Brum desenvolve modelo de interpretação de teste sanguíneo capaz de detectar alterações cerebrais do Alzheimer, oferecendo alternativa menos invasiva que ressonância magnética e PET. Diagnóstico atual de Alzheimer no Brasil depende principalmente de avaliação clínica, limitado pela escassez de especialistas e dificuldade de acesso a exames de imagem avançados.
Cientista brasileiro de 28 anos recebe prêmio internacional por pesquisa sobre diagnóstico de Alzheimer
Fazer parte do movimento que muda paradigmas internacionais
Por que um exame de sangue é tão importante se já temos formas de diagnosticar Alzheimer?
Porque as formas que temos agora são limitadas. A avaliação clínica depende de especialistas que faltam no Brasil, e os exames de imagem são caros ou invasivos. Um exame de sangue é simples, acessível, e pode confirmar se a pessoa realmente tem a doença.
Mas o exame já foi aprovado nos EUA. O que Brum está fazendo de novo?
Ele está desenvolvendo um modelo para interpretar os resultados — o "modelo de dois passos" — que ajuda a definir quem precisa de mais testes. E está trabalhando para validar isso em populações do Sul Global, não só na Europa e América do Norte.
Qual é a diferença prática disso?
Se o teste funciona em populações brasileiras da mesma forma que funciona em populações europeias, então pode ser implementado aqui com confiança. Caso contrário, pode precisar de ajustes.
Então ainda não sabemos se funciona aqui?
Exatamente. A maioria dos estudos foi feita em outras regiões. Brum está trabalhando para preencher essa lacuna.
E as novas terapias que ele mencionou?
Estão chegando ao Brasil, mas só funcionam em pacientes que têm a assinatura molecular comprovada. Sem um exame confiável, fica difícil identificar quem pode se beneficiar.
Quantas pessoas com Alzheimer no Brasil poderiam se beneficiar disso?
A fonte não diz. Sabemos que há desafios de acesso a diagnóstico, mas não temos números de quantas pessoas estão sem diagnóstico confirmado.
E quanto ao custo do exame de sangue?
Também não está na reportagem. Sabemos que é menos invasivo e mais acessível que outras opções, mas o preço específico não foi mencionado.
Der Puls
- Wagner Scheeren Brum, 28 anos, recebeu o AAIC Neuroscience Next "One to Watch" Award 2026
- Pesquisa focada na proteína p-tau217 como biomarcador de Alzheimer
- Modelo de dois passos para interpretar testes sanguíneos já aprovado pela FDA nos EUA
- Diagnóstico atual de Alzheimer no Brasil depende principalmente de avaliação clínica
Brum desenvolve modelo de interpretação de teste sanguíneo capaz de detectar alterações cerebrais do Alzheimer, oferecendo alternativa menos invasiva que ressonância magnética e PET. Diagnóstico atual de Alzheimer no Brasil depende principalmente de avaliação clínica, limitado pela escassez de especialistas e dificuldade de acesso a exames de imagem avançados.
Médico brasileiro Wagner Scheeren Brum, 28 anos, recebe prêmio internacional da Alzheimer's Association por pesquisa sobre diagnóstico de Alzheimer via exames de sangue, utilizando a proteína p-tau217 como biomarcador.
Wagner Scheeren Brum tem 28 anos e acaba de receber um prêmio internacional que reconhece o trabalho de jovens cientistas promissores em neurociência. A Alzheimer's Association lhe concedeu o AAIC Neuroscience Next "One to Watch" Award 2026 por sua pesquisa sobre como usar exames de sangue para diagnosticar a doença de Alzheimer. Brum é médico e pesquisador em doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde integra o Zimmer Lab, um laboratório focado em doenças neurodegenerativas. É o quarto cientista do grupo a ganhar essa premiação — o laboratório recebe apoio do Instituto Serrapilheira, do IDOR Ciência Pioneira, do Ministério da Saúde e da Capes.
O trabalho de Brum concentra-se na proteína p-tau217, um biomarcador capaz de indicar as alterações cerebrais características do Alzheimer. Hoje, diagnosticar a doença no Brasil depende principalmente da avaliação clínica do paciente. Embora essa avaliação seja essencial, ela tem limitações significativas. Não existe um exame amplamente disponível no país que confirme se um paciente com diagnóstico clínico de Alzheimer realmente apresenta a assinatura molecular característica da doença no cérebro. Os desafios são múltiplos: faltam profissionais especializados em avaliação cognitiva, o acesso a exames de imagem como ressonância magnética é difícil, e os testes mais avançados — como a tomografia por emissão de pósitrons ou a análise do líquor — são caros ou invasivos.
Os exames de sangue surgem como uma alternativa promissora. Estudos mostram que níveis alterados de certas proteínas na circulação sanguínea estão associados às mudanças cerebrais do Alzheimer. Um exame de sangue capaz de detectar essas alterações é fundamental por duas razões: permite descartar a doença quando ela não está presente, e é essencial para identificar pacientes que podem receber as novas terapias promissoras para Alzheimer que estão chegando ao Brasil — essas terapias só podem ser administradas a quem tem a assinatura molecular comprovada.
Brum estuda um modelo de interpretação chamado "modelo de dois passos" para o teste que mede a presença de p-tau217 no sangue. A lógica é simples: níveis muito baixos do biomarcador indicam ausência das alterações cerebrais típicas do Alzheimer, enquanto níveis muito altos indicam sua presença. Casos intermediários demandam exames complementares para uma conclusão. Esse modelo já está sendo usado na prática clínica e foi a base para a aprovação do exame de sangue pela Food and Drug Administration nos Estados Unidos.
Atualmente, o exame baseado em p-tau217 está em fase de implementação em diferentes países, mas enfrenta desafios práticos. Um deles é adaptar o teste para equipamentos já disponíveis em hospitais, garantindo que os resultados sejam consistentes entre diferentes laboratórios. Outro desafio maior é expandir a validação científica do método em populações fora da Europa e da América do Norte, onde a maioria dos estudos foi realizada. Brum aponta isso explicitamente: é preciso demonstrar que o exame funciona também em pacientes com Alzheimer no Sul Global.
O próximo passo é levar a tecnologia para a rotina clínica de centros especializados e capacitar os médicos que lidam com pacientes com demência — neurologistas e geriatras. Brum fala com orgulho sobre fazer parte de um movimento de pesquisadores brasileiros que estão mudando paradigmas internacionais, em um campo onde a maior parte do conhecimento é tradicionalmente produzida na América do Norte e na Europa.
Bemerkenswerte Zitate
Na medicina, a maior parte do conhecimento é produzida na América do Norte e na Europa. Fazer parte do movimento de pesquisadores brasileiros que estão mudando paradigmas internacionais é algo que muito me orgulha.— Wagner Scheeren Brum
Um dos desafios é mostrar que o exame também funciona em pacientes com Alzheimer no Sul Global.— Wagner Scheeren Brum