Em um mesmo instante político, o Brasil apresenta ao mundo Ana Elisa — 21 anos, deputada federal mais jovem da história, a mulher mais votada em Minas Gerais — e Lula, presidente de 78 anos que ainda impressiona pela energia e engenhosidade. A justaposição dos dois não é apenas eleitoral: é um convite à revisão de um mito antigo sobre o envelhecimento. A neurociência confirma que o cérebro humano mantém plasticidade em qualquer idade, e que a vitalidade não é sorte — é uma construção diária feita de propósito, vínculos, movimento e desafio intelectual.
Vida longa à Ana Elisa e ao debate sobre longevidade
Envelhecer bem não é sorte. É trabalho. É escolha.
O que você vê de tão importante na imagem de Lula e Ana Elisa juntos?
Não é sobre idade. É sobre vitalidade sendo construída, não herdada. Lula aos 78 não é um acidente. É o resultado de décadas de propósito, movimento, aprendizado.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Lula é um caso excepcional — saúde, recursos, acesso a cuidados. Nem todo idoso tem isso.
Verdade. Mas o ponto não é que todos viverão como Lula. É que a neurociência diz que é possível, se as condições existirem.
E Ana Elisa? Ela é jovem. Por que ela entra nessa conversa sobre longevidade?
Porque ela está construindo sua reserva cognitiva agora. Aos 21, ela já tem propósito, desafio intelectual, movimento social. Isso importa para quem ela será aos 80.
Mas ela também recebe ameaças de morte. Isso não é um detalhe menor. Não podemos falar de vitalidade sem falar do custo que ela paga por estar ali.
Não. Ela mesma disse que teme os ataques. Mas também disse que ocupar aquele lugar representa o sonho de sua ancestralidade. Os dois são verdadeiros.
Então o livro sobre neuroplasticidade — ele muda como você pensa sobre envelhecer?
Completamente. Porque diz que envelhecer bem não é sorte. É trabalho. É escolha. É começar agora.
Desde que você tenha acesso a exercício, amigos, educação, segurança. Nem todos têm.
Certo. Mas saber que é possível muda a conversa política. Não é mais sobre aceitar declínio. É sobre exigir as condições para que ninguém decline.
E isso é por que essa conversa importa agora, em outubro de 2026?
Porque estamos escolhendo lideranças. E a pergunta não é mais "quem é jovem?" ou "quem é velho?". É "quem está construindo uma vida que importa?"
El Pulso
- Ana Elisa, deputada negra de 21 anos, enfrenta ameaças de morte de supremacistas mesmo após conquistar o maior número de votos femininos da história de Minas Gerais para a Câmara.
- A imagem de uma líder de 21 anos ao lado de um presidente de 78 rompe o molde do cansaço político e provoca uma pergunta incômoda: o que realmente sabemos sobre envelhecimento e capacidade?
- A neurociência derruba o mito dos '10% do cérebro' e do endurecimento cognitivo após os 30 anos — pesquisadoras como Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky afirmam que é possível chegar aos 100 anos sem declínio mental.
- A resposta prática tem nome — reserva cognitiva — e exige ação contínua: exercício físico, amizades, aprendizado, leitura, check-ups e, acima de tudo, um propósito de vida concreto.
- O envelhecimento deixa de ser uma fase distante e passa a ser entendido como um processo em curso: o que você constrói aos 25 ou aos 40 anos já está moldando quem você será aos 80.
Em um mesmo instante político, o Brasil apresenta ao mundo Ana Elisa — 21 anos, deputada federal mais jovem da história, a mulher mais votada em Minas Gerais — e Lula, presidente de 78 anos que ainda impressiona pela energia e engenhosidade. A justaposição dos dois não é apenas eleitoral: é um convite à revisão de um mito antigo sobre o envelhecimento. A neurociência confirma que o cérebro humano mantém plasticidade em qualquer idade, e que a vitalidade não é sorte — é uma construção diária feita de propósito, vínculos, movimento e desafio intelectual.
Ana Elisa tem 21 anos e acaba de se tornar a deputada federal mais jovem eleita no Brasil. Em Minas Gerais, nenhuma mulher recebeu mais votos para a Câmara em toda a história do estado. Com três milhões de seguidores nas redes sociais, ela fala de educação, feminismo e antirracismo — e enfrenta ameaças de morte de supremacistas com uma clareza que impressiona: ocupa seu lugar como realização de toda uma ancestralidade.
Lula, aos 78 anos, apareceu recentemente em um podcast com vigor e desenvoltura que desafiam qualquer ideia de obsolescência. A imagem dos dois juntos — 60 anos de diferença — conta uma história que vai além da política: fala de vitalidade como escolha, não como privilégio de poucos.
Existe um mito persistente de que o cérebro endurece com a idade, de que aprender se torna penoso depois dos 30. A neurociência desfaz esse equívoco. As pesquisadoras Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky explicam que todos possuímos neuroplasticidade plena e que é possível chegar aos 80, 90 ou 100 anos sem declínio mental. Não é questão de sorte — é construção.
Essa construção tem nome: reserva cognitiva. Envolve exercício físico regular, amizades cultivadas, desafios intelectuais, leitura, check-ups anuais e, talvez o mais decisivo, um propósito de vida concreto. Lula tem isso. Ana Elisa tem isso. E a pergunta que fica é: e você?
Pensar no envelhecimento não como uma fase futura, mas como um processo que já acontece agora, muda tudo. Significa que a força de Ana Elisa e a desenvoltura de Lula não são exceções — são exemplos de como a regra funciona quando se escolhe respeitá-la.
Ana Elisa tem 21 anos e acaba de se tornar a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil. Em Minas Gerais, nenhuma mulher recebeu mais votos para a Câmara dos Deputados em toda a história do estado. Ela comanda três milhões de seguidores nas redes sociais, onde publica vídeos sobre educação, direitos sociais, feminismo e letramento antirracista. É também alvo de ameaças de morte de supremacistas — um fato que ela enfrenta com clareza em uma entrevista recente à Globonews, onde diz temer os ataques mas reconhece que ocupar seu lugar representa o sonho de toda sua ancestralidade.
O presidente Lula, aos 78 anos, apareceu em um podcast recente com uma energia que impressiona: vigor, engenhosidade, desenvoltura. A imagem dos dois juntos — a deputada mais jovem do país e um presidente 60 anos mais velho — conta uma história que vai além da política eleitoral. Ela fala de um partido e um candidato dispostos a aprender, de lideranças que não se encaixam no molde do cansaço ou da obsolescência. Mas há algo mais profundo nessa justaposição, algo que toca em como entendemos o envelhecimento e a vitalidade.
Existe um mito antigo e teimoso: que usamos apenas 10% do nosso cérebro, que ele endurece depois dos 30 anos, que aprender coisas novas se torna penoso com a idade. A neurociência desmente isso completamente. Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky, autoras do livro "Longevidade Hoje — O que a Neurociência e a Psicologia Falam Sobre Envelhecer Bem em Qualquer Idade", explicam que todos nós — Ana Elisa, Lula, você, qualquer pessoa — possuímos neuroplasticidade plena. Usamos cada milímetro do nosso cérebro. É possível chegar aos 80, 90, até 100 anos sem declínio mental. Não é sorte. É construção.
Essa construção tem nome: reserva cognitiva. Significa musculação regular, exercícios aeróbicos, amizades cultivadas, desafios intelectuais contínuos, aprendizado de novas línguas, leitura, check-ups anuais e algo que talvez seja o mais importante — um propósito de vida. Não um propósito vago. Um plano concreto para uma existência interessante, tanto para hoje quanto para o futuro. Lula tem isso: um cérebro que tirou o Brasil da fome duas vezes, uma vida social agitada, músculos em dia, uma razão de ser que se chama Brasil. Ana Elisa tem isso: uma voz que alcança milhões, um compromisso com transformação social, uma presença que desafia supremacistas todos os dias.
O que muda quando pensamos no envelhecimento não como uma fase que virá daqui a alguns anos, mas como um processo que já está acontecendo agora? Tudo. Significa que aos 25, aos 40, aos 60 anos, você está já construindo quem será aos 80. Significa que a população idosa — a que mais cresce em praticamente todas as sociedades — não é um problema a ser gerenciado, mas uma realidade a ser vivida com inteligência. Significa que a força de Ana Elisa e a desenvoltura de Lula não são exceções que provam a regra. São exemplos de como a regra funciona quando você a respeita.
Citas Notables
Ela teme os ataques, mas sabe que ocupar seu lugar representa o sonho de toda sua ancestralidade— Ana Elisa, em entrevista à Globonews
É possível chegar aos 80, 90, até 100 anos sem declínio mental— Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky, autoras de 'Longevidade Hoje'