Benjamin deixa CEO da CSN após 20 anos; Schvartsman assume comando

Ganhei netinhos e quero ter chance de me dedicar a eles
Steinbruch explica sua decisão de deixar o comando executivo após duas décadas.
Mark

Por que agora? Steinbruch poderia ter continuado indefinidamente.

Mimi

Ele mesmo disse que foi um ciclo de realização. Duas décadas é um tempo longo, e a companhia está em um momento que exige uma mudança de foco – de crescimento agressivo para desalavancagem. Talvez ele tenha sentido que era o momento certo.

Luke

Mas isso é especulação. O que sabemos é que a CSN está com alavancagem de 3,5x EBITDA e precisa vender ativos. Schvartsman é conhecido por reestruturações. Pode ser que o mercado tenha pressionado por essa mudança.

Mark

E Schvartsman? Ele tem credibilidade depois de Brumadinho?

Mimi

Ele pediu afastamento logo após o rompimento, em fevereiro de 2019. Desde então, não ocupou cargo executivo. Mas Steinbruch o descreveu como "honesto, correto, dedicado e inteligente". A escolha começou a ser discutida há quatro meses.

Luke

Aqui temos um problema: não sabemos se o mercado vai aceitar bem essa nomeação. Brumadinho foi uma tragédia ambiental e de segurança. Schvartsman não foi responsabilizado legalmente, mas a associação permanece. Isso pode afetar a percepção sobre a CSN.

Mark

E a família? Steinbruch está deixando a empresa nas mãos de alguém de fora.

Mimi

Não completamente. Seus filhos continuam na companhia em posições importantes. E ele próprio permanece como presidente do conselho, então mantém influência estratégica.

Luke

Mas há uma diferença entre influência e comando. Como CEO, Schvartsman terá a responsabilidade operacional. Steinbruch será chairman. É uma separação de poderes que não existia antes.

Mark

A venda da CSN Cimentos é certa?

Mimi

Não. Steinbruch disse que a companhia recebeu propostas e está fazendo ajustes. Há 45 dias de negociações pela frente. Huaxin e Votorantim/Cementir estão no páreo, com avaliação em torno de R$ 12 bilhões.

Luke

Mas Steinbruch negou que a venda esteja prestes a ser anunciada ou que alguém tenha recebido exclusividade. Isso significa que ainda há incerteza. O cronograma é o que foi definido no começo do ano, segundo ele.

Mark

Qual é o significado maior dessa mudança?

Mimi

É o fim de uma era de crescimento agressivo financiado por dívida. A CSN agora precisa se reestruturar, vender ativos, reduzir alavancagem. Schvartsman é o executivo escolhido para fazer isso.

Luke

Mas não sabemos se ele conseguirá. Schvartsman tem experiência em reestruturações, mas também tem Brumadinho em seu currículo. O mercado vai observar atentamente como ele navega essa transição.

  • Benjamin Steinbruch deixa CEO após 20 anos; Fábio Schvartsman assume a partir de amanhã
  • Steinbruch reassume presidência do conselho, cargo que ocupou por 28 anos entre 1995 e 2023
  • Alavancagem da CSN atingiu 3,5x EBITDA no segundo trimestre; negociações para venda da CSN Cimentos giram em torno de R$ 12 bilhões
  • Schvartsman é engenheiro formado pela USP, ex-CEO de Vale e Klabin; pediu afastamento de Vale em fevereiro de 2019, após rompimento de Brumadinho

Benjamin Steinbruch sai do comando da CSN após duas décadas, mas permanece como presidente do conselho. Fábio Schvartsman, engenheiro formado pela USP com experiência em Vale e Klabin, é o novo CEO. A mudança ocorre enquanto a CSN prioriza desalavancagem e venda de ativos. A alavancagem da companhia atingiu 3,5x EBITDA no segundo trimestre, com negociações em andamento para venda da CSN Cimentos por cerca de R$ 12 bilhões.

Benjamin Steinbruch deixa a presidência executiva da CSN após 20 anos no cargo, reassumindo a presidência do conselho. Fábio Schvartsman, ex-CEO de Vale e Klabin, assume como novo CEO a partir de amanhã.

Duas décadas no comando da Companhia Siderúrgica Nacional chegam ao fim. Benjamin Steinbruch deixa a cadeira de CEO nesta semana, passando o bastão para Fábio Schvartsman, executivo que já liderou Vale e Klabin. Mas Steinbruch não desaparece: reassume a presidência do conselho, cargo que ocupou durante 28 anos até 2023, consolidando uma transição que mantém sua influência sobre a companhia mesmo enquanto cede o comando operacional.

A mudança marca um ponto de inflexão na trajetória de uma das maiores empresas do Brasil. Quando Steinbruch assumiu como presidente do conselho em 1995, logo após a privatização da estatal, a CSN era essencialmente uma siderúrgica que produzia cerca de 5 milhões de toneladas de aço por ano. Nas duas décadas seguintes, transformou-a num conglomerado diversificado: siderurgia, mineração, cimento, logística e energia. No ano passado, o grupo faturou R$ 44,8 bilhões. Mas esse crescimento foi financiado em grande medida por dívida, e agora a companhia enfrenta pressão para mudar de rumo.

Schvartsman, engenheiro de produção formado pela USP, chega para liderar essa transformação em um momento delicado. A alavancagem da CSN atingiu 3,5 vezes o EBITDA no segundo trimestre, e analistas apontam a venda de ativos como o gatilho principal para uma mudança na percepção do mercado sobre a empresa. O novo CEO tem experiência em reestruturações: passou seis anos como CEO da Klabin e assumiu a Vale em 2017. Mas sua passagem pela mineradora foi marcada por uma crise que o persegue: o rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019, que o levou a pedir afastamento pouco mais de um mês depois. Desde então, não ocupou nenhum cargo executivo, embora tenha permanecido no conselho da Vibra Energia.

Segundo Steinbruch, a escolha de Schvartsman começou a ser discutida internamente há cerca de quatro meses. "É uma pessoa boa, honesta, correta, dedicada e inteligente. Tem todas as qualificações para o cargo", disse o agora chairman ao Brazil Journal. "Eu gosto muito dele e por isso o convidei." A estratégia da companhia não muda com a transição, afirmou Steinbruch: continua sendo a desalavancagem e o foco em negócios de maior margem operacional.

Um dos movimentos mais iminentes nesse plano é a venda da CSN Cimentos. Segundo fontes a par das negociações, a chinesa Huaxin e o consórcio Votorantim/Cementir estão disputando o ativo, com o negócio girando em torno de R$ 12 bilhões. Essa avaliação representaria cerca de 7 vezes o EV/EBITDA da empresa de cimentos – uma comparação que destaca como a CSN como holding está sendo negociada abaixo de 4 vezes o EBITDA projetado para 2026. Steinbruch não confirmou os detalhes das negociações, mas disse que a companhia já recebeu propostas e está fazendo ajustes antes de uma fase que deve envolver cerca de 45 dias de discussão das condições contratuais e do preço.

A mudança representa um desvio notável do estilo de Steinbruch, que durante décadas foi conhecido pelo mercado como um controlador centralizador, de convicções fortes e pouco afeito a ceder às pressões dos investidores. Sua maior batalha foi pela Usiminas: a CSN chegou a acumular cerca de 16% da concorrente numa tentativa de tomar seu controle no início da década passada, mas viu a Ternium entrar no bloco de controle em 2011. Steinbruch levou a disputa adiante por mais de uma década, conseguindo uma reviravolta no STJ em 2024 que obrigou a Ternium a indenizar a CSN. Mas mesmo com essa vitória, a CSN resistiu por 11 anos a uma ordem do CADE para reduzir sua participação para menos de 5%, chegando a 4,99% apenas em 2025. A Justiça Federal condenou a companhia a pagar R$ 39 milhões de multa pelo atraso.

Mesmo deixando o comando executivo, Steinbruch não pretende se afastar das decisões estratégicas. Disse que continuará trabalhando ativamente como presidente do conselho. Sua família também permanecerá presente: Victoria trabalha com energia e gás; Felipe atua como diretor de inovação; e Alessandra toca ESG e marketing. Steinbruch ainda tenta convencer Mendel, seu filho mais novo, a entrar na companhia. A mudança abre espaço para algo raro na vida de um empresário intensamente dedicado ao trabalho. "Ganhei netinhos e quero ter chance de me dedicar a eles, porque nessa vida de trabalho intenso talvez eu tenha pecado um pouco com a família", disse. "Eu gostaria também de ter tempo para o agronegócio, que é algo que eu gosto muito, e tempo para viajar sem ser a trabalho."

Era o momento de trocar de posição. Foi um ciclo de realização de muita coisa e agora a gente se propôs a fazer uma mudança na companhia, priorizando a desalavancagem, uma melhor estrutura de capital e os ativos que têm maior margem.
— Benjamin Steinbruch
Ganhei netinhos e quero ter chance de me dedicar a eles, porque nessa vida de trabalho intenso talvez eu tenha pecado um pouco com a família.
— Benjamin Steinbruch
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