No início de julho de 2021, a Anvisa abriu caminho para que o Brasil desse um passo inédito em sua história científica: testar, em solo nacional e com tecnologia inteiramente própria, uma vacina contra a Covid-19. A ButanVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de ovos de galinha, representa não apenas uma resposta à pandemia, mas uma afirmação da capacidade do país de produzir soberania sanitária. O início dos testes clínicos em Ribeirão Preto marca o momento em que uma promessa científica encontra a realidade humana dos voluntários.
Anvisa autoriza testes clínicos da ButanVac em 418 voluntários na USP de Ribeirão Preto
Primeira vacina contra Covid-19 produzida integralmente no Brasil
Por que é importante que o Brasil tenha uma vacina produzida inteiramente aqui?
Porque significa que não dependemos de importar ingredientes de outros países. Quando você usa ovos de galinha como base, você tem uma cadeia de produção que pode ser controlada localmente. Isso acelera tudo — desde a fabricação até a distribuição.
Mas neste momento, em julho de 2021, a ButanVac ainda é apenas uma promessa. Ela está entrando em testes clínicos. Não há garantia de que funcionará ou que será aprovada.
Quantas pessoas vão participar desses testes?
A Etapa A começa com 418 voluntários. Mas o plano completo para as fases 1 e 2 é envolver seis mil pessoas no total. Depois virá a fase 3, que é quando você realmente testa a eficácia contra outras vacinas.
E quanto tempo isso vai levar? O Butantan disse 17 semanas, mas deixou claro que esse prazo pode mudar. Depende de como os dados saem de cada fase.
Como exatamente essa vacina funciona?
Usa um vírus aviário modificado geneticamente. Ele carrega a estrutura do coronavírus, então quando entra no corpo, o sistema imunológico aprende a reconhecer e combater a Covid-19. É uma abordagem diferente das outras vacinas disponíveis.
A técnica é teoricamente promissora, especialmente para lidar com variantes futuras. Mas tudo isso ainda é teoria. Os testes vão dizer se funciona na prática.
Qual é o padrão que a vacina precisa atingir para ser aprovada?
Eficácia mínima de 50%, conforme a OMS recomenda. Todas as vacinas que estão sendo usadas no Brasil agora já ultrapassaram esse número.
Então o Butantan não está tentando bater recordes. Está tentando atingir um padrão estabelecido. Isso é realista.
El Pulso
- A Anvisa autorizou em 7 de julho os primeiros testes clínicos da ButanVac, abrindo uma corrida contra o tempo em plena pandemia.
- 418 voluntários seriam recrutados pela internet para a Etapa A, com início previsto para 9 de julho no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto.
- A tensão central está na escala: o estudo completo exige seis mil participantes e 17 semanas de pesquisa, com resultados que ainda podem se estender.
- A vacina precisa provar eficácia mínima de 50% — o patamar da OMS — para obter aprovação final, um obstáculo que todas as vacinas em uso já superaram.
- O processo produtivo com ovos de galinha promete independência de insumos importados da Índia e da China, reduzindo vulnerabilidades já expostas pela pandemia.
No início de julho de 2021, a Anvisa abriu caminho para que o Brasil desse um passo inédito em sua história científica: testar, em solo nacional e com tecnologia inteiramente própria, uma vacina contra a Covid-19. A ButanVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de ovos de galinha, representa não apenas uma resposta à pandemia, mas uma afirmação da capacidade do país de produzir soberania sanitária. O início dos testes clínicos em Ribeirão Preto marca o momento em que uma promessa científica encontra a realidade humana dos voluntários.
Na quarta-feira 7 de julho de 2021, a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a iniciar os testes clínicos da ButanVac em seres humanos. A vacina, desenvolvida inteiramente no Brasil, entraria em fase clínica no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto dois dias depois, marcando um momento inédito para a ciência brasileira.
A primeira etapa recrutaria 418 voluntários inscritos pela internet. O objetivo era avaliar a segurança da vacina e identificar a dose ideal, com duas aplicações separadas por 28 dias. O estudo completo — dividido em três etapas e abrangendo fases 1 e 2 — envolveria seis mil voluntários adultos e duraria cerca de 17 semanas, com fases posteriores comparando a ButanVac a imunizantes já em uso e testando sua resposta às variantes do coronavírus.
O diferencial da ButanVac estava em sua fabricação. Usando ovos de galinha — a mesma base da vacina da gripe —, os pesquisadores injetavam em cada ovo um vírus aviário geneticamente modificado para carregar a estrutura do coronavírus, estimulando a produção de anticorpos. Cada ovo renderia material para duas doses. A técnica prometia ainda flexibilidade para adaptar a vacina a novas cepas e, sobretudo, independência em relação à importação de insumos da Índia e da China.
Para obter aprovação regulatória definitiva, a ButanVac precisaria demonstrar eficácia mínima de 50%, conforme critério da OMS. Após a conclusão da fase 3, o Butantan poderia submeter o pedido formal à Anvisa — encerrando um percurso que começava, naquele julho, com 418 pessoas dispostas a ser as primeiras.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, na quarta-feira 7 de julho, para que o Instituto Butantan começasse a testar sua vacina contra a Covid-19 em pessoas de verdade. A ButanVac entraria em fase clínica humana no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, marcando um passo importante para um imunizante desenvolvido inteiramente dentro do Brasil.
A primeira etapa dos testes, chamada Etapa A, recrutaria 418 voluntários selecionados entre candidatos que se inscreveriam pela internet. Começaria na sexta-feira seguinte, 9 de julho. O objetivo nesta fase era simples mas fundamental: verificar se a vacina era segura e descobrir qual dose funcionava melhor. Os participantes receberiam duas injeções, com 28 dias de intervalo entre elas.
O desenho completo do estudo era mais ambicioso. As fases clínicas 1 e 2 — divididas em três etapas (A, B e C) — envolveriam seis mil voluntários com 18 anos ou mais. Após a Etapa A, as próximas fases comparariam o desempenho da ButanVac contra vacinas já em uso, como a CoronaVac, e avaliariam como ela se comportava diante das novas variantes do coronavírus. O Instituto Butantan estimava que toda a pesquisa duraria 17 semanas, embora esse prazo pudesse se estender conforme os dados fossem analisados e as decisões sobre avanço entre fases fossem tomadas.
O que tornava a ButanVac diferente era sua fabricação. Pela primeira vez, o Brasil produziria uma vacina contra a Covid-19 sem depender de importação de matéria-prima do exterior. O processo usava ovos de galinha — os mesmos insumos da vacina da gripe — como base produtiva. Em cada ovo, os pesquisadores injetavam uma versão geneticamente modificada do vírus da doença de Newcastle, uma enfermidade aviária inofensiva para humanos. Esse vírus modificado carregava a estrutura do coronavírus, estimulando o corpo a produzir anticorpos contra a Covid-19. Estimava-se que cada ovo tivesse material suficiente para duas doses. A técnica oferecia uma vantagem teórica importante: permitiria produzir vacinas potencialmente mais eficazes contra novas variantes, já que os pesquisadores poderiam escolher de qual cepa do vírus extrair a proteína.
Para que a ButanVac recebesse aprovação regulatória final, precisaria demonstrar uma eficácia mínima de 50%, conforme estabelecido pela Organização Mundial da Saúde. Todas as vacinas disponíveis no país naquele momento já haviam superado esse patamar. Após a conclusão da fase 3 dos testes, o Butantan poderia submeter o pedido de aprovação à Anvisa. O trabalho com ovos também prometia independência de importação de insumos da Índia e da China, potencialmente reduzindo custos e acelerando a produção futura do imunizante.
Citas Notables
A pesquisa dura 17 semanas, mas o prazo pode ser alterado já que o avanço para a próxima etapa está condicionado à conclusão da fase anterior e análise dos dados— Instituto Butantan