Baixas expectativas marcam novo encontro entre Xi e Trump sobre IA

Taiwan, democracia de 23 milhões de pessoas, enfrenta risco de ser sacrificada em negociações entre EUA e China.
O mundo agora é de Xi Jinping, e nós estamos vivendo nele
Conselheiro estratégico resume a dinâmica de poder que governa negociações entre EUA e China sobre IA e Taiwan.
Mark

Por que Trump recebeu Xi com essas honras raras na base Andrews? Parece um sinal muito forte.

Mimi

É exatamente isso. Trump quer sinalizar respeito e abertura para negociações. Mas também é teatro — ele está mostrando ao mundo que controla o relacionamento.

Luke

Mas ele recebeu um protocolo menor em Pequim em maio. Então quem realmente está no controle aqui?

Mimi

Essa é a questão. Xi veio pessoalmente, o que é raro. Trump estendeu o tapete vermelho. Mas a China tem um trilhão de dólares em superávit comercial e controla terras raras. No final, quem tem a moeda de troca?

Mark

E quanto à inteligência artificial? Não era esse o tema principal?

Mimi

Era o que se esperava. Mas uma reunião preliminar entre assessores tocou apenas em salvaguardas vagas e comércio. Nada concreto.

Luke

Então não há expectativa real de um acordo sobre IA? Isso é importante porque o público americano está assustado com IA desregulada.

Mimi

Exato. E a administração Trump é próxima aos titãs da tecnologia, então não há pressão interna para regulação séria.

Mark

E Taiwan? Isso aparece no encontro?

Mimi

Xi pressionou Trump em maio para suspender vendas de armas a Taiwan. Taiwan é a moeda de troca real aqui.

Luke

Mas Trump pode simplesmente ceder Taiwan? Há implicações políticas domésticas.

Mimi

Há, mas Trump opera por transações, não por princípios. Se conseguir algo que venda bem domesticamente — uma trégua comercial, por exemplo — pode estar disposto a fazer concessões em Taiwan.

Mark

Então Taiwan está em risco real?

Luke

Está em risco porque ninguém está defendendo seriamente seus interesses nesta negociação.

  • Trump recebe Xi com honras diplomáticas raras — tapete vermelho, presença pessoal na base Andrews — enquanto em maio foi recebido em Pequim pelo oitavo na hierarquia chinesa, uma assimetria de protocolo que não passou despercebida.
  • A reunião acontece sem agenda robusta: assessores tocaram em salvaguardas para IA e temas vagos de comércio, mas nenhum acordo de substância está no horizonte.
  • A China chega à mesa em posição de força, com superávit comercial de US$ 1 trilhão e controle quase monopolístico sobre terras raras essenciais para a indústria global.
  • Taiwan permanece o ponto de tensão não nomeado — os taiwaneses temem ser moeda de troca numa negociação transacional entre as duas maiores potências do mundo.
  • Com eleições legislativas se aproximando, Trump evita qualquer movimento que possa desestabilizar a trégua comercial do ano passado e provocar uma crise econômica doméstica.

Em Washington, Xi Jinping e Donald Trump se encontram sob holofotes cerimoniais que contrastam com a modéstia das expectativas reais. A recepção na base Andrews — com tapete vermelho e honras reservadas a poucos — revela menos sobre diplomacia e mais sobre a lógica transacional que governa a política externa americana neste momento. Questões como a regulação da inteligência artificial e o futuro de Taiwan permanecem suspensas, enquanto o mundo observa dois líderes que, cada um à sua maneira, redefinem as regras do poder global.

Xi Jinping desembarcou em Washington com uma recepção que poucos líderes estrangeiros recebem: Trump em pessoa na base Andrews, tapete vermelho, honras reservadas a papas. O gesto diz algo sobre como o presidente americano quer que o mundo leia este encontro — mas a pompa mascara expectativas modestas.

A ironia do protocolo é evidente. Quando Trump visitou Pequim em maio, foi recebido pelo vice-presidente Han Zheng, oitavo na hierarquia chinesa. Agora Xi vem pessoalmente, e Trump o trata como grande líder e bom amigo. A Casa Branca está em obras, e o presidente chegou a mandar construir um salão de bailes para a ocasião — ainda inacabado, mas a mensagem foi enviada.

O que realmente importa, porém, permanece em aberto. Reuniões preliminares entre assessores tocaram em salvaguardas para inteligência artificial e temas vagos de comércio, sem substância. A questão da IA desregulada — que mais assusta o público americano — não é enfrentada com seriedade numa administração obsequiosa com os gigantes da tecnologia. E Trump dificilmente vai abalar a trégua comercial obtida no ano passado, com eleições legislativas à vista.

A China chega em posição de força: superávit de um trilhão de dólares na balança comercial e controle quase monopolístico sobre terras raras essenciais. Xi sabe disso. Em maio, pressionou Trump para suspender vendas de armas a Taiwan e as garantias de proteção à democracia de 23 milhões de pessoas que Pequim considera seu território.

Taiwan é o ponto de tensão que ninguém quer nomear. Os taiwaneses temem ser as próximas fichas numa negociação transacional. Como resumiu Scott Kennedy, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais: 'O mundo agora é de Xi Jinping, e nós estamos vivendo nele.' Este encontro não é sobre resolver a corrida da IA ou equilibrar o comércio — é sobre quem dita as regras do que vem a seguir.

Xi Jinping desembarcou em Washington na quarta-feira com uma recepção que poucos líderes estrangeiros recebem: Trump em pessoa na base aérea Andrews, tapete vermelho estendido, honras que antes foram dispensadas apenas a dois papas. É um gesto que diz algo sobre como o presidente americano vê a negociação que está prestes a começar — e também sobre como ele quer que o mundo a veja.

Mas a pompa do encontro mascara expectativas modestas. Os dois presidentes vão discutir inteligência artificial, a corrida armamentista do século 21, e ninguém que acompanha a situação acredita que sairão de lá com um acordo que mude o jogo. Trump, que em 2016 prometia não deixar a China "estuprar" os Estados Unidos e que em 2024 anunciou uma guerra comercial contra o gigante asiático, agora cultiva uma amizade pública com Xi. A incongruência revela algo mais profundo: o que Trump chama de política externa é, na verdade, um modelo transacional, onde cada encontro é uma oportunidade de negócio, não de princípio.

Quando Trump visitou Pequim em maio, foi recebido pelo vice-presidente Han Zheng, oitavo na hierarquia de poder chinesa. Agora Xi vem pessoalmente a Washington, e Trump o recebe como um grande líder e bom amigo. A diferença no protocolo é deliberada e significativa. Mas há uma ironia: enquanto Trump faz questão de estender o tapete vermelho, a Casa Branca está em obras. O presidente se queixou a repórteres que o edifício histórico precisava de uma expansão radical para acomodar grandes eventos diplomáticos. "Xi está vindo, e não temos onde acomodá-lo", disse ele. Então construíram um salão de bailes. O hóspede não vai dançar nele — ainda não está pronto — mas a mensagem foi enviada.

O que realmente importa está em aberto. Uma reunião preliminar entre assessores dos dois lados tocou em salvaguardas para inteligência artificial e temas vagos de comércio. Nada de substância. A questão que mais assusta o público americano — o poder disruptivo de uma IA desregulada — não está sendo enfrentada com seriedade numa administração que é obsequiosa com os titãs da indústria de tecnologia. Trump dificilmente vai perturbar a trégua comercial obtida no ano passado, que evitou um choque econômico global. Faltam poucas semanas para eleições que podem devolver o controle do Congresso aos democratas, e ele não quer uma crise econômica agora.

A China, enquanto isso, está em posição de força. Acumula um superávit de um trilhão de dólares na balança comercial. Controla quase um monopólio em terras raras essenciais para produtos eletrônicos. Xi sabe disso e sabe como usar. Em maio, pressionou Trump repetidamente para suspender vendas de armas a Taiwan e as garantias de proteção à democracia de 23 milhões de pessoas que Pequim considera parte integral de seu território.

Taiwan é o ponto de tensão que ninguém quer nomear claramente. Os taiwaneses temem ser as próximas fichas do cassino em uma negociação transacional. Como disse Scott Kennedy, conselheiro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, "o mundo agora é de Xi Jinping, e nós estamos vivendo nele". Essa frase resume o que está em jogo neste encontro: não é sobre resolver a corrida da inteligência artificial ou equilibrar o comércio. É sobre quem dita as regras do que vem a seguir.

O mundo agora é de Xi Jinping, e nós estamos vivendo nele
— Scott Kennedy, conselheiro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington
Xi está vindo, e não temos onde acomodá-lo
— Donald Trump, presidente dos EUA, sobre reformas na Casa Branca
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