Valdemar admite novamente discussão sobre golpe no fim do governo Bolsonaro

Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?
Valdemar minimiza a relevância jurídica do planejamento de golpe não consumado no fim do governo Bolsonaro.
Mark

Valdemar está basicamente dizendo que planejamento de golpe não importa se não foi executado?

Mimi

Ele está argumentando exatamente isso — que a discussão sobre o golpe é irrelevante porque não aconteceu. Mas a lei brasileira não vê assim.

Luke

Espera. A lei pune a tentativa, não só a consumação. Então o argumento dele é juridicamente fraco.

Mark

E Bolsonaro já foi condenado por isso, certo?

Mimi

Sim, 27 anos e três meses. Está em prisão domiciliar. Valdemar quer anistia no primeiro dia se Flávio vencer.

Luke

Isso é uma promessa de reverter condenações judiciais. Vale notar que é uma promessa, não uma garantia legal.

Mark

E quanto aos senadores? Ele estava falando sobre quem comanda o Senado?

Mimi

Sim. O PL elegeu 28 senadores e ele sugere que Rogério Marinho e Tereza Cristina podem se revezar no comando.

Luke

Sem mencionar o presidente atual, Davi Alcolumbre. Isso é significativo?

Mark

Parece que estão planejando algo sem ele.

Mimi

Ou pelo menos deixando em aberto a possibilidade de mudança.

Luke

O que não está claro é se há acordo formal ou se é apenas especulação de Valdemar.

  • Valdemar admite pela segunda vez o planejamento de golpe, mas tenta esvaziar a gravidade com um 'e daí?' que ecoa como provocação ao sistema jurídico.
  • A legislação brasileira não exige que o golpe seja consumado para punir seus articuladores — o planejamento já configura crime, tornando o argumento de Valdemar juridicamente frágil.
  • Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e foi condenado a 27 anos e três meses pelo STF, evidenciando que o Estado já respondeu ao episódio com peso institucional.
  • A promessa de anistia no primeiro dia de um governo Flávio Bolsonaro transforma a eleição presidencial em disputa direta sobre a validade das condenações impostas pela Justiça.
  • Dentro do próprio PL, contradições emergem: enquanto deputados atacam o público LGBTQIA+, Valdemar declara 'respeito total' — tensão que expõe as costuras internas de um partido em expansão eleitoral.

Pela segunda vez, Valdemar Costa Neto reconhece que houve planejamento de golpe no fim do governo Bolsonaro, mas tenta minimizar o peso do fato com a pergunta retórica 'e daí?'. O gesto revela uma tensão antiga entre a lógica política e a lógica jurídica: no direito brasileiro, a tentativa já é punível, independentemente de o ato ter sido consumado. Enquanto Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e carrega uma condenação de mais de 27 anos, seu partido projeta um futuro em que a anistia chegaria no primeiro dia de um eventual governo Flávio Bolsonaro — sinalizando que a disputa sobre o passado ainda está longe de encerrada.

Valdemar Costa Neto voltou a reconhecer publicamente, em entrevista à rádio Gaúcha, que houve discussões sobre uma tentativa de golpe no fim do governo Bolsonaro. Sua posição foi resumida em uma frase de tom desafiador: 'Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?'. Não era a primeira vez — em setembro de 2025, ele já havia feito admissão semelhante à Folha, distinguindo o planejamento da execução como se essa diferença fosse juridicamente decisiva.

O problema é que não é. A legislação brasileira prevê punição a partir da tentativa de execução de crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito. O planejamento, mesmo não consumado, é passível de condenação — e foi exatamente isso que ocorreu com Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF a 27 anos e três meses de reclusão.

Valdemar deixou claro que, se Flávio Bolsonaro for eleito presidente, a anistia ao ex-presidente viria no primeiro dia de governo. A promessa transforma a disputa eleitoral em um embate direto sobre a legitimidade das condenações já impostas pela Justiça.

Na mesma entrevista, Valdemar abordou a composição do Senado — onde o PL elegeu 28 senadores — e sinalizou possível acordo de revezamento entre Rogério Marinho e Tereza Cristina no comando da Casa. Também respondeu a críticas feitas por membros do partido ao público LGBTQIA+, afirmando ter 'o maior respeito' pelo segmento, em declaração que contrasta com o perfil de deputados como Eduarda Campopiano, eleita a segunda candidata mais votada da história da Assembleia paulista, com quase dois milhões de votos, construída sobre pautas conservadoras e combate ao que ela chama de 'cultura woke'.

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, voltou a reconhecer publicamente nesta quarta-feira que houve discussões sobre uma tentativa de golpe no encerramento do governo Jair Bolsonaro em 2022. Em entrevista ao programa Timeline da rádio Gaúcha, ele questionou a relevância do fato com uma frase que resumia sua posição: "Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?"

Não era a primeira vez que Valdemar fazia essa admissão. Em setembro de 2025, em conversa com a Folha, ele já havia reconhecido que "houve planejamento de golpe, mas não o golpe", argumentando que a preparação não chegou à execução. Dessa vez, porém, sua irritação ficou evidente quando questionado se o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não poderia fazer o mesmo. Valdemar respondeu com tom defensivo: "Sei lá. Pode haver planejamento. Não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca. Jamais."

O argumento de Valdemar, porém, enfrenta uma realidade jurídica específica. A legislação brasileira prevê punição a partir da tentativa de execução de crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito. Isso significa que o planejamento, mesmo não consumado, é juridicamente relevante e passível de condenação. Jair Bolsonaro, o ex-presidente que Valdemar busca proteger, cumpre prisão domiciliar e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses justamente por sua participação nesse contexto.

Valdemar deixou claro que, se eleito, Flávio Bolsonaro concederia anistia ao ex-presidente no primeiro dia de governo. Para o presidente do PL, Bolsonaro não deveria estar preso pela tentativa de golpe. Essa promessa de anistia sinaliza uma continuidade política que buscaria reverter as condenações impostas pela Justiça.

Durante a mesma entrevista, Valdemar também abordou questões sobre a composição do Senado. O PL elegeu 28 senadores, e ele afirmou que pode haver acordo para que Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) se revezem no comando da Casa sem precisar se reeleger. Notavelmente, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não foi mencionado em nenhum momento dessa discussão.

Valdemar também respondeu a críticas recentes feitas por membros de seu próprio partido ao público LGBTQIA+. Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano (PL-SP) haviam feito ataques a esse segmento, mas Valdemar afirmou não ter "problema" com a população LGBT. "Temos o maior respeito por eles. É gente como a gente. Vai fazer o quê? Não temos problema nenhum com essa gente", disse. A declaração contrasta com a trajetória política de Campopiano, que foi eleita deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026 com 1.956.238 votos, a segunda maior votação da história para uma candidatura à Assembleia paulista, atrás apenas dos 2.060.786 votos obtidos por Janaina Paschoal em 2018.

Campopiano construiu sua projeção política em torno de pautas conservadoras e críticas ao feminismo, posicionando sua campanha contra o que ela chama de "cultura woke". Após a eleição, ela afirmou que pretende aprofundar a disputa ideológica na Alesp, descrevendo sua candidatura como "ideológica" e prometendo intensificar o que denomina combate cultural. Já Nikolas Ferreira (PL-MG), eleito deputado federal em São Paulo ao lado de Pavanato, recebeu 3.038.438 votos.

Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?
— Valdemar Costa Neto, presidente do PL
Temos o maior respeito por eles. É gente como a gente. Não temos problema nenhum com essa gente
— Valdemar Costa Neto, sobre população LGBTQIA+
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