Congressistas rejeitam nova portaria sobre trabalho em feriados mesmo com exceções

Não atende as reivindicações do setor produtivo, da liberdade do empreendedor
Efraim Filho rejeita as concessões do governo e mantém intenção de vetar a portaria.
Mark

Por que os parlamentares rejeitam a portaria mesmo com as exceções para farmácias e postos de gasolina?

Mimi

Porque a questão de fundo não é apenas sobre quais setores funcionam em feriados. É sobre quem decide isso. A portaria tira o poder de negociação direta entre patrão e empregado e coloca os sindicatos no meio. Para o empresariado, isso é uma perda de liberdade.

Mark

Mas Marinho disse que não houve negociação com o Congresso. Como ele reformulou a medida então?

Mimi

Ele ouviu representantes do setor comercial e das centrais sindicais, mas não sentou com os congressistas para discutir. Isso criou um vácuo. Os parlamentares se sentiram ignorados e mantêm seus projetos de veto prontos.

Mark

Joaquim Passarinho parecia menos hostil que os outros. Ele pode ser uma ponte?

Mimi

Talvez. Ele criticou a forma da negociação, não necessariamente o conteúdo. Pediu mais reuniões com mais segmentos. Mas mesmo ele protocolou um veto em novembro. Ninguém está dizendo que aceita a medida.

Mark

E os supermercados? Por que foram deixados de fora das exceções?

Mimi

Marinho considerou que supermercados não são essenciais da mesma forma que farmácias ou postos de gasolina. Mas isso pode ser visto como arbitrário. Um supermercado aberto no feriado também oferece um serviço que as pessoas usam.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

A portaria reformulada sai em fevereiro. Mas os parlamentares já sinalizaram que vão tentar derrubá-la novamente. Pode haver novas reuniões antes disso, especialmente com Passarinho. A batalha não terminou.

  • A portaria de Marinho revogou uma flexibilização da era Bolsonaro e devolveu aos sindicatos o controle sobre o trabalho em feriados no comércio varejista, gerando reação imediata do empresariado.
  • Parlamentares como Efraim Filho e Vitor Lippi protocolaram projetos de veto ainda em novembro de 2023, argumentando que a medida ameaça empregos e a liberdade de gestão.
  • Pressionado, o governo recuou parcialmente e anunciou exceções para farmácias e postos de gasolina, mas a concessão foi considerada insuficiente pelos críticos.
  • Supermercados ficaram de fora das exceções, mantendo a obrigatoriedade de acordos coletivos — ponto que concentra boa parte da insatisfação do setor.
  • O Congresso segue determinado a derrubar a portaria, enquanto Marinho aguarda fevereiro para publicar a redação final, mantendo a primazia das convenções coletivas.

No coração de uma disputa sobre quem deve mediar as relações de trabalho no varejo brasileiro, o Ministério do Trabalho e o Congresso travam um embate que vai além de feriados e expedientes. A portaria do ministro Luiz Marinho, ao devolver aos sindicatos o papel central nas negociações coletivas, reacendeu um debate antigo sobre liberdade empresarial e proteção trabalhista — e as concessões anunciadas em janeiro de 2024 não foram suficientes para apaziguar os parlamentares ligados ao setor produtivo.

O ministro Luiz Marinho tentou desativar a tensão com o Congresso oferecendo concessões, mas os parlamentares ligados ao empresariado não se deixaram convencer. Na quinta-feira 25 de janeiro de 2024, representantes do setor comercial mantiveram a intenção de derrubar completamente a portaria do Ministério do Trabalho e Emprego.

A disputa remonta a novembro de 2023, quando Marinho revogou uma medida do governo Bolsonaro que permitia acordos diretos entre patrões e empregados do comércio varejista sobre trabalho em feriados. Com a nova regra, qualquer convocação para feriados passou a exigir convenção coletiva da categoria, devolvendo aos sindicatos o papel central na negociação. Para o setor empresarial, isso representava um retrocesso na liberdade de gestão.

Efraim Filho, presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços no Senado, e o deputado Vitor Lippi, do PSDB paulista, protocolaram projetos de veto em resposta. Diante da pressão, Marinho anunciou uma reformulação com exceções para estabelecimentos essenciais, como farmácias e postos de gasolina — mas a oferta não foi suficiente. Efraim Filho classificou a proposta como um retrocesso que não atende as reivindicações do setor produtivo, e Lippi confirmou que as modificações não barrariam a reação parlamentar.

O deputado Joaquim Passarinho, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, foi mais comedido, mas também questionou a condução das negociações e propôs novos encontros com mais segmentos da sociedade. Marinho, por sua vez, afirmou que sua função era apenas ouvir os representantes da bancada varejista, e prometeu publicar a redação final da portaria em fevereiro. Um ponto ficou claro: supermercados não receberão tratamento diferenciado e continuarão obrigados a negociar via convenções coletivas.

No fundo, o que estava em disputa era uma questão estrutural: quem controla as relações de trabalho no varejo — os sindicatos ou os próprios patrões e empregados. A tentativa de encontrar um meio-termo não desarmou a oposição, e o confronto entre o Ministério e o Congresso seguia sem resolução à vista.

O ministro Luiz Marinho tentou apaziguar a reação do Congresso com concessões, mas os parlamentares ligados ao empresariado não se deixaram convencer. Na quinta-feira 25 de janeiro de 2024, representantes do setor comercial no Congresso rejeitaram a reformulação da portaria do Ministério do Trabalho e Emprego, mantendo a intenção de derrubá-la completamente.

A disputa começou em novembro de 2023, quando Marinho publicou uma portaria que revogava uma medida do governo Bolsonaro. Aquela decisão anterior permitia que patrões e empregados do comércio varejista negociassem diretamente sobre trabalho em feriados, desde que respeitados os limites da jornada estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho. A nova regra mudou o jogo: agora, qualquer convocação para trabalhar em feriado precisa passar por uma convenção coletiva da categoria, dando aos sindicatos o papel central na negociação. Para o setor empresarial, isso representava um retrocesso na liberdade de gestão.

O impacto foi imediato. Efraim Filho, presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços no Senado, protocolou um projeto de veto em novembro. Vitor Lippi, deputado pelo PSDB de São Paulo, fez o mesmo na Câmara. Ambos argumentavam que a medida prejudicaria as atividades econômicas e, consequentemente, o emprego. Diante da pressão, Marinho recuou parcialmente. Em janeiro, anunciou uma reformulação que incluiria um regime de exceções para estabelecimentos considerados essenciais, como farmácias e postos de gasolina.

Mas as concessões não foram suficientes. Efraim Filho disse ao Poder360 que a nova proposta "não atende as reivindicações do setor produtivo, da liberdade do empreendedor e pode ser considerada um retrocesso". Vitor Lippi foi na mesma linha, afirmando que as modificações não barrariam a reação do Congresso. Joaquim Passarinho, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo e deputado pelo PL do Pará, foi mais comedido nas críticas, mas também questionou a forma como a negociação foi conduzida. Ele reuniu-se com Marinho na quinta-feira para propor novos encontros que incluíssem mais segmentos da sociedade, possivelmente nos dias 30 ou 31 de janeiro.

Marinho, por sua vez, insistiu que não houve negociação com o Congresso para reformular a medida. Segundo ele, sua função era apenas ouvir os representantes da bancada varejista. Quando questionado sobre quantas e quais exceções seriam incluídas na nova portaria, o ministro pediu paciência: a redação final sairia em fevereiro e entraria em vigor imediatamente após a publicação. Uma informação, porém, foi clara: supermercados não receberiam o tratamento diferenciado e continuariam obrigados a negociar com as convenções coletivas para funcionar em feriados.

O que estava em jogo era mais do que um detalhe regulatório. A portaria tocava em uma questão fundamental sobre quem controla as relações de trabalho no varejo: os sindicatos, como intermediários das negociações coletivas, ou os próprios patrões e empregados, em acordos diretos. A tentativa de Marinho de encontrar um meio termo, mantendo a primazia das convenções coletivas mas abrindo exceções para setores essenciais, não conseguiu desarmar a oposição parlamentar. Os congressistas seguiam determinados a vetar a medida, independentemente das mudanças anunciadas.

Não atende as reivindicações do setor produtivo, da liberdade do empreendedor e pode ser considerada um retrocesso
— Efraim Filho, presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços no Senado
Entendo que se a gente não estiver preocupado com as atividades econômicas, prejudica o emprego
— Vitor Lippi, deputado PSDB-SP
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