Datafolha mostra Flávio à frente, e PT aposta em virada como a de Dilma em 2014

O único jeito de ganhar uma eleição é ganhando voto
Lula responde à pesquisa Datafolha que o coloca atrás de Flávio no segundo turno.
Mark

Por que a campanha de Lula está tão confiante se está atrás na pesquisa?

Mimi

Porque Dilma estava atrás em 2014 e venceu. É um precedente real, e a campanha está usando isso para manter a moral alta e mobilizar apoiadores.

Luke

Mas Aécio tinha rejeição menor que Flávio, certo? E Flávio já tem apoio de praticamente todos os presidenciáveis derrotados, exceto um. As condições não são exatamente as mesmas.

Mark

Qual é a aposta principal do PT para crescer?

Mimi

Chamar Flávio de candidato do sistema. Dizem que ele abraçou o centrão, loteou um governo que não vai assumir, fez acordos com o Supremo. Querem mostrar que ele é tudo aquilo que dizia combater.

Luke

Isso é uma narrativa, mas Flávio já recebeu esses apoios e ainda assim só tem 52%. Se a estratégia fosse tão eficaz, ele deveria estar mais à frente, não?

Mark

O que Lula disse quando soube do resultado?

Mimi

Que não avalia pesquisa, que seu trabalho é ganhar votos. Disse que o único jeito de vencer é ganhando voto, e que está convicto de que vai ganhar.

Luke

É uma resposta segura, mas não responde a pergunta de como ele vai ganhar votos quando está atrás e Flávio tem momentum — cresceu cinco pontos contra três de Lula.

Mark

Flávio está realmente confiante?

Mimi

Publicamente sim, mas mantém a mobilização. Pediu que comitês não fossem desmobilizados, que apoiadores continuassem compartilhando conteúdo. Aliados dizem que a pesquisa subestima a direita.

Luke

Manter a mobilização é o básico em qualquer campanha. E dizer que a pesquisa subestima você é o que todo candidato atrás diz — ou todo candidato à frente, dependendo do resultado.

  • Flávio Bolsonaro lidera com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos
  • Flávio cresceu cinco pontos desde o primeiro turno; Lula subiu três pontos
  • Pesquisa realizada em 6 e 7 de outubro com 2.520 eleitores em 153 municípios
  • Campanha petista aponta para virada de Dilma sobre Aécio em 2014 como precedente

Flávio Bolsonaro lidera com 52% dos votos válidos ante 48% de Lula, segundo primeiro Datafolha do segundo turno, dentro da margem de erro de dois pontos. Petistas comparam cenário atual ao de Dilma em 2014, quando a então presidente virou sobre Aécio Neves no segundo turno após estar atrás na primeira pesquisa.

Pesquisa Datafolha do segundo turno presidencial mostra Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, em empate técnico. Campanha petista aposta em virada similar à de Dilma em 2014.

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira coloca Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno presidencial: 52% contra 48% dos votos válidos. É um resultado que cabe dentro da margem de erro de dois pontos, o que tecnicamente significa um empate, mas estatisticamente improvável. Ainda assim, a diferença é real o suficiente para preocupar o PT e alimentar a confiança na campanha bolsonarista.

Este é o primeiro levantamento do instituto para a segunda etapa da disputa. Flávio cresceu cinco pontos em relação ao primeiro turno, quando terminou com 47,03% dos votos válidos. Lula subiu três pontos a partir de seus 45,16% iniciais. A campanha do candidato do PL comemorou o avanço desproporcional, interpretando-o como sinal de que o momentum está do seu lado.

Mas a campanha petista não se vê derrotada. Seus estrategistas apontam para 2014 como precedente de esperança. Naquele ano, Dilma Rousseff enfrentava Aécio Neves no segundo turno e estava atrás na primeira pesquisa Datafolha da etapa final: 49% contra 51% do tucano. Dilma venceu. Petistas argumentam que Lula pode repetir o feito, especialmente porque Aécio tinha rejeição menor que a de Flávio e porque Dilma, como Lula agora, também sofria com avaliação negativa do governo.

Quando informado do resultado, Lula respondeu com pragmatismo. Disse que não avalia pesquisa e que seu trabalho é ganhar votos. "O único jeito de você ganhar uma eleição é você ganhando voto", afirmou na sede de sua campanha em Brasília, reafirmando convicção na vitória. O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, publicou nas redes que "a virada começou" e que o segundo turno é "uma nova eleição, uma nova disputa" em aberto.

A estratégia petista se desdobra em duas frentes. A primeira é histórica: lembrar que Dilma conseguiu virar. A segunda é ofensiva: rotular Flávio como candidato do sistema. Aliados de Lula apontam que o bolsonarista recebeu apoio de partidos do centrão e está loteando um governo que ainda não assumiu. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que vão "carimbá-lo como o candidato do sistema". Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo, destacou que apesar de Flávio ter abraçado o sistema e feito acordos com o Supremo e governadores, ainda não atingiu 50% dos votos totais — apenas 49% quando incluídos brancos, nulos e indecisos.

A campanha de Flávio, por sua vez, mantém a mobilização e insiste que não há eleição ganha. Em evento com governadores e senadores eleitos, o candidato pediu que comitês eleitorais não fossem desmobilizados e que apoiadores continuassem compartilhando conteúdos na internet. Aliados afirmam que a pesquisa subestima o desempenho da direita. O deputado federal Carlos Jordy, eleito senador, ironizou o resultado ao dizer que se o Datafolha mostra esse cenário, "estamos muito à frente".

O levantamento foi realizado nos dias 6 e 7 de outubro, com 2.520 eleitores entrevistados em 153 municípios. Os votos válidos — a métrica que o TSE usa para contabilizar o placar final no dia da eleição — excluem brancos, nulos e indecisos. Nos próximos dias, o debate entre os candidatos será inevitável, e a comparação entre suas biografias também. É nesse confronto direto que a campanha petista aposta sua chance de virada.

O único jeito de você ganhar uma eleição é você ganhando voto. Eu estou convicto que eu vou ganhar as eleições
— Lula
A virada começou. O segundo turno é uma nova eleição, uma nova disputa. Ela está em aberto
— Éden Valadares, secretário de comunicação do PT
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