Na última terça-feira, a Anvisa aprovou o Ozivy, a primeira caneta emagrecedora de origem brasileira, desenvolvida pela EMS com o mesmo princípio ativo do Ozempic — a semaglutida. O feito marca uma virada simbólica: o Brasil, até então dependente de importações para acessar essa classe de medicamentos, passa a produzir sua própria resposta a uma demanda que cresceu junto com a cultura do corpo e a busca por saúde metabólica. O caminho até as farmácias ainda exige a aprovação de preço pela CMED, mas a porta regulatória mais difícil foi aberta.
Anvisa aprova Ozivy, primeira caneta emagrecedora brasileira com semaglutida
A caneta não substitui alimentação e exercício — é um complemento
Por que a aprovação do Ozivy é importante se o medicamento ainda não pode ser vendido?
Porque ela remove o obstáculo regulatório mais alto. A Anvisa é o portão de entrada — sem ela, nada acontece. Agora o medicamento existe legalmente, e a próxima etapa é apenas questão de preço e logística.
Mas quanto tempo isso leva? A CMED pode demorar meses ou anos?
Pode, sim. Não há prazo legal definido. E enquanto isso, o Ozempic original continua sendo importado e caro.
E se o preço do Ozivy for tão alto quanto o do Ozempic?
Aí a concorrência não funciona. Mas a expectativa é que um produto nacional, com custos de produção menores, consiga ser mais acessível.
Essa expectativa está baseada em quê? Há precedentes de medicamentos biológicos nacionais chegarem com preço significativamente menor?
Não há precedentes diretos aqui. É uma aposta do mercado.
E quanto ao SUS? Isso muda a vida de quem não pode pagar?
Teoricamente sim, mas a incorporação ao SUS é um processo separado e ainda mais longo. Pode levar anos.
Então, na prática, para a maioria das pessoas que precisam agora, nada muda ainda?
Correto. A aprovação é um sinal de que algo está mudando, mas o impacto real ainda está distante.
El Pulso
- A febre global pelo Ozempic gerou desabastecimentos frequentes no Brasil, deixando pacientes sem acesso a um medicamento do qual dependem para controle glicêmico e peso.
- Com o vencimento da patente da semaglutida em março deste ano, a EMS pôde desenvolver o Ozivy — mas precisou percorrer todo o processo regulatório completo, como se fosse um medicamento inteiramente novo.
- A Anvisa concluiu essa análise e aprovou o Ozivy nesta semana, encerrando uma etapa que havia sido iniciada com o protocolo do pedido em 2023.
- O medicamento ainda não pode ser vendido: a CMED precisa definir o preço máximo autorizado antes de qualquer lançamento comercial, sem data confirmada.
- Especialistas alertam que a semaglutida exige acompanhamento médico e não substitui mudanças de hábito, enquanto o mercado aguarda o impacto do Ozivy sobre a concorrência e os preços.
Na última terça-feira, a Anvisa aprovou o Ozivy, a primeira caneta emagrecedora de origem brasileira, desenvolvida pela EMS com o mesmo princípio ativo do Ozempic — a semaglutida. O feito marca uma virada simbólica: o Brasil, até então dependente de importações para acessar essa classe de medicamentos, passa a produzir sua própria resposta a uma demanda que cresceu junto com a cultura do corpo e a busca por saúde metabólica. O caminho até as farmácias ainda exige a aprovação de preço pela CMED, mas a porta regulatória mais difícil foi aberta.
A Anvisa aprovou na terça-feira, 26 de maio, o Ozivy — uma caneta injetável com semaglutida sintética desenvolvida pela farmacêutica brasileira EMS. É o primeiro produto dessa categoria inteiramente nacional a receber registro sanitário no país, abrindo caminho para que versões brasileiras das chamadas canetas emagrecedoras cheguem às farmácias.
O Ozempic, medicamento originalmente criado para controlar o diabetes tipo 2, tornou-se fenômeno global impulsionado por relatos de celebridades e vídeos virais de transformações corporais. A demanda explosiva gerou desabastecimentos frequentes. A semaglutida funciona imitando um hormônio natural que sinaliza saciedade e reduz o apetite — uma combinação de efeitos metabólicos que transformou a caneta em objeto de desejo.
Com o vencimento da patente do Ozempic no Brasil em março deste ano, a EMS pôde desenvolver o Ozivy. Como a legislação brasileira não reconhece genéricos para medicamentos biológicos, o produto foi enquadrado como medicamento novo, obrigando a empresa a comprovar eficácia, segurança e qualidade em processo regulatório completo. O pedido havia sido protocolado em 2023.
A aprovação sanitária, porém, não significa chegada imediata às prateleiras. A CMED ainda precisa definir o preço máximo autorizado para comercialização — somente depois disso a EMS poderá anunciar valor, data de lançamento e estratégia de distribuição. A possibilidade de incorporação ao SUS existe, mas exigiria avaliações adicionais de custo-benefício e aprovação do Ministério da Saúde.
Médicos reforçam que a semaglutida não deve ser usada sem acompanhamento profissional e não substitui alimentação equilibrada nem atividade física. O que a aprovação do Ozivy promete, no horizonte próximo, é aumento da concorrência e possível redução de preços — um mercado que estava nas mãos de importados começa a ganhar uma resposta genuinamente brasileira.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu seu aval, na terça-feira 26 de maio, a um medicamento que pode reconfigurar o mercado de emagrecedores no Brasil. Chama-se Ozivy, é uma caneta injetável feita com semaglutida sintética — o mesmo princípio ativo do Ozempic — e foi desenvolvido pela farmacêutica EMS. A aprovação marca o primeiro produto dessa categoria inteiramente brasileiro a receber registro sanitário, abrindo caminho para que versões nacionais das chamadas canetas emagrecedoras finalmente cheguem às prateleiras.
O Ozempic, medicamento originalmente criado para controlar diabetes tipo 2, transformou-se em fenômeno global nos últimos anos. Influenciadores começaram a relatar seu uso, celebridades associaram o remédio ao emagrecimento rápido, e vídeos de transformações corporais viralizaram nas redes sociais. O resultado foi uma procura explosiva pelo produto — tanta que farmácias enfrentaram desabastecimentos frequentes. Tudo isso aconteceu porque a semaglutida funciona imitando um hormônio natural do corpo, sinalizando saciedade, reduzindo apetite e ajudando a controlar os níveis de glicose no sangue. A combinação de efeitos metabólicos com a visibilidade cultural transformou a caneta em objeto de desejo.
O Ozempic original teve sua patente encerrada no Brasil em março deste ano. Foi esse vencimento que permitiu à EMS desenvolver o Ozivy. Porém, a legislação brasileira não reconhece a categoria de genéricos para medicamentos biológicos, então o novo produto foi enquadrado tecnicamente como medicamento novo — apesar de usar o mesmo princípio ativo. Isso significou que a EMS precisou passar por todo o processo regulatório completo: comprovar eficácia, segurança, qualidade, estabilidade e desempenho farmacêutico. O pedido havia sido protocolado em 2023. A aprovação desta semana representa o fim dessa etapa.
Mas o Ozivy ainda não pode ser vendido. Após a aprovação sanitária vem outra barreira: a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED, que define o preço máximo autorizado para comercialização. Somente depois dessa análise a EMS poderá anunciar o valor oficial, a data de lançamento, a estratégia de distribuição e a disponibilidade nas farmácias. Não há, portanto, uma data confirmada para quando o medicamento chegará ao mercado. Existe também a possibilidade — ainda remota — de que o Ozivy seja incorporado ao Sistema Único de Saúde, mas isso exigiria avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, recomendação favorável e aprovação do Ministério da Saúde, processo que inclui análises de custo-benefício e impacto financeiro.
Médicos e especialistas reforçam, porém, que medicamentos à base de semaglutida não devem ser usados sem acompanhamento profissional. O uso inadequado pode provocar náuseas, vômitos, dores gastrointestinais, fraqueza, tontura e episódios de hipoglicemia. Além disso, a caneta não substitui alimentação equilibrada, prática de atividade física, acompanhamento nutricional ou mudança de hábitos — ela é um complemento, não uma solução completa.
O que torna a aprovação do Ozivy significativa é o que ela promete para o futuro próximo. Nos últimos anos, o alto custo das canetas emagrecedoras tornou-se uma das principais reclamações de pacientes que dependem do medicamento. Com a chegada de uma versão brasileira, espera-se aumento da concorrência, ampliação da oferta e possível redução de preços. A aprovação marca um ponto de inflexão: o mercado dos medicamentos para controle glicêmico e emagrecimento está entrando em uma nova fase, e o Brasil deixa de ser apenas consumidor de produtos importados para começar a produzir suas próprias soluções.
Citas Notables
Medicamentos à base de semaglutida não devem ser utilizados sem acompanhamento profissional— Especialistas médicos
A caneta emagrecedora não substitui alimentação equilibrada, prática de atividade física, acompanhamento nutricional e mudança de hábitos— Médicos e especialistas