A ANTT anunciou e, dez dias depois, suspendeu testes de radares de velocidade média em oito estados brasileiros, alegando necessidade de ajustes na sinalização e na comunicação com os motoristas. O recuo revela a dificuldade histórica do Brasil em institucionalizar uma tecnologia já consolidada na Europa, onde países como Itália, Portugal e Reino Unido a utilizam há anos para combater o chamado efeito canguru. Entre projetos de lei parados na Câmara desde 2015 e experiências municipais que não avançaram, o país segue adiando uma conversa que a segurança viária há muito exige.
ANTT suspende testes de radares de velocidade média para ajustes
Suspensão temporária, mas sem data para retomar
Por que a ANTT suspendeu os testes justamente agora, dez dias depois de anunciar?
A agência disse que precisa fazer ajustes na sinalização e na forma de comunicar aos motoristas. Não deu detalhes sobre o que exatamente estava errado.
Certo, mas isso é o que eles disseram. Não sabemos se houve pressão política, reclamações de concessionárias, ou se realmente havia um problema técnico.
E esses radares, como funcionam diferente dos que já existem?
Os radares tradicionais medem a velocidade em um ponto específico. Esses novos medem a velocidade média em um trecho inteiro. Você não consegue burlar acelerando entre um radar e outro.
Exatamente. É por isso que a tecnologia é tão eficaz na Europa. Mas no Brasil, mesmo com um teste bem-sucedido em São Paulo em 2017, nunca saiu do papel.
O teste de São Paulo funcionou?
Funcionou. Flagrou 230 mil veículos acelerados no primeiro mês. Os motoristas receberam notificações educativas.
Mas isso foi em 2017. Nove anos atrás. E nada mudou desde então. Quatro projetos de lei diferentes, nenhum aprovado.
Então por que a ANTT está tentando agora?
Porque a tecnologia é reconhecida internacionalmente como eficaz para segurança viária. Combate o efeito canguru, aquele comportamento de reduzir a velocidade só no radar.
Verdade. Mas a questão real é: por que um teste que funcionou em 2017 não virou política pública? Há resistência política, desconfiança dos motoristas, ou simplesmente falta de prioridade?
E agora, quando voltam os testes?
A ANTT não disse. Apenas que a suspensão é temporária.
Exatamente. Temporária é vago. Pode ser duas semanas ou dois anos. Sem um cronograma claro, é difícil saber se isso vai realmente acontecer.
The Pulse
- A ANTT surpreendeu ao suspender os testes apenas dez dias após anunciá-los, expondo fragilidades no planejamento da comunicação e da sinalização nas vias.
- O trecho mais emblemático — cerca de nove quilômetros da ponte Rio-Niterói — ficou no centro das atenções antes mesmo de qualquer equipamento entrar em operação.
- A tecnologia de velocidade média existe para eliminar o efeito canguru, mas enfrenta no Brasil uma resistência institucional que se arrasta por mais de uma década sem resolução legislativa.
- São Paulo já testou a abordagem em 2017 e flagrou 230 mil veículos no primeiro mês, mas o programa nunca se tornou permanente — um precedente que pesa sobre a credibilidade da iniciativa atual.
- Sem cronograma definido para retomada, os testes permanecem suspensos indefinidamente, e a fase de 180 dias sem multas — pensada para observar comportamento dos motoristas — ainda não tem data para começar.
A ANTT anunciou e, dez dias depois, suspendeu testes de radares de velocidade média em oito estados brasileiros, alegando necessidade de ajustes na sinalização e na comunicação com os motoristas. O recuo revela a dificuldade histórica do Brasil em institucionalizar uma tecnologia já consolidada na Europa, onde países como Itália, Portugal e Reino Unido a utilizam há anos para combater o chamado efeito canguru. Entre projetos de lei parados na Câmara desde 2015 e experiências municipais que não avançaram, o país segue adiando uma conversa que a segurança viária há muito exige.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres anunciou, e dez dias depois suspendeu, testes de radares capazes de medir a velocidade média de veículos em rodovias de oito estados brasileiros. A justificativa foi a necessidade de ajustes na sinalização das vias e na forma de informar os motoristas sobre a nova fiscalização. As autorizações haviam sido publicadas no Diário Oficial no dia 11 de setembro, pela superintendência responsável pela infraestrutura rodoviária, e incluíam um trecho de aproximadamente nove quilômetros da ponte Rio-Niterói, no sentido Rio de Janeiro.
Quando retomados, os testes funcionariam por 180 dias em condições reais, avaliando a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos e o comportamento dos motoristas — sem aplicação de multas nessa fase. A tecnologia tem um objetivo claro: acabar com o efeito canguru, fenômeno em que o condutor reduz a velocidade apenas ao passar por um radar fixo e acelera logo em seguida. Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido já utilizam a medição de velocidade média como ferramenta de segurança viária há anos.
No Brasil, a discussão caminha em círculos. Desde 2015, ao menos quatro projetos foram apresentados na Câmara dos Deputados para incluir a velocidade média no Código de Trânsito, e nenhum virou lei. O mais recente integra um pacote maior de segurança viária que tramita há cerca de dois anos sem data de votação. São Paulo chegou a testar a abordagem em 2017, quando a CET flagrou 230 mil veículos acima do limite apenas no primeiro mês — com notificações educativas, não multas. O programa, porém, nunca se tornou permanente.
Com a suspensão dos testes da ANTT sem cronograma definido para retomada, a discussão volta ao estado de espera que já lhe é familiar.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres recuou. Dez dias depois de anunciar testes de radares capazes de medir a velocidade média dos veículos em oito estados brasileiros, a ANTT suspendeu o programa. A agência disse que a pausa é temporária, necessária para ajustes na sinalização das vias e na forma como os motoristas seriam informados sobre a fiscalização.
Os testes haviam sido autorizados em rodovias sob concessão privada, com um dos trechos mais visíveis sendo aproximadamente nove quilômetros da ponte Rio-Niterói, no sentido Rio de Janeiro. As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União no dia 11 de setembro, emitidas pela Surod, a superintendência responsável pela infraestrutura rodoviária. Nenhum trecho em São Paulo havia sido incluído no plano inicial.
Quando os testes fossem retomados, funcionariam sob condições reais de operação. A agência pretendia avaliar três coisas: se os dados coletados eram confiáveis, se os equipamentos funcionavam corretamente e como os motoristas se comportariam diante dessa nova forma de fiscalização. O período de testes duraria 180 dias, e nessa fase não haveria aplicação de multas aos condutores que ultrapassassem o limite de velocidade.
A tecnologia busca resolver um problema conhecido entre especialistas em trânsito: o chamado efeito canguru. É quando um motorista reduz a velocidade apenas ao passar por um radar tradicional e acelera novamente logo depois. Países europeus como Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido já usam a medição de velocidade média como ferramenta de segurança viária há anos. A ideia é simples: se você mede a velocidade média em um trecho, o motorista não consegue burlar o sistema acelerando entre pontos de fiscalização.
No Brasil, porém, a discussão sobre essa tecnologia arrasta-se há mais de uma década. Desde 2015, pelo menos quatro projetos foram apresentados na Câmara dos Deputados propondo a inclusão da velocidade média no Código de Trânsito Brasileiro. Nenhum deles virou lei. O mais recente está inserido em um projeto maior de segurança viária que tramita há cerca de dois anos na casa legislativa, sem data prevista para votação.
A cidade de São Paulo já havia testado essa abordagem. Em 2017, durante a gestão João Doria, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) implementou a fiscalização por velocidade média nas avenidas 23 de Maio, Jacu-Pêssego e dos Bandeirantes, além da marginal Tietê. No primeiro mês apenas, 230 mil veículos foram flagrados acima do limite. Os motoristas receberam notificações educativas, não multas. O teste mostrou que a tecnologia funcionava, mas não avançou para uma implementação permanente.
Agora, com a suspensão dos testes da ANTT, fica em aberto quando essa discussão voltará à pauta. A agência não informou um cronograma para retomar os testes ou quando os ajustes na sinalização e comunicação estariam prontos. O que estava marcado para começar em breve permanece em espera.
Notable Quotes
A suspensão é temporária e ocorre para ajustes na sinalização e na comunicação aos usuários— ANTT