79% dos brasileiros acham pandemia fora de controlo, revela sondagem

Mais de 287.499 mortes registadas no Brasil desde o início da pandemia em fevereiro de 2020.
79% dos brasileiros acreditavam que a covid-19 tinha escapado completamente ao controlo
Sondagem DataFolha de março de 2021 revela deterioração abrupta da confiança pública na gestão da pandemia.
Mark

Porque é que a perceção de falta de controlo aumentou tanto em apenas dois meses?

Mimi

Porque o Brasil estava no pico da segunda onda. Os números de casos e mortes estavam a subir exponencialmente, os hospitais estavam cheios, e as pessoas viam isso todos os dias — nos noticiários, nas ruas, nos seus círculos próximos.

Mark

Mas a sondagem de janeiro já mostrava 62% de pessoas preocupadas. Porque é que o salto para 79% foi tão abrupto?

Mimi

Porque a situação real piorou dramaticamente. Em janeiro havia esperança de que as vacinas chegassem e controlassem tudo. Em março, a vacinação era ainda muito lenta, e a variante P.1 estava a espalhar-se rapidamente. As pessoas viram que as promessas não se concretizavam.

Mark

O medo pessoal também cresceu — de 44% para 55%. Isso é diferente de achar que a pandemia está fora de controlo, não é?

Mimi

Sim, é mais visceral. Não é apenas uma avaliação política ou técnica. É o medo de que tu ou alguém que amas possa morrer. Quando vês hospitais a recusar doentes, quando conheces pessoas que morreram, esse medo torna-se real.

Mark

E os 7% que já tinham contraído a doença — isso manteve-se igual entre janeiro e março?

Mimi

Exatamente. Mas o contexto mudou. Em janeiro, 7% já tinha tido covid. Em março, ainda era 7%, mas agora havia 11,7 milhões de casos acumulados no país. Isso significa que muitas mais pessoas tinham sido expostas, mesmo que não tivessem sido testadas ou diagnosticadas.

Mark

Qual é o perigo real desta perceção de falta de controlo?

Mimi

Quando as pessoas acham que tudo está perdido, deixam de seguir as restrições. Deixam de acreditar nas autoridades. E isso torna tudo pior — mais transmissão, mais mortes, mais desespero. É um ciclo vicioso.

  • A perceção de descontrolo disparou de 62% em janeiro para 79% em março, sinalizando uma erosão acelerada da confiança pública em apenas oito semanas.
  • O medo pessoal de contrair o vírus cresceu de 44% para 55% da população, revelando que a ameaça deixou de ser distante para se tornar visceral e quotidiana.
  • Com 11,7 milhões de infetados e 287.499 mortes registadas, os números brutos alimentavam o desespero e tornavam cada vez mais difícil qualquer narrativa de esperança.
  • A pressão sobre as autoridades de saúde intensificava-se, com o risco de que uma população desesperada e desconfiante adotasse comportamentos de risco ainda maiores nos meses seguintes.

Em março de 2021, enquanto o Brasil atravessava a segunda onda da pandemia com mais de 287 mil mortes acumuladas, uma sondagem do DataFolha revelou que 79% dos brasileiros acreditavam que a covid-19 tinha escapado ao controlo — um aumento de 17 pontos percentuais em apenas dois meses. Este número não é apenas estatística: é o retrato de uma confiança pública que se desfez, de um povo que olha para a crise e já não vê saída próxima. Quando o medo deixa de ser abstrato e passa a habitar cada casa, cada família, a relação entre cidadãos e autoridades entra num território de tensão difícil de reverter.

Em meados de março de 2021, uma sondagem do Instituto DataFolha captou o estado de espírito de um país à beira do colapso emocional. Quase oito em cada dez brasileiros — 79% — acreditavam que a pandemia de covid-19 tinha escapado completamente ao controlo. Era um salto de 17 pontos percentuais face a janeiro, quando já 62% partilhavam esse pessimismo. Apenas 18% consideravam a situação parcialmente controlada, e uma minoria residual acreditava que tudo estava sob domínio.

O medo pessoal acompanhava essa perceção coletiva. Mais de metade da população — 55%, contra 44% em janeiro — declarava ter muito medo de contrair o vírus. O que antes era uma ameaça abstrata tornara-se uma realidade presente em cada conversa, cada notícia, cada perda. Os restantes dividiam-se entre quem tinha algum medo, quem não sentia receio, e os 7% que já tinham passado pela doença.

Por detrás destes números estava uma realidade devastadora: mais de 11,7 milhões de infetados e 287.499 mortes desde o primeiro caso registado a 26 de fevereiro de 2020. A sondagem, realizada por telefone a 2.023 pessoas de todos os estados brasileiros, pintava o retrato de uma nação que olhava para o futuro com desconfiança crescente — e onde a pressão política sobre as autoridades de saúde prometia intensificar-se nos meses seguintes.

No meio de março de 2021, quando o Brasil enfrentava a segunda onda devastadora da pandemia, uma sondagem do Instituto DataFolha revelou um quadro de desespero crescente entre a população. Quase oito em cada dez brasileiros — precisamente 79% — acreditavam que a covid-19 tinha escapado completamente ao controlo no país. O levantamento, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, capturava um momento de inflexão: a confiança pública na capacidade de gerir a crise tinha desaparecido em apenas dois meses.

Em janeiro, quando a mesma instituição havia feito uma sondagem similar, 62% dos brasileiros já consideravam a pandemia fora de controlo. Agora, em março, esse número tinha saltado para 79% — um aumento de 17 pontos percentuais que revelava deterioração acelerada da perceção pública. Os restantes inquiridos dividiam-se entre quem acreditava que a situação estava parcialmente controlada (18%), totalmente controlada (2%), ou simplesmente não sabia responder (1%). A trajetória era inequívoca: cada semana que passava, mais brasileiros perdiam a esperança de que as autoridades conseguissem travar a doença.

O medo pessoal também tinha crescido dramaticamente. Mais de metade da população — 55% — relatava ter muito medo de contrair covid-19. Comparado com janeiro, quando apenas 44% sentiam esse nível de terror, o aumento era substancial. Outros 27% diziam ter um pouco de medo, 12% afirmavam não ter medo nenhum, e 7% já tinham passado pela doença. Estes números sugeriam que o vírus tinha deixado de ser uma ameaça abstrata para se tornar numa realidade visceral na vida das pessoas.

Os números brutos explicavam parte dessa angústia. Desde que o primeiro caso tinha sido registado no Brasil a 26 de fevereiro de 2020, o país tinha acumulado mais de 11,7 milhões de infetados e 287.499 mortes. Naquele momento de março de 2021, o Brasil estava entre os países mais afetados do mundo, com uma curva de casos que continuava a subir. A sondagem tinha sido realizada por telefone nos dias 15 e 16 de março, abrangendo 2.023 pessoas de todos os estados brasileiros, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Globalmente, a pandemia tinha já provocado pelo menos 2.692.313 mortes em mais de 121,7 milhões de casos confirmados, segundo dados da agência francesa AFP. O vírus, detetado no final de 2019 em Wuhan, na China, tinha transformado o mundo. Mas no Brasil, a sensação era de que o pior ainda estava por vir. A crescente perceção de falta de controlo e o medo generalizado sugeriam que os próximos meses seriam marcados por pressão política intensa sobre as autoridades de saúde e, possivelmente, por comportamentos de risco aumentados numa população desesperada e desconfiada.

Quase oito em cada dez brasileiros acreditavam que a covid-19 tinha escapado completamente ao controlo no país
— Instituto DataFolha, março de 2021
Contattaci Domande frequenti