Agente funerária Regina Célia Paschoal percebeu movimentos e sons do bebê dentro de saco fechado, decidindo abri-lo e acionando equipe hospitalar imediatamente. Hospital afirma que todos os protocolos técnicos e legais foram rigorosamente cumpridos e classifica o episódio como acontecimento extraordinário sem falhas assistenciais.
Agente funerária encontra bebê vivo após hospital declarar morte; caso gera questionamentos
Abri e o neném começou a se mexer mais ainda, fazia um barulho
Como alguém percebe que um bebê está vivo dentro de um saco mortuário fechado?
Regina viu movimento. Não foi algo óbvio — foi um detalhe que a experiência dela permitiu notar. Ela abriu o saco e ouviu o som de alguém tentando respirar.
Dois protocolos rigorosos falharam — o do hospital e o de constatação de óbito. Como a Santa Casa explica isso?
Ela não explica. Diz que não houve falha, que tudo foi feito conforme as regras. Mas o fato permanece: um bebê foi declarado morto e estava vivo.
Os pais parecem ter aceitado a explicação do hospital. Por quê?
Porque o resultado final foi o que importava. Noah está vivo. A mãe viu a médica lutando para reanimar o filho. Talvez isso tenha sido suficiente para ela acreditar que não houve negligência.
Mas isso não resolve a questão de como um protocolo reconhecido por seu rigor deixou passar um bebê vivo.
Não resolve. E provavelmente nunca vai resolver completamente. O caso fica como um extraordinário — a palavra que o hospital usou — que desafia as explicações que temos.
O que muda para os próximos casos?
Essa é a pergunta que deveria estar sendo feita agora. Se o protocolo é tão rigoroso, por que funcionou dessa vez? Ou ele não é tão rigoroso quanto se acredita?
O Pulso
- Noah Gabriel da Cruz Santos, um mês de idade, declarado morto após parada cardiorrespiratória em 15 de julho
- Agente funerária Regina Célia Paschoal encontrou sinais vitais aproximadamente 2 horas após óbito ser constatado
- Bebê permaneceu internado 32 dias na Santa Casa de Rio Claro antes do episódio
- Transferido para o Centrinho em Bauru para continuidade do tratamento
Agente funerária Regina Célia Paschoal percebeu movimentos e sons do bebê dentro de saco fechado, decidindo abri-lo e acionando equipe hospitalar imediatamente. Hospital afirma que todos os protocolos técnicos e legais foram rigorosamente cumpridos e classifica o episódio como acontecimento extraordinário sem falhas assistenciais.
Recém-nascido Noah Gabriel da Cruz Santos, declarado morto após parada cardiorrespiratória na Santa Casa de Rio Claro, apresentou sinais vitais quando agente funerária o encontrou dentro de saco mortuário, cerca de 2 horas após óbito ser constatado.
Regina Célia Paschoal estava fazendo seu trabalho como agente funerária quando percebeu algo que em 17 anos de profissão nunca havia visto. Dentro de um saco mortuário fechado com fitas, o bebê Noah Gabriel da Cruz Santos se movia. Era julho de 2026, aproximadamente duas horas após o hospital Santa Casa de Rio Claro ter declarado o menino morto.
Noah tinha apenas um mês de vida. Havia nascido em 15 de junho e foi internado imediatamente na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Aguardava transferência para um hospital especializado fora de Rio Claro para passar por uma cirurgia necessária. Mas na quarta-feira anterior, quando completava um mês, seu estado de saúde piorou. Sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe iniciou manobras de reanimação cardiopulmonar que duraram aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ao final da tarde, o óbito foi constatado.
O corpo permaneceu cerca de uma hora na UTI Neonatal para procedimentos legais e acolhimento aos pais. Depois foi encaminhado a outro setor, aguardando a retirada pela funerária escolhida pela família. Foi nesse momento que Regina abriu o saco e encontrou o menino vivo. "Abri e o neném começou a se mexer mais ainda, fazia um barulho, que ele queria respirar", descreveu ela em entrevista à EPTV. Seu colega Matheus Batagello estava presente e imediatamente procurou uma enfermeira. "Eu falei [para as enfermeiras], 'meu, eu preciso que vocês vão lá ver porque está mexendo e está dando um tipo um soluço, como se estivesse engasgado'", relembrou Matheus, que havia considerado a possibilidade de ser apenas um espasmo.
Regina descreveu o momento como "um susto" e "uma emoção grande". Matheus o caracterizou como "desesperador, mas com alívio". Noah foi reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e voltou a receber cuidados intensivos. Na manhã de sexta-feira, foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da Universidade de São Paulo, conhecido como Centrinho, em Bauru, utilizando uma vaga pela qual já aguardava.
Os pais do menino reagiram com uma mistura de incredulidade e gratidão. A mãe, Letícia, compartilhou um vídeo nas redes sociais dizendo estar em "êxtase e anestesiada". "Às vezes eu acho que a gente está sonhando, não só eu, mas eu estava conversando com meu esposo agora há pouco lá dentro do hospital, olhando para ele e ele ali se mexendo, batendo as perninhas, de olhos abertos. A gente fica maravilhado", disse ela. Em outro momento, afirmou: "Nós [estamos] contemplando a grandeza de Deus e admirando nosso guerreiro que continua lutando para ficar bem. Cremos no nosso milagre por completo [...] milagre não se explica, se vive". Letícia também ressaltou que Noah foi bem atendido durante os 32 dias de internação e que não houve negligência médica, mencionando ter presenciado o momento da parada e o quanto a médica lutou para tentar reanimar o filho.
A Santa Casa de Rio Claro respondeu ao caso com uma nota afirmando que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos. O hospital declarou não ter identificado qualquer falha assistencial ou procedimento que pudesse ser revisto diante das evidências existentes no momento da constatação da morte. Destacou que "o protocolo brasileiro para constatação de óbito é reconhecido por seu elevado rigor e segurança" e que a UTI Neonatal conta com estrutura especializada e equipe capacitada, incluindo a médica responsável que possui 14 anos de atuação em neonatologia. A instituição classificou o episódio como um acontecimento extraordinário que marcou profundamente todos os envolvidos, reafirmando seu compromisso com a ciência, a ética e a transparência.
O caso permanece como um dos mais perturbadores na história recente da medicina brasileira, levantando questões sobre os critérios e procedimentos adotados para a constatação de óbito em recém-nascidos, mesmo que todas as partes envolvidas afirmem ter seguido os protocolos estabelecidos. Noah continua internado no Centrinho em Bauru, recebendo cuidados intensivos.
Citações Notáveis
Foi um susto, foi uma emoção grande de ver que a gente foi buscar um morto e estava vivo— Regina Célia Paschoal, agente funerária
Às vezes eu acho que a gente está sonhando, não só eu, mas eu estava conversando com meu esposo agora há pouco lá dentro do hospital, olhando para ele e ele ali se mexendo, batendo as perninhas, de olhos abertos— Letícia, mãe de Noah