Anvisa desmente alegação falsa sobre fibrina e vacina contra covid-19

Fibrina é proteína natural; vacina não a libera
A Anvisa desmente alegação viral de que imunizantes causam liberação de fibrina na corrente sanguínea.
Mark

Por que um vídeo como esse consegue viralizar tanto se a alegação é tão facilmente desmentível?

Mimi

Porque toca em medos reais — morte, doença cardíaca — e oferece uma explicação que parece científica. O microscópio, a proteína spike, a fibrina: tudo soa técnico o suficiente para soar verdadeiro.

Mark

Mas a pessoa no vídeo diz que viu as fibrinas com seus próprios olhos. Como você refuta uma experiência pessoal?

Mimi

Você não refuta a experiência dela. Você explica que fibrina é uma proteína normal que todos temos, que o que ela pode estar vendo é algo completamente diferente, e que microscópios especiais são necessários para identificar fibrina corretamente.

Mark

A Anvisa simplesmente nega. Não oferece estudos próprios, certo?

Mimi

Oferece dados de monitoramento e estudos existentes. Mas você tem razão: a confiança na agência é parte da resposta. Se você já desconfia dela, nenhuma negação vai convencer.

Mark

Quando começou essa desinformação específica sobre fibrina?

Mimi

Pelo menos desde 2021, segundo os fact-checkers. Mas ganhou força novamente agora, em fevereiro de 2023, quando a campanha da dose bivalente começou. Desinformação sobre vacinas parece ter ciclos.

Mark

O que torna essa mentira particularmente perigosa?

Mimi

Ela conecta vacinação a morte e doença cardíaca de forma direta. Se alguém acredita, pode deixar de se vacinar ou de confiar em tratamentos médicos. E a simplicidade da explicação — uma proteína causa outra proteína — é sedutora.

  • Um vídeo viral no TikTok, com dezenas de milhares de compartilhamentos, espalha o medo de que vacinas contra covid provoquem liberação de fibrina e doenças cardíacas.
  • A alegação mistura termos médicos reais — fibrina, proteína spike — para criar uma aparência de credibilidade científica onde não há nenhuma.
  • A Anvisa desmentiu categoricamente o conteúdo em nota oficial, reforçando que nenhuma bula das vacinas aprovadas no Brasil menciona fibrina como componente ou efeito colateral.
  • Ao menos quatro grandes veículos de fact-checking já haviam refutado o mesmo conteúdo em 2021, revelando que a desinformação simplesmente se recicla.
  • A onda de publicações falsas cresceu após o início da vacinação bivalente em fevereiro de 2023, seguindo um padrão recorrente de desinformação intensificada em campanhas de imunização.

No espaço onde a ciência e o medo se encontram, um vídeo anônimo atravessou as redes sociais com mais de 48 mil curtidas, afirmando que as vacinas contra a covid-19 liberam fibrina no sangue e condenam os vacinados a um tratamento eterno. A Anvisa, guardiã regulatória brasileira, respondeu com clareza: não há qualquer evidência científica que sustente tal alegação, e os imunizantes seguem comprovadamente seguros e eficazes. O episódio revela um padrão antigo — a desinformação que ressurge, renovada, cada vez que uma nova etapa de vacinação é anunciada.

Um vídeo publicado no TikTok em fevereiro de 2023 mostra uma mulher anônima afirmando ter encontrado fibrina em seu próprio sangue com o auxílio de um microscópio, atribuindo a presença da proteína às vacinas contra a covid-19. Segundo ela, a proteína spike dos imunizantes seria responsável por liberar fibrina na corrente sanguínea, explicando mortes e problemas cardíacos em pessoas vacinadas. O vídeo acumulou mais de 48 mil curtidas e 55 mil compartilhamentos.

A Anvisa respondeu com uma nota oficial categórica: não existe qualquer indicação científica de que as vacinas provoquem liberação de fibrina no organismo. Os dados de monitoramento e os estudos disponíveis confirmam que os imunizantes são seguros e efetivos, e nenhuma das bulas das vacinas aprovadas no Brasil menciona fibrina entre composições ou efeitos colaterais.

Para entender por que a alegação não se sustenta, basta compreender o que é fibrina: uma proteína natural do corpo humano, essencial para a coagulação do sangue em casos de lesão. Sua visualização exige microscópios especiais operados por profissionais qualificados. Já a proteína spike, citada no vídeo como vilã, é usada nas vacinas justamente para treinar o sistema imunológico — ela não tem qualquer relação com coagulação ou liberação de proteínas de coagulação.

O mesmo conteúdo já havia sido desmentido em 2021 por Estadão Verifica, Fato ou Fake, Aos Fatos e Lupa, revelando que a desinformação não é nova — apenas se renova. O padrão se repetiu com o início da vacinação bivalente em fevereiro de 2023, reforçando o desafio contínuo que a desinformação representa para a saúde pública.

Um vídeo que circula pelas redes sociais apresenta uma mulher anônima fazendo afirmações sobre sua saúde, alegando que a vacina contra a covid-19 libera fibrina na corrente sanguínea e que quem se imunizou precisará se tratar pelo resto da vida. No TikTok, onde foi publicado em 3 de fevereiro, o vídeo acumulou mais de 48 mil curtidas, 4,6 mil comentários e 55,6 mil compartilhamentos. A mulher afirma ter identificado várias fibrinas em seu sangue usando um microscópio e conecta a presença delas à proteína spike das vacinas, sugerindo que essa liberação de fibrina explica mortes e problemas cardíacos entre pessoas vacinadas.

A Anvisa, agência reguladora brasileira, desmentiu categoricamente a alegação. Em nota oficial, a agência informou que não há qualquer indicação de que as vacinas provoquem liberação de fibrinas no organismo e que os dados de monitoramento e estudos científicos indicam que os imunizantes são seguros e efetivos. Todas as bulas das vacinas em uso no Brasil estão disponíveis no site da Anvisa para consulta pública, e nenhuma delas menciona fibrina em suas composições ou entre os efeitos colaterais possíveis.

Para entender por que a alegação não se sustenta, é importante saber o que fibrina realmente é. Trata-se de uma proteína natural do corpo humano que atua no processo de coagulação do sangue. Quando ocorre uma lesão ou hemorragia, a fibrina funciona como uma malha de proteína que controla a perda de sangue e repara a ferida. Sem os mecanismos envolvidos nessa cascata de coagulação, os organismos com sangue não conseguiriam interromper sangramentos ou hemorragias. A visualização de fibrinas no sangue, porém, requer microscópios especiais manipulados por profissionais qualificados da área — não é algo que qualquer pessoa possa fazer em casa.

A proteína spike, mencionada no vídeo como responsável pela liberação de fibrina, não tem relação alguma com fibrina. A spike é utilizada pelo vírus SARS-CoV-2 para infectar células humanas. Parte dessa proteína é incorporada às formulações de vacinas justamente para gerar uma resposta imunológica do corpo contra aquele agente estranho. Ela é usada especialmente nas vacinas de RNA mensageiro, como a da Moderna. Sua função nas vacinas é treinar o sistema imunológico, não provocar coagulação ou liberação de proteínas de coagulação.

Reportagens anteriores já desmentiriam que as vacinas sejam inseguras para o coração. Do ponto de vista do sistema cardiovascular, as vacinas superam de longe qualquer efeito adverso potencial. O mesmo conteúdo falso já havia sido desmentido por outros veículos de fact-checking — Estadão Verifica, Fato ou Fake, Aos Fatos e Lupa — em 2021, indicando que essa desinformação não é nova.

A circulação de publicações falsas sobre vacinas aumentou após o anúncio da vacinação com a dose bivalente contra covid-19. As aplicações começaram em fevereiro de 2023 nos grupos prioritários, seguindo o Programa Nacional de Vacinação. Esse padrão de desinformação intensificada em torno de campanhas de vacinação é recorrente e representa um desafio contínuo para a saúde pública.

Não há indicação de que a vacina provoque a liberação de fibrinas no organismo; os dados de monitoramento e estudos indicam que as vacinas são seguras e efetivas.
— Anvisa
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