No limiar do segundo turno presidencial brasileiro, uma sondagem coloca dois projetos políticos opostos separados por uma diferença que a estatística recusa a reconhecer como decisiva. Flávio Bolsonaro aparece com 49% e Lula com 45% dos votos válidos — quatro pontos que, absorvidos pela margem de erro, dissolvem-se em empate técnico. A pesquisa Datafolha, realizada nos dias 6 e 7 de outubro com mais de dois mil eleitores, não anuncia um vencedor; anuncia, antes, a abertura de uma disputa cujo desfecho permanece genuinamente incerto.
Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 49% e Lula 45% em pesquisa de 2º turno
Estatisticamente, os dois candidatos estão empatados
Então Bolsonaro está ganhando ou não?
Numericamente sim, mas dentro da margem de erro. Ele tem 49% contra 45%, mas a diferença de quatro pontos fica dentro dos dois pontos de margem, então estatisticamente eles estão empatados.
Espera — se a margem é de dois pontos para mais ou para menos, Bolsonaro poderia estar em 47% e Lula em 47% também. Então por que o instituto diz que há empate técnico e não que Bolsonaro está na frente?
Porque o empate técnico é justamente isso — quando a diferença cabe dentro da margem de erro. Não significa que os números são iguais, significa que a diferença não é estatisticamente significativa.
E como eles chegaram nesses números?
Ouviram 2.520 pessoas entre 6 e 7 de outubro. Só contaram os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos.
Dois mil e quinhentas pessoas para representar todo o Brasil? Como eles garantem que é representativo?
É uma amostra estatística. Com esse tamanho e esse nível de confiança de 95%, a margem de erro fica em dois pontos. Não é perfeito, mas é o padrão das pesquisas eleitorais.
E se a pesquisa fosse feita hoje, os números seriam os mesmos?
Provavelmente não. Pesquisas capturam um momento. Essa foi feita no início de outubro. Muita coisa pode mudar até o dia da votação.
Então essa pesquisa não prevê nada, só mostra onde as coisas estavam naqueles dois dias?
Exatamente. É um retrato, não uma profecia.
O Pulso
- A diferença de quatro pontos entre Bolsonaro e Lula parece concreta, mas a margem de erro de dois pontos a engole — estatisticamente, os dois candidatos ocupam o mesmo espaço.
- O levantamento revela fraturas no eleitorado ao detalhar intenções de voto por religião, região e gênero, expondo onde cada campo tem terreno firme e onde ainda há disputa real.
- Com semanas de campanha ainda pela frente, qualquer evento, declaração ou virada no cenário político pode deslocar eleitores indecisos e redesenhar o quadro atual.
- A pesquisa funciona como fotografia de um momento — 6 e 7 de outubro —, não como prognóstico: mostra onde a corrida estava, não onde vai terminar.
No limiar do segundo turno presidencial brasileiro, uma sondagem coloca dois projetos políticos opostos separados por uma diferença que a estatística recusa a reconhecer como decisiva. Flávio Bolsonaro aparece com 49% e Lula com 45% dos votos válidos — quatro pontos que, absorvidos pela margem de erro, dissolvem-se em empate técnico. A pesquisa Datafolha, realizada nos dias 6 e 7 de outubro com mais de dois mil eleitores, não anuncia um vencedor; anuncia, antes, a abertura de uma disputa cujo desfecho permanece genuinamente incerto.
A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno presidencial apresenta Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula — 49% contra 45% dos votos válidos —, mas a diferença de quatro pontos percentuais não é suficiente para separar os dois candidatos dentro dos parâmetros estatísticos. A margem de erro de dois pontos para mais ou para menos cria intervalos que se sobrepõem, configurando o que o instituto classifica como empate técnico.
O levantamento foi conduzido nos dias 6 e 7 de outubro com 2.520 eleitores maiores de 16 anos, registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-0949/2026 e calculado com nível de confiança de 95%. Os percentuais divulgados referem-se aos votos válidos — critério que exclui brancos, nulos e indecisos, espelhando exatamente a forma como a Justiça Eleitoral apura o resultado final.
Além dos números gerais, o Datafolha mapeou a intenção de voto por religião, região geográfica e gênero, revelando onde cada candidato concentra sua base e onde o terreno ainda é disputado. Esse detalhamento oferece às campanhas um diagnóstico mais preciso sobre os movimentos possíveis nas semanas restantes.
O retrato capturado no início de outubro mostra uma corrida aberta, sem vantagem estatisticamente segura para nenhum dos lados. O desfecho dependerá do comportamento dos eleitores indecisos, de eventuais migrações de voto e da repercussão dos acontecimentos que ainda estão por vir — variáveis que nenhuma pesquisa, por mais rigorosa que seja, consegue antecipar.
A primeira sondagem Datafolha do segundo turno presidencial coloca Flávio Bolsonaro à frente de Lula, mas a margem entre eles é tão estreita que poderia desaparecer com uma pequena oscilação nas próximas semanas. Bolsonaro aparece com 49% das intenções de voto contra 45% do ex-presidente, uma diferença de quatro pontos percentuais que, no entanto, fica dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos — o que significa que, estatisticamente, os dois candidatos estão empatados.
O instituto Datafolha, contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, realizou a pesquisa nos dias 6 e 7 de outubro, conversando com 2.520 pessoas maiores de 16 anos. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-0949/2026 e oferece um nível de confiança de 95%, o padrão para pesquisas eleitorais no Brasil. Os números que aparecem — 49% e 45% — referem-se aos votos válidos, ou seja, o instituto descartou da contagem aqueles que disseram que votariam em branco, nulo ou ainda não sabiam em quem votar. Esse recorte importa porque é exatamente assim que a Justiça Eleitoral calcula o resultado final das eleições.
O fato de Bolsonaro estar numericamente à frente não significa que ele vença. A margem de erro funciona como um intervalo de confiança: se a pesquisa fosse repetida várias vezes com amostras diferentes, os resultados variariam dentro daquele intervalo de dois pontos. Isso quer dizer que Bolsonaro poderia estar entre 47% e 51%, enquanto Lula poderia estar entre 43% e 47%. Os intervalos se sobrepõem, o que caracteriza o empate técnico que o instituto menciona.
O Datafolha também detalhou como a intenção de voto varia conforme a religião, a região geográfica e o gênero dos eleitores, oferecendo um mapa mais granular da disputa. Essas subdivisões ajudam a entender onde cada candidato tem sua base mais sólida e onde há espaço para movimento. A pesquisa captura um momento específico — os dias 6 e 7 de outubro — em uma campanha que ainda tem semanas pela frente, tempo suficiente para que eventos, declarações e mudanças no cenário político alterem significativamente o quadro.
O segundo turno entre Bolsonaro e Lula se configura, portanto, como uma disputa aberta. Nenhum dos dois tem uma vantagem que possa ser considerada segura dentro dos parâmetros estatísticos. O resultado final dependerá de como os eleitores indecisos se posicionarem, de possíveis migrações entre candidatos e de como os eventos dos próximos dias repercutem nas urnas. A pesquisa Datafolha oferece um ponto de referência, mas não uma previsão — ela mostra onde as coisas estavam no início de outubro, não onde estarão no dia da votação.
Citações Notáveis
O instituto considera que há empate técnico no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.— Datafolha