Em janeiro, o Brasil registrou seu terceiro crescimento consecutivo no consumo de energia elétrica, totalizando 49.104 GWh — um aumento de 4,1% sobre o mesmo período de 2025. O calor intenso empurrou residências e comércios a novos recordes históricos de consumo, enquanto a indústria seguiu na contramão, revelando uma economia cujas forças internas se movem em direções distintas. O momento captura algo mais amplo: a forma como um país consome energia é, também, um retrato de como ele vive, produz e se transforma.
Consumo de energia elétrica cresce 4,1% em janeiro, terceira alta consecutiva
Pela quarta vez, o residencial superou a indústria
Como explicar que o consumo residencial bata recorde enquanto a indústria recua? Isso não deveria ser ao contrário em uma economia em crescimento?
Não necessariamente. O que vemos em janeiro é o efeito combinado de dois fatores: ondas de calor que explodem o uso de ar-condicionado nas casas, e uma indústria que segue sob pressão — metalurgia e química, setores pesados, estão retraindo. São dinâmicas independentes.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. A EPE atribui o crescimento residencial ao clima, e isso é verificável. Mas quanto do crescimento comercial vem realmente de "atividade favorável" versus apenas mais ar-condicionado ligado? A fonte não decompõe isso.
Ótima observação. A EPE menciona ambos os fatores — temperatura e atividade dos setores — mas não quantifica o peso de cada um. É uma limitação do relatório.
E a indústria automotiva caindo 9,1%? Isso é preocupante?
É um sinal, mas isolado. Você precisa saber se é retração de produção ou apenas sazonalidade de janeiro. A fonte não deixa claro.
Verdade. O que podemos confirmar é que 26 dos 37 setores recuaram, então não é apenas automotiva. Mas você está certo — sem contexto de produção real, é difícil saber se é crise ou ajuste.
E o mercado livre crescendo 33,5% em número de consumidores? Isso muda o jogo?
Muda, mas com ressalva. Crescimento de 33,5% em um número que começou pequeno — 45 mil migrações em dois anos — ainda é uma base reduzida. Não é uma revolução ainda.
Mas é a direção que importa. Desde janeiro de 2024, quando abriu para alta tensão, o movimento é consistente. A projeção de 10 mil novos em 2026 sugere aceleração.
Então o que você leva dessa leitura?
Que janeiro mostra uma economia dividida: casas e comércio aquecidos pelo clima e pela atividade, indústria pesada em dificuldade, e um mercado de energia começando a se descentralizar.
El Pulso
- As ondas de calor de janeiro transformaram o ar-condicionado em protagonista: o consumo residencial bateu recorde histórico de 16.989 GWh, alta de 8,6%, superando o industrial pela quarta vez.
- O setor comercial também atingiu seu pico desde 2004, com 9.352 GWh e crescimento de 6,4%, sustentado pela temperatura elevada e pela atividade aquecida em comércio e serviços.
- A indústria foi na direção oposta — queda de 1,3% para 15.794 GWh, com 26 dos 37 setores monitorados consumindo menos energia; metalurgia, química e automotivo lideraram as retrações.
- Regionalmente, o Sul surpreendeu com a maior expansão do país, 7,7%, enquanto o Norte se destacou no mercado livre com alta de 45,2% no número de novos consumidores.
- O mercado livre avança com força: 45 mil migrações desde janeiro de 2024 e projeção de 10 mil novos consumidores em 2026, sinalizando uma reconfiguração estrutural no setor elétrico brasileiro.
Em janeiro, o Brasil registrou seu terceiro crescimento consecutivo no consumo de energia elétrica, totalizando 49.104 GWh — um aumento de 4,1% sobre o mesmo período de 2025. O calor intenso empurrou residências e comércios a novos recordes históricos de consumo, enquanto a indústria seguiu na contramão, revelando uma economia cujas forças internas se movem em direções distintas. O momento captura algo mais amplo: a forma como um país consome energia é, também, um retrato de como ele vive, produz e se transforma.
O Brasil consumiu 49.104 GWh de energia elétrica em janeiro, crescimento de 4,1% sobre o mesmo mês de 2025 — a terceira alta consecutiva registrada pela Empresa de Pesquisa Energética. Por trás do número agregado, porém, convivem dinâmicas opostas: setores que aceleram e setores que recuam.
O grande motor da expansão foi o consumo residencial, que atingiu 16.989 GWh e um novo recorde histórico, com alta de 8,6%. As ondas de calor e o clima seco intensificaram o uso de climatização nas casas brasileiras — e, pela quarta vez, o consumo residencial superou o industrial, uma inversão que aponta para uma mudança estrutural na demanda do país. O setor comercial acompanhou o movimento, chegando a 9.352 GWh e também a um recorde desde o início das medições da EPE, em 2004.
A indústria, contudo, seguiu em contração: queda de 1,3%, com 26 dos 37 setores monitorados consumindo menos eletricidade. A metalurgia liderou a retração, puxada por siderurgia e ferroligas. Produtos químicos recuaram por conta da hibernação de uma unidade em Alagoas, e a indústria automotiva registrou a maior queda percentual, de 9,1%. Apenas extração de minerais metálicos, papel e celulose, e alimentos cresceram.
No recorte regional, o Sul liderou com expansão de 7,7%, e o Norte se destacou no mercado livre, onde o número de consumidores cresceu 45,2%. Esse segmento já responde por 43,2% do consumo nacional, e desde a abertura do mercado para todos os consumidores em alta tensão, em janeiro de 2024, 45 mil migrações foram realizadas. A Aneel projeta mais 10 mil adesões ao longo de 2026 — um sinal de que a desconcentração do setor elétrico brasileiro está apenas começando.
Em janeiro, o Brasil consumiu 49.104 gigawatts-hora de energia elétrica, um crescimento de 4,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. É a terceira alta consecutiva no consumo nacional, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética. O padrão revela uma economia em movimento, mas com dinâmicas muito diferentes entre os setores que puxam e os que freiam.
O motor dessa expansão foi o consumo residencial. As casas brasileiras consumiram 16.989 GWh em janeiro, um aumento de 8,6% — e um novo recorde para o segmento. As ondas de calor e o clima mais seco do período intensificaram o uso de ar-condicionado e outros equipamentos de climatização, explicando boa parte do salto. Pela quarta vez, o consumo residencial superou o consumo industrial, uma inversão que marca uma mudança estrutural no padrão de demanda do país. O segmento comercial também cresceu, atingindo 9.352 GWh, uma alta de 6,4% e também um recorde histórico desde que a EPE começou a registrar esses dados em 2004. Além das temperaturas elevadas, a pesquisa atribui esse desempenho à atividade favorável dos setores de comércio e serviços.
A indústria, porém, seguiu em contração. O consumo industrial caiu 1,3%, totalizando 15.794 GWh. A retração foi generalizada: 26 dos 37 setores monitorados consumiram menos energia, e entre os dez mais intensivos em eletricidade, sete recuaram. A metalurgia liderou a queda, reduzindo o consumo em 287 GWh — uma diminuição anual de 6,8%, concentrada principalmente em siderurgia e ferroligas. Produtos químicos foi o segundo setor a contribuir para a contração, com uma redução de 115 GWh, queda de 7,2%, influenciada pela hibernação de uma unidade de cloro-soda em Alagoas. A indústria automotiva teve a maior queda porcentual, de 9,1%, correspondendo a 49 GWh a menos. Também recuaram produtos de metal, têxteis, borracha e plásticos, e minerais não-metálicos. Apenas três setores cresceram: extração de minerais metálicos (13,6%), papel e celulose (5,7%) e produtos alimentícios (3,6%).
Regionalmente, o Sul liderou a expansão com 7,7%, seguido por Centro-Oeste (5,4%), Norte (4,6%), Sudeste (3,0%) e Nordeste (2,6%). No mercado regulado — aquele em que as distribuidoras atendem diretamente os consumidores — o consumo chegou a 27.900 GWh, crescimento de 4,2%, impulsionado também pelo aumento de 1,9% no número de consumidores. O Sul registrou a maior expansão nesse segmento, com 9,4%.
O mercado livre, onde o consumidor escolhe seu fornecedor, respondeu por 43,2% do consumo nacional, ou 21.204 GWh, crescimento de 4,0% ante janeiro de 2025. Mais significativo ainda foi o aumento de 33,5% no número de consumidores livres. O Norte foi a região que mais expandiu nesse segmento, com crescimento de 6,6% no consumo e alta de 45,2% no número de consumidores. Desde a abertura do mercado livre para todos os consumidores em alta tensão, a partir de janeiro de 2024, 45 mil consumidores já realizaram a migração. A Agência Nacional de Energia Elétrica projeta que 10 mil novos consumidores migrem para o mercado livre ao longo de 2026, sinalizando uma tendência contínua de desconcentração.
Citas Notables
Ondas de calor e clima mais seco intensificaram o uso de equipamentos de climatização— Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
Retração observada em 26 dos 37 setores monitorados; entre os dez mais eletrointensivos, sete consumiram menos— Empresa de Pesquisa Energética (EPE)