Bardot revolucionou o cinema nos anos 1950 com papéis de mulheres emancipadas e libertárias, tornando-se símbolo da modernidade feminina e transformando o biquíni em ícone de rebeldia. Aposentou-se no auge da carreira em 1973 para escapar da objetificação e perseguição de paparazzi, dedicando-se à fundação de proteção animal que criou em 1986.
Brigitte Bardot, ícone do cinema e do feminismo, morre aos 91 anos
Livre do moralismo, ela chamava atenção pela liberdade natural com que se portava
Como alguém que foi símbolo de liberdade feminina acaba envolvido em tantas controvérsias raciais?
É uma contradição real. Nos anos 1950, ela desafiava o moralismo e a objetificação. Mas décadas depois, suas opiniões sobre imigração e pluralidade racial pareciam vir de um lugar muito diferente — conservador, até xenófobo.
Mas precisamos ser precisos: quantos processos exatamente? A fonte diz "dezenas", mas não especifica o número. E quanto aos detalhes das acusações — sabemos que ela foi condenada em 2021, mas há outras condenações documentadas?
Boa pergunta. A fonte confirma a condenação de 2021 por 20 mil euros, mas sobre as outras acusações, ela diz que foi "acusada mais de uma vez", sem dar números exatos.
E quanto ao comentário sobre Me Too? Isso foi uma posição isolada ou ela manteve essas opiniões consistentemente?
Parece ter sido consistente. O livro de 2003 já mostrava essas posições conservadoras. O comentário de 2018 foi apenas mais um episódio em uma trajetória de décadas.
Mas a fonte não diz se ela se retratou de algo ou se manteve essas posições até o final. Sabemos que ela morreu aos 91 anos, mas não sabemos se suas últimas declarações públicas foram antes ou depois de 2021.
Então seu legado fica em aberto — a revolução que ela representou no cinema versus as posições que ela defendeu depois?
Exatamente. E isso é incômodo porque não dá para separar completamente as duas coisas. Ela foi um ícone, mas também foi uma pessoa com contradições profundas.
Der Puls
- Brigitte Bardot morreu aos 91 anos em dezembro de 2024
- Nascida em Paris em 28 de setembro de 1934
- Aposentou-se do cinema em 1973, aos 39 anos, após mais de 40 filmes
- Criou a Fundação Brigitte Bardot em 1986 para ativismo animal
- Condenada em 2021 a pagar 20 mil euros por insultos racistas
Bardot revolucionou o cinema nos anos 1950 com papéis de mulheres emancipadas e libertárias, tornando-se símbolo da modernidade feminina e transformando o biquíni em ícone de rebeldia. Aposentou-se no auge da carreira em 1973 para escapar da objetificação e perseguição de paparazzi, dedicando-se à fundação de proteção animal que criou em 1986.
A atriz francesa Brigitte Bardot, ícone cultural do século 20 que redefiniu padrões de feminilidade no cinema, faleceu aos 91 anos. Após se aposentar em 1973, dedicou-se ao ativismo animal, mas enfrentou polêmicas por opiniões conservadoras sobre imigração e direitos LGBTQIA+.
Brigitte Bardot morreu aos 91 anos. A notícia foi confirmada à imprensa francesa pela Fundação que leva seu nome, embora a causa exata do falecimento ainda não tenha sido divulgada. Sabe-se que em novembro ela havia sido internada em um hospital em Toulon, no sul da França, onde passou por uma cirurgia. Nascida em Paris em 28 de setembro de 1934, Bardot deixa atrás de si um século de cinema e cultura que ela ajudou a reescrever.
Sua trajetória começou cedo. Filha de um industrial da alta burguesia francesa e de uma ex-artista que nunca realizou seu sonho de ser bailarina, Brigitte cresceu em uma família conservadora e rigorosa. Aos 15 anos, já estava modelando para a revista Elle, quando o cineasta Roger Vadim, então com 22 anos, a viu em uma capa e se apaixonou. Meses após completar 18 anos, em 1952, eles se casaram. Seu primeiro filme, Le Trou Normand, também de 1952, foi uma experiência amarga — sua falta de experiência virou motivo de zombaria nas equipes de produção. Mas Vadim acreditava nela e a escalou para o papel principal de seu novo projeto: E Deus Criou a Mulher, lançado em 1956.
Esse filme mudou tudo. Bardot interpretava Juliette, uma adolescente com desejos sexuais à flor da pele, cercada por homens fascinados por ela. A Igreja Católica condenou a obra por sua abordagem dos temas sexuais; cópias foram censuradas para atender ao Código Hays americano. Mas quando chegou aos cinemas dos Estados Unidos, apesar do choque inicial, foi um sucesso de bilheteria. Uma cena em particular — Brigitte dançando descalça sobre uma mesa — tornou-se referência de sensualidade no cinema mundial. Suas aparições em biquíni nos primeiros filmes ajudaram a transformar a peça de roupa em símbolo de glamour e rebelião. Ela se tornou o símbolo da mulher moderna: emancipada, libertária, incontrolável. Sua beleza redefiniu os padrões de estética e visão feminina no cinema a partir dos anos 1950.
Durante sua carreira meteórica, Bardot atuou em mais de 40 filmes. Trabalhou com Alain Delon, Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni. Seus clássicos incluem A Verdade (1960), indicado ao Oscar, Vida Privada (1962), O Desprezo (1963) de Jean-Luc Godard, e a comédia de faroeste Viva Maria! (1965). Ela e Vadim se separaram em 1957. Depois casou-se com Jacques Charrier em 1959, com quem teve um filho, Nicolas-Jacques Charrier, de quem não quis custódia. Mais tarde casou-se com o alemão Gunter Sachs, de 1966 a 1969. Livre do moralismo velado que cercava as estrelas do cinema americano, ela chamava atenção pela liberdade natural com que se portava.
Em 1973, aos 39 anos, Bardot se aposentou no auge do sucesso. Seu último filme foi Se Don Juan Fosse Mulher, de Vadim, que incluiu uma cena de sexo lésbico com Jane Birkin. Desiludida com a constante objetificação, a perseguição de paparazzi e os escândalos sentimentais, ela desejava uma vida privada. A partir daí, dedicou-se ao ativismo animal. Em 1986, criou a Fundação Brigitte Bardot. Lutou contra a caça de focas e baleias, experimentos laboratoriais com animais, brigas de cães, uso de casacos de peles e touradas.
Mas o ativismo veio acompanhado de polêmicas crescentes. Ao longo das décadas seguintes, Bardot publicou livros e concedeu entrevistas compartilhando opiniões conservadoras sobre migração, cultura francesa e pluralidade racial. Em 2003, lançou Un Cri dans le Silence (Um Grito de Silêncio), abordando de forma controversa temas como imigração, islamismo e impacto da cultura árabe na Europa. A obra também foi considerada homofóbica por suas críticas à adoção de crianças por casais LGBTQIA+. Desde então, acumulou dezenas de processos por racismo e injúria racial, movidos sobretudo por entidades muçulmanas, e foi acusada de incitamento racial contra imigrantes na França.
Em 2018, durante o auge do movimento Me Too, Bardot afirmou que as denúncias feitas por algumas atrizes eram "na maioria dos casos, hipócritas, ridículas, sem interesse". Disse à revista Paris Match que muitas atrizes provocavam produtores para conseguir papéis e depois acusavam assédio para ganhar atenção, prejudicando-se no processo. Em 2021, um tribunal de Saint-Tropez a condenou a pagar 20 mil euros por insultos racistas, após chamar os habitantes de uma ilha francesa de nativos que "preservaram seus genes selvagens". Seu legado permanece dividido: a mulher que redefiniu a feminilidade no cinema e se tornou símbolo de liberdade também deixa uma trajetória marcada por posições que contradizem aquele feminismo que ajudou a construir.
Bemerkenswerte Zitate
Há muitas atrizes que vão provocando os produtores para conseguir um papel. Depois, para que se fale delas, dizem que sofreram assédio... Na realidade, mais do que beneficiá-las, isso as prejudica.— Brigitte Bardot, em entrevista à revista Paris Match em 2018