Em Turim, uma cirurgia sem precedentes devolveu a luz a uma mulher que vivera cinco anos na escuridão. Elena, 67 anos, tornou-se a primeira pessoa no mundo a receber um transplante de mácula, numa operação que usou os próprios tecidos do seu olho danificado para reconstruir visão onde nenhuma solução existia. A medicina avançou para território desconhecido — e o primeiro rosto que Elena reconheceu ao despertar foi o do seu filho.
Cirurgia histórica: mulher recupera visão após primeiro transplante de mácula do mundo
Reconstruíram um olho funcional a partir dos restos de dois olhos que não funcionavam
Como é que os médicos conseguiram resolver um problema que parecia impossível?
Deixaram de pensar em dois olhos separados e começaram a pensar em partes. Um olho tinha tecidos saudáveis mas sem função. O outro tinha necessidade. Juntaram os dois.
Mas porquê o momento com o filho? Porque é que isso foi tão importante para os médicos?
Porque a visão não é apenas luz. É reconhecimento. É a pessoa que ama. Quando Elena viu o rosto do filho, provou que o transplante não era apenas um sucesso técnico — era uma vida inteira devolvida.
E o cão-guia? Parece um detalhe pequeno.
Não é. Joe tinha sido os olhos de Elena durante cinco anos. O hospital percebeu que separar ambos durante a recuperação seria cruel e talvez prejudicial. A medicina não é só cirurgia.
Qual é o risco agora?
Ninguém sabe. A retina transplantada pode recuperar completamente, parcialmente, ou pode haver rejeição. Reibaldi diz que os primeiros sinais são bons, mas isto é novo demais para ter certezas.
Isto muda tudo para as pessoas cegas?
Talvez. Mas só se conseguir ser repetido, se funcionar em outros casos, se a técnica se tornar segura e acessível. Por enquanto, é uma porta que se abriu. Ninguém sabe ainda o que está do outro lado.
Der Puls
- Dois olhos destruídos de formas diferentes pelo mesmo acidente deixaram Elena sem qualquer caminho convencional para recuperar a visão.
- A equipa do professor Michele Reibaldi ousou o impensável: usar os tecidos funcionais do olho irrecuperável para reconstruir o olho com mais potencial.
- A operação durou quase seis horas e exigiu coordenação precisa entre múltiplas especialidades médicas, navegando por uma zona da retina nunca antes transplantada.
- Ao despertar, Elena viu o rosto do filho e o do seu cão-guia Joe — um momento que o próprio cirurgião descreveu como o mais marcante de toda a intervenção.
- O futuro permanece incerto: ninguém sabe ainda quanto tempo a visão durará, como evoluirá, ou se a técnica poderá ser replicada noutros pacientes.
Em Turim, uma cirurgia sem precedentes devolveu a luz a uma mulher que vivera cinco anos na escuridão. Elena, 67 anos, tornou-se a primeira pessoa no mundo a receber um transplante de mácula, numa operação que usou os próprios tecidos do seu olho danificado para reconstruir visão onde nenhuma solução existia. A medicina avançou para território desconhecido — e o primeiro rosto que Elena reconheceu ao despertar foi o do seu filho.
No Hospital Molinette de Turim, Elena, 67 anos, recuperou a visão este mês através do primeiro transplante de mácula do mundo — cinco anos depois de um acidente de viação grave a ter deixado completamente cega.
O acidente danificou ambos os olhos de formas devastadoras e distintas. No esquerdo, o nervo ótico foi cortado de forma irreversível; no direito, a mácula estava doente, a retina destruída e a córnea opaca. Dois olhos quebrados, nenhuma solução óbvia.
O professor Michele Reibaldi e a sua equipa encontraram uma saída inesperada: usar os tecidos ainda biologicamente saudáveis do olho esquerdo — incapaz de transmitir imagem — para reconstruir o olho direito. A operação durou quase seis horas e envolveu múltiplos especialistas em coordenação precisa. Reibaldi reconheceu que transplantar a zona central da retina era território completamente desconhecido.
Durante a recuperação, o cão-guia de Elena, Joe, permaneceu ao seu lado — a administração do hospital reconheceu que aquela ligação não podia ser interrompida. Quando Elena abriu os olhos após a anestesia, viu o rosto do filho. Viu Joe. Para Reibaldi, foi o momento mais marcante de toda a intervenção.
Os primeiros resultados são encorajadores, mas o horizonte permanece aberto. Quanto tempo durará a visão, como evoluirá a retina transplantada, se outros pacientes poderão beneficiar desta técnica — são perguntas que a medicina ainda não sabe responder.
No Hospital Molinette de Turim, em Itália, um cirurgião abriu os olhos de uma mulher que tinha passado cinco anos na escuridão. Não foi um milagre — foi engenharia médica. Elena, 67 anos, recuperou a visão este mês através do primeiro transplante de mácula do mundo, uma operação que os seus médicos descrevem como um marco na história da oftalmologia.
Tudo começou com um acidente de viação grave. O impacto danificou ambos os olhos de Elena de formas diferentes e devastadoras. No olho esquerdo, o nervo ótico sofreu uma lesão irreversível, cortando a ligação entre o olho e o cérebro — a luz entrava, mas o sinal nunca chegava ao destino. O olho direito enfrentava um conjunto diferente de problemas: a mácula já estava doente, o traumatismo destruiu a retina, a córnea perdeu transparência, e as células estaminais que poderiam permitir um transplante convencional desapareceram. Dois olhos quebrados. Nenhuma solução óbvia.
O professor Michele Reibaldi e a sua equipa no Hospital Molinette pensaram diferente. Em vez de tentar reparar cada olho isoladamente, decidiram usar um para salvar o outro. Retiraram os tecidos saudáveis do olho esquerdo — aqueles que ainda funcionavam biologicamente, apesar de não conseguirem transmitir imagem — e transplantaram-nos para o olho direito. Reconstruíram um olho funcional a partir dos restos de dois olhos que não funcionavam. A operação durou quase seis horas e envolveu oftalmologistas, anestesistas, enfermeiros e outros profissionais de saúde trabalhando em coordenação precisa.
Reibaladi explicou depois que este tipo de transplante simultâneo do segmento anterior do olho tinha sido tentado apenas uma vez antes no mundo — também por ele e pelo colega Vincenzo Sarnicola, no mesmo hospital. Mas ninguém tinha conseguido transplantar a zona central da retina. Isto era território desconhecido.
Durante o internamento, Elena não estava sozinha. O seu cão-guia, Joe, permaneceu ao seu lado — a administração do hospital reconheceu que a ligação entre ambos era demasiado importante para ser quebrada, mesmo durante a recuperação. Quando Elena acordou da anestesia e abriu os olhos, conseguiu fazer algo que não fazia há cinco anos: viu o rosto do seu filho. Viu Joe. Reibaldi descreveu este momento como o mais marcante de toda a intervenção.
Agora começa a verdadeira incógnita. Os primeiros resultados são encorajadores, segundo Reibaldi, mas ninguém sabe ainda até que ponto a retina transplantada conseguirá recuperar a sua função completa. A medicina entrou em território novo. Elena recuperou a visão, mas o que vem a seguir — quanto tempo durará, como evoluirá, se outras pessoas conseguirão beneficiar desta técnica — ainda está por escrever.
Bemerkenswerte Zitate
Esta intervenção representa uma nova fronteira na cirurgia ocular. Agora aguardamos para perceber até que ponto a retina transplantada consegue recuperar a sua função, mas os primeiros resultados são encorajadores.— Professor Michele Reibaldi, Clínica Universitária de Oftalmologia do Hospital Molinette