No limiar de 2023, a Ucrânia enfrenta uma nova fase da guerra: incapaz de impor a sua vontade pelos meios convencionais, a Rússia recorre a drones explosivos de fabrico iraniano para desgastar a população civil e destruir as infraestruturas que sustentam a vida no inverno. Zelenskyy nomeia o perigo com clareza, enquanto as defesas ucranianas respondem abatendo dezenas dessas armas baratas mas letais. O conflito transforma-se numa guerra de atrito onde resistir ao sofrimento quotidiano é, em si mesmo, um ato de sobrevivência nacional.
Zelenskyy avisa que Rússia vai intensificar ataques com drones explosivos iranianos
Cada drone abatido é uma vitória quando o inverno chega
Porque é que a Rússia muda para drones iranianos agora, depois de meses de guerra?
Porque as defesas aéreas ucranianas, reforçadas pelo Ocidente, tornaram muito perigoso para os aviões russos atacarem com mísseis convencionais. Os drones são baratos e difíceis de defender.
Mas isso significa que a Rússia está a ficar sem opções, ou apenas a otimizar a tática? Porque há uma diferença.
Provavelmente ambas as coisas. Os fracassos militares dos últimos meses — incluindo 63 soldados mortos num único ataque — sugerem que Moscovo está sob pressão.
E internamente? Como é que isto afeta Putin?
Os analistas americanos dizem que a campanha aérea não está a gerar o apoio que o Kremlin queria entre os nacionalistas russos. Os fracassos militares complicam tudo.
Mas temos de ser cuidadosos — isso é análise de um gabinete americano, não confirmação de dissidência real dentro da Rússia. É uma interpretação.
Certo. E quanto à Ucrânia — conseguem defender-se?
Nos primeiros dias de janeiro abateram mais de 80 drones iranianos. Mas os ataques continuam, e o objetivo é deixar as pessoas sem eletricidade durante o inverno.
Portanto, é uma guerra de resistência agora, não de vitória rápida.
Exatamente. Zelenskyy disse que manter a eletricidade com quebras mínimas é uma vitória. É isso que importa.
Der Puls
- A Rússia, humilhada por derrotas militares significativas — incluindo 63 soldados mortos num único ataque em Donetsk —, pivota para uma campanha massiva de drones iranianos como alternativa mais barata e menos arriscada.
- Os ataques visam deliberadamente redes energéticas, calculando que o frio do inverno ucraniano fará o que os mísseis convencionais não conseguiram: dobrar a resistência civil.
- A Ucrânia abateu mais de 80 drones iranianos nos primeiros dias de janeiro, mas os bombardeamentos continuam a causar mortes e feridos em Kherson, Druzhkivka e Donetsk, além de destruir infraestruturas como a maior arena de hóquei do país.
- Analistas americanos alertam que os fracassos militares de Putin complicam a sua narrativa interna, pressionando-o a escalar a violência para satisfazer os sectores pró-guerra dentro da Rússia.
- Zelenskyy enquadra cada drone abatido como uma vitória: a guerra entrou numa fase onde a capacidade de suportar o sofrimento diário vale tanto quanto qualquer manobra no campo de batalha.
No limiar de 2023, a Ucrânia enfrenta uma nova fase da guerra: incapaz de impor a sua vontade pelos meios convencionais, a Rússia recorre a drones explosivos de fabrico iraniano para desgastar a população civil e destruir as infraestruturas que sustentam a vida no inverno. Zelenskyy nomeia o perigo com clareza, enquanto as defesas ucranianas respondem abatendo dezenas dessas armas baratas mas letais. O conflito transforma-se numa guerra de atrito onde resistir ao sofrimento quotidiano é, em si mesmo, um ato de sobrevivência nacional.
No início de janeiro de 2023, Zelenskyy gravou um aviso noturno: as semanas seguintes seriam marcadas por noites agitadas. A Rússia planeava uma campanha prolongada com shaheds — os drones explosivos iranianos que se tornaram a arma preferida de Moscovo após meses de derrotas militares e com as defesas aéreas ucranianas, reforçadas pelo Ocidente, a tornarem perigosos os ataques convencionais.
A mudança de tática revelava pressão crescente sobre o Kremlin. O golpe mais recente tinha sido particularmente humilhante: um ataque ucraniano com rockets matou 63 soldados russos em Donetsk, um dos mais mortíferos desde o início da invasão. O Instituto para Estudos da Guerra observava que a campanha aérea russa não estava a gerar o efeito desejado entre os nacionalistas, e que os fracassos continuariam a complicar os esforços de Putin para manter a narrativa dominante no espaço informativo doméstico.
A Ucrânia respondeu com determinação: nos primeiros dias do ano, as defesas aéreas abateram mais de 80 drones iranianos. Ainda assim, os ataques não cessaram. Druzhkivka foi atingida de madrugada, ferindo duas pessoas. A maior arena de hóquei da Ucrânia foi destruída. Em Kherson, um ataque matou duas pessoas e feriu nove. Os bombardeamentos estenderam-se a Kharkiv e Dnipropetrovsk.
O objetivo era duplo e calculado: destruir infraestruturas energéticas para deixar os civis à mercê do inverno rigoroso. Zelenskyy traduziu a resistência em termos simples — cada drone abatido, cada dia com eletricidade, era uma vitória. A guerra tinha entrado numa fase de atrito onde suportar o sofrimento quotidiano se tornava tão decisivo quanto qualquer batalha no terreno.
No início de janeiro de 2023, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy gravou um vídeo noturno com um aviso direto: as próximas semanas seriam marcadas por noites agitadas. Os dois primeiros dias do ano já tinham trazido ataques de drones implacáveis contra cidades e infraestruturas energéticas ucranianas. Mas o que o preocupava era o que vinha a seguir — a Rússia, segundo suas informações, estava a planear uma campanha prolongada com shaheds, os drones explosivos de fabrico iraniano que se tornaram a arma preferida de Moscovo.
A mudança de tática russa revelava uma realidade militar incómoda para o Kremlin. Nos meses anteriores, as forças ucranianas tinham infligido derrotas significativas, apoiadas por armamento ocidental. A mais recente tinha sido particularmente humilhante: um ataque com rockets contra uma instalação militar em Donetsk matou 63 soldados russos, um dos golpes mais mortíferos desde o início da invasão, dez meses antes. As defesas aéreas ucranianas, reforçadas pelo Ocidente, tornaram perigoso para os aviões russos lançarem ataques convencionais com mísseis. Assim, a Rússia recorria aos drones iranianos — armas baratas, mas devastadoras tanto para combatentes como para civis.
O Instituto para Estudos da Guerra, um gabinete estratégico americano, via nesta mudança um sinal de pressão interna sobre Putin. Os analistas notavam que a campanha aérea e de mísseis russa não estava a gerar o efeito desejado entre os nacionalistas russos. Os fracassos militares continuariam a complicar os esforços do presidente para apaziguar a comunidade pró-guerra e manter a narrativa dominante no espaço informativo doméstico russo.
Mas a Ucrânia estava a responder. Nos primeiros dias de 2023, as defesas aéreas ucranianas abateram mais de 80 drones iranianos. Ainda assim, os ataques prosseguiam. Durante a madrugada de 3 de janeiro, a Rússia enviou drones para Druzhkivka, na região parcialmente ocupada de Donetsk, ferindo duas pessoas. Nas 24 horas anteriores, 27 drones iranianos tinham sido identificados e desativados. Na região de Donetsk, registaram-se 32 ataques russos, muitos deles contra alvos civis — incluindo a maior arena de hóquei no gelo da Ucrânia, que funcionava também como escola de patinagem artística. Os bombardeamentos noturnos estenderam-se também às regiões nordeste de Kharkiv e sudeste de Dnipropetrovsk.
Em Kherson, nas áreas recentemente reconquistadas no sul, o padrão era semelhante. Um ataque matou duas pessoas e feriu outras nove, segundo o governador ucraniano Yaroslav Yanushevich. Na segunda-feira anterior, as forças russas tinham disparado contra a cidade 32 vezes. A resposta ucraniana aos ataques em Kherson provocou, segundo o Estado-maior ucraniano, 500 baixas entre soldados russos.
O objetivo dos ataques era duplo e calculado. Os drones visavam infraestruturas energéticas, tentando deixar os civis vulneráveis ao rigoroso inverno ucraniano. Zelenskyy enquadrou a resistência em termos simples: cada drone abatido, cada míssil interceptado, cada dia em que a eletricidade chegava ao povo com quebras mínimas era uma vitória. A guerra tinha entrado numa fase de atrito, onde a capacidade de suportar o sofrimento quotidiano se tornava tão importante como as manobras militares. Os próximos meses diriam se a Ucrânia conseguiria manter essa resistência enquanto enfrentava uma campanha aérea que Moscovo parecia determinada a intensificar.
Bemerkenswerte Zitate
As próximas semanas podem ser bastante agitadas— Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia
Os fracassos militares vão continuar a complicar os esforços de Putin para apaziguar a comunidade pró-guerra russa— Instituto para Estudos da Guerra (gabinete estratégico dos EUA)