No coração do Vale do Silício, duas das forças mais poderosas da inteligência artificial se confrontam não em laboratórios, mas nos termos de um contrato. A Anthropic cortou o acesso da OpenAI ao Claude após descobrir que a rival utilizava a ferramenta para refinar o GPT-5, seu próximo grande modelo — uma prática que a empresa considera violação direta de seus termos de serviço. O episódio revela que, na corrida pela liderança em IA, as fronteiras entre colaboração, competição e ética corporativa são cada vez mais difíceis de traçar.
Anthropic bloqueia OpenAI por usar Claude para treinar GPT-5
Quando você está perdendo, bloqueia o acesso
Por que a Anthropic decidiu bloquear agora? A OpenAI estava usando Claude há quanto tempo?
Não sabemos exatamente quando começou. O que sabemos é que a Anthropic descobriu que a OpenAI estava conectando Claude diretamente a ferramentas internas via API — não era um uso casual. Isso permitia testes muito mais profundos do que a interface de chat normal permitiria.
Mas a OpenAI diz que isso é prática padrão da indústria. Temos confirmação de que realmente violou os termos, ou é uma interpretação da Anthropic?
Os termos da Anthropic são claros: proíbem usar o serviço para desenvolver produtos concorrentes ou treinar modelos rivais. A questão é se comparar desempenho para melhorar seu próprio modelo se encaixa nisso.
E por que a Anthropic permitiu que continuassem com benchmarks e pesquisa de segurança?
Porque a Anthropic considera esses usos legítimos. Benchmarks são comparações públicas; pesquisa de segurança é parte do desenvolvimento responsável. O que bloqueou foi o uso para aperfeiçoar o GPT-5.
Mas como a Anthropic sabe que era especificamente para o GPT-5? Isso é confirmado ou é o que a OpenAI estava fazendo?
Segundo o porta-voz da Anthropic, sim, era para o GPT-5. Mas você está certo — temos apenas a palavra da Anthropic sobre a intenção.
A OpenAI respondeu algo?
Disse que respeita a decisão, mas que é decepcionante, considerando que sua API continua aberta para a Anthropic.
Isso é um bom ponto. Se a Anthropic está preocupada com concorrência, por que não bloqueia também?
Talvez porque a Anthropic está ganhando. Lidera o mercado corporativo agora — 32% versus 25% da OpenAI. Em codificação, é 42% versus 21%.
Então isso é também sobre poder de mercado?
Provavelmente. Quando você está perdendo, bloqueia o acesso. Quando está ganhando, deixa a porta aberta.
Le Pouls
- A Anthropic descobriu que a OpenAI conectava o Claude a sistemas internos via API para extrair comparações detalhadas de desempenho antes do lançamento do GPT-5.
- Os testes iam além do técnico: a OpenAI analisava como o Claude respondia a comandos sensíveis — abuso infantil, automutilação, difamação — para calibrar seus próprios modelos.
- A Anthropic invocou seus termos de serviço, que proíbem explicitamente o uso de seus sistemas para treinar modelos concorrentes ou realizar engenharia reversa.
- A OpenAI classificou a prática como 'padrão da indústria' e lamentou o bloqueio, enquanto a Anthropic manteve uma abertura limitada para benchmarks e pesquisa de segurança.
- O conflito eclode num momento em que a Anthropic lidera o mercado corporativo com 32% de participação — ante apenas 12% em 2023 — e domina o segmento de codificação com 42% contra 21% da OpenAI.
No coração do Vale do Silício, duas das forças mais poderosas da inteligência artificial se confrontam não em laboratórios, mas nos termos de um contrato. A Anthropic cortou o acesso da OpenAI ao Claude após descobrir que a rival utilizava a ferramenta para refinar o GPT-5, seu próximo grande modelo — uma prática que a empresa considera violação direta de seus termos de serviço. O episódio revela que, na corrida pela liderança em IA, as fronteiras entre colaboração, competição e ética corporativa são cada vez mais difíceis de traçar.
A Anthropic desligou a OpenAI de seus modelos Claude após constatar que a rival utilizava a ferramenta para aperfeiçoar o GPT-5. A decisão, confirmada por fontes à revista Wired, expõe uma tensão crescente entre duas das empresas mais influentes do setor.
Segundo Christopher Nulty, porta-voz da Anthropic, equipes técnicas da OpenAI usavam o Claude Code via API — não pela interface de chat comum — para realizar testes comparativos de desempenho em tarefas de programação, escrita e segurança. Os testes incluíam ainda a análise de como o Claude reagia a comandos sensíveis, como temas de abuso infantil e automutilação, com o objetivo de ajustar os próprios modelos da OpenAI. Para a Anthropic, isso configura violação clara: seus termos proíbem o uso dos serviços para desenvolver produtos concorrentes ou treinar modelos rivais.
O bloqueio de APIs entre concorrentes não é inédito no setor — Facebook bloqueou o Vine, Salesforce limitou o Slack, e a própria Anthropic já havia cortado o acesso da startup Windsurf diante de rumores de aquisição pela OpenAI. Desta vez, a empresa deixou uma porta entreaberta: o acesso ao Claude para benchmarks e pesquisa de segurança permanece permitido.
O episódio ganha peso pelo contexto de mercado. Um relatório da Menlo Ventures mostra que a Anthropic agora lidera o segmento corporativo com 32% de participação, superando a OpenAI, que detém 25% — uma inversão notável em relação a 2023, quando a OpenAI dominava com 50% e a Anthropic tinha apenas 12%. Em codificação, a vantagem é ainda maior: 42% contra 21%. Enquanto a OpenAI aguarda o GPT-5, a Anthropic já se consolidou como a escolha preferida das empresas para trabalhos com código.
A Anthropic desligou a OpenAI de seus modelos de inteligência artificial Claude após descobrir que a rival estava usando a ferramenta para aperfeiçoar o GPT-5, seu próximo grande modelo de linguagem. A decisão, confirmada por fontes à revista Wired, marca um ponto de tensão crescente entre duas das empresas mais influentes do setor de IA.
O que levou ao bloqueio foi uma prática que a Anthropic considerou violação clara de seus termos de serviço. Segundo Christopher Nulty, porta-voz da Anthropic, equipes técnicas da OpenAI estavam usando o Claude Code — ferramenta de programação alimentada por IA — antes do lançamento do GPT-5. Não era um uso casual pela interface de chat. Em vez disso, a OpenAI conectava o Claude a ferramentas internas através de acesso de desenvolvedor via API, permitindo testes detalhados e comparações de desempenho entre os dois sistemas em tarefas como programação, escrita e segurança.
Os testes iam além de simples benchmarks. Fontes indicam que a OpenAI analisava como o Claude reagia a comandos sensíveis — temas relacionados a abuso infantil, automutilação e difamação — e usava essas observações para ajustar seus próprios modelos. Nulty argumenta que essa prática infringe regras comerciais explícitas: os termos da Anthropic proíbem o uso de seus serviços para desenvolver produtos concorrentes, treinar modelos de IA rivais ou fazer engenharia reversa.
O bloqueio de APIs entre concorrentes não é novidade no setor de tecnologia. O Facebook bloqueou o Vine em tempos passados; a Salesforce limitou o uso da API do Slack. A própria Anthropic já havia cortado acesso da startup Windsurf após rumores de que seria adquirida pela OpenAI — uma decisão que Jared Kaplan, diretor científico da Anthropic, justificou dizendo que seria estranho vender Claude para a OpenAI.
Apesar do bloqueio, a Anthropic deixou uma porta aberta. A empresa informou que ainda permitirá à OpenAI usar Claude para avaliações de benchmark e pesquisa de segurança, usos que considera legítimos dentro do contexto de desenvolvimento responsável em IA. A OpenAI respondeu classificando sua prática como "padrão da indústria" e lamentando a decisão, apontando que sua própria API continua disponível para a Anthropic.
O timing do bloqueio é significativo. A OpenAI se preparava para lançar o GPT-5, um modelo que segundo rumores terá desempenho superior especialmente em tarefas de programação. Enquanto isso, a Anthropic vive um momento de ascensão no mercado corporativo. Um relatório da Menlo Ventures divulgado nesta semana mostra que a Anthropic agora lidera com 32% de participação por uso em modelos de linguagem corporativos, superando a OpenAI, que tem 25%. Essa inversão é dramática: em 2023, a OpenAI dominava com 50% enquanto a Anthropic tinha apenas 12%.
A vantagem da Anthropic é ainda mais pronunciada em codificação, onde detém 42% do uso corporativo — o dobro dos 21% da OpenAI. Esse salto de adoção é atribuído principalmente ao lançamento do Claude 3.5 Sonnet em junho de 2024 e do Claude 3.7 Sonnet em fevereiro de 2025. Enquanto a OpenAI aguarda o lançamento do GPT-5, a Anthropic já consolidou sua posição como a escolha preferida das empresas para trabalhos que envolvem código.
Citations marquantes
A equipe técnica da OpenAI usava o Claude Code antes do lançamento do GPT-5— Christopher Nulty, porta-voz da Anthropic
Embora respeitemos a decisão da Anthropic de cortar nosso acesso à API, é decepcionante, considerando que nossa API continua disponível para eles— OpenAI