Anvisa autoriza testes humanos de soro do Butantan contra Covid-19

Soro hiperimune extraído do plasma de cavalos
O Butantan desenvolveu o tratamento cultivando o coronavírus em cavalos, que produziram anticorpos naturalmente.
Mark

Por que um soro feito a partir de cavalos? Parece inusitado.

Mimi

Não é tão estranho quanto soa. Cavalos têm sido usados há séculos para produzir soros hiperimunes. O corpo deles responde bem ao estímulo do vírus e produz anticorpos potentes. É mais rápido que esperar o corpo humano desenvolver imunidade.

Luke

Mas vale notar que esse é um tratamento, não uma prevenção. Só funciona em quem já está doente. E ainda não sabemos se funciona bem em humanos — é por isso que estão começando os testes agora.

Mark

Quanto tempo levou da solicitação até essa aprovação final?

Mimi

O Butantan pediu em 2 de março. A Anvisa deu uma aprovação condicional em 24 de março, mas pediu mais informações. Levou meses para o instituto adequar tudo e reapresentar.

Luke

Isso é importante: não foi rejeição. Foi um "sim, mas precisa melhorar". A agência estava sendo cautelosa, o que faz sentido com um novo tratamento.

Mark

E agora? O que acontece com esses testes?

Mimi

Agora começam os testes em humanos. Vão avaliar se é seguro, se causa efeitos colaterais, e se realmente ajuda no tratamento.

Luke

Ainda há muitas incógnitas. Quantas pessoas vão participar? Quanto tempo vai levar? Quando teremos resultados? O comunicado da Anvisa não detalha isso.

Mark

Isso muda a estratégia do Butantan contra a pandemia?

Mimi

Não muda, complementa. Eles continuam com a CoronaVac, a vacina. Agora têm também essa opção de tratamento para quem já está infectado.

  • Meses de espera regulatória chegam ao fim: a Anvisa removeu as restrições que impediam o Butantan de testar o soro em pessoas desde março.
  • O soro hiperimune, produzido a partir de anticorpos extraídos do plasma de cavalos expostos ao coronavírus, representa uma abordagem terapêutica inédita no país.
  • Diferente da vacina, o soro não previne — ele oferece anticorpos prontos para combater o vírus em quem já está infectado, preenchendo uma lacuna crítica no arsenal médico.
  • O Butantan agora opera em duas frentes simultâneas: a CoronaVac para prevenção e o soro hiperimune para tratamento, dobrando a aposta contra a pandemia.
  • A fase clínica começa do zero — nenhum teste em humanos havia sido realizado até agora, tornando esta autorização um marco real, não apenas burocrático.

Em meio à maior crise sanitária do século, o Instituto Butantan recebe autorização da Anvisa para iniciar testes em humanos de um soro hiperimune contra a Covid-19 — fruto de uma parceria improvável entre a ciência e o organismo de cavalos. A aprovação, aguardada desde março, marca a passagem de uma promessa laboratorial para o terreno da verificação clínica, ampliando o horizonte terapêutico para quem já foi alcançado pela doença.

A Anvisa autorizou nesta terça-feira o Instituto Butantan a iniciar testes em humanos de um soro desenvolvido para tratar a Covid-19. A espera durava desde março, quando o instituto apresentou o pedido inicial e recebeu uma aprovação condicional — sujeita à assinatura de um termo de compromisso com informações que o Butantan ainda não havia reunido. Meses de adequação do protocolo clínico foram necessários antes que a documentação completa permitisse à agência remover as restrições.

O soro é produzido por um método pouco convencional: cientistas cultivaram o coronavírus em cavalos, que desenvolveram anticorpos naturalmente. Esses anticorpos foram extraídos do plasma sanguíneo dos animais e constituem o chamado soro hiperimune. Ao contrário de uma vacina — que prepara o organismo para uma infecção futura —, o soro oferece anticorpos prontos para quem já está doente, funcionando como uma ferramenta terapêutica.

Esta será a primeira vez que o produto será testado em seres humanos. Toda a pesquisa anterior limitou-se a estudos em animais, e a aprovação representa uma transição concreta do laboratório para a fase clínica. O Butantan, que também desenvolve a CoronaVac em parceria com a Sinovac, passa a atuar agora em duas frentes simultâneas contra a pandemia: prevenção e tratamento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu o sinal verde nesta terça-feira para que o Instituto Butantan avançasse com testes em seres humanos de um soro desenvolvido para tratar a Covid-19. Era a autorização que o instituto aguardava desde março, quando apresentou o pedido inicial.

O soro é produzido de forma pouco convencional. Cientistas isolaram o novo coronavírus em humanos, depois o cultivaram em cavalos. Os animais, expostos ao vírus, desenvolveram anticorpos naturalmente. Esses anticorpos foram então extraídos do plasma sanguíneo dos cavalos — é esse material que constitui o soro hiperimune que agora será testado em pessoas.

O caminho até essa aprovação não foi direto. A Anvisa já havia dado um primeiro sinal positivo em 24 de março, mas com ressalvas. A agência condicionou a liberação à assinatura de um termo de compromisso que exigia informações complementares que o Butantan ainda não tinha reunido naquele momento. Meses se passaram. O instituto trabalhou para adequar seu protocolo clínico aos padrões regulatórios, e apenas agora apresentou a documentação completa que permitiu à Anvisa remover as restrições.

O propósito do soro é claro: ajudar no tratamento de pessoas que já foram infectadas pelo coronavírus. Diferentemente de uma vacina, que prepara o corpo para uma infecção futura, esse soro ofereceria anticorpos prontos para combater o vírus em quem já está doente. É uma abordagem terapêutica, não preventiva.

Este será o primeiro teste do soro em humanos. Até agora, toda a pesquisa havia se limitado a estudos em animais. A aprovação marca uma transição importante: o produto sai do laboratório e entra na fase clínica, onde sua segurança e eficácia em pessoas reais serão avaliadas sistematicamente.

O Butantan não trabalha apenas neste soro. O instituto também é responsável pelo desenvolvimento e fabricação da vacina CoronaVac, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Com essa aprovação, o instituto agora segue em duas frentes simultâneas contra a pandemia: uma vacina para prevenir a infecção e um soro para tratar quem já foi infectado.

A Agência já havia dado a anuência para a pesquisa no dia 24 de março, mas mediante a assinatura de um termo de compromisso que previa a entrega de informações complementares
— Comunicado da Anvisa
Quer a matéria completa? Leia o original em O GLOBO ↗
Fale Conosco FAQ