Em março de 2021, o Brasil vivia o momento mais sombrio da sua crise sanitária, e a alma coletiva do país refletia essa escuridão com precisão estatística. Uma sondagem do DataFolha revelou que 79% dos brasileiros acreditavam que a pandemia estava fora de controlo — um salto de 17 pontos em apenas dois meses —, enquanto o medo pessoal de contrair a doença atingia 55% da população. Mais do que números, estes dados traduzem a experiência de um povo a testemunhar, em tempo real, o colapso da esperança perante uma tragédia que já somava quase 290 mil mortes.
79% dos brasileiros veem pandemia fora de controlo, revela sondagem
79% dos brasileiros acreditavam que tudo estava fora de controlo
Porque é que a perceção pública piorou tanto em apenas dois meses?
Os números de casos e mortes estavam a disparar. Quando as pessoas veem hospitais cheios e conhecem alguém que morreu, a confiança nas autoridades desmorona.
Mas 2% ainda acreditavam que tudo estava controlado. Quem são essas pessoas?
Provavelmente vivem em bolhas de informação diferentes, ou têm razões pessoais para manter esperança. Mas eram uma minoria insignificante.
O medo pessoal cresceu 11 pontos. Isso é proporcional ao aumento da desconfiança?
Não exatamente. O medo é mais visceral. Quando vê que a pandemia está fora de controlo, o medo não cresce linearmente — salta. Porque significa que ninguém consegue protegê-lo.
E os 7% que já tinham contraído a doença — mantiveram-se estáveis entre janeiro e março?
Sim, curiosamente. Talvez porque a população estava a crescer tão rapidamente que a proporção de infetados se mantinha. Ou porque muitos que contraíram em janeiro ainda estavam a recuperar.
Qual era o pior cenário que esta sondagem sugeria?
Que o Brasil estava a entrar numa fase onde a população tinha perdido fé em qualquer solução. Quando 79% acham que está tudo perdido, o comportamento muda. As pessoas deixam de cooperar.
El Pulso
- A confiança pública na gestão da pandemia desabou 17 pontos percentuais em apenas oito semanas, passando de 62% para 79% de brasileiros que veem a situação completamente fora de controlo.
- O medo pessoal de infeção intensificou-se em paralelo: 55% dos brasileiros dizem ter muito medo de contrair covid-19, contra 44% em janeiro, revelando uma ansiedade que cresce a cada semana.
- Com 11,7 milhões de infetados e 287.499 mortes acumuladas, a perceção pública não é alarmismo — é o reflexo direto de uma realidade epidemiológica que escapa a qualquer contenção visível.
- Apenas 2% dos brasileiros acreditavam que a pandemia estava totalmente sob controlo, sinalizando um isolamento quase total da narrativa oficial face ao sentimento da população.
Em março de 2021, o Brasil vivia o momento mais sombrio da sua crise sanitária, e a alma coletiva do país refletia essa escuridão com precisão estatística. Uma sondagem do DataFolha revelou que 79% dos brasileiros acreditavam que a pandemia estava fora de controlo — um salto de 17 pontos em apenas dois meses —, enquanto o medo pessoal de contrair a doença atingia 55% da população. Mais do que números, estes dados traduzem a experiência de um povo a testemunhar, em tempo real, o colapso da esperança perante uma tragédia que já somava quase 290 mil mortes.
Em meados de março de 2021, uma sondagem do Instituto DataFolha expôs com frieza estatística aquilo que muitos brasileiros já sentiam no quotidiano: a pandemia de covid-19 estava a escapar a qualquer controlo. Precisamente 79% dos inquiridos acreditavam nisso — um salto abrupto face aos 62% registados em janeiro. Em apenas oito semanas, 17 pontos percentuais de confiança tinham desaparecido.
O levantamento, realizado por telefone nos dias 15 e 16 de março com 2.023 pessoas distribuídas por todos os estados brasileiros, revelava também que apenas 18% consideravam a situação parcialmente controlada, e uma minoria de 2% acreditava num controlo total. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
O pessimismo não era apenas abstrato. O medo pessoal tinha crescido de forma dramática: 55% dos brasileiros relatavam ter muito medo de contrair covid-19, contra 44% em janeiro — um aumento de 11 pontos em dois meses. Outros 27% diziam ter algum medo, e apenas 12% afirmavam não temer a doença.
Por detrás desses sentimentos estavam números brutais. Desde o primeiro caso confirmado em fevereiro de 2020, o Brasil acumulava mais de 11,7 milhões de infetados e 287.499 mortes. Globalmente, a pandemia já tinha ceifado mais de 2,6 milhões de vidas. O que a sondagem capturava não era alarmismo — era a resposta racional de uma população a testemunhar uma crise sanitária sem contenção visível, numa altura em que a esperança de melhoria parecia estar a desaparecer.
Em meados de março de 2021, quando o Brasil enfrentava o pior momento da pandemia de covid-19, uma sondagem do Instituto DataFolha revelou um quadro de desespero crescente entre a população. Quase oito em cada dez brasileiros — precisamente 79% — acreditavam que a situação estava completamente fora de controlo no país. Era um salto abrupto. Apenas dois meses antes, em janeiro, esse número era de 62%. Em apenas oito semanas, a confiança pública na capacidade de gerir a crise tinha desabado 17 pontos percentuais.
O levantamento, realizado por telefone nos dias 15 e 16 de março com 2.023 pessoas distribuídas por todos os estados brasileiros, oferecia uma visão mais nuançada além desse número alarmante. Enquanto 79% viam a pandemia descontrolada, 18% consideravam a situação parcialmente controlada. Apenas 2% acreditavam que a pandemia estava totalmente sob controlo, e 1% não soube responder. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
Mas o pessimismo não se limitava à avaliação abstrata da situação. O medo pessoal tinha intensificado-se dramaticamente. Mais de metade dos brasileiros — 55% — relatavam ter muito medo de contrair covid-19. Outros 27% diziam ter um pouco de medo. Apenas 12% afirmavam não ter medo. E 7% já tinham passado pela doença. Comparando com janeiro, quando 44% tinham muito medo, o aumento era de 11 pontos percentuais. A ansiedade tinha crescido em paralelo com a deterioração da perceção sobre o controlo.
Os números que explicavam esse medo eram brutais. Desde o primeiro caso confirmado no Brasil, em 26 de fevereiro de 2020, o país tinha acumulado mais de 11,7 milhões de infetados. As mortes chegavam a 287.499. O Brasil não estava sozinho nessa tragédia — globalmente, a pandemia tinha causado pelo menos 2.692.313 mortes resultantes de mais de 121,7 milhões de casos confirmados, de acordo com um balanço da agência francesa AFP.
O que a sondagem capturava era o reflexo direto dessa realidade epidemiológica nos sentimentos e perceções dos brasileiros. Não era alarmismo infundado. Era a resposta racional de uma população a testemunhar uma crise sanitária que escapava a qualquer contenção visível. A doença, transmitida por um novo coronavírus identificado no final de 2019 em Wuhan, na China, tinha transformado o quotidiano de milhões de pessoas. E em março de 2021, a esperança de que as coisas melhorassem em breve parecia estar a desaparecer.
Citas Notables
A sondagem foi realizada por telefone com 2.023 pessoas de todos os estados do Brasil nos dias 15 e 16 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais— Instituto DataFolha