Com o registro oficial de candidaturas encerrado, o Brasil de 2026 revela-se, mais uma vez, um país de muitos países dentro de si. A pesquisa Datafolha, encomendada pela Folha de S.Paulo e TV Globo, mostra Lula à frente com 39% contra 33% de Flávio Bolsonaro no plano nacional — mas essa diferença de seis pontos dissolve-se e se inverte quando se atravessa fronteiras regionais, de renda, de fé ou de gênero. O que os números descrevem não é apenas uma disputa eleitoral, mas o mapa de uma sociedade profundamente fraturada, onde cada recorte demográfico conta uma história diferente sobre quem o Br
Datafolha: Lula lidera com 39% e Flávio Bolsonaro tem 33% no primeiro turno
Dois países dentro de um, divididos por região, classe e crença
Como se lê uma pesquisa assim? Lula tem 39% e Bolsonaro 33%, mas você diz que o país está dividido. Qual é a verdade?
A verdade é que esses números nacionais escondem mais do que revelam. Lula lidera no Nordeste com 53%, mas no Sudeste e Sul ele cai para 33%. Bolsonaro domina entre evangélicos com 48%, mas Lula tem 46% entre católicos. São dois países dentro de um.
Mas espera — a pesquisa ouviu 2.058 pessoas. A margem de erro varia por segmento. Quando você olha para evangélicos ou para o Sudeste especificamente, quantas pessoas foram entrevistadas? Porque esses números podem ter margem de erro bem maior do que parecem.
Ótima observação. A Datafolha não detalha o tamanho da amostra por segmento, então não sabemos exatamente. Mas é verdade que quanto menor o subgrupo, maior a incerteza.
E quanto aos indecisos? Vejo 8% entre não alinhados, 5% entre jovens. Isso é muito ou pouco?
É moderado. Significa que a maioria das pessoas já tem uma direção, mas há espaço para movimento. Esses 8% entre não alinhados podem ser decisivos.
Também preciso notar: Pablo Marçal foi excluído porque está inelegível. Mas a pesquisa não mostra o cenário com ele. Não sabemos se sua presença mudaria as proporções entre Lula e Bolsonaro.
Verdade. Marçal tinha penetração entre jovens e eleitores de renda média. Sua exclusão pode beneficiar Bolsonaro ou criar voto em branco.
E essa diferença de gênero — Lula com 41% entre mulheres e Bolsonaro com 37% entre homens — é suficiente para decidir uma eleição?
Mulheres são maioria do eleitorado. Se Lula mantiver essa vantagem, é significativa. Mas Bolsonaro está competitivo entre homens, e isso compensa parcialmente.
Mas novamente: quantas mulheres foram entrevistadas? A margem de erro para esse segmento pode ser de 3, 4 ou 5 pontos. Não sabemos.
Então o que podemos afirmar com segurança?
Que Lula lidera nacionalmente, que o Nordeste é seu reduto, que Bolsonaro é forte entre evangélicos e eleitores ricos, e que o Sudeste é competitivo. O resto é tendência, não certeza.
El Pulso
- Lula lidera nacionalmente com 39%, mas a vantagem some ou se inverte em regiões como Sul e Sudeste, onde Flávio Bolsonaro chega a 38% e 36%, respectivamente.
- A religião divide o eleitorado com força quase simétrica: católicos vão a Lula com 46%, enquanto evangélicos entregam 48% a Bolsonaro — dois Brasis dentro do mesmo país.
- A renda aprofunda o abismo: Lula domina entre os que ganham até dois salários mínimos (46%), mas Bolsonaro dispara entre os que ganham mais de cinco (43%), invertendo completamente o quadro.
- O eleitor não alinhado — potencialmente decisivo no segundo turno — inclina-se ligeiramente para a direita, com Bolsonaro à frente por 21% a 19% nesse grupo.
- A campanha até outubro terá de navegar fraturas de classe, gênero, crença e geografia, sem que nenhum candidato consiga, por ora, construir uma coalizão verdadeiramente nacional.
Com o registro oficial de candidaturas encerrado, o Brasil de 2026 revela-se, mais uma vez, um país de muitos países dentro de si. A pesquisa Datafolha, encomendada pela Folha de S.Paulo e TV Globo, mostra Lula à frente com 39% contra 33% de Flávio Bolsonaro no plano nacional — mas essa diferença de seis pontos dissolve-se e se inverte quando se atravessa fronteiras regionais, de renda, de fé ou de gênero. O que os números descrevem não é apenas uma disputa eleitoral, mas o mapa de uma sociedade profundamente fraturada, onde cada recorte demográfico conta uma história diferente sobre quem o Brasil quer ser.
A pesquisa Datafolha divulgada após o registro oficial de candidaturas revela um primeiro turno em que Lula mantém vantagem nacional, mas com margens que variam drasticamente conforme a região, a renda ou a crença religiosa. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e TV Globo, ouviu 2.058 pessoas entre 16 e 20 de agosto, com margem de erro de 95% de confiança.
No agregado nacional, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. O cenário exclui Pablo Marçal, do PRTB, que segue inelegível e aguarda julgamento final. Essa diferença de seis pontos, porém, mascara realidades muito distintas. Entre petistas, Lula colhe 80%; entre bolsonaristas, Flávio chega a 75%. O eleitor não alinhado inclina-se levemente para a direita: 21% a 19% em favor de Bolsonaro.
Geograficamente, o Nordeste é reduto de Lula, com 53% contra 25% de Bolsonaro. No Sudeste e no Sul, a vantagem petista desaparece: Bolsonaro lidera com 36% e 38%, respectivamente. No Centro-Oeste e Norte, o empate técnico convive com o desempenho notável de Ronaldo Caiado, do PSD, que alcança 14% na região.
A dimensão econômica segue padrão claro: quanto menor a renda, maior o apoio a Lula. Entre os que ganham até dois salários mínimos, ele chega a 46%; entre os que ganham mais de cinco, Bolsonaro dispara para 43%. A escolaridade replica o padrão — Lula domina entre quem tem apenas ensino fundamental, mas perde entre quem completou o ensino médio.
A religião emerge como divisor igualmente potente: católicos favorecem Lula com 46%, enquanto evangélicos entregam 48% a Bolsonaro. Entre mulheres, Lula lidera com 41% contra 29%; entre homens, o quadro se aperta para 36% a 37%. A idade também conta: Lula cresce conforme os anos avançam, atingindo 45% entre maiores de 60 anos.
O que emerge é um país dividido por geografia, classe, crença e gênero. A campanha que se desenrola até outubro terá de navegar essas fraturas profundas — e o eleitor sem filiação clara, ligeiramente inclinado à direita, pode ser o fiel da balança.
A pesquisa Datafolha divulgada após o registro oficial de candidaturas desenha um cenário de primeira volta em que Lula mantém vantagem nacional, mas com margens que variam drasticamente conforme se muda de região, faixa de renda ou crença religiosa. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e TV Globo, ouviu 2.058 pessoas entre 16 e 20 de agosto, com margem de erro que oscila por segmento e nível de confiança de 95%.
No agregado nacional, Lula aparece com 39% de intenção de voto, enquanto Flávio Bolsonaro marca 33%. O cenário exclui Pablo Marçal, do PRTB, que segue inelegível por condenação na Justiça Eleitoral e aguarda julgamento final de sua candidatura. Essa diferença de seis pontos percentuais, porém, mascara realidades muito distintas quando se olha para os recortes que a pesquisa oferece.
A divisão política é o fator mais determinante. Entre petistas, Lula colhe 80% enquanto Flávio Bolsonaro fica com apenas 6%. No campo oposto, entre bolsonaristas, a proporção se inverte: Bolsonaro atinge 75% e Lula cai para 4%. O grupo dos não alinhados, porém, revela uma disputa mais acirrada — Flávio Bolsonaro lidera com 21% contra 19% de Lula, sugerindo que o eleitor sem filiação clara tende ligeiramente para a direita.
Geograficamente, o Nordeste é reduto consolidado de Lula, que alcança 53% na região enquanto Bolsonaro fica com 25%. Já no Sudeste, Sul e Centro-Oeste/Norte, a vantagem petista desaparece ou se inverte. No Sudeste, Bolsonaro lidera com 36% contra 33% de Lula. No Sul, a margem é ainda maior: 38% para Bolsonaro e 33% para Lula. No Centro-Oeste e Norte, Bolsonaro marca 35% e Lula 33%, embora Ronaldo Caiado, do PSD, tenha desempenho notavelmente superior nessa região, com 14%.
A dimensão econômica mostra padrão claro: quanto menor a renda, maior o apoio a Lula. Entre os que ganham até dois salários mínimos, o presidente alcança 46% enquanto Bolsonaro fica com 27%. Na faixa de dois a cinco salários, Bolsonaro ultrapassa Lula — 39% contra 30%. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, Bolsonaro dispara para 43% enquanto Lula cai para 33%. A escolaridade segue padrão semelhante: Lula lidera entre quem tem apenas ensino fundamental (49% contra 26%), mas perde entre quem completou o ensino médio (33% contra 38%) e fica tecnicamente empatado no ensino superior (37% contra 33%).
A religião emerge como divisor igualmente potente. Católicos favorecem Lula com 46% contra 29% de Bolsonaro. Evangélicos, porém, invertem completamente a equação: 48% para Bolsonaro e apenas 23% para Lula. Entre as mulheres, Lula lidera com 41% contra 29% de Bolsonaro. Entre os homens, o quadro se aperta: 36% para Lula e 37% para Bolsonaro. A idade também marca diferenças: Lula cresce conforme a idade avança, atingindo 45% entre maiores de 60 anos, enquanto Bolsonaro mantém-se mais estável, variando entre 29% e 37% conforme a faixa etária.
O que emerge desses números é um país dividido não apenas por preferência política, mas por geografia, classe, crença e gênero. Lula tem base sólida entre pobres, idosos, católicos e mulheres. Bolsonaro concentra força entre evangélicos, eleitores de renda mais alta, homens e regiões Sul e Sudeste. O eleitor não alinhado, que poderia ser decisivo em um segundo turno, inclina-se ligeiramente para a direita. A campanha que se desenrola até outubro terá de navegar essas fraturas profundas.
Citas Notables
A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e TV Globo e é a primeira Datafolha após o registro oficial de candidaturas— Datafolha