Após 33 anos, Geraldo Alckmin deixou o PSDB — partido que ajudou a fundar — reconhecendo que a vida política brasileira havia se transformado de maneira irreversível. Em vez de anunciar um novo destino imediato, o ex-governador paulista escolheu a escuta como método: conversar com lideranças, avaliar convites de PSB, PSD e Solidariedade, e só então se comprometer com uma nova casa. Cotado para compor a chapa de Lula como vice-presidente, Alckmin posiciona sua trajetória não como ruptura, mas como busca por pacificação num país cada vez mais polarizado.
Alckmin diz que vai 'conversar muito' antes de anunciar novo partido após deixar PSDB
Eu dei o primeiro passo. Agora vamos conversar muito.
Por que Alckmin saiu do PSDB agora, depois de 33 anos? Parece uma ruptura muito grande.
Ele diz que o partido mudou ao longo do tempo, que a vida política é outra. Mas o timing também importa — ele está sendo cotado para ser vice de Lula, e ficar no PSDB criaria tensões.
Mas ele não disse explicitamente que saiu por causa da possível candidatura com Lula. Isso é uma inferência nossa. O que ele realmente explicou foi que o partido mudou.
E para qual partido ele vai? Ele anunciou?
Não. Ele está analisando PSB, PSD e Solidariedade. Mas disse que vai "conversar muito" antes de decidir.
Isso é importante notar — ele não tem uma decisão tomada. Seus aliados esperam uma definição para o ano que vem, mas Alckmin é conhecido por não tomar decisões rápido. A desfiliação do PSDB levou sete meses para acontecer.
Então ele está em um limbo político por enquanto?
Não exatamente. Ele está usando esse tempo para se posicionar como alguém que quer "pacificação" e "retomada do diálogo". É uma narrativa política, não apenas uma pausa.
Verdade. Mas é importante ser claro: a pesquisa Datafolha que aparece na reportagem mostra Lula com 48% das intenções de voto. Isso é de dezembro de 2021, então é um contexto específico. Não sabemos como isso evoluiu.
E a questão do vice? Ele confirmou que quer ser vice de Lula?
Ele é cotado para isso, mas não confirmou. A reportagem menciona que há pesquisas sendo encomendadas para avaliar se compensa ter Alckmin como vice.
Exato. Ele é um candidato em análise, não uma escolha confirmada. Isso é um detalhe crucial que não devemos perder.
Der Puls
- Depois de sete meses de deliberação, Alckmin concretizou a desfiliação do PSDB na quarta-feira à noite, encerrando um vínculo de três décadas com o partido que ajudou a construir.
- A saída cria uma janela de indefinição política: três partidos — PSB, PSD e Solidariedade — disputam sua filiação enquanto a corrida presidencial de 2022 já está em movimento.
- O contexto amplifica o peso da decisão: Lula lidera pesquisas com 48% das intenções de voto, e Alckmin é o nome mais cotado para ser seu vice, tornando a escolha do partido estratégica para além do pessoal.
- Em discurso no litoral paulista, Alckmin recusou o ritmo acelerado da campanha e pregou escuta, diálogo e 'grandeza política' como antídotos à polarização que corrói o país.
- Seus aliados aguardam uma definição para 2022, mas Alckmin deixou claro que não haverá pressa — a nova filiação virá apenas depois de ouvir muito e conversar bastante.
Após 33 anos, Geraldo Alckmin deixou o PSDB — partido que ajudou a fundar — reconhecendo que a vida política brasileira havia se transformado de maneira irreversível. Em vez de anunciar um novo destino imediato, o ex-governador paulista escolheu a escuta como método: conversar com lideranças, avaliar convites de PSB, PSD e Solidariedade, e só então se comprometer com uma nova casa. Cotado para compor a chapa de Lula como vice-presidente, Alckmin posiciona sua trajetória não como ruptura, mas como busca por pacificação num país cada vez mais polarizado.
Geraldo Alckmin deixou o PSDB na quarta-feira à noite após 33 anos filiado ao partido que ajudou a fundar. No dia seguinte, durante congresso do Sindicato Nacional dos Aposentados em Mongaguá, no litoral paulista, ele explicou o que viria a seguir: muita escuta, muito diálogo, e só depois uma decisão. A desfiliação não era celebrada — era necessária, disse ele, porque o momento político havia mudado.
A saída vinha sendo discutida há sete meses. Agora, Alckmin analisa convites de três partidos — PSB, PSD e Solidariedade — e seus aliados esperam uma definição para 2022. O que torna a escolha especialmente relevante é o cenário eleitoral: ele é cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa de Lula, que liderava pesquisas com 48% das intenções de voto, contra 22% de Bolsonaro.
Em seu discurso, Alckmin não anunciou para qual legenda migraria. Em vez disso, articulou uma visão sobre o país: políticos deveriam focar na 'pacificação', retomar o diálogo e criar condições para o crescimento econômico. 'Dei o primeiro passo. Agora vamos ouvir muito, conversar muito, para poder dar um segundo passo', afirmou. 'É o momento de grandeza política, de espírito público e de união.'
Sobre a ruptura com o PSDB, foi direto: 'Não é com alegria que a gente faz isso. Mas é necessário.' A desfiliação encerrava dez anos como governador de São Paulo e uma candidatura presidencial em 2018 pelo partido — uma trajetória inteira ligada à história tucana.
Enquanto Bolsonaro se filiava ao PL, Sergio Moro ao Podemos e Ciro Gomes se apresentava como alternativa de esquerda, Alckmin insistia que o Brasil precisava de algo diferente: não mais polarização, mas diálogo; não confronto, mas pacificação. Sua nova filiação ainda estava em aberto — e ele deixava claro que só viria depois de ouvir, avaliar e escolher com cuidado.
Geraldo Alckmin saiu do PSDB na quarta-feira à noite. Na quinta-feira, em um discurso durante congresso do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos em Mongaguá, no litoral paulista, ele explicou o que vinha a seguir: muita conversa, muita escuta, e depois uma decisão. O ex-governador de São Paulo havia passado 33 anos filiado ao partido que ajudou a fundar, e a saída não era celebrada — era necessária, disse ele, porque a vida política havia mudado.
Alckmin é conhecido por não precipitar suas escolhas. A desfiliação do PSDB, por exemplo, vinha sendo discutida há sete meses antes de se concretizar. Agora, com o partido deixado para trás, ele analisa convites de três legendas: PSB, PSD e Solidariedade. Seus aliados esperam uma definição para o ano que vem. O que torna essa escolha particularmente relevante é o contexto em que ela ocorre: Alckmin é cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisa Datafolha divulgada na época mostrava Lula com 48% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro somava 22%.
Em seu discurso, Alckmin não anunciou para qual partido iria se filiar. Em vez disso, articulou uma visão mais ampla sobre o momento político. Disse que os políticos devem focar na "pacificação" do país, um termo que aparecia com frequência em seus comentários públicos naquele período. A polarização havia se aprofundado, e ele argumentava que retomar o diálogo era fundamental — não apenas como um gesto de boa vontade, mas como condição para que o Brasil voltasse a crescer economicamente.
"Eu dei o primeiro passo. Agora, nós vamos ouvir muito, conversar muito, para poder dar um segundo passo", afirmou. "Então, vamos aguardar, a hora é de ouvir bastante e conversar bastante. E nesse momento, é o momento de grandeza política, de espírito público e de união." A frase capturava sua estratégia: não havia pressa, havia apenas a necessidade de escutar as lideranças políticas antes de se comprometer com uma nova casa.
Sobre a saída do PSDB, Alckmin foi direto. "Fui um dos fundadores do PSDB, 33 anos atrás. Não é com alegria que a gente faz isso. Mas é necessário. Estamos vivendo um outro momento da vida política." A desfiliação representava uma ruptura pessoal e política significativa — ele havia sido governador de São Paulo por dez anos, havia concorrido à presidência em 2018 pelo partido, e sua trajetória estava profundamente ligada à história tucana.
O que Alckmin defendia naquele momento era uma mudança de tom na política nacional. Enquanto a campanha presidencial de 2022 se aproximava e os candidatos se posicionavam — Bolsonaro já havia se filiado ao PL para concorrer à reeleição, Sergio Moro havia se filiado ao Podemos, Ciro Gomes se apresentava como opção de esquerda — Alckmin insistia que o país precisava de algo diferente. Não de mais polarização, mas de retomada do diálogo. Não de confronto, mas de pacificação. E não de promessas vazias, mas de foco em crescimento econômico, emprego e renda.
A decisão sobre sua filiação ainda estava em aberto. Mas o que Alckmin deixava claro era que essa escolha não seria feita no calor do momento. Seria feita depois de ouvir, conversar, e avaliar qual partido melhor se alinhava com a visão que ele defendia para o país. Seus aliados sabiam que isso significava esperar pelo menos até 2022 — e possivelmente mais.
Bemerkenswerte Zitate
Fui um dos fundadores do PSDB, 33 anos atrás. Não é com alegria que a gente faz isso. Mas é necessário. Estamos vivendo um outro momento da vida política.— Geraldo Alckmin
O que é importante nesse momento é a pacificação, e o primeiro passo para isso é retomar o diálogo, para poder enfrentar o grande desafio que é a retomada do crescimento.— Geraldo Alckmin