Quando um líder fala sobre o sofrimento de um povo sem nomear as correntes que o prendem, o silêncio torna-se parte da política. Ao comentar a crise em Cuba neste domingo, o presidente Joe Biden atribuiu as dificuldades da ilha ao 'regime autoritário', omitindo décadas de bloqueio econômico americano — a mesma política que prometeu revisar durante sua campanha. Seis meses na Casa Branca, 243 medidas coercitivas herdadas de Trump permanecem intactas, e 11 milhões de cubanos seguem sem acesso pleno a mercados, medicamentos e vacinas em plena pandemia. O que se apresenta como preocupação humanitá
Biden omite bloqueio dos EUA ao comentar crise econômica em Cuba
Sem acesso aos mercados, como Cuba poderia adquirir vacinas?
Por que é importante que Biden tenha mencionado ou não o bloqueio ao falar sobre Cuba?
Porque o bloqueio é a estrutura que explica por que Cuba está em crise. Se você fala sobre o sofrimento sem nomear sua causa, está contando uma história incompleta — ou pior, uma história que culpa o governo cubano por problemas que são, em grande medida, consequência da política americana.
Mas a fonte aqui é a Prensa Latina, que é claramente favorável a Cuba. Como sabemos que o bloqueio é realmente "a principal causa" e não apenas uma das causas?
É uma pergunta justa. O que podemos confirmar é que o bloqueio existe, que tem 60 anos, e que restringe o acesso de Cuba a mercados e recursos. Economistas discordam sobre o peso relativo dessa restrição versus problemas internos de gestão.
E quanto à promessa de Biden de mudar a política?
Ele fez essa promessa durante a campanha. Agora, seis meses depois, mantém as 243 sanções de Trump. Isso é verificável.
Espera — as 243 medidas são todas sanções econômicas, ou incluem outras coisas? A fonte não diferencia.
Boa observação. A fonte agrupa tudo como "medidas coercitivas", mas não detalha o que cada uma é. Algumas podem ser restrições comerciais, outras restrições de viagem, outras designações diplomáticas.
E a libertação de Eduardo Arocena — isso é recente?
Sim, 25 de junho de 2021, segundo a fonte. A acusação é que ele estava envolvido em atos de terrorismo contra Cuba, incluindo a epidemia de dengue de 1981.
Mas essa acusação sobre a dengue — como foi provada? A fonte a menciona, mas não cita evidência.
Não cita. É uma alegação cubana. Seria importante verificar se há documentação independente disso.
Então o que sabemos com certeza?
Que Biden não mencionou o bloqueio. Que mantém as sanções de Trump. Que a população cubana é 11 milhões. Que há uma pandemia em curso. O resto é interpretação sobre causas e responsabilidades.
Il Polso
- Cuba enfrenta uma crise econômica aguda durante a pandemia, com sua população de 11 milhões de pessoas sem acesso adequado a vacinas, medicamentos e insumos essenciais bloqueados pelas sanções americanas.
- Biden falou sobre Cuba sem mencionar o bloqueio — uma omissão que ativistas e analistas descrevem não como esquecimento, mas como postura política calculada.
- As 243 medidas coercitivas impostas por Trump continuam em vigor, e a administração Biden foi além: reafirmou a inclusão de Cuba em listas de terrorismo e liberou Eduardo Arocena, acusado de crimes contra cubanos.
- Medea Benjamin e outros ativistas alertam que o presidente poderia suspender as sanções por decreto, mas escolhe não fazê-lo — priorizando cálculos eleitorais internos sobre o bem-estar da população cubana.
- A promessa de mudança na política bilateral com Cuba, feita durante a campanha democrata, dissolve-se diante de uma continuidade que aprofunda o isolamento da ilha no momento em que o mundo mais precisaria de cooperação.
Quando um líder fala sobre o sofrimento de um povo sem nomear as correntes que o prendem, o silêncio torna-se parte da política. Ao comentar a crise em Cuba neste domingo, o presidente Joe Biden atribuiu as dificuldades da ilha ao 'regime autoritário', omitindo décadas de bloqueio econômico americano — a mesma política que prometeu revisar durante sua campanha. Seis meses na Casa Branca, 243 medidas coercitivas herdadas de Trump permanecem intactas, e 11 milhões de cubanos seguem sem acesso pleno a mercados, medicamentos e vacinas em plena pandemia. O que se apresenta como preocupação humanitária carrega, em seu interior, uma escolha política deliberada.
Quando Joe Biden comentou a crise cubana neste domingo, uma palavra esteve ausente: bloqueio. O presidente atribuiu o sofrimento da população ao 'regime autoritário' e pediu alívio das 'garras trágicas da pandemia' — mas não reconheceu que são décadas de embargo econômico, financeiro e comercial americano que impedem Cuba de acessar mercados internacionais, importar insumos médicos e adquirir vacinas. Onze milhões de pessoas vivem essa realidade.
Quase seis meses após assumir a Casa Branca, Biden não sinalizou qualquer mudança na política bilateral com Cuba. As 243 medidas coercitivas impostas por Donald Trump seguem intactas. Para analistas, o presidente democrata opera no piloto automático deixado pela administração anterior, sem movimento para reverter a trajetória que prometeu questionar quando era candidato.
A ativista Medea Benjamin, cofundadora do Code Pink, foi direta: o bloqueio é a causa fundamental das carências cubanas, e Biden poderia suspendê-lo por decreto. Não o fez. Para ela, a explicação está em cálculos políticos internos, não no bem-estar dos cubanos.
A administração foi além da manutenção das sanções. Em maio, ratificou a inclusão de Cuba em uma lista de países que supostamente não cooperam no combate ao terrorismo — decisão que diplomatas cubanos descrevem como distorção deliberada. Em junho, libertou Eduardo Arocena, acusado de assassinar o diplomata cubano Félix García em Nova York em 1980 e de envolvimento na epidemia de dengue hemorrágica que afetou mais de 344 mil cubanos em 1981, matando 158 pessoas, entre elas 101 crianças.
O que emerge não é ruptura, mas continuidade. O silêncio de Biden sobre o bloqueio, quando fala da crise cubana, não é um lapso de memória. É uma escolha.
Quando o presidente Joe Biden comentou sobre a crise econômica em Cuba neste domingo, havia uma ausência notável em suas palavras. Não mencionou o bloqueio econômico, financeiro e comercial que os Estados Unidos mantêm sobre a ilha há décadas — a mesma política que prometeu revisar quando era candidato pelo Partido Democrata.
Biden atribuiu os problemas de Cuba ao que chamou de "regime autoritário", pedindo alívio das "garras trágicas da pandemia". Mas essa narrativa omite um detalhe estrutural: sem acesso aos mercados internacionais e aos recursos que o bloqueio impede, como Cuba poderia adquirir vacinas no mercado global? Como poderia desenvolver sua própria imunização sem a capacidade de importar insumos essenciais? A população cubana, 11 milhões de pessoas, segue presa a essa realidade.
Quase seis meses após chegar à Casa Branca, Biden não sinalizou mudança alguma na política bilateral com Cuba. Mantém em vigor as 243 medidas coercitivas impostas por seu antecessor, Donald Trump, que havia levado o bloqueio aos seus extremos. Analistas sugerem que o presidente democrata segue no piloto automático deixado pela administração anterior, sem qualquer movimento para reverter a trajetória.
Medea Benjamin, ativista norte-americana e cofundadora da organização pacifista Code Pink, foi direta em sua avaliação: o bloqueio é a causa fundamental das carências que afetam os cubanos. Para ela, é um crime que Biden mantenha sanções tão severas quando, com um simples decreto, poderia suspender todas as medidas coercitivas. Mas o presidente não o fez, e Benjamin atribui isso a cálculos políticos internos, não ao bem-estar da população cubana.
A administração Biden não apenas manteve as sanções como as aprofundou de outras formas. Em maio, ratificou a decisão fraudulenta de Trump de incluir Cuba em uma lista de países que supostamente não cooperam na luta contra o terrorismo. Também reafirmou acusações sobre tráfico de pessoas — acusações que diplomatas cubanos descrevem como mentirosas, distorcendo a verdadeira natureza dos programas de cooperação sanitária da ilha. Além disso, em 25 de junho, o governo americano libertou Eduardo Arocena, um homem acusado de terrorismo que assassinou o diplomata cubano Félix García nas ruas de Nova York em 1980.
O histórico de Arocena inclui acusações de envolvimento na provocação da epidemia de dengue hemorrágica que eclodiu em Cuba no final de maio de 1981, afetando mais de 344 mil pessoas e causando 158 mortes, entre elas 101 crianças. Sua libertação, portanto, não é um detalhe menor na história das relações entre os dois países.
O que emerge desse quadro é uma continuidade, não uma ruptura. Biden chegou ao poder prometendo mudança. Seis meses depois, Cuba enfrenta a mesma pressão econômica, a mesma exclusão dos mercados, a mesma dificuldade de acessar recursos médicos e tecnológicos — agora durante uma pandemia global que deveria exigir cooperação internacional, não isolamento. O silêncio do presidente sobre o bloqueio, quando fala sobre a crise cubana, não é um lapso. É uma escolha.
Citazioni salienti
O bloqueio é a causa fundamental das carências que afetam o povo cubano— Medea Benjamin, ativista e cofundadora da Code Pink
É um crime que o presidente Biden mantenha as cruéis sanções contra Cuba quando, com um golpe de caneta, pode suspender todas as medidas coercitivas— Medea Benjamin