Brasil intensifica campanha de multivacinação para recuperar cobertura vacinal

Se todos ficarem protegidos, você evita o reaparecimento de doenças que já estavam praticamente erradicadas
Advogada reflete sobre o impacto da cobertura vacinal na prevenção de surtos.
Mark

Por que o Brasil está tendo dificuldade em manter as coberturas vacinais em dia, especialmente em vacinas tão importantes quanto meningite e pólio?

Mimi

Há vários fatores em jogo. A pandemia interrompeu rotinas de vacinação em muitos lugares. Além disso, há hesitação vacinal crescente em algumas comunidades, desinformação circulando nas redes. Mas também é questão de acesso — nem todas as famílias conseguem chegar a um posto de saúde com facilidade.

Mark

E por que colocar postos de vacinação em shoppings? Isso não é um pouco inusitado?

Mimi

Na verdade, é estratégia bem pensada. Shoppings são espaços de grande circulação, onde as pessoas já estão indo de qualquer forma. Reduz a barreira de acesso. Uma mãe que ia fazer compras pode vacinar o filho no mesmo trajeto. É levar o serviço para onde o povo está.

Mark

O que significa exatamente quando dizem que a BCG atingiu a meta, mas meningite e pólio não?

Mimi

Significa que a cobertura da BCG está acima do percentual mínimo que o Ministério da Saúde estabeleceu como necessário para proteger a população. Meningite e pólio ainda não chegaram lá. Se a cobertura cai abaixo de um certo patamar, o vírus ou bactéria pode circular novamente.

Mark

E o sarampo em São Paulo — isso é sinal de que a cobertura vacinal caiu demais?

Mimi

Exatamente. Vinte e três casos em um ano é um sinal de alerta. O sarampo é altamente contagioso. Se a cobertura vacinal estivesse onde deveria estar, esses casos não apareceriam. Por isso expandiram a faixa etária em São Paulo — precisam aumentar a barreira de imunidade rapidamente.

Mark

As crianças parecem entender bem por que estão sendo vacinadas. Isso ajuda?

Mimi

Muito. Uma criança que entende que está se protegendo, que sabe que não precisa ter medo, coopera melhor. E quando uma criança como o Heitor leva os avós para se vacinar, está criando uma cultura de cuidado familiar. Isso é tão importante quanto a vacina em si.

  • Campanha oferece 20 tipos de imunizantes até 1º de setembro
  • Brasil atingiu meta apenas com vacina BCG; meningite e pólio ainda estão abaixo
  • São Paulo confirmou 23 casos de sarampo em 2026
  • Público-alvo são menores de 15 anos, expandido para até 59 anos em São Paulo

A campanha oferece 20 tipos de imunizantes em diversos pontos de vacinação, incluindo shoppings e unidades móveis em várias cidades brasileiras. Brasil ainda não atingiu metas de cobertura vacinal em imunizantes importantes como meningite e poliomielite, apesar de sucesso com vacina BCG.

O Brasil lançou campanha nacional de multivacinação com postos em shoppings e unidades móveis para atualizar cadernetas de crianças e adolescentes menores de 15 anos contra doenças como pólio e meningite até 1º de setembro.

No sábado 22 de agosto, postos de saúde espalhados pelo Brasil receberam milhares de pessoas em busca de vacinas atrasadas. A campanha de multivacinação, que segue até 1º de setembro, funciona em locais estratégicos — shoppings, unidades móveis, centros de saúde — oferecendo vinte tipos diferentes de imunizantes. O público-alvo são crianças e adolescentes menores de 15 anos, embora em São Paulo a faixa etária tenha sido expandida para incluir pessoas até 59 anos, em resposta aos 23 casos de sarampo confirmados no estado este ano.

As motivações para se vacinar variam. João Miguel Porto, de 11 anos, vê a vacinação como parte de uma rotina anual que o faz sentir melhor. Luiz, de 10 anos, quer estar saudável para jogar futebol. Joedson Cardoso, vidraceiro em São Luís, levou seu filho para atualizar a caderneta contra gripe, influenza, meningite e dengue. Em Vitória, foi o neto Heitor Marques, de 9 anos, quem conduziu os avós até o posto de vacinação — uma criança que, segundo o avô Francisco de Assis Marques, lembra de tudo e ajuda muito em casa.

Belo Horizonte montou dez pontos de vacinação em locais de grande circulação. Aracaju funcionou com 16 unidades de saúde no chamado "dia D" da campanha. Em São Luís, um shopping foi transformado em ponto de vacinação. A região metropolitana de Cuiabá recebeu o Zé Gotinha, mascote tradicional das campanhas de imunização. Arthur Garcia, de 6 anos, resume a mensagem central: "Eu falo que não precisa ter medo".

O contexto que move essa mobilização é preocupante. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil atingiu a meta de cobertura vacinal apenas com a BCG, que protege contra as formas graves da tuberculose. Vacinas cruciais contra meningite e poliomielite ainda estão abaixo das metas estabelecidas. A advogada Olivia Paiva, que participou da campanha em Belo Horizonte, aponta o risco: se todos ficarem protegidos, evita-se o reaparecimento de doenças que já estavam praticamente erradicadas.

O surto de sarampo em São Paulo evidencia a urgência. Com 23 casos confirmados em 2026, a vacinação foi ampliada não apenas na capital, mas também em Guarulhos e São Bernardo do Campo. A decisão de estender a campanha para maiores de 15 anos nessas cidades reflete uma estratégia de contenção — quanto maior a cobertura, menor a chance de transmissão em cadeia.

A campanha segue nas próximas semanas, com a expectativa de que a mobilização em espaços públicos e de grande movimento — shoppings, ruas, centros comunitários — alcance famílias que talvez não tivessem acesso fácil aos postos tradicionais. O desafio agora é transformar essa participação inicial em recuperação sustentada das coberturas vacinais, especialmente nas vacinas que ainda ficam aquém das metas nacionais.

Se todos ficarem protegidos, você evita o reaparecimento de doenças que já estavam praticamente erradicadas
— Olivia Paiva, advogada
Eu falo que não precisa ter medo
— Arthur Garcia, 6 anos
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