B3 e S&P lançam VXBR, o 'VIX brasileiro' que mede volatilidade do mercado

O medo gera demanda por proteção, proteção cara sinaliza medo alto
Como funciona o VXBR: quanto mais investidores buscam se proteger, mais alto fica o índice de volatilidade.
Mark

Por que o Brasil precisava de um índice assim? O Ibovespa não já mostra a volatilidade?

Mimi

O Ibovespa mostra o que aconteceu — os preços que as ações tiveram. O VXBR mostra o que o mercado espera que aconteça. São coisas diferentes. É como a diferença entre um termômetro que mede a temperatura agora e um que prevê a temperatura de amanhã.

Luke

Mas isso depende de ter opções sendo negociadas em volume suficiente. Scheidt mencionou que o mercado de opções no Brasil "atingiu um novo patamar". Isso significa que antes não havia volume? Quanto volume é necessário para que o índice seja confiável?

Mimi

Boa pergunta. A fonte não detalha números específicos de volume. Sabemos que agora há volume suficiente para lançar o índice, mas não sabemos qual era o patamar anterior ou qual é o mínimo necessário.

Mark

E como os investidores brasileiros vão usar isso na prática?

Mimi

Da mesma forma que americanos usam o VIX. Se você quer saber se o mercado está nervoso, olha o VXBR. Se está alto, há expectativa de volatilidade. Se está baixo, o mercado está tranquilo. Investidores podem usar para decidir se querem mais proteção ou se podem assumir mais risco.

Luke

A fonte menciona que dados históricos mostram que o VXBR "teria seguido o padrão esperado". Teria. Isso é retroativo, não é? Eles aplicaram a metodologia ao passado e viram que funcionaria. Mas isso não prova que vai funcionar assim daqui para frente no Brasil.

Mimi

Verdade. É uma validação teórica, não uma prova de desempenho real. O índice está começando agora.

Mark

Então é um experimento?

Mimi

É mais um lançamento de um produto que já existe em outros lugares e que a teoria diz que deveria funcionar aqui também. Mas sim, o tempo dirá se os investidores brasileiros vão adotá-lo como ferramenta confiável.

  • O mercado brasileiro operava sem um termômetro oficial de volatilidade implícita — lacuna que deixava investidores sem referência padronizada para medir o nível de medo coletivo.
  • A ausência dessa ferramenta limitava estratégias de proteção e especulação sobre oscilações futuras, algo que investidores americanos já fazem com o VIX há décadas.
  • B3, S&P Dow Jones e Cboe Global Markets uniram metodologia consolidada globalmente à profundidade que o mercado de opções do Ibovespa finalmente atingiu.
  • O VXBR entrou em operação na própria terça-feira de lançamento, às 10h30, tornando-se imediatamente disponível como referência de risco para o mercado local.
  • O índice posiciona o Brasil dentro de um ecossistema financeiro global mais integrado, onde a linguagem da volatilidade passa a ser compartilhada entre diferentes regiões do mundo.

Em 19 de março de 2024, a B3 e a S&P Dow Jones inauguraram o VXBR, um índice que traduz para o mercado brasileiro a linguagem universal do medo e da incerteza financeira. Assim como o VIX norte-americano revela o que os investidores temem que aconteça — e não apenas o que já aconteceu —, o VXBR passa a oferecer ao país um espelho padronizado de sua própria ansiedade coletiva diante do futuro. É a chegada de uma gramática global do risco ao vocabulário cotidiano do investidor brasileiro.

Na manhã de 19 de março de 2024, a B3 e a S&P Dow Jones ativaram o VXBR — o equivalente brasileiro do VIX norte-americano, apelidado nos Estados Unidos de 'índice do medo'. Desenvolvido com a metodologia da Cboe Global Markets, o novo índice calcula a volatilidade implícita do Ibovespa para os próximos 30 dias, usando o comportamento das opções do principal índice da bolsa brasileira.

A lógica por trás do instrumento é direta: quando investidores temem turbulências, correm para comprar proteção via opções. Essa demanda encarece os contratos, e é exatamente essa elevação de preços nos derivativos que o índice captura. Medo alto se traduz em VXBR alto; mercados calmos fazem o indicador recuar.

Henio Scheidt, gerente de Índices da B3, destacou que o volume do mercado de opções brasileiro finalmente atingiu a maturidade necessária para viabilizar a ferramenta. Dados históricos retroativos confirmaram que o índice teria seguido o padrão esperado — subindo em momentos de crise e caindo em períodos de estabilidade.

Catherine Clay, da Cboe, enxergou no lançamento um marco além do produto em si: para ela, o VXBR representa o avanço do ecossistema financeiro global, levando a linguagem universal da volatilidade a mais uma região do mundo. A negociação começou no mesmo dia, às 10h30, oferecendo ao investidor brasileiro — pela primeira vez de forma padronizada — não apenas uma leitura do presente, mas uma janela sobre o que o mercado espera do futuro.

Nesta terça-feira, 19 de março, a B3 e a S&P Dow Jones colocaram em operação um novo instrumento para o mercado brasileiro: o VXBR, um índice de volatilidade que funciona como espelho do famoso VIX norte-americano. A ferramenta, desenvolvida pela Cboe Global Markets, oferece aos investidores locais uma forma padronizada de medir o que o mercado espera em termos de oscilação dos preços nos próximos 30 dias, baseando-se no comportamento das opções do Ibovespa.

Nos Estados Unidos, o VIX ganhou o apelido de "índice do medo" justamente porque funciona como um termômetro do sentimento do mercado. Quando há incerteza econômica ou turbulência nos preços das ações, investidores correm para comprar proteção através de opções — contratos que lhes dão o direito de comprar ou vender um índice a um preço fixo. Quanto mais pessoas buscam essa proteção, mais cara ela fica, e essa elevação de preços nos derivativos é o que o VIX captura. A lógica é simples: medo gera demanda por proteção, proteção cara sinaliza medo alto. Quando os mercados estão calmos e os preços das ações sobem sem sobressaltos, o VIX cai ou permanece baixo.

O VXBR replica esse modelo para o Brasil. Em vez de usar opções do S&P 500, como faz o VIX americano, o novo índice brasileiro observa as opções do Ibovespa para projetar a volatilidade implícita — ou seja, a oscilação que o mercado está precificando para o principal índice da bolsa brasileira. Segundo Henio Scheidt, gerente de Índices da B3, o lançamento representa um avanço significativo. "O novo índice acrescenta ao portfólio de produtos da B3 um indicador de volatilidade que pode ser usado por investidores como referência para medir a percepção de risco," afirmou. Scheidt também destacou que o mercado de opções no Brasil atingiu volumes de negociação suficientes para viabilizar esse tipo de ferramenta, algo que não era possível antes.

A metodologia não é nova — já está consolidada em outras partes do mundo. O que muda é sua aplicação local. Dados históricos fornecidos pela B3, retroativamente aplicando a metodologia do VXBR aos períodos recentes em que as opções do Ibovespa permitiram esse tipo de cálculo, mostram que o índice teria seguido o padrão esperado: subindo quando o mercado enfrentava turbulências e caindo em períodos de estabilidade. Catherine Clay, diretora de Derivativos Globais da Cboe, viu no lançamento mais do que um novo produto. "O lançamento do novo índice da B3 não somente ressalta a utilidade universal e a inovação do índice VIX como benchmark para a volatilidade do mercado acionário, mas também marca uma etapa significativa do aprimoramento do ecossistema financeiro em todas as regiões do mundo," comentou.

A negociação começou no mesmo dia, a partir das 10h30, seguindo o horário do mercado à vista e funcionando até as 17h. Para investidores brasileiros, o VXBR oferece agora a mesma ferramenta que seus pares americanos usam há anos: uma forma objetiva de entender não apenas como o mercado está se movimentando, mas como ele espera se mover. É um instrumento tanto para quem quer se proteger contra quedas bruscas quanto para quem quer especular sobre volatilidade futura.

O novo índice acrescenta ao portfólio de produtos da B3 um indicador de volatilidade que pode ser usado por investidores como referência para medir a percepção de risco
— Henio Scheidt, gerente de Índices da B3
O lançamento do novo índice da B3 marca uma etapa significativa do aprimoramento do ecossistema financeiro em todas as regiões do mundo
— Catherine Clay, diretora de Derivativos Globais da Cboe
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