquele evento não havia produzido impacto imediato nas preferências eleitorais. A avaliação do governo Bolsonaro também permanecia estável: 31% consideravam a gestão ótima ou boa, enquanto 42% a avaliavam como ruim ou péssima — os mesmos índices da semana anterior. A avaliação regular caiu de 27% para 25%. Metade do eleitorado, 50%, afirmava nunca confiar no que era dito pelo presidente.

Entre as mulheres, que constituem maioria do eleitorado, praticamente nada se alterou. Lula oscilou de 48% para 46%, e Bolsonaro de 28% para 29%, mesmo após a repercussão de declarações machistas do presidente durante os eventos de 7 de setembro. O aumento do valor do Auxílio Brasil para R$ 600, cuja primeira parcela havia sido paga em agosto, também não produzia impacto significativo até aquele momento. No segmento de eleitores com renda de até dois salários mínimos, Bolsonaro permanecia estável com 26% dos votos, contra 54% de Lula. No eleitorado evangélico, porém, Bolsonaro mantinha vantagem clara: 51% contra 28% do rival, apesar dos esforços de campanha que Lula vinha concentrando naquele segmento.

Considerando apenas os votos válidos, excluindo nulos e brancos, Lula registrava 48%, enquanto Bolsonaro marcava 36%. Esses números revelavam uma trajetória preocupante para o petista: em agosto, ele havia alcançado 51% dos votos válidos; em junho, 53%; em maio, 54%. A queda consistente na proporção de votos válidos significava que as chances de Lula vencer no primeiro turno diminuíam conforme se aproximava o pleito. Em um cenário de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o petista mantinha 53% das intenções contra 39% do presidente — uma margem praticamente idêntica à da pesquisa anterior, quando tinha 53% contra 38%.

O índice de rejeição permanecia estável. Cinquenta e um por cento dos entrevistados afirmavam que não votariam em Bolsonaro de forma alguma, contra 52% na pesquisa anterior. Lula marcava 39% de rejeição, mantendo o mesmo patamar da semana anterior. A campanha presidencial seguia seu curso com o eleitorado majoritariamente decidido, a vantagem de Lula consolidada, mas com sinais de que a margem de vitória no primeiro turno se estreitava conforme o calendário avançava.

Os números indicam que não houve impacto imediato da manifestação na opinião dos eleitores
— Datafolha
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su O GLOBO ↗
Contattaci Domande frequenti