A fusão une o líder em graduação médica (Afya) com um dos maiores grupos de educação superior (Yduqs, dona de Estácio, IBMEC e Wyden), criando cobertura em todos os estados. Acionistas da Afya ficam com 69% da empresa combinada; Yduqs distribui mínimo de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas durante o período até o fechamento.
Afya e Yduqs se unem em maior M&A da educação brasileira com sinergias de R$ 2 bi
Cobertura nacional com foco em cursos premium e ecossistema digital de saúde
Por que essa fusão é tão importante para o setor de educação?
Porque cria um player nacional com presença em todos os estados e força para competir em escala. Antes, a Afya era forte em medicina mas tinha footprint limitado; a Yduqs tinha marcas premium e presença geográfica mas vagas ociosas em medicina.
Mas quanto dessa sinergia de R$ 2 bilhões é realmente capturável? Eles estão contando SG&A, custos e capex — isso é o que toda fusão promete.
E quanto aos acionistas? Parece que ganharam bastante.
Os da Yduqs ganharam muito — 45% de prêmio mais R$ 750 milhões em dividendos, o que é um dividend yield de 38%. Os da Afya ficam com 69% da empresa combinada.
Verdade, mas o prêmio de 45% é sobre o preço antes da notícia vazar em 21 de agosto. Depois que a negociação ficou pública, a ação da Yduqs disparou. Então o prêmio real, medido do pico, é menor.
A liquidez da ação vai melhorar?
Bastante. Hoje a Afya negocia R$ 5 milhões por dia e a Yduqs R$ 35 milhões. Combinadas, devem chegar a R$ 70 milhões, talvez R$ 100 milhões se entrarem nos índices principais.
Isso é importante porque ação mais líquida atrai mais investidores institucionais, o que pode sustentar a valorização. Mas depende de a empresa entregar os números que está prometendo.
Como fica a governança?
Kay Krafft da Bertelsmann é o chairman. Virgilio da Afya continua como CEO. Rossano da Yduqs vira presidente de ensino superior. Tem um acordo de acionistas de quatro anos para manter estabilidade.
A Bertelsmann sai de 65% para 50%, mas continua controlando. A questão é se essa estrutura consegue integrar duas culturas corporativas muito diferentes sem perder talentos ou eficiência operacional.
O Pulso
- Afya e Yduqs se unem em maior M&A do setor de educação no Brasil
- Acionistas da Afya ficam com 69% da empresa combinada; Yduqs com 31%
- Sinergias estimadas em R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões
- Yduqs distribui mínimo de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas durante período até fechamento
- Liquidez diária da ação pode chegar a R$ 70-100 milhões
A fusão une o líder em graduação médica (Afya) com um dos maiores grupos de educação superior (Yduqs, dona de Estácio, IBMEC e Wyden), criando cobertura em todos os estados. Acionistas da Afya ficam com 69% da empresa combinada; Yduqs distribui mínimo de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas durante o período até o fechamento.
Afya e Yduqs anunciam fusão que cria gigante da educação superior com presença nacional e sinergias estimadas em R$ 2 bilhões, numa transação estruturada como troca de ações.
Duas das maiores empresas de educação superior do Brasil anunciaram sua fusão nesta semana, criando um gigante do setor com presença em todos os estados e sinergias estimadas em mais de R$ 2 bilhões. A Afya, líder em graduação médica e dona de um ecossistema de educação médica, une-se à Yduqs, que controla marcas como Estácio, IBMEC e Wyden. A transação foi estruturada como troca de ações, com os acionistas da Afya retendo 69% do capital da empresa combinada e os da Yduqs ficando com os 31% restantes. A Afya será deslistada da Nasdaq e incorporada pela Yduqs, que passará a ser a controladora operacional.
O prêmio oferecido aos acionistas da Yduqs é substancial. A relação de troca representa um aumento de 45% em relação à média ponderada dos 30 pregões anteriores a 21 de agosto, quando as negociações se tornaram públicas. Para contexto, o prêmio histórico médio em transações de troca de ações no Brasil é de 18%. Além disso, o acordo prevê que as duas companhias distribuirão todo o caixa gerado entre a assinatura e o fechamento da transação — um período estimado em 12 meses. Para a Yduqs, isso significa um mínimo de R$ 750 milhões em dividendos, equivalente a um dividend yield de 38%. Se a Yduqs gerar menos caixa que esse piso, a Afya aumentará sua distribuição para manter a relação de troca inalterada.
As sinergias projetadas são o terceiro pilar de criação de valor. As empresas estimam um valor presente líquido de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões em sinergias, considerando apenas reduções em SG&A, custos operacionais e eficiência em capex. Quando todas as sinergias são contabilizadas, o múltiplo final pago pela Afya fica abaixo de 3x — e a empresa estará pagando cerca de R$ 1 milhão por vaga de medicina da Yduqs, num momento em que M&As neste setor saem ao redor de R$ 1,8 milhão. A Yduqs opera 2,1 mil vagas de medicina sob a marca Idomed, mas com ociosidade significativa. A Afya, por sua vez, tem 3,8 mil vagas no setor com 100% de ocupação. A expectativa é que o ecossistema digital de saúde e a força da marca Afya ajudem a preencher esse gap.
Virgilio Gibbon, CEO da Afya, destacou a complementaridade das duas empresas. "Passamos a ter cobertura nacional; um foco muito grande em cursos premium, com 55% da receita e 66% do EBITDA da nova empresa vindo de medicina e do IBMEC; e vamos ter a oportunidade de fazer todo o roll out do nosso ecossistema digital de saúde para a Yduqs," afirmou. A fusão também abre novas frentes de expansão inorgânica para a Afya, que até agora estava focada apenas em medicina. Agora a empresa poderá explorar outros segmentos, incluindo a marca IBMEC — uma marca premium com possibilidades de expansão em administração e direito — e as plataformas de ensino presencial e a distância das marcas Estácio e Wyden.
Rossano Marques, CEO da Yduqs, reforçou que a consolidação do setor era necessária, mas que este acordo é diferenciado pela complementaridade das duas empresas. "O footprint é muito diferente e agora as duas empresas combinadas estão presentes com campi em todos os Estados, o que faz muita diferença na captação dos alunos," disse ele. A transação também deve gerar um papel mais líquido. A Afya negociava cerca de R$ 5 milhões por dia na Nasdaq, ou 0,5% de seu float. A Yduqs negociava cerca de R$ 35 milhões, ou 2,5% do float. Assumindo que a companhia combinada negocie os mesmos 2,5% do float, a liquidez diária seria de cerca de R$ 70 milhões, tornando a nova empresa a ação mais líquida do setor de educação no Brasil e qualificando-a para entrada em alguns índices. A liquidez pode chegar perto de R$ 100 milhões caso a companhia ingresse nos principais índices de ações do mercado.
Na governança, Kay Krafft, atual co-chairman da Afya e CEO do Bertelsmann Education Group, será o chairman da nova companhia. Virgilio permanecerá como CEO, enquanto Rossano Marques será presidente de ensino superior, liderando todos os cursos superiores com exceção de medicina. A Bertelsmann, que hoje tem 65% da Afya, continuará controlando a nova empresa com cerca de 50% do capital. Os quatro maiores acionistas dos dois lados assinarão um acordo de acionistas com duração de quatro anos, mantendo a governança estável. O Bank of America assessorou a Afya, com assessoria jurídica do Demarest Advogados. O BTG Pactual assessorou a Yduqs, que trabalhou com o Lobo de Rizzo e Spinelli Advogados.
Citações Notáveis
Passamos a ter cobertura nacional; um foco muito grande em cursos premium, com 55% da receita e 66% do EBITDA da nova empresa vindo de medicina e do IBMEC— Virgilio Gibbon, CEO da Afya
O footprint é muito diferente e agora as duas empresas combinadas estão presentes com campi em todos os Estados, o que faz muita diferença na captação dos alunos— Rossano Marques, CEO da Yduqs