Após 33 anos à frente da CSN — 24 deles como CEO —, Benjamin Steinbruch entrega o comando operacional a Fabio Schvartsman, num gesto que marca tanto uma passagem de bastão pessoal quanto uma virada estratégica para a siderúrgica. A empresa carrega R$ 42 bilhões em dívidas e ações que perderam quase um terço do valor em 2026, e a nova gestão chega com mandato claro: vender ativos, aliviar o caixa e reconcentrar a companhia no que é essencial. É o tipo de transição que revela, ao mesmo tempo, os limites de uma era e a urgência de uma reinvenção.
Steinbruch passa comando da CSN para Schvartsman após 24 anos como CEO
Parte da minha vida está aqui. São 33 anos.
Por que Steinbruch decidiu sair agora, depois de 33 anos?
Ele planejava isso há três anos, mas o timing é importante. A CSN enfrenta endividamento pesado e precisa de alguém com experiência em reestruturação. Steinbruch reconhece que sua saída operacional permite focar em estratégia enquanto Schvartsman executa.
Mas Steinbruch continua no conselho. Isso é realmente uma transição ou é mais uma mudança de título?
Qual é o risco real que Schvartsman enfrenta?
Reduzir R$ 42 bilhões de dívida é tarefa monumental. A venda de cimentos é o primeiro passo, mas depois vem infraestrutura, energia e possivelmente a siderurgia. Cada venda é complexa.
E se o mercado não comprar esses ativos pelos preços esperados? O plano de desalavancar R$ 18 a R$ 20 bilhões depende de vendas bem-sucedidas.
Brumadinho vai ser um problema para Schvartsman na CSN?
Steinbruch diz que não, que foi uma fatalidade e que a percepção do mercado sobre Schvartsman é boa. Mas é uma sombra que ele carrega.
Isso é atribuição de Steinbruch, não fato verificado. O mercado pode ter opinião diferente quando Schvartsman começar a tomar decisões difíceis na CSN.
A CSN vai virar uma empresa menor?
Provavelmente. Steinbruch construiu uma holding diversificada em cimentos, siderurgia, metalurgia, energia, infraestrutura e logística. O novo plano é concentrar nas operações mais estratégicas.
Mas qual é a estratégia real? Vender ativos para pagar dívida é tática de curto prazo. Qual é o negócio que a CSN quer ser daqui a cinco anos?
Il Polso
- A CSN acumula dívida de R$ 42 bilhões e alavancagem de 3,49 vezes o Ebitda, um peso que Steinbruch chama de 'absurdo e desnecessário' e que pressiona o caixa da empresa há anos.
- As ações CSNA3 despencaram 31,6% em 2026 e 20% nos últimos 12 meses, sinalizando que o mercado perdeu a paciência com o ritmo de endividamento.
- Schvartsman assume com missão cirúrgica: reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões da dívida por meio de desinvestimentos, começando pela venda da CSN Cimentos, segundo maior player do setor com 21% de participação.
- O processo de venda da cimenteira já está em andamento há duas semanas e deve ser concluído até novembro, abrindo caminho para alienações em infraestrutura, energia e busca de parceiro estratégico para a siderurgia.
- A sombra de Brumadinho — desastre ocorrido durante a passagem de Schvartsman pela Vale em 2019 — foi pesada por Steinbruch, que a descarta como obstáculo, apostando na percepção positiva que o mercado ainda mantém sobre o executivo.
Após 33 anos à frente da CSN — 24 deles como CEO —, Benjamin Steinbruch entrega o comando operacional a Fabio Schvartsman, num gesto que marca tanto uma passagem de bastão pessoal quanto uma virada estratégica para a siderúrgica. A empresa carrega R$ 42 bilhões em dívidas e ações que perderam quase um terço do valor em 2026, e a nova gestão chega com mandato claro: vender ativos, aliviar o caixa e reconcentrar a companhia no que é essencial. É o tipo de transição que revela, ao mesmo tempo, os limites de uma era e a urgência de uma reinvenção.
Benjamin Steinbruch encerrou nesta semana 24 anos como CEO da CSN, passando o comando operacional a Fabio Schvartsman a partir de 3 de setembro. Steinbruch, que lidera a empresa desde 1993, retorna à presidência do conselho de administração — papel que já ocupou entre 1995 e 2023. A transição, desenhada há cerca de três anos, só agora foi implementada.
O momento é de pressão real. A CSN carrega R$ 42 bilhões em dívidas e alavancagem de 3,49 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. As ações CSNA3 acumulam queda de 31,6% em 2026, e o valor de mercado da companhia chegou a R$ 7,9 bilhões. Schvartsman chega com missão clara: reduzir a dívida entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões por meio de venda de ativos.
O primeiro movimento já está em curso. A CSN Cimentos, que se tornou o segundo maior player do setor com 21% de participação de mercado, está em processo de licitação iniciado há duas semanas. A expectativa é fechar o negócio até novembro. Na sequência, o plano prevê venda de participações em infraestrutura e energia, desinvestimento de unidades no exterior e busca de parceiro estratégico para a siderurgia.
A escolha de Schvartsman foi resultado de consulta ao mercado. O executivo acumula 22 anos no Grupo Ultra, passagem como CEO da Klabin — período em que a empresa dobrou sua capacidade produtiva — e assento no conselho da Vibra Energia desde 2022. Sua gestão na Vale, entre 2017 e 2019, foi marcada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, tragédia com 272 mortes. Steinbruch reconhece o peso do episódio, mas afirma que não compromete a trajetória do novo CEO.
Para Steinbruch, deixar o dia a dia operacional é também uma transição pessoal. 'Parte da minha vida está aqui', admite. Ele planeja manter papel estratégico no conselho e oferecer suporte próximo a Schvartsman enquanto a empresa navega por um dos momentos mais delicados de sua história recente.
Benjamin Steinbruch entregou nesta semana o comando operacional da CSN após 24 anos como CEO, marcando o fim de uma das gestões mais longas da indústria brasileira. A partir de quinta-feira, 3 de setembro, Fabio Schvartsman, que dirigiu a Vale entre 2017 e 2019, assume a cadeira de presidente executivo. Steinbruch, que lidera a empresa desde 1993 e foi chairman entre 1995 e 2023, retorna à presidência do conselho de administração.
A transição ocorre em momento crítico para a siderúrgica. A CSN carrega uma dívida de R$ 42 bilhões e uma alavancagem de 3,49 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Schvartsman chega com missão clara: desalavancar a companhia de forma significativa, reduzindo o peso dos juros que Steinbruch descreve como "absurdo e desnecessário". O plano prevê reduzir a dívida entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões através de vendas de ativos.
O primeiro movimento já está em andamento. A CSN Cimentos, que se tornou o segundo maior player do mercado com 21% de participação de mercado, está em processo de venda. Steinbruch informou que o processo de licitação começou há duas semanas e a expectativa é finalizar o negócio até novembro, após cerca de 45 dias para discussão e formalização das propostas recebidas. A venda deste ativo deve trazer alívio significativo ao caixa da companhia.
Para Steinbruch, deixar o dia a dia operacional representa um momento de transição pessoal. Ele reconhece que 33 anos de liderança direta criaram uma identificação forte entre sua imagem e a da empresa. "Parte da minha vida está aqui", afirma. Ainda assim, ele planeja manter papel estratégico e de relacionamento no conselho, oferecendo proximidade e apoio a Schvartsman durante a transição. O processo de mudança de comando foi desenhado há cerca de três anos, mas só agora foi implementado.
A escolha de Schvartsman não foi casual. Steinbruch consultou o mercado sobre candidatos adequados ao cargo e o nome do executivo ganhou força. Schvartsman acumula experiência em grandes corporações: passou 22 anos no Grupo Ultra, onde chegou a CFO; foi CEO da Klabin entre 2011 e 2017, período em que a empresa dobrou sua capacidade de produção; e desde 2022 integra o conselho da Vibra Energia. Na Vale, enfrentou a crise do rompimento da barragem de Brumadinho em janeiro de 2019, desastre que resultou em 272 mortes.
Esse episódio em Brumadinho foi preocupação para Steinbruch, mas ele descarta que afete o trabalho do novo CEO. "A carreira do Fábio é diferenciada. Aconteceu uma fatalidade durante o período em que ele era CEO e que realmente marcou", reconhece. Steinbruch acredita que Schvartsman demonstrará que o desastre não foi questão pessoal e que a percepção do mercado sobre o executivo permanece positiva.
O plano de reestruturação vai além da venda de cimentos. Steinbruch indica que a próxima etapa envolve venda de participações minoritárias em infraestrutura e energia, desinvestimento de unidades independentes no exterior, e busca de parceiro estratégico para a siderurgia, visando avançar em inovação e tecnologia. O objetivo é concentrar a companhia nas operações consideradas mais estratégicas enquanto equilibra as contas.
A transição ocorre em contexto de pressão nos mercados. As ações CSNA3 acumulam desvalorização de 31,6% em 2026 e queda de 20% em 12 meses. A CSN possui valor de mercado de R$ 7,9 bilhões. Para Schvartsman, o desafio imediato é demonstrar que consegue executar o plano de desalavancagem enquanto mantém a operação competitiva em um cenário macroeconômico difícil.
Citazioni salienti
O Fábio vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível, para que a gente consiga ter uma redução da dívida de forma significativa, para continuar nosso trabalho, e não pagando essa carga de juros absurda e desnecessária— Benjamin Steinbruch
Comecei a procurar pessoas. É difícil procurar quem pudesse me substituir pela particularidade da empresa e pela minha particularidade, em acompanhar a empresa há tanto tempo. Achamos o Fábio, que me pareceu a pessoa adequada— Benjamin Steinbruch