Em Manaus, um vazamento de monômero de estireno numa fábrica da Innova revelou, ao longo de cinco dias, a fragilidade da convivência entre indústria química e tecido urbano: 414 pessoas buscaram atendimento médico, um homem de 67 anos morreu em circunstâncias ainda investigadas, e a empresa acumulou R$ 22,4 milhões em multas. O episódio coloca em evidência a tensão permanente entre progresso industrial e responsabilidade ambiental nas cidades amazônicas — e a dificuldade de conter, tanto nos tanques quanto na vida das pessoas, aquilo que já escapou.
Vazamento químico em Manaus atinge 414 pessoas em cinco dias; empresa multada em R$ 22,4 mi
Fissuras continuavam vazando; o resfriamento era necessário para evitar novas reações
Por que um vazamento de um composto químico em uma fábrica gera 414 atendimentos médicos em apenas cinco dias?
Porque monômero de estireno é volátil. Quando aquecido, libera vapores que as pessoas respiram. Os sintomas começam rápido — ardência nos olhos, desconforto respiratório — e levam as pessoas aos hospitais. A maioria teve sintomas leves, mas 414 pessoas é um número que mostra a amplitude da exposição.
E a morte do homem de 67 anos? Está relacionada ao vazamento?
Isso ainda é investigado. O que sabemos é que ele tinha doença respiratória crônica prévia e já havia sido atendido durante a semana por dificuldades para respirar. A secretaria de saúde diz que não foi constatada relação direta. Mas quando alguém morre dias depois de uma exposição química, a pergunta fica no ar.
A empresa diz que conteve a emergência. Por que o tanque ainda estava sendo resfriado no domingo?
Porque as fissuras continuavam vazando. Drones identificaram que o vazamento não havia parado. O resfriamento é necessário para evitar novas reações químicas. A empresa pode ter contido a situação inicial, mas a contenção completa levou dias.
R$ 22,4 milhões em multas. É muito ou pouco para uma empresa desse porte?
Depende do tamanho da Innova e da margem de lucro. Mas o número mostra que os órgãos ambientais e a prefeitura levaram a sério. Três órgãos diferentes multaram. E a unidade foi parcialmente interditada, o que afeta a operação.
O que vem agora?
A unidade segue interditada até que as condições de segurança sejam restabelecidas. O governo estadual vai avaliar se libera as atividades no entorno — escolas, empresas, serviços públicos. Mas a Innova não volta a operar enquanto não resolver o problema.
The Pulse
- Um tanque com fissuras continuava a vazar monômero de estireno no domingo, cinco dias após o início do acidente, enquanto bombeiros resfriavam o equipamento e drones identificavam a extensão dos danos.
- 414 pessoas procuraram atendimento médico com sintomas que iam de ardência nos olhos a dificuldades respiratórias graves, e um homem de 67 anos morreu — caso que permanece sob investigação.
- A empresa foi multada em R$ 22,4 milhões por poluição atmosférica, do solo e de corpo hídrico, e sua unidade foi parcialmente interditada, impedindo o retorno de trabalhadores.
- Uma área de 300 metros ao redor da fábrica seguia isolada, com escolas, empresas vizinhas e serviços públicos suspensos à espera de avaliação do governo estadual.
- A Innova afirmou que os dispositivos de segurança funcionaram e que o resíduo está sendo tratado conforme as normas, mas a continuidade das operações de contenção contradiz a narrativa de emergência encerrada.
Em Manaus, um vazamento de monômero de estireno numa fábrica da Innova revelou, ao longo de cinco dias, a fragilidade da convivência entre indústria química e tecido urbano: 414 pessoas buscaram atendimento médico, um homem de 67 anos morreu em circunstâncias ainda investigadas, e a empresa acumulou R$ 22,4 milhões em multas. O episódio coloca em evidência a tensão permanente entre progresso industrial e responsabilidade ambiental nas cidades amazônicas — e a dificuldade de conter, tanto nos tanques quanto na vida das pessoas, aquilo que já escapou.
Na tarde de quarta-feira, 15 de julho, um tanque de armazenamento na fábrica da Innova, em Manaus, começou a liberar vapores de monômero de estireno — composto usado na produção de borrachas e polímeros. A empresa atribuiu o incidente a uma elevação anormal de temperatura e afirmou que os mecanismos de segurança controlaram a situação. Cinco dias depois, porém, o Corpo de Bombeiros ainda resfriava o tanque e realizava sucção interna do produto, enquanto drones com câmeras térmicas identificavam fissuras e a continuidade do vazamento.
Ao longo desses cinco dias, 414 pessoas procuraram atendimento médico. A maioria apresentou sintomas leves — ardência nos olhos e desconforto respiratório — e recebeu alta. Dois pacientes chegaram a ser internados, um deles em UTI. Um homem de 67 anos deu entrada numa unidade de saúde com queixas ligadas ao vazamento e morreu. As autoridades de saúde estaduais apontaram que ele tinha doença respiratória crônica preexistente e que não foi constatada relação direta com o acidente, mas o caso segue sob investigação.
As consequências legais e administrativas foram rápidas. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas aplicou multa de R$ 12,5 milhões por poluição atmosférica. A Prefeitura de Manaus acrescentou outras duas autuações, totalizando R$ 9,9 milhões, por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico. O Instituto Municipal de Planejamento Urbano determinou a interdição parcial da unidade, restringindo o acesso apenas às equipes de contenção. Uma área de 300 metros ao redor da fábrica permanecia isolada.
O governo do Amazonas anunciou que avaliaria as condições de segurança para decidir sobre a retomada de atividades nas empresas, escolas e serviços públicos vizinhos — mas deixou claro que isso não implicaria o retorno das operações da Innova. A prefeitura recomendava à população que evitasse a região e acionasse o Samu diante de sintomas graves como falta de ar, dor no peito ou alteração da consciência.
No fim da tarde de quarta-feira, 15 de julho, um tanque de armazenamento na fábrica da Innova, em Manaus, começou a vazar monômero de estireno — um composto químico usado na produção de borrachas e polímeros. Cinco dias depois, quando o domingo chegou, 414 pessoas haviam procurado atendimento médico com sintomas relacionados à exposição ao produto. Um homem de 67 anos morreu. Outro paciente seguia internado em unidade de terapia intensiva. A empresa, que fabrica resinas termoplásticas e transformados plásticos, foi multada em R$ 22,4 milhões.
Segundo a Innova, uma elevação anormal de temperatura no tanque provocou a liberação de vapores, mas os dispositivos de segurança do equipamento conseguiram controlar a situação. A companhia afirmou que a emergência foi contida conforme os procedimentos previstos, que não há riscos nos demais tanques e que o resíduo foi armazenado para tratamento posterior de acordo com as normas ambientais. Pediu desculpas pelos transtornos causados. O Corpo de Bombeiros, porém, mantinha o resfriamento do tanque e a sucção interna do produto no domingo, sugerindo que a situação ainda não estava completamente resolvida. Drones equipados com câmeras térmicas identificaram fissuras em parte do tanque e a continuidade do vazamento.
Dos 414 atendimentos registrados pela Secretaria Municipal de Saúde, 157 ocorreram em prontos-socorros e serviços de pronto atendimento da rede pública, 200 na rede hospitalar particular e 57 em unidades municipais. A maioria dos pacientes apresentou sintomas leves — ardência nos olhos e desconforto respiratório — e recebeu alta. Dois pacientes estavam internados no balanço divulgado pela prefeitura, um deles em UTI. Um homem de 67 anos deu entrada em uma unidade de saúde com queixas relacionadas ao vazamento e morreu. A Secretaria de Estado de Saúde afirmou que o homem tinha doença respiratória crônica e já havia sido atendido durante a semana por dificuldades para respirar, e que não foi constatada relação direta entre a morte e o vazamento. O caso, porém, segue sob investigação.
As multas chegaram a R$ 22,4 milhões. Na sexta-feira, 17 de julho, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas aplicou uma multa de R$ 12,5 milhões à Innova por poluição atmosférica. A Prefeitura de Manaus aplicou outras duas multas, que somam R$ 9,9 milhões, por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico. A Innova não comentou as autuações da prefeitura.
Também na sexta, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano determinou a interdição parcial da unidade da Innova. A medida impede o retorno das atividades e o acesso de trabalhadores e outras pessoas não autorizadas. Apenas equipes técnicas envolvidas na contenção podem entrar no local. A interdição permanecerá em vigor até que as condições de segurança sejam restabelecidas e os órgãos competentes autorizem a retomada das operações. Uma área de aproximadamente 300 metros no entorno da empresa permanecia isolada.
O Corpo de Bombeiros afirmou que não houve incêndio ou explosão. O governo do Amazonas deve avaliar as condições de segurança para decidir sobre a liberação das atividades de empresas, escolas e serviços públicos do entorno que tiveram o funcionamento suspenso. A eventual liberação dessas atividades não significa a retomada das operações da Innova, que continua com a unidade parcialmente interditada. A Prefeitura de Manaus recomendava que a população evitasse a área atingida e, em caso de forte odor químico, se afastasse da região. Pessoas com falta de ar, alteração da consciência, dor no peito, desmaio ou piora rápida dos sintomas deveriam acionar o Samu.
Notable Quotes
A emergência foi contida conforme os procedimentos previstos e o resíduo foi armazenado para tratamento posterior, de acordo com as normas ambientais— Innova
Não foi constatada relação direta entre a morte e o vazamento— Secretaria de Estado de Saúde