Brasil intensifica vigilância contra sarampo com avanço nos EUA e Américas

Manter coberturas altas é o que impede que casos importados voltem a circular
O Ministério da Saúde explica a estratégia para evitar um novo surto sustentado de sarampo no país.
Mark

Por que o Brasil está tão preocupado com casos importados se já tem 93% de cobertura vacinal?

Mimi

Porque 93% não é 100%. Quando o vírus chega de fora, ele encontra as pessoas nos 7% que não estão vacinadas. Se essas pessoas estiverem concentradas em um bairro ou região, o vírus pode começar a circular ali e criar um novo surto.

Luke

Mas vale notar que esses 52 casos em dez meses não geraram nenhuma transmissão secundária confirmada. Se estivessem circulando, veríamos números muito maiores.

Mimi

Exatamente. É por isso que as equipes estão fazendo bloqueio vacinal — vacinando rapidamente todos os contatos de cada caso importado. Está funcionando.

Mark

E a dose zero para bebês de seis meses? Isso é novo?

Mimi

É uma estratégia adicional. Normalmente a primeira dose é aos 12 meses, mas quando há risco de importação, oferecer proteção mais cedo faz sentido.

Luke

Embora seja importante dizer que a eficácia dessa dose zero em bebês tão pequenos ainda está sendo avaliada. Não é a mesma coisa que a dose de rotina.

Mark

Como o Brasil conseguiu recuperar a certificação de país livre de sarampo depois de 2019?

Mimi

Investimento massivo em vacinação. Entre 2023 e 2025, só 85 casos foram confirmados, sem mortes. Isso mostrou que a transmissão havia parado.

Luke

E também sorte — nenhum desses 85 casos gerou circulação sustentada. Se tivessem, a história seria diferente.

Mark

O que acontece se os casos importados começarem a se multiplicar?

Mimi

Volta a vigilância máxima, campanhas de vacinação em massa, investigação epidemiológica intensiva. O Brasil já sabe como fazer isso.

Luke

Mas também perderia a certificação novamente, o que teria impacto internacional e na confiança nas políticas de saúde.

  • Os EUA vivem o pior ano de sarampo em 35 anos, e mais de 90% dos infectados não tinham vacinação — uma falha coletiva que atravessou fronteiras e chegou às Américas.
  • Brasil registrou 52 casos importados em 2026, concentrados em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro, reacendendo o alerta de quem já perdeu a certificação de país livre do vírus em 2019.
  • O Ministério da Saúde respondeu com quatro campanhas de vacinação, busca ativa de contatos, bloqueio vacinal em cidades afetadas e uma dose extra para bebês de 6 a 11 meses em regiões de alto risco.
  • A cobertura vacinal brasileira chegou a 93,10% na primeira dose da tríplice viral em 2025, e o número de crianças sem nenhuma vacina caiu 86% desde 2023 — avanços que sustentam a linha de defesa atual.
  • O país permanece classificado como livre de circulação endêmica, mas a fronteira entre casos importados controlados e um novo surto sustentado depende da manutenção rigorosa dessa vigilância.

Enquanto os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas e países vizinhos registram transmissão crescente, o Brasil responde com vigilância reforçada e campanhas de vacinação intensificadas. Com 52 casos importados confirmados até outubro de 2026, o país caminha sobre uma linha tênue entre a proteção conquistada e a vulnerabilidade regional. A história recente — a perda e a reconquista da certificação de eliminação do sarampo — serve de memória viva para um sistema de saúde que sabe o custo do descuido.

Os Estados Unidos estão vivendo seu pior ano de sarampo desde o início dos anos 1990. A maioria dos infectados — mais de 90% — nunca foi vacinada ou tem histórico vacinal desconhecido. A onda não ficou contida: Guatemala, México, Peru e Canadá também enfrentam surtos significativos, e juntos esses cinco países concentram mais de 95% dos casos confirmados nas Américas em 2026.

No Brasil, o Ministério da Saúde elevou o nível de vigilância. Até 5 de outubro, 52 casos importados haviam sido registrados — 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Os números são controlados, mas carregam um peso histórico: em 2019, o país enfrentou mais de 20 mil casos e perdeu formalmente sua certificação internacional de eliminação do sarampo. A recuperação foi lenta. Em novembro de 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde reconheceu novamente o Brasil como livre de circulação endêmica.

A diferença entre o colapso de 2019 e o cenário atual está na vacinação. Desde 2023, a cobertura das vacinas do calendário infantil cresceu expressivamente, e o número de crianças sem nenhuma imunização caiu 86%. Em 2025, a primeira dose da tríplice viral atingiu 93,10% de cobertura nacional — chegando a 94,39% em São Paulo e 89,54% no Amazonas.

Para sustentar essa proteção, o ministério realizou quatro campanhas de vacinação em 2026, aplicando mais de 3,8 milhões de doses em São Paulo e cerca de 192 mil no Amazonas. Nas cidades com casos confirmados, equipes realizaram busca ativa, investigação epidemiológica e bloqueio vacinal. Uma estratégia inovadora também foi adotada: a dose zero, oferecida a bebês entre 6 e 11 meses, antecipando a proteção antes do calendário regular. Na região de tríplice fronteira com Colômbia e Peru, as ações foram ainda mais intensas.

O Brasil permanece classificado como livre de circulação endêmica — casos importados não equivalem a transmissão sustentada dentro do país. Mas a mensagem do Ministério da Saúde é clara: é a vigilância constante e a alta cobertura vacinal que impedem esses casos de se tornarem o início de um novo surto.

Os Estados Unidos estão vivenciando seu pior ano de sarampo em mais de três décadas. Até agora em 2026, o país registrou um número de casos que não se via desde o início dos anos 1990, e a maioria das pessoas infectadas — mais de 90% — nunca recebeu a vacina ou tem histórico vacinal desconhecido. Essa onda de transmissão não ficou confinada às fronteiras americanas. Guatemala, México, Peru e Canadá também enfrentam surtos significativos, e juntos esses cinco países concentram mais de 95% de todos os casos confirmados de sarampo nas Américas em 2026.

No Brasil, o Ministério da Saúde respondeu elevando o nível de vigilância. Até 5 de outubro, o país havia registrado 52 casos importados — pessoas que contraíram o vírus no exterior e o trouxeram para casa. São Paulo concentrou a maioria, com 41 casos. O Amazonas registrou 10, e o Rio de Janeiro um único caso. Esses números, embora controlados, acenderam um alerta importante: o Brasil já perdeu sua certificação de eliminação do sarampo uma vez, e não quer que isso aconteça novamente.

Em 2019, o país enfrentou um surto devastador. Mais de 20 mil pessoas contraíram sarampo naquele ano, e após mais de um ano de transmissão contínua, o Brasil perdeu formalmente sua certificação internacional de país livre do vírus. A recuperação levou tempo. Entre 2023 e 2025, foram confirmados apenas 85 casos, sem nenhuma morte. Em novembro de 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde certificou novamente o Brasil como livre de circulação endêmica do sarampo, reconhecendo que a transmissão sustentada havia sido interrompida.

A diferença entre então e agora está na vacinação. Desde 2023, a cobertura de todas as 16 vacinas do calendário infantil aumentou significativamente, e o número de crianças sem nenhuma vacinação caiu 86%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância. Em 2025, a primeira dose da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — atingiu 93,10% de cobertura no Brasil. Em São Paulo, esse índice chegou a 94,39%. Até no Amazonas, historicamente mais desafiador, alcançou-se 89,54%.

Para manter essa proteção diante dos riscos regionais, o Ministério da Saúde intensificou suas operações em 2026. Foram realizadas quatro grandes campanhas de vacinação ao longo do ano, aplicando mais de 3,8 milhões de doses em São Paulo e cerca de 192 mil no Amazonas. Nas cidades onde casos importados foram confirmados — São Paulo capital, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André — equipes de saúde realizaram busca ativa de pessoas expostas, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal, uma estratégia que consiste em vacinar rapidamente todos os que tiveram contato com casos confirmados.

A estratégia também incluiu uma abordagem inovadora: a chamada dose zero, oferecida a crianças entre 6 e 11 meses e 29 dias — uma dose adicional fora do calendário de rotina, que normalmente começa aos 12 meses. Na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, onde o risco de importação é particularmente alto, as ações foram ainda mais intensificadas, com apoio de equipes federais coordenando vacinação, investigação de casos suspeitos, coleta de amostras e acompanhamento de contatos.

O Ministério da Saúde deixou claro que, apesar dos 52 casos importados, o Brasil permanece classificado como livre de circulação endêmica do sarampo. A diferença é crucial: casos importados são pessoas que contraem a doença fora do país. Circulação endêmica significa que o vírus está se espalhando de pessoa para pessoa dentro das fronteiras, gerando novos casos continuamente. O Brasil não está nessa situação — ainda. Mas a vigilância permanece ativa, e a mensagem do ministério é direta: manter coberturas vacinais altas e monitoramento constante é o que impede que esses casos importados se transformem em um novo surto sustentado.

Manter as coberturas altas e a vigilância ativa é o que protege a população e impede que casos importados voltem a causar circulação sustentada do vírus no país
— Ministério da Saúde
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