Anvisa amplia vacina contra bronquiolite para maiores de 18 anos

O VSR causa infecções respiratórias graves em crianças menores de 2 anos e idosos acima de 60-70 anos, com aumento de 64,6% em mortes no Brasil em 2025.
A aprovação abre uma porta, mas a mudança depende de decisões que ainda estão por vir
A Anvisa aprovou a vacina, mas sua disponibilidade no SUS depende de avaliação e compra do Ministério da Saúde.
Mark

Por que a Anvisa aprovou a vacina para maiores de 18 anos se os especialistas dizem que o foco deve ser em grupos de risco?

Mimi

Porque o VSR afeta todas as idades, não só idosos. A ampliação reconhece que adultos jovens também podem desenvolver formas graves, especialmente se têm doenças crônicas ou estão imunossuprimidos. Mas você tem razão — a indicação universal não é o caminho.

Mark

Então por que não esperar para aprovar apenas quando o SUS tiver condições de oferecer?

Mimi

A aprovação regulatória e a compra pública são processos separados. A Anvisa avalia segurança e eficácia. O Ministério da Saúde avalia orçamento e prioridades. Uma não depende da outra.

Mark

E quanto aos números de 2025? Aumentaram tanto assim?

Mimi

Aumentaram bastante. Casos subiram 61%, mortes 64%. Não é uma explosão, mas é um padrão que preocupa, especialmente em crianças menores de seis meses e idosos.

Mark

A vacina da Pfizer já está no SUS. Por que precisamos de outra?

Mimi

Porque ter opções importa. Diferentes vacinas podem ter diferentes perfis de segurança, eficácia em grupos específicos, ou esquemas de aplicação. Duas ferramentas é melhor que uma.

Mark

Qual é o maior obstáculo agora?

Mimi

O preço e a decisão do Ministério. A vacina custa mais de R$ 1.500 na rede privada. Se o SUS não comprar, a aprovação da Anvisa beneficia principalmente quem tem dinheiro.

Mark

Os especialistas parecem otimistas?

Mimi

Cautelosamente. Eles torcem para que a vacina seja ampliada a médio prazo, mas reconhecem que o foco deve permanecer em quem realmente precisa. É esperança com realismo.

  • Os casos de VSR cresceram 61,4% no Brasil em 2025, e as mortes subiram 64,6% — números que transformam um vírus pouco noticiado em uma ameaça silenciosa e crescente.
  • A Anvisa aprovou a ampliação da Arexvy para adultos a partir de 18 anos, mas o imunizante custa acima de R$ 1.500 na rede privada, colocando a proteção fora do alcance da maioria.
  • A incorporação pelo SUS não é automática: o Ministério da Saúde precisa avaliar e comprar as doses, e ainda não sinalizou publicamente quando ou se isso acontecerá.
  • Especialistas reforçam que a vacina deve priorizar grupos de risco — gestantes, bebês, imunossuprimidos, cardiopatas e pacientes oncológicos — mesmo com a aprovação mais ampla.
  • O SUS já oferece a vacina Abrysvo, da Pfizer, para gestantes a partir da 28ª semana, conferindo proteção passiva aos recém-nascidos por meio de anticorpos maternos.

Em 13 de abril, a Anvisa ampliou o uso da vacina Arexvy para todos os adultos a partir de 18 anos, antes restrita a maiores de 60, num momento em que o Vírus Sincicial Respiratório registra aumento de mais de 60% nos casos e mortes no Brasil. A decisão regulatória abre uma possibilidade, mas não garante acesso: a incorporação ao SUS depende de uma escolha ainda não anunciada pelo Ministério da Saúde. Entre a aprovação e a proteção real, há um caminho que o sistema de saúde ainda precisa percorrer.

Na segunda-feira 13 de abril, a Anvisa aprovou a ampliação da vacina Arexvy, da GSK, permitindo seu uso em adultos a partir de 18 anos — uma mudança significativa para um imunizante que até então era restrito a maiores de 60. A decisão responde a um cenário preocupante: o Vírus Sincicial Respiratório, principal causador da bronquiolite em crianças pequenas, registrou aumento de 61,4% nos casos e 64,6% nas mortes no Brasil entre janeiro e outubro de 2025.

A aprovação regulatória, porém, não significa acesso imediato. O SUS não incorpora automaticamente um imunizante após o aval da Anvisa — é preciso avaliação e compra pelo Ministério da Saúde, decisão que ainda não foi anunciada. Na rede privada, a vacina ultrapassa R$ 1.500, valor inacessível para grande parte da população.

O VSR circula em todas as faixas etárias, mas é especialmente perigoso nos extremos da vida. Em crianças menores de dois anos, responde por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias. Em idosos, provoca infecções respiratórias graves. A maioria dos infectados tem sintomas leves, mas parte evolui para internação hospitalar com necessidade de oxigênio.

Especialistas deixam claro que, mesmo com a ampliação, a indicação real da Arexvy permanece voltada a grupos de risco: gestantes, bebês, pacientes com doenças crônicas, imunossuprimidos e pessoas em tratamento oncológico. O Brasil já conta com outra vacina contra o VSR no SUS: a Abrysvo, da Pfizer, oferecida a gestantes a partir da 28ª semana, que protege os recém-nascidos por meio de anticorpos transferidos pela placenta.

Enquanto o Ministério da Saúde não se pronuncia sobre a incorporação da Arexvy, a prevenção mais eficaz continua sendo a mais simples: lavar as mãos, evitar aglomerações com bebês e idosos e limpar superfícies de uso comum. A porta foi aberta pela Anvisa; o que vem depois depende de decisões ainda por tomar.

Na segunda-feira 13 de abril, a Anvisa abriu as portas para um grupo muito maior de brasileiros. A agência aprovou a ampliação do uso da vacina Arexvy, fabricada pela GSK, permitindo que adultos a partir de 18 anos recebam o imunizante contra a bronquiolite. Até então, o medicamento era restrito a maiores de 60 anos. A decisão marca um passo importante na estratégia de proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório, ou VSR, o principal culpado pela bronquiolite em crianças pequenas e uma ameaça crescente para idosos.

Mas há um porém que importa. Aprovar uma vacina e colocá-la nas mãos de quem precisa são duas coisas diferentes. O SUS não receberá automaticamente a Arexvy só porque a Anvisa deu o sinal verde. Tudo depende agora de uma avaliação e de uma compra pelo Ministério da Saúde — uma decisão que ainda não foi comunicada publicamente. O medicamento custa acima de R$ 1.500 na rede privada, um valor que coloca a proteção fora do alcance de muitos brasileiros por enquanto.

O VSR é um vírus respiratório que não escolhe idade. Circula em todas as faixas etárias, transmitindo-se por gotículas quando alguém tosse, espirra ou fala, e também por contato com superfícies contaminadas. Em crianças menores de dois anos, o vírus é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias. Em idosos acima de 60 ou 70 anos, o quadro se repete: maior vulnerabilidade, infecções respiratórias mais graves. A maioria das pessoas infectadas desenvolve sintomas leves — coriza, tosse, febre, congestão nasal — mas alguns casos evoluem para falta de ar, chiado no peito, síndrome respiratória aguda grave e internações hospitalares.

Os números do Brasil em 2025 soam um alarme. De janeiro até 20 de outubro, os casos de VSR cresceram 61,4% comparados ao mesmo período de 2024. As mortes subiram ainda mais: 64,6%. Não é uma epidemia que ganhe manchetes todos os dias, mas é um padrão preocupante que levou especialistas a pedir atenção. Rosana Richtmann, infectologista do Grupo Santa Joana em São Paulo, explica que o VSR é uma infecção bastante comum, especialmente nos dois primeiros anos de vida, com maior gravidade antes dos seis meses. No outro extremo da vida, idosos podem desenvolver quadros respiratórios importantes.

A vacina Arexvy não é para todo mundo, deixam claro os especialistas. Mesmo com a ampliação para maiores de 18 anos, a indicação real continua focada em grupos de maior risco: gestantes, bebês, pacientes com doenças respiratórias crônicas, cardiopatias, pessoas imunossuprimidas, transplantados e quem está em tratamento oncológico. Leandro Curi, infectologista do Hospital Felício Rocho em Belo Horizonte, torce para que a médio prazo a vacina seja ampliada para um público ainda maior. Os efeitos adversos mais comuns são leves — dor no local da aplicação.

O Brasil já tem outra arma contra o VSR. A Pfizer desenvolveu a Abrysvo, que o SUS começou a fornecer em dezembro de 2025 para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Uma dose única oferece proteção aos recém-nascidos: a gestante produz anticorpos que atravessam a placenta e conferem proteção passiva ao bebê. O SUS comprou essas doses por meio de um acordo com o Instituto Butantan.

Por enquanto, não existe tratamento específico para o VSR. O manejo é de suporte: hidratação, controle dos sintomas, lavagem nasal, e nos casos mais graves, internação hospitalar com oxigênio suplementar. O diagnóstico, na maioria das vezes, é clínico — baseado no histórico do paciente e nos sinais que apresenta. O que funciona é a prevenção simples: lavar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas, evitar aglomerações especialmente com bebês e idosos, e limpar superfícies de uso comum. A aprovação da Anvisa abre uma porta, mas a verdadeira mudança dependerá de decisões que ainda estão por vir no Ministério da Saúde.

É uma infecção bastante comum, especialmente em crianças nos dois primeiros anos de vida, com maior gravidade entre os menores de seis meses. No outro extremo, adultos acima de 60 ou 70 anos também são mais vulneráveis ao vírus, podendo desenvolver quadros respiratórios importantes
— Rosana Richtmann, infectologista do Grupo Santa Joana
A gente torce para que, a médio prazo, essa vacina seja ampliada para um público maior
— Leandro Curi, infectologista do Hospital Felício Rocho
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