Crisântemo sem 'cheiro de cemitério' vira opção para decorar casamentos e festas

Alteraram o cruzamento e conseguiram alterar esse detalhe
Maritha Domhof explica como geneticistas transformaram o crisântemo para eliminar seu aroma característico.
Mark

Como um aroma mais suave consegue mudar completamente o destino de uma flor?

Mimi

Porque o aroma era a barreira psicológica. As pessoas associavam aquele cheiro forte ao luto, ao cemitério. Suavizar isso abriu uma porta que estava fechada há décadas.

Luke

Mas é importante notar que esse crescimento de 10 mil para 36 mil vasos semanais é específico dessa produtora. Não sabemos se o mercado inteiro de crisântemos cresceu na mesma proporção.

Mark

Quanto tempo levou para desenvolver essa variedade?

Mimi

Cerca de cinco anos desde o cruzamento inicial até chegar aos produtores. E depois ainda há testes de adaptação ao clima brasileiro.

Luke

E esses testes — quanto tempo levam? A reportagem não deixa claro se a variedade já passou por toda a validação ou se ainda está em fase de testes.

Mark

O preço não subiu mesmo com toda essa inovação genética?

Mimi

Não. A empresa manteve o preço competitivo, seguindo o mercado. A mudança foi genética, mas o custo não refletiu isso.

Luke

Isso é interessante, mas também levanta uma pergunta: como uma empresa justifica investir cinco anos em desenvolvimento se o preço final não muda? Há subsídios? Há economia de escala que compensa?

Mark

E essas plantas que purificam o ar — elas realmente funcionam em casa?

Mimi

O projeto tenta mostrar que sim. Não é preciso de uma estrutura como a da feira. Os vasos podem ser distribuídos conforme o tamanho e a luminosidade do ambiente.

Luke

Mas "tenta mostrar" é diferente de "prova". A reportagem menciona que a experiência na bolha foi criada para transmitir uma sensação. Sensação não é a mesma coisa que eficácia medida.

Mark

Qual é o próximo passo para o crisântemo?

Mimi

Continuar expandindo para outros tipos de eventos e celebrações. A empresa já vê demanda crescente em casamentos e festas.

Luke

Mas novamente, isso é a experiência dessa produtora. Não sabemos se outras produtoras estão desenvolvendo variedades similares ou se o mercado mais amplo está acompanhando.

  • O 'cheiro de cemitério' do crisântemo criava uma barreira psicológica quase intransponível, impedindo que a flor fosse usada em qualquer celebração festiva.
  • A Flores Rancho Raízes apostou em melhoramento genético desenvolvido na Holanda para suavizar o aroma, mantendo cores e formas que encantam decoradores.
  • O resultado foi imediato: a produção semanal saltou de dez mil para trinta e seis mil vasos em apenas um ano, com 80% sendo a variedade de perfume suave.
  • Casamentos, festas de quinze anos e bodas de ouro passaram a incorporar o crisântemo, que agora compete com flores antes consideradas exclusivas para celebrações.
  • O preço permaneceu competitivo, e a tendência se expande enquanto melhoristas europeus continuam desenvolvendo novas variedades para o mercado brasileiro.

Por gerações, o crisântemo carregou o peso simbólico do luto — seu aroma penetrante o confinava aos cemitérios e o excluía das celebrações da vida. Uma produtora paulista, em parceria com geneticistas holandeses, trabalhou durante anos para suavizar esse perfume sem apagar a beleza da flor, devolvendo ao crisântemo um lugar entre os vivos. A transformação não é apenas botânica: é um convite a repensar como os preconceitos culturais moldam até mesmo o que escolhemos para adornar nossas alegrias.

O crisântemo sempre foi uma flor marcada pelo estigma do luto. Seu aroma forte e penetrante — popularmente chamado de 'cheiro de cemitério' — tornava impensável vê-lo em um casamento ou numa festa de quinze anos. Mas uma produtora do interior de São Paulo decidiu desafiar essa tradição de forma concreta: trabalhou com geneticistas para cruzar variedades da flor e suavizar drasticamente seu perfume, preservando toda a exuberância visual que a torna atraente.

O resultado chegou ao público durante a 32ª edição do Veiling Market, em Santo Antônio de Posse, em setembro de 2026. Maritha Domhof, sócia-proprietária da Flores Rancho Raízes, explicou que o aroma não desapareceu por completo — tornou-se apenas sutil, quase imperceptível. E o mercado respondeu com entusiasmo: a produção semanal da empresa saltou de dez mil para trinta e seis mil vasos em um único ano, com oitenta por cento da produção sendo a nova variedade. O preço seguiu as flutuações normais do mercado, sem encarecimento.

Com o aroma controlado, o crisântemo ganhou novos palcos. Decoradores passaram a usá-lo em casamentos, aniversários e celebrações de bodas de prata e ouro, aproveitando também as variedades desenvolvidas com pétalas de duas cores e diferentes formatos. A flor que antes era sinônimo de despedida tornou-se símbolo de festa.

O processo por trás dessa mudança é longo e rigoroso. A variedade foi desenvolvida por um breeder holandês — país que concentra grande parte da expertise mundial em melhoramento de plantas ornamentais — e pode levar até cinco anos desde o cruzamento inicial até chegar aos produtores. No Brasil, a planta ainda passa por testes de adaptação climática e aceitação do consumidor antes de ser comercializada em larga escala.

O fenômeno do crisântemo não esteve sozinho no Veiling Market. O projeto 'Plante Ar Puro' também ganhou destaque, reunindo espécies como samambaia, espada-de-são-jorge e lírio-da-paz, estudadas pela capacidade de absorver compostos liberados por tintas e produtos de limpeza em ambientes fechados. Uma bolha inflável transparente permitia que visitantes experimentassem a sensação de um ar mais puro cercado por essas plantas — uma proposta que, assim como o crisântemo reinventado, aponta para um mercado de flores e plantas cada vez mais atento ao bem-estar e às novas possibilidades de uso.

O crisântemo carrega uma reputação que o persegue há gerações. Flor de cemitério, símbolo de luto, presença obrigatória em cerimônias fúnebres — durante décadas, essas associações tornaram praticamente impossível imaginar um buquê de crisântemos em um casamento ou festa de quinze anos. Mas essa história está mudando, e a transformação começou em um laboratório com geneticistas e uma produtora do interior de São Paulo disposta a desafiar uma tradição.

O culpado pela reputação sombria era simples: o aroma. Aquele cheiro forte e penetrante que o crisântemo exala naturalmente — frequentemente descrito como o "cheiro de cemitério" — criou uma barreira psicológica quase intransponível para usos festivos. A Flores Rancho Raízes, produtora sediada no interior paulista, decidiu atacar o problema na raiz. Trabalhou com geneticistas para cruzar variedades de crisântemo, buscando manter as características visuais da flor enquanto suavizava drasticamente seu perfume. O resultado não é uma flor completamente inodora — Maritha Domhof, sócia-proprietária da empresa, deixa claro que o aroma ainda existe, mas agora é sutil, quase imperceptível. "Tinha um grande preconceito e, por isso, foi trabalhado com os geneticistas. Eles alteraram o cruzamento do crisântemo e, com isso, conseguiram alterar esse detalhe", explicou.

O impacto dessa mudança genética foi imediato e mensurável. A empresa apresentou sua nova variedade durante a 32ª edição do Veiling Market, a principal feira de negócios de flores e plantas ornamentais do Brasil, realizada em Santo Antônio de Posse, em setembro de 2026. Os números falam por si: em 2024, a produtora fabricava cerca de dez mil vasos por semana. Atualmente, produz trinta e seis mil. Mais impressionante ainda: oitenta por cento dessa produção agora é formada pela variedade sem o perfume característico. A mudança não veio acompanhada de aumento de preço — o valor continuou seguindo as flutuações normais do mercado, enquanto as mudas foram alteradas geneticamente.

Com o aroma controlado, as possibilidades de uso explodiram. O crisântemo, que antes era vendido exclusivamente para contextos fúnebres, agora decora casamentos, festas de quinze anos, aniversários e celebrações de bodas — bodas de prata, bodas de ouro. A empresa também trabalhou em outras dimensões da flor: variedades com pétalas de duas cores, diferentes formatos e tamanhos. Essa combinação de características visuais ampliou ainda mais o leque de opções para decoradores e clientes. "É usado muito em casamentos, festa de 15 anos, aniversários e grandes festas de bodas. Por exemplo, bodas de prata, bodas de ouro. Então, eles fazem toda a decoração e eles têm a grande opção de ter muitas e muitas cores", diz Maritha.

O processo de melhoramento genético que tornou isso possível é mais complexo do que simplesmente cruzar duas plantas. A variedade comercializada pela Flores Rancho Raízes foi desenvolvida por um breeder — profissional ou empresa especializada em criar novas variedades — sediado na Holanda, país que concentra grande parte da expertise global em melhoramento de plantas ornamentais. Segundo Lídia Soarte, que também trabalha na produção de flores, o processo reproduz de forma controlada um mecanismo que ocorre naturalmente na natureza, mediado por abelhas e pássaros. "Esse melhoramento genético são empresas que fazem, elas tentam fazer o cruzamento de plantas que têm alguma característica boa com uma outra planta que tem uma outra característica para melhorar a planta", explicou.

Mas o desenvolvimento de uma nova variedade não termina no cruzamento inicial. O trabalho pode levar cerca de cinco anos antes de a planta chegar aos produtores interessados. Depois disso, são realizados testes rigorosos para verificar durabilidade, produção, coloração e adaptação ao clima local. Quando finalmente chega ao Brasil, a planta passa por nova bateria de testes para confirmar sua adaptação às condições climáticas brasileiras e a aceitação dos consumidores. Muitos dos melhoristas de variedades estão concentrados em países europeus — Alemanha, Dinamarca, Holanda e França — mas o trabalho de validação e adaptação acontece aqui.

O sucesso do crisântemo redesenhado não é um fenômeno isolado. Durante o Veiling Market, também ganhou destaque o projeto "Plante Ar Puro", que reúne espécies associadas à melhoria da qualidade do ar em ambientes internos. Plantas como samambaia, espada-de-são-jorge, lírio-da-paz, antúrio, palmeiras, areca-bambu, dracena e aglaonema são estudadas pela capacidade de absorver substâncias presentes em ambientes fechados — compostos liberados por tintas, produtos de limpeza e outros materiais. A cooperativa montou uma bolha inflável transparente na feira onde visitantes podiam permanecer cercados por essas plantas, experimentando a sensação de um ar mais puro e renovado. A proposta é que qualquer ambiente doméstico pode receber essas espécies, distribuídas de acordo com tamanho, luminosidade e características de cada cômodo. Para espaços menores, plantas compactas funcionam; para ambientes maiores, espécies mais volumosas como a samambaia podem ser distribuídas em maior quantidade. A escolha também pode levar em consideração o quanto cada planta exige de cuidados — a espada-de-são-jorge, por exemplo, é conhecida pela resistência e facilidade de cultivo.

Tinha um grande preconceito e, por isso, foi trabalhado com os geneticistas. Eles alteraram o cruzamento do crisântemo e, com isso, conseguiram alterar esse detalhe.
— Maritha Domhof, sócia-proprietária da Flores Rancho Raízes
É usado muito em casamentos, festa de 15 anos, aniversários e grandes festas de bodas. Por exemplo, bodas de prata, bodas de ouro. Então, eles fazem toda a decoração e eles têm a grande opção de ter muitas e muitas cores.
— Maritha Domhof
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur G1 ↗
Nous contacter FAQ