Ações do Bradesco lideram perdas do Ibovespa após balanço; CEO previu ajuste

O ajuste técnico que o mercado antecipava após uma corrida de alta
CEO do Bradesco reconheceu que as ações passariam por correção após valorização de 78% no ano.
Mark

Por que o mercado reagiu tão negativamente se o lucro cresceu 18,8% em relação ao ano anterior?

Mimi

Porque o mercado não olha só para o número absoluto. Ele olha para a expectativa que construiu. Quando uma ação sobe 78% em um ano, os investidores começam a precificar ganhos cada vez maiores. O resultado foi bom, mas não foi tão bom quanto o que as pessoas estavam esperando.

Mark

O CEO antecipou esse ajuste. Ele sabia que isso ia acontecer?

Mimi

Parece que sim. Ele estava reconhecendo uma realidade do mercado: a ação tinha subido muito rápido, as expectativas ficaram muito altas, e um resultado sólido mas não excepcional geraria uma correção. É uma forma de gerenciar expectativas.

Mark

E o custo de crédito? Por que isso importa tanto?

Mimi

Porque é um sinal de saúde futura. Se o banco está tendo que provisionar mais para perdas com empréstimos, significa que a qualidade da carteira pode estar se deteriorando. Num ambiente de juros altos, isso é uma preocupação legítima.

Mark

O que o banco precisa fazer agora?

Mimi

Manter um ROE acima de 15% enquanto controla o custo de crédito. É um equilíbrio delicado. Se conseguir fazer isso nos próximos trimestres, reconquista a confiança. Se não conseguir, a queda pode ser mais profunda.

Mark

Isso significa que o Bradesco está em apuros?

Mimi

Não. Significa que está em um ponto de inflexão. Não é mais a história de crescimento acelerado que atraía investidores. Agora precisa provar que consegue crescer de forma sustentável.

  • As ações do Bradesco abriram em queda logo após a divulgação do balanço noturno, liderando as perdas do Ibovespa enquanto o restante do mercado subia.
  • Um lucro recorrente de R$ 6,2 bilhões — crescimento de 18,8% em relação ao ano anterior — não foi suficiente para satisfazer expectativas que haviam subido demais nas semanas anteriores.
  • O custo de crédito ligeiramente acima do esperado acendeu um sinal de alerta em casas como XP e BTG Pactual, que mantiveram recomendação neutra para os papéis.
  • Para uma reavaliação positiva, analistas exigem ROE sustentado acima de 15% combinado com custo de crédito estável — uma combinação que o banco ainda precisa demonstrar.
  • O CEO Marcelo Noronha antecipou o 'ajuste técnico' em teleconferência, reconhecendo que o papel acumulava 78% de valorização no ano e que as expectativas haviam se tornado excessivas.

O Bradesco encerrou mais um trimestre com lucro expressivo, mas o mercado, que havia elevado suas expectativas nas semanas anteriores, encontrou nos números divulgados motivo para recuo — não por fraqueza absoluta, mas pela distância entre o que se esperava e o que veio. É o paradoxo recorrente dos mercados financeiros: crescer 18,8% em um ano pode ser insuficiente quando a narrativa de recuperação já foi precificada demais. O próprio CEO, com rara lucidez pública, nomeou o movimento antes que ele acontecesse.

As ações do Bradesco abriram em queda na manhã de quinta-feira, logo após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Os papéis ordinários e preferenciais lideravam as perdas do Ibovespa, enquanto o índice geral subia modestamente — um contraste que revelava uma decepção específica com o banco. O próprio CEO, Marcelo Noronha, havia antecipado o movimento em teleconferência matinal, chamando-o de "ajuste técnico" e lembrando que as ações acumulavam valorização de 78% no ano e que as expectativas dos investidores haviam se elevado nas semanas anteriores.

Por volta das 11h55, BBDC4 caía 2,71% e BBDC3 recuava 2,56%, enquanto o Ibovespa operava em alta de 0,24%, aos 148.986 pontos. O banco havia reportado lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões no trimestre — crescimento de 2,3% sobre o trimestre anterior e de 18,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Números sólidos em termos absolutos, mas insuficientes para um mercado que havia precificado mais.

Analistas do BTG Pactual apontaram que as projeções para o resultado haviam subido significativamente nas últimas semanas, e os números vieram ligeiramente abaixo. A casa manteve recomendação neutra. Na XP, Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães destacaram que um fator específico preocupava: o custo de crédito veio ligeiramente superior ao esperado. Para que haja reavaliação positiva, o banco precisará sustentar ROE acima de 15% com custo de crédito estável — uma combinação que o mercado ainda aguarda ver confirmada antes de adotar postura mais otimista.

As ações do Bradesco abriram em queda nesta quinta-feira de manhã, logo após a divulgação do balanço do terceiro trimestre na noite anterior. Os papéis ordinários e preferenciais do banco lideravam as perdas do Ibovespa, enquanto o índice geral da bolsa subia modestamente. A reação negativa do mercado não surpreendeu o próprio CEO da instituição. Em teleconferência matinal, Marcelo Noronha reconheceu que as ações passariam por um "ajuste técnico" naquele dia, observando que o papel havia acumulado uma valorização de 78% ao longo do ano e que as expectativas dos investidores haviam se elevado nas semanas anteriores.

Por volta das 11h55, as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) caíam 2,71%, enquanto as ordinárias (BBDC3) recuavam 2,56%. No mesmo horário, o Ibovespa operava em alta de 0,24%, aos 148.986 pontos. O contraste era revelador: enquanto o mercado geral avançava, o Bradesco se destacava negativamente, sinalizando uma decepção específica com o desempenho da instituição.

O banco havia reportado um lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões no terceiro trimestre, cifra que representava um crescimento de 2,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 18,8% quando comparada ao mesmo período do ano anterior. Os números eram sólidos em termos absolutos, mas não o suficiente para atender às expectativas que o mercado havia construído. Analistas do BTG Pactual apontaram que as projeções para o resultado do banco haviam subido significativamente nas últimas semanas, e os números divulgados vieram ligeiramente abaixo do que se esperava. A casa manteve sua recomendação neutra para os papéis.

Um fator específico preocupava os analistas: o custo de crédito do banco veio ligeiramente superior ao esperado. Esse indicador é crucial para avaliar a saúde de uma instituição financeira, pois reflete as perdas com operações de crédito. Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, analistas da XP, destacaram em relatório que, para que haja uma reavaliação positiva do Bradesco, a instituição precisará sustentar um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) superior a 15%, mantendo simultaneamente um custo de crédito estável. Essa combinação é o que o mercado busca ver para justificar uma posição mais otimista sobre o banco.

A XP também optou por manter a recomendação neutra para as ações. O cenário que se desenhava era o de um banco com resultados respeitáveis, mas que não conseguiu surpreender positivamente um mercado que havia elevado suas expectativas demais. O ajuste técnico que o CEO havia previsto refletia essa realidade: após uma corrida de alta ao longo do ano, as ações encontravam resistência quando o desempenho não correspondia às esperanças depositadas nelas. Para que o Bradesco reconquiste a confiança dos investidores, precisará demonstrar capacidade de manter rentabilidade elevada sem deixar que os riscos de crédito se expandam.

A ação subiu 78% neste ano e hoje os papéis passariam por um ajuste técnico
— Marcelo Noronha, CEO do Bradesco
Para reavaliação positiva do banco, será preciso sustentar retorno sobre patrimônio líquido superior a 15%, com custo de crédito estável
— Analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, XP
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