Alcolumbre agenda votação da PEC 6x1 para quarta-feira no Senado

Cada senador decide com liberdade, consciência e convicção
Alcolumbre ressalva que a votação segue ritos regimentais, deixando a decisão individual de cada parlamentar.
Mark

Por que Alcolumbre agendou a votação justamente para quarta-feira? Havia pressão de prazos?

Mimi

Tecnicamente, ele cumpriu as exigências regimentais — cinco sessões de discussão. Mas sim, o calendário eleitoral está pressionando. Lula quer votar antes do segundo turno, e Teresa Leitão está tentando acelerar ainda mais.

Luke

Mas a nota de Alcolumbre fala em "responsabilidade" e "respeito ao rito". Isso é fato ou é retórica? Ele poderia ter agendado antes?

Mimi

Ele poderia ter agendado assim que completasse as cinco sessões. A quarta-feira é o dia da quinta sessão, então tecnicamente é o primeiro dia possível.

Mark

E se passar em primeiro turno, quanto tempo leva até o segundo turno?

Mimi

Mais três sessões de discussão obrigatórias. Então estamos falando de pelo menos mais uma semana ou duas.

Luke

E Teresa Leitão quer acelerar isso com um requerimento. Mas um requerimento pode realmente pular as sessões de discussão?

Mimi

Não, não pode. O que ela pode fazer é agendar as sessões em dias consecutivos, compactando o calendário. Mas as cinco sessões de segundo turno ainda precisam acontecer.

Mark

Então a votação final seria antes de 25 de outubro?

Luke

Teoricamente sim, se tudo correr rápido. Mas "rápido" no Senado é relativo. E há resistência organizada de Flávio e seus aliados.

Mimi

Exatamente. Flávio não vai apenas votar contra — ele tem uma proposta alternativa que defende. Isso pode gerar debate que estenda as sessões.

Mark

Qual é a chance real de passar?

Luke

Não sabemos. A reportagem não diz quantos votos Lula tem garantidos. Sabe-se que ele quer 49, mas não há contagem pública.

  • Votação marcada para 14 de outubro, após cinco sessões de discussão obrigatórias
  • PEC 221/2019 extingue jornada 6x1 e reduz jornada semanal
  • Lula apoia; Flávio Bolsonaro se opõe e defende jornada flexível
  • Aprovação em primeiro turno exige mínimo 49 votos
  • Teresa Leitão tenta acelerar tramitação para antes do segundo turno (25 de outubro)

A votação da PEC 221/2019 está marcada para 14 de outubro, após cumprimento das exigências regimentais de cinco sessões de discussão. Lula apoia a proposta como plataforma eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro e aliados defendem alternativa com jornada flexível e acordos individuais.

O presidente do Senado pautou para quarta-feira a votação em primeiro turno da PEC que extingue a jornada 6x1, após cinco sessões de discussão regimental. A proposta é apoiada pelo presidente Lula como plataforma de campanha.

Nesta sexta-feira à noite, o presidente do Senado Davi Alcolumbre anunciou que a votação da Proposta de Emenda à Constituição que extinguiria a jornada 6x1 ocorreria na quarta-feira seguinte, 14 de outubro. A decisão encerra um ciclo de discussões regimentais obrigatórias: qualquer PEC precisa passar por cinco sessões de debate antes de ir a primeiro turno, e o Senado já havia realizado três delas durante aquela semana, com mais duas agendadas para terça e quarta-feira.

Alcolumbre, do União-AP, comunicou a pauta através de nota de sua assessoria, afirmando que cumpria um compromisso de colocar a proposta em votação "com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental". A PEC 221, originária de 2019, busca não apenas eliminar a escala de trabalho que exige seis dias de labor por um de descanso, mas também reduzir a jornada semanal de trabalho. O presidente do Senado ressalvou que cada senador e senadora teria liberdade para decidir conforme sua consciência e convicção.

O contexto político que envolve a votação é intenso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em campanha para reeleição, transformou a aprovação da PEC em bandeira de sua plataforma eleitoral. Lula chegou a desafiar publicamente o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e seu partido a votarem a favor da proposta. Flávio havia vencido o primeiro turno das eleições presidenciais no domingo anterior e enfrentaria Lula no segundo turno marcado para 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro posiciona-se contra a PEC e acusa Lula de oportunismo político. O senador e seus aliados defendem uma alternativa que contemple jornadas flexíveis e remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas, argumentando pela prevalência de acordos individuais entre empregados e empregadores sobre as convenções coletivas de trabalho.

Caso a proposta seja aprovada em primeiro turno — o que exigiria no mínimo 49 votos — ela ainda enfrentaria um longo caminho: seria necessário passar por mais três sessões de discussão antes de chegar à votação em segundo turno. A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão do PT de Pernambuco, estava coletando assinaturas para um requerimento que pudesse acelerar o calendário de votações, com o objetivo de concluir toda a tramitação da PEC na penúltima semana de outubro, antes do segundo turno presidencial. A corrida contra o relógio eleitoral estava clara: ambos os lados buscavam usar a votação como instrumento de campanha, e o timing importava tanto quanto o resultado.

Pautei para quarta-feira a votação, em primeiro turno, da PEC 221, de 2019, que trata do fim da escala 6x1
— Davi Alcolumbre, presidente do Senado
Flávio Bolsonaro acusa Lula de ser oportunista ao usar a PEC como plataforma de campanha
— Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
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