Numa segunda-feira marcada pela antecipação de resultados corporativos e pela leitura de sinais macroeconómicos, Wall Street encontrou alento numa aparente contradição: a desaceleração da atividade industrial americana, longe de assustar, alimentou a esperança de que a Reserva Federal possa afrouxar o seu aperto monetário. Os três grandes índices fecharam em alta, enquanto o mercado se prepara para uma semana em que as maiores empresas tecnológicas do mundo revelarão se os seus lucros resistiram à pressão de um ano adverso.
Wall Street fecha em alta com expectativas de Fed menos agressiva
O mundo teria de implodir completamente para estar no mesmo lugar
Porque é que dados sobre desaceleração industrial conseguem impulsionar uma bolsa que estava em queda?
Porque os investidores interpretam isso como um sinal de que a Fed pode parar de subir as taxas tão agressivamente. Uma economia mais fraca significa menos pressão inflacionária, o que dá à Fed espaço para respirar.
Mas se a economia está a abrandar, não deveria isso ser mau para os lucros das empresas?
Deveria, e é por isso que estamos à espera desta semana de resultados. O mercado está a apostar que a Fed vai ser menos agressiva antes de a economia desacelerar completamente. É um equilíbrio frágil.
A Tesla caiu 7% por cortar preços. Isso não é contraditório com o otimismo geral?
Não, porque o mercado vê a Tesla como um caso específico. A empresa está a lutar pela quota de mercado na China. O resto do mercado está focado na possibilidade de taxas de juro mais baixas beneficiarem todas as empresas.
E o índice chinês que caiu 14%? Isso parece muito grave.
É grave, mas é um problema diferente. Xi Jinping foi reconduzido e a política está a ficar mais restritiva. Os investidores estão a sair de ações chinesas porque têm medo do que vem a seguir politicamente.
Então o otimismo de Wall Street é realmente sobre a Fed, não sobre a economia?
Exatamente. É sobre a esperança de que o pior já passou em termos de aumentos de taxas. A economia pode estar fraca, mas se as taxas estabilizarem, as ações podem recuperar.
O Pulso
- A desaceleração industrial pelo quarto mês consecutivo, normalmente sinal de alerta, foi recebida como alívio — sugerindo que a Fed pode moderar as subidas de taxas de juro.
- Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram em uníssono, com Microsoft e Apple a puxarem os ganhos tecnológicos acima de 1% cada.
- A Tesla protagonizou o momento mais turbulento da sessão: cortes de preços de até 9% na China derrubaram a ação mais de 7%, embora tenha recuperado para fechar com perdas de apenas 1,49%.
- As ações de empresas chinesas cotadas nos EUA sofreram um golpe severo — o índice Nasdaq Golden Dragon China despencou 14,43%, penalizado pela reeleição de Xi Jinping e pelo endurecimento político de Pequim.
- A 'earnings season' começa agora a dominar a atenção: Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta divulgam resultados esta semana, com analistas a anteciparem a maior contração de lucros em três anos.
Numa segunda-feira marcada pela antecipação de resultados corporativos e pela leitura de sinais macroeconómicos, Wall Street encontrou alento numa aparente contradição: a desaceleração da atividade industrial americana, longe de assustar, alimentou a esperança de que a Reserva Federal possa afrouxar o seu aperto monetário. Os três grandes índices fecharam em alta, enquanto o mercado se prepara para uma semana em que as maiores empresas tecnológicas do mundo revelarão se os seus lucros resistiram à pressão de um ano adverso.
Wall Street encerrou a segunda-feira em alta, sustentada por uma leitura inesperadamente otimista dos dados industriais americanos. A atividade do setor desacelerou pelo quarto mês consecutivo em outubro — e os mercados interpretaram esse sinal de arrefecimento como um argumento para que a Reserva Federal abrande o ritmo das subidas de taxas de juro. O sentimento mudou, e os índices responderam.
O Dow Jones avançou 1,34%, o S&P 500 subiu 1,19% e o Nasdaq Composite ganhou 0,86%. Microsoft e Apple lideraram os ganhos entre as tecnológicas, ambas acima de 1%. A sessão abriu oficialmente uma semana decisiva para os mercados, com os gigantes do setor — Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta — a prepararem-se para revelar os seus resultados trimestrais.
A Tesla foi a nota dissonante. O anúncio de cortes de preços de até 9% nos modelos 3 e Y no mercado chinês gerou uma queda superior a 7% durante a sessão, refletindo receios sobre margens de lucro. A fabricante conseguiu, ainda assim, recuperar terreno e fechar com uma perda contida de 1,49%.
Mais penalizadas ficaram as ações de empresas chinesas cotadas nos EUA. O índice Nasdaq Golden Dragon China tombou 14,43%, pressionado pelo endurecimento político que se seguiu à recondução de Xi Jinping como líder do Partido Comunista da China.
O analista Art Hogan, da B. Riley, colocou o momento em perspetiva: este mercado em baixa é incomum porque os índices caem 25% enquanto os lucros das empresas ainda se sustentam e o desemprego permanece em 3,5%. Para igualar a devastação de 2008, argumentou, seria necessário um colapso económico de outra dimensão. A questão que esta semana começa a responder é se os resultados das grandes tecnológicas confirmam — ou desmentem — essa resiliência.
A bolsa de Wall Street encerrou segunda-feira em terreno positivo, alimentada por sinais de que a Reserva Federal poderia abrandar o ritmo de aumentos nas taxas de juro. Os dados sobre a atividade industrial norte-americana, que desacelerou em outubro pelo quarto mês consecutivo, foram suficientes para mudar o sentimento dos investidores e impulsionar os três principais índices.
O Dow Jones ganhou 1,34%, fechando em 31.499,62 pontos. O Standard & Poor's 500 avançou 1,19% para 3.797,34 pontos, com Microsoft e Apple a liderarem os ganhos, ambas subindo mais de 1%. O Nasdaq Composite somou 0,86%, terminando em 10.952,61 pontos. A sessão marcou o arranque de uma semana crucial para os mercados, com as maiores empresas tecnológicas do mundo a divulgarem os seus resultados trimestrais.
Mas nem tudo foi ganhos. A Tesla viveu um dia volátil após a empresa de Elon Musk anunciar cortes de preços de até 9% nos modelos 3 e Y no mercado chinês. A fabricante automóvel chegou a cair mais de 7% durante a sessão, refletindo preocupações dos investidores sobre margens de lucro, mas conseguiu recuperar parcialmente para terminar o dia com uma queda de apenas 1,49%.
O índice Nasdaq Golden Dragon China, que agrupa as ações das principais empresas chinesas cotadas nos EUA, teve um desempenho muito mais fraco, caindo 14,43% para 4.468,54 pontos. A queda foi impulsionada pela política restritiva de Pequim, que se intensificou após a recondução de Xi Jinping como líder do Partido Comunista da China.
Art Hogan, analista da B. Riley, ofereceu uma perspetiva sobre o contexto mais amplo dos mercados. Observou que o que torna este "bear market" notável é o facto de os índices estarem em queda de 25% enquanto os lucros das empresas ainda conseguem manter-se. A taxa de desemprego permanece em 3,5% e muitas medidas de atividade económica continuam a indicar expansão. Hogan comparou a situação atual com a crise de 2008, sugerindo que seria necessário um colapso económico muito mais severo para igualar as condições daquela época.
Os investidores agora concentram-se na "earnings season", a época de divulgação de resultados trimestrais. Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta estão programadas para divulgar os seus números esta semana. Os dados compilados pela Bloomberg apontam para a maior contração de lucros em três anos, o que torna estas divulgações particularmente importantes para compreender a saúde real das empresas tecnológicas que têm sustentado grande parte dos ganhos do mercado.
Citações Notáveis
O que é surpreendente sobre este bear market é que estamos em baixa de 25% e os resultados ainda estão a aguentar. A taxa de desemprego está em 3,5% e muitas medidas da atividade económica permanecem em território de expansão.— Art Hogan, analista da B. Riley