Por décadas, o Plasmodium vivax circulou pelas Américas e pela Ásia sem que a ciência lhe opusesse um imunizante próprio — enquanto as vacinas existentes foram desenhadas para o parasita que assola a África. Agora, a Anvisa autorizou os primeiros testes em humanos da Vivaxin, desenvolvida integralmente pela UFMG, abrindo um capítulo inédito na história do combate à malária. É o momento em que uma universidade pública brasileira coloca no horizonte uma resposta que o mundo ainda não tinha.
Anvisa autoriza testes em humanos de primeira vacina brasileira contra malária vivax
primeira vacina do mundo contra essa espécie do parasita
Por que essa vacina é tão importante se existem outras contra malária?
Porque as duas vacinas que existem foram feitas para o tipo de malária que predomina na África. O Brasil enfrenta principalmente o vivax, que é diferente. Até agora não havia nada específico para ele.
Espera — o Ministério da Saúde diz que é a primeira do mundo. Isso foi verificado independentemente ou é só o que eles afirmam?
É o que o Ministério da Saúde afirma. A reportagem não traz confirmação de organismos internacionais de saúde, então é prudente tratar como uma declaração oficial.
E quanto aos testes? Quarenta e oito pessoas é pouco?
Para a fase 1, é o tamanho típico. O objetivo aqui é segurança e resposta imunológica básica, não eficácia em larga escala. Isso vem depois.
Quanto tempo até sabermos se funciona de verdade?
A fase 1 leva um ano de acompanhamento. Depois vêm as fases 2 e 3, que são maiores e mais longas. Estamos falando de vários anos ainda.
O investimento de R$ 12 milhões é suficiente?
É o que o Ministério alocou para as três fases. Se o projeto avançar bem, pode haver mais recursos, especialmente com os R$ 161,5 milhões que planejam investir em outros projetos da instituição.
Mas esses R$ 161,5 milhões são para a malária vivax ou para tudo que o centro faz?
Para tudo — Chagas, Mpox, Covid-19 nasal, diagnósticos. A malária vivax é uma prioridade, mas não é a única.
Le Pouls
- Com 118 mil casos registrados só em 2025, a malária vivax segue sendo uma crise silenciosa que afeta principalmente populações vulneráveis nas Américas — e que até agora não tinha vacina específica.
- A ausência de um imunizante contra o P. vivax não era descuido científico, mas reflexo de uma geopolítica da saúde global que historicamente priorizou o parasita predominante na África.
- A Anvisa acaba de autorizar a fase 1 da Vivaxin: 48 voluntários acompanhados por 360 dias para medir segurança e resposta imunológica da vacina criada no CTVacinas da UFMG.
- O Ministério da Saúde comprometeu R$ 12 milhões para os ensaios clínicos completos e anuncia R$ 161,5 milhões em investimentos mais amplos em vacinas inovadoras, incluindo projetos para Chagas, Mpox e Covid-19 nasal.
- O Brasil se posiciona como protagonista científico ao desenvolver, em laboratório nacional e público, uma solução que nenhum outro país havia conseguido levar até esta etapa.
Por décadas, o Plasmodium vivax circulou pelas Américas e pela Ásia sem que a ciência lhe opusesse um imunizante próprio — enquanto as vacinas existentes foram desenhadas para o parasita que assola a África. Agora, a Anvisa autorizou os primeiros testes em humanos da Vivaxin, desenvolvida integralmente pela UFMG, abrindo um capítulo inédito na história do combate à malária. É o momento em que uma universidade pública brasileira coloca no horizonte uma resposta que o mundo ainda não tinha.
A Anvisa autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, a primeira vacina do mundo desenvolvida especificamente contra o Plasmodium vivax — o parasita responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil. A vacina foi criada integralmente no Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG e representa uma virada histórica: as duas vacinas contra malária disponíveis globalmente foram projetadas para o P. falciparum, que predomina na África, deixando as Américas e a Ásia sem proteção específica.
Os números tornam a urgência concreta: em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária vivax. A fase 1 dos ensaios envolverá 48 voluntários entre 18 e 59 anos, sem infecção prévia pela doença, acompanhados durante 360 dias. O objetivo é avaliar segurança e capacidade de estimular resposta imunológica. O Ministério da Saúde reservou R$ 12 milhões para cobrir as três fases completas dos testes clínicos.
O projeto foi apresentado pelo ministro Alexandre Padilha durante visita ao CTVacinas, que integra o Centro Nacional de Vacinas. Padilha ressaltou o significado de um imunizante desenvolvido do início ao fim em uma universidade pública brasileira. O ministério planeja ir além: R$ 161,5 milhões serão investidos em outros projetos liderados pela instituição, entre eles uma vacina terapêutica para Chagas, uma vacina para Mpox e uma versão nasal da vacina contra Covid-19 — sinalizando uma aposta estratégica no fortalecimento da ciência nacional em saúde pública.
A Anvisa abriu caminho para um teste que pode mudar o enfrentamento da malária no Brasil. A agência autorizou o início dos estudos em humanos da Vivaxin, uma vacina contra a malária vivax desenvolvida integralmente no Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG. Segundo o Ministério da Saúde, trata-se da primeira vacina do mundo desenhada especificamente para proteger contra o Plasmodium vivax, o parasita responsável pela maioria dos casos da doença no país.
Os números ajudam a entender por que isso importa. Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária vivax. As duas vacinas contra malária disponíveis atualmente no mundo foram criadas para combater o Plasmodium falciparum, que predomina na África. O vivax, porém, é o problema das Américas e da Ásia — e até agora não havia imunizante específico para ele. A Vivaxin muda esse cenário.
A primeira fase dos testes será modesta em escala, mas rigorosa em acompanhamento. Quarenta e oito voluntários entre 18 e 59 anos, sem infecção prévia de malária, serão acompanhados durante 360 dias. O objetivo é duplo: avaliar se a vacina é segura e se consegue estimular uma resposta imunológica adequada no corpo humano. O Ministério da Saúde alocou R$ 12 milhões para cobrir as três fases completas dos ensaios clínicos.
O projeto foi apresentado publicamente no sábado 10 de outubro pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma visita ao CTVacinas, que integra o Centro Nacional de Vacinas. Padilha destacou que o desenvolvimento integralmente em uma universidade pública brasileira representa um avanço na busca por ferramentas contra a doença. O ministério vai além: planeja investir R$ 161,5 milhões em projetos de imunizantes e testes inovadores liderados pela unidade ou em parcerias.
O Centro de Tecnologia de Vacinas não está apostando todas as fichas apenas na malária vivax. A instituição trabalha simultaneamente em outros projetos de relevância: uma vacina terapêutica para a doença de Chagas, uma vacina para Mpox, uma vacina nasal contra a Covid-19 e testes rápidos de diagnóstico. Essa diversificação de esforços reflete uma estratégia mais ampla de fortalecer a capacidade brasileira de desenvolver soluções de saúde pública em laboratórios nacionais.
Citations marquantes
O início do estudo clínico desta vacina, desenvolvida integralmente em uma universidade pública brasileira, representa um avanço na busca por novas ferramentas de enfrentamento à doença— Alexandre Padilha, ministro da Saúde