Em um momento em que a transição energética busca conciliar legados industriais com futuros possíveis, a montadora chinesa BYD apresentou no Brasil um veículo que sintetiza três fontes de energia — etanol, gasolina e eletricidade — em um único sistema, fruto de dois anos de colaboração entre engenheiros brasileiros e chineses. O Song Pro Flex não é apenas um automóvel: é o sinal de que o Brasil, com sua singular cultura do etanol, passou a ser tratado como laboratório de inovação global, e não apenas como destino de exportação. Com fábrica em Camaçari e ambição de exportar para mercados como a
BYD lança Song Pro Flex, híbrido que roda com etanol, gasolina e eletricidade
Um projeto exclusivo do Brasil, desenvolvido por equipes dos dois países
Por que a BYD decidiu desenvolver um carro que roda com três combustíveis diferentes? Não seria mais simples focar em um?
O Brasil é praticamente o único lugar do mundo com infraestrutura de etanol consolidada. A BYD viu uma oportunidade de criar algo que não existe em nenhum outro mercado — um carro que oferece flexibilidade total ao consumidor brasileiro, que pode escolher entre gasolina, etanol ou eletricidade conforme a conveniência.
E quanto ao custo? Manter três sistemas diferentes não encarece muito o carro?
Encarece, sim. Mas o preço inicial de R$ 176.990 ainda o coloca em uma faixa competitiva para um SUV médio com essa tecnologia. A parceria com o Santander para painéis solares é uma forma de compensar isso, oferecendo uma solução de energia renovável que reduz custos operacionais a longo prazo.
A autonomia elétrica de 60 a 120 quilômetros parece curta. Para quem serve realmente?
Serve para quem faz trajetos urbanos e tem a possibilidade de carregar o carro em casa ou no trabalho. Não é para quem precisa rodar 500 quilômetros por dia. Mas para a maioria dos brasileiros que usam carro na cidade, 60 quilômetros é suficiente para um dia inteiro de deslocamentos.
A BYD está realmente enraizando produção no Brasil ou ainda é principalmente montagem?
Está em transição. Começou como montadora de peças semidesmontadas vindas da China, mas agora está localizando produção — pneus já vêm de fornecedores brasileiros, e em breve as baterias serão fabricadas lá. Até janeiro de 2027, a meta é ter mais de 50% de peças locais. Isso é enraizamento real, não apenas montagem.
E o potencial de exportação? Faz sentido levar esse carro para a Índia?
Faz sentido se a Índia começar a expandir sua infraestrutura de etanol, o que já está acontecendo. A BYD está apostando que esse modelo pode se tornar um padrão em mercados emergentes que têm acesso a combustíveis renováveis. É uma jogada de longo prazo.
The Pulse
- A BYD investiu R$ 150 milhões para criar um carro que nenhuma outra montadora havia ousado lançar: um SUV que roda com etanol, gasolina e eletricidade ao mesmo tempo, desenvolvido sob medida para o mercado brasileiro.
- O Song Pro Flex chega às concessionárias a partir de R$ 176.990, com autonomia elétrica de até 120 km na versão topo de linha, pressionando concorrentes que ainda não dominam a combinação entre flex fuel e eletrificação.
- A parceria com o Santander embutiu no lançamento uma oferta inusitada: painéis solares residenciais parcelados em 36 vezes sem juros para quem comprar o carro, ampliando o ecossistema de energia limpa além do veículo.
- Julho foi o melhor mês da BYD no Brasil — 23.465 veículos vendidos, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior —, consolidando a empresa como quarta maior montadora do país com 9,1% de participação de mercado.
- A fábrica de Camaçari, inaugurada em outubro de 2025, caminha para produção local mais profunda, com meta de 50% de peças nacionais até janeiro de 2027 e capacidade projetada de 180 mil veículos em 2026.
- O modelo abre caminho para exportações a mercados emergentes como a Índia, transformando o Brasil de consumidor passivo em polo regional de inovação automotiva para a BYD.
Em um momento em que a transição energética busca conciliar legados industriais com futuros possíveis, a montadora chinesa BYD apresentou no Brasil um veículo que sintetiza três fontes de energia — etanol, gasolina e eletricidade — em um único sistema, fruto de dois anos de colaboração entre engenheiros brasileiros e chineses. O Song Pro Flex não é apenas um automóvel: é o sinal de que o Brasil, com sua singular cultura do etanol, passou a ser tratado como laboratório de inovação global, e não apenas como destino de exportação. Com fábrica em Camaçari e ambição de exportar para mercados como a Índia, a BYD aposta que o que nasceu para o Brasil pode, um dia, pertencer ao mundo.
A BYD apresentou nesta terça-feira o Song Pro Flex, um SUV médio capaz de funcionar com etanol, gasolina e eletricidade no mesmo sistema — uma combinação inédita que custou R$ 150 milhões e dois anos de desenvolvimento conjunto entre equipes brasileiras e chinesas. O modelo começa a ser vendido nesta quarta-feira a partir de R$ 176.990, em duas versões: a GL, com autonomia elétrica de 60 km, e a GS, que alcança 120 km.
Além da propulsão tripla, o carro traz detalhes como teto solar acionado por voz e componentes internos adaptados para resistir ao etanol. A BYD fechou ainda uma parceria com o Santander que permite ao comprador adquirir um kit de painéis solares residenciais em 36 parcelas de R$ 512, sem juros e sem entrada — estendendo a proposta de energia limpa para além do veículo.
O Song Pro é fabricado em Camaçari, na Bahia, onde a montadora inaugurou sua fábrica em outubro de 2025. A unidade recebe investimento de R$ 5,5 bilhões e deve produzir cerca de 180 mil carros em 2026. A empresa trabalha para atingir 50% de conteúdo local em todos os seus veículos até janeiro de 2027, já comprando pneus no Brasil e se preparando para fabricar baterias localmente.
O crescimento da BYD no país tem sido vertiginoso: julho registrou 23.465 veículos vendidos, mais que o dobro do mesmo mês do ano anterior, tornando a montadora a quarta maior do Brasil com 9,1% de mercado. A empresa projeta vender 200 mil veículos em 2026 e expandir sua rede para 300 concessionárias até o fim do ano.
Para a BYD, o Song Pro Flex é mais do que um produto: é a consolidação de uma estratégia que transforma o Brasil em centro de inovação. O modelo poderá ser exportado para mercados como a Índia à medida que o etanol ganhe espaço global — fazendo do que foi criado para o brasileiro uma possível referência para o mundo.
A BYD apresentou nesta terça-feira seu novo Song Pro, um SUV médio que representa uma aposta singular no mercado brasileiro: um carro que funciona simultaneamente com etanol, gasolina e eletricidade, tudo no mesmo sistema. O lançamento marca o resultado de dois anos de desenvolvimento e um investimento de R$ 150 milhões da montadora chinesa em tecnologia pensada especificamente para o Brasil.
O modelo chega às concessionárias de todo o país nesta quarta-feira com preço inicial de R$ 176.990. Existem duas versões: a GL oferece autonomia puramente elétrica de 60 quilômetros, enquanto a GS, topo de linha, alcança 120 quilômetros. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, explicou que o carro foi desenvolvido em colaboração entre equipes de pesquisa brasileiras e chinesas, tornando-o um projeto exclusivo para o mercado nacional.
O Song Pro Flex traz inovações que vão além da propulsão híbrida. O teto solar pode ser acionado por comando de voz, e todos os componentes que entram em contato com o etanol foram adaptados para garantir durabilidade e segurança. A BYD também fechou uma parceria com o Santander que oferece uma oportunidade inusitada: quem comprar o carro à vista ou financiado pelo banco poderá adquirir um kit de painéis solares já instalado em sua residência, com pagamento em 36 parcelas de R$ 512, sem juros e sem entrada inicial.
O novo modelo é fabricado em Camaçari, na Bahia, onde a BYD inaugurou sua fábrica em outubro de 2025. A montadora está em transição de uma operação de montagem de unidades semidesmontadas para produção local mais profunda, visando cumprir regulamentações brasileiras e transformar o país em polo de exportação regional. Baldy afirmou que o Song Pro Flex cumprirá a meta da empresa de utilizar mais de 50% de peças locais em todos os veículos produzidos no Brasil até janeiro de 2027. A empresa já adquire componentes como pneus localmente e em breve iniciará a fabricação de baterias em sua fábrica.
O desempenho da BYD no Brasil tem sido acelerado. Julho marcou o melhor mês da montadora chinesa no país, com vendas totais de 23.465 veículos, mais que o dobro dos 9.680 unidades vendidas no mesmo período do ano anterior. O Dolphin GS liderou o mercado de varejo com 5.861 unidades. A BYD já é a quarta maior montadora do Brasil, com 9,1% de participação de mercado.
A fábrica de Camaçari recebe um investimento de R$ 5,5 bilhões e espera produzir cerca de 180 mil carros este ano. Desse total, aproximadamente 150 mil deverão sair dessa unidade, enquanto a BYD projeta vender cerca de 200 mil veículos no Brasil em 2026. A empresa também planeja expandir sua rede de distribuição, com projeção de 300 concessionárias até o fim do ano.
Embora desenvolvido para consumidores brasileiros, o Song Pro Flex poderá eventualmente ser exportado para outros mercados, como a Índia, conforme a adoção do etanol se expanda globalmente. Para a BYD, o modelo representa mais que um novo produto: é a consolidação de uma estratégia de enraizamento no Brasil, transformando o país de um simples mercado consumidor em um centro de inovação e produção para a empresa.
Notable Quotes
É um projeto muito simbólico para a BYD. Foi desenvolvido pelas equipes de pesquisa e desenvolvimento do Brasil e da China.— Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD