A uma semana do primeiro turno, o Brasil se aproximava de uma encruzilhada histórica com a serenidade tensa de quem já conhece, no fundo, o caminho que vai tomar. O Datafolha confirmava Lula estável em 50% dos votos válidos — limiar exato da maioria absoluta —, enquanto Bolsonaro avançava discretamente para 36%, e 85% dos eleitores declaravam sua escolha irrevogável. Era menos uma campanha em aberto do que um retrato de um país já dividido em si mesmo, aguardando apenas a formalidade das urnas para tornar visível o que os números já desenhavam.
Datafolha: Lula mantém 50% dos votos válidos e segue com chances de vitória no primeiro turno
85% dos eleitores já estavam totalmente decididos
Por que essa pesquisa importa tanto se faltava uma semana para a votação?
Porque 85% dos eleitores já estavam totalmente decididos. Isso significa que as mudanças possíveis eram muito pequenas — não havia espaço para grandes oscilações.
Mas 15% ainda podiam mudar. Em uma eleição apertada, isso importaria. Aqui, porém, com Lula 14 pontos à frente em votos válidos, mesmo que todos esses 15% mudassem para Bolsonaro, não seria suficiente.
Exatamente. E entre os indecisos, Lula era a segunda opção de 21% deles, contra 19% para Ciro. Então o movimento natural favorecia Lula.
E quanto às diferenças regionais? O Sul parecia mais competitivo.
Tecnicamente empatado dentro da margem de erro de cinco pontos. Mas em números absolutos, Bolsonaro tinha 46% contra 41% de Lula. Não é uma vantagem consolidada.
O Nordeste era onde Lula tinha sua maior força — 66% contra 23%. Isso compensava qualquer competitividade no Sul.
A questão econômica não ajudou Bolsonaro entre os mais pobres?
Não. Mesmo com o Auxílio Brasil aumentado para R$ 600, Lula tinha 32 pontos de vantagem entre eleitores com renda até dois salários mínimos.
Isso sugere que a economia não era o fator determinante para esse eleitorado. Outras questões — talvez identidade política, história pessoal — pesavam mais.
E a rejeição? 52% não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum.
Era um número muito alto. Para Lula, era 39%. Essa diferença de 13 pontos refletia o clima político do momento.
Der Puls
- Lula paira exatamente sobre o fio da navalha: 50% dos votos válidos é o mínimo para encerrar a eleição no primeiro turno, e qualquer oscilação dentro da margem de erro pode empurrar o país para outubro.
- Bolsonaro avança um ponto e chega a 36%, sinalizando que a corrida não está congelada — mas a distância de 14 pontos mantém o cenário favorável ao petista.
- A estratégia do 'voto útil' agita os bastidores: Ciro Gomes e Simone Tebet reagem com indignação pública enquanto artistas e eleitores migram silenciosamente para o campo de Lula.
- O eleitorado está rachado por gênero, renda e fé — mulheres e pobres inclinam-se fortemente a Lula; evangélicos e eleitores de renda média-alta sustentam Bolsonaro.
- Com 85% dos eleitores totalmente decididos, o espaço para reviravolta na reta final encolheu drasticamente, tornando o resultado cada vez mais previsível.
A uma semana do primeiro turno, o Brasil se aproximava de uma encruzilhada histórica com a serenidade tensa de quem já conhece, no fundo, o caminho que vai tomar. O Datafolha confirmava Lula estável em 50% dos votos válidos — limiar exato da maioria absoluta —, enquanto Bolsonaro avançava discretamente para 36%, e 85% dos eleitores declaravam sua escolha irrevogável. Era menos uma campanha em aberto do que um retrato de um país já dividido em si mesmo, aguardando apenas a formalidade das urnas para tornar visível o que os números já desenhavam.
Uma semana antes das urnas, o Datafolha confirmava o que as pesquisas anteriores já esboçavam: Lula permanecia em 50% dos votos válidos, exatamente no limiar da maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno. Bolsonaro avançou um ponto e chegou a 36%, mas a margem de erro de dois pontos mantinha o cenário inalterado em sua essência. A votação estava marcada para 2 de outubro.
Nas semanas finais, o PT havia apostado na narrativa do voto útil, atraindo eleitores que antes gravitavam em torno de candidatos menores. Ciro Gomes, com 6%, e Simone Tebet, com 5%, reagiram com discursos e propagandas, mas alguns de seus apoiadores — inclusive artistas conhecidos — já haviam migrado para o campo petista. A decisão do eleitorado mostrava-se cada vez mais consolidada: 85% afirmavam estar totalmente decididos, e apenas entre os eleitores de Ciro e Tebet a indecisão ainda era relevante.
As divisões internas do país apareciam com nitidez nos dados. Entre mulheres, Lula liderava por 22 pontos; entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, a vantagem chegava a 32 pontos. Já nas faixas de renda mais alta, Bolsonaro se saía melhor, alcançando 50% entre quem ganhava de 5 a 10 salários mínimos. A religião também separava o eleitorado: católicos preferiam Lula por ampla margem, enquanto evangélicos escolhiam Bolsonaro por 53% a 32%.
Geograficamente, o Nordeste era território quase exclusivo de Lula, com 66% dos votos válidos. No Sudeste, ele liderava com folga; no Sul e no Centro-Oeste, Bolsonaro aparecia à frente, mas dentro da margem de erro. A rejeição ao presidente era o dado mais contundente: 52% do eleitorado afirmava não votar nele de jeito nenhum, contra 39% que diziam o mesmo de Lula. Em um eventual segundo turno, o petista venceria por 54% a 39%.
Uma semana antes da votação, a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mantinha o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 50% dos votos válidos — o mesmo patamar que ocupava sete dias antes. O presidente Jair Bolsonaro, em busca da reeleição, havia avançado um ponto percentual e chegava a 36% dos votos válidos. Com margem de erro de dois pontos para mais ou menos, Lula poderia estar entre 48% e 52% se a eleição acontecesse naquele momento. A votação estava marcada para 2 de outubro, e apenas uma maioria absoluta no primeiro turno dispensaria um segundo turno.
Os números refletiam uma campanha em que Lula havia intensificado a busca pelo chamado voto útil nas semanas finais, buscando conquistar eleitores que inicialmente apoiavam candidatos menores. Ciro Gomes, do PDT, registrava 6% dos votos válidos, enquanto Simone Tebet, do MDB, alcançava 5%. Soraya Thronicke, do União Brasil, marcava 1%. A estratégia petista havia incomodado especialmente Ciro e Tebet, que reagiram com discursos e propagandas na televisão, rádio e internet. Alguns artistas que antes declaravam voto em Ciro haviam migrado para apoiar Lula na reta final.
Quando considerados todos os votos, incluindo brancos e nulos, Lula subia para 48%, enquanto Bolsonaro chegava a 34%. Três por cento dos eleitores votariam em branco ou nulo, e 2% ainda não sabiam em quem votar — número que saltava para 11% quando a pesquisa era feita de forma espontânea, sem apresentar a lista de candidatos. A decisão dos eleitores, porém, mostrava-se bastante consolidada: 85% afirmavam estar totalmente decididos sobre seu voto, uma redução em relação aos 18% que diziam poder mudar de candidato na semana anterior. Entre os apoiadores de Ciro e Tebet, a decisão era menos firme — apenas 54% dos que apoiavam o candidato do PDT e 62% dos que apoiavam a senadora do MDB diziam estar totalmente decididos.
Os dados revelavam divisões profundas no eleitorado. Entre as mulheres, Lula mantinha vantagem de 22 pontos percentuais sobre Bolsonaro, com 53% contra 31% dos votos válidos. Entre os homens, essa vantagem caía para seis pontos: 47% para Lula e 41% para Bolsonaro. No segmento de eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, a diferença era ainda mais pronunciada — 32 pontos de vantagem para Lula, que alcançava 59% contra 27% de Bolsonaro. Nas faixas de maior renda, Bolsonaro apresentava melhor desempenho: entre eleitores com renda de 5 a 10 salários mínimos, ele chegava a 50% dos votos válidos contra 35% de Lula. As medidas econômicas anunciadas pelo governo, incluindo o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, não haviam impactado significativamente esse eleitorado de menor renda.
A religião também marcava diferenças importantes. Lula liderava entre católicos com 57% contra 29% de Bolsonaro, enquanto Bolsonaro era preferido entre evangélicos com 53% contra 32% do petista. Geograficamente, o mapa eleitoral mostrava disparidades regionais. No Nordeste, Lula tinha ampla vantagem com 66% dos votos válidos contra 23% de Bolsonaro. No Sudeste, liderava com 45% contra 38%. No Sul, Bolsonaro aparecia numericamente à frente com 46% contra 41% de Lula, embora os dois estivessem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de cinco pontos. No Centro-Oeste, Bolsonaro tinha 45% contra 41% de Lula, e no Norte, Lula marcava 45% contra 42% de Bolsonaro — em ambas as regiões, os candidatos estavam empatados na margem de erro.
A rejeição aos candidatos também era relevante. Mais da metade do eleitorado, 52%, afirmava não votaria em Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 39% diziam o mesmo sobre Lula. A avaliação do governo Bolsonaro permanecia estável: 44% reprovavam, 31% aprovavam e 24% consideravam regular. Em um cenário de segundo turno, Lula teria 54% dos votos contra 39% de Bolsonaro, com o presidente variando um ponto para cima em relação à semana anterior enquanto o petista mantinha o mesmo resultado.
Bemerkenswerte Zitate
Lula é citado como segunda opção de voto por 21% dos eleitores que ainda podem mudar de ideia, empatado tecnicamente com Ciro, que é citado por 19%— Pesquisa Datafolha