Vacinação infantil recua na UE, mas Portugal mantém-se entre os líderes

O ressurgimento potencial de doenças infecciosas como sarampo, poliomielite e meningite B pode afetar crianças não vacinadas em vários países europeus.
Dezasseis países registaram descidas em pelo menos quatro vacinas
Desde o início da pandemia de covid-19, a cobertura vacinal infantil começou a cair em mais de metade dos Estados-membros da UE.
Mark

Porque é que Portugal consegue manter-se acima de 97% quando tantos outros países estão a cair?

Mimi

O estudo não explica os mecanismos específicos, mas Portugal tem um programa de vacinação bem estabelecido e integrado no sistema de saúde. Isso ajuda.

Luke

Verdade, mas o estudo não decompõe os dados por país — não sabemos se Portugal caiu também desde 2020 e depois recuperou, ou se simplesmente nunca caiu. Isso é uma lacuna importante.

Mark

E quanto à Roménia, que está abaixo de 80%? Isso é um risco real para a saúde pública?

Mimi

Sim. Abaixo de 80%, não há imunidade de grupo suficiente para proteger as crianças não vacinadas. Uma doença como o sarampo pode espalhar-se rapidamente.

Luke

Mas o estudo não diz se a Roménia caiu recentemente ou se sempre esteve nesse nível. Isso muda a narrativa — é uma crise nova ou um problema crónico?

Mark

Qual é a vacina que mais preocupa?

Mimi

A poliomielite e a meningite B. Ambas caíram em 20 países. A poliomielite é particularmente simbólica — foi quase erradicada.

Luke

Mas 20 países em 27 é uma maioria clara. Isso sugere um padrão europeu, não apenas alguns outliers. Isso é importante contexto.

Mark

O estudo diz porquê? Porque é que a pandemia de covid-19 afetou a vacinação infantil?

Mimi

O estudo não entra em detalhes sobre as causas. Pode ser desconfiança nas vacinas, perturbações nos serviços de saúde, ou simplesmente prioridades deslocadas durante a crise.

Luke

Exatamente. Sem saber as causas, é difícil saber como resolver o problema. O estudo documenta o que aconteceu, mas não explica o porquê.

  • Dezasseis países da UE reduziram a vacinação infantil em pelo menos quatro das sete vacinas analisadas desde o início da pandemia — um retrocesso que rompe décadas de avanços consistentes.
  • Seis países, incluindo Roménia, Suécia e Irlanda, viram a cobertura cair em todas as sete vacinas, enquanto a Roménia já se encontra abaixo dos 80%, criando bolsas de vulnerabilidade preocupantes.
  • A meningite B e a poliomielite lideram as descidas, afetando 20 países — doenças que causam morte e incapacidade permanente em crianças e que a Europa julgava ter deixado para trás.
  • Portugal e Luxemburgo resistem à tendência com coberturas iguais ou superiores a 97%, mas o seu exemplo não tem sido suficiente para travar o declínio regional.
  • Especialistas alertam que, se as taxas continuarem a cair, as condições para o ressurgimento de surtos de doenças há muito controladas estarão reunidas — com as crianças não vacinadas como as mais expostas.

Décadas de progresso na proteção das crianças europeias contra doenças infecciosas mostram sinais de erosão: desde a pandemia de covid-19, a maioria dos países da União Europeia registou quedas nas taxas de vacinação infantil, segundo um estudo publicado na The Lancet Regional Health. Portugal mantém-se entre os líderes europeus, com cobertura acima de 97%, mas a desigualdade entre Estados-membros aprofunda-se, e o silêncio das doenças controladas pode ser apenas temporário.

Um estudo publicado na The Lancet Regional Health analisou a cobertura de sete vacinas infantis nos 27 Estados-membros da União Europeia entre 1980 e 2024, usando dados da OMS e da UNICEF. O retrato que emerge é contraditório: a UE atingiu níveis historicamente elevados de vacinação ao longo de quatro décadas, mas desde a pandemia de covid-19 esse progresso começou a reverter em vários países.

Em 2024, Portugal e Luxemburgo destacam-se com coberturas iguais ou superiores a 97% nas vacinas estudadas. A Roménia, no extremo oposto, fica abaixo dos 80%. No total, 16 países registaram reduções em pelo menos quatro das sete vacinas desde o início da pandemia, e seis — entre eles Bulgária, Irlanda, Países Baixos e Suécia — viram a cobertura cair em todas elas. Alemanha e Espanha recuaram em cinco das sete. Apenas França e Itália apresentam aumentos em quatro vacinas, ainda que com descidas nas restantes.

As quedas mais acentuadas ocorrem na meningite B e na poliomielite, com reduções em 20 países, seguidas da hepatite B em 18. Os autores do estudo sublinham que esta tendência não é inócua: doenças como a poliomielite, praticamente erradicada da Europa, ou a meningite B, que mata e incapacita crianças, podem voltar a circular se a imunização coletiva continuar a enfraquecer. As crianças não vacinadas e as que vivem em comunidades com baixa cobertura seriam as mais vulneráveis a um eventual ressurgimento.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health traçou um mapa preocupante da vacinação infantil na Europa: depois de décadas de avanços consistentes, vários países da União Europeia começaram a perder terreno desde o início da pandemia de covid-19. Os investigadores analisaram a cobertura de sete vacinas — contra difteria, tétano, tosse convulsa, hepatite B, meningite B, poliomielite, pneumococo, sarampo e rubéola — em todos os 27 Estados-membros entre 1980 e 2024, utilizando dados da Organização Mundial da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

O quadro que emerge é contraditório. A União Europeia como região alcançou níveis de vacinação infantil historicamente elevados, com um crescimento significativo ao longo de cerca de quatro décadas. Mas esse progresso foi sempre desigual entre países, e agora essa desigualdade está a aprofundar-se. Em 2024, Portugal e Luxemburgo destacam-se com coberturas vacinais iguais ou superiores a 97% nas sete vacinas analisadas. A Roménia, por contraste, apresenta uma cobertura inferior a 80%. Entre estes extremos, a maioria dos países europeus distribui-se de forma irregular.

O que preocupa os autores do estudo é a tendência recente. Desde o início da pandemia, 16 países da UE registaram uma redução das taxas de vacinação em pelo menos quatro das sete vacinas estudadas. Seis países — Bulgária, Chipre, Irlanda, Países Baixos, Roménia e Suécia — viram a cobertura vacinal diminuir em todas as sete vacinas analisadas. A Alemanha e Espanha registaram recuos em cinco das sete. Apenas França e Itália apresentam um padrão diferente, com aumentos em quatro vacinas, embora com descidas nas restantes três.

As reduções mais acentuadas concentram-se em duas vacinas específicas. A meningite B e a poliomielite registaram as maiores descidas, com reduções em 20 países. A hepatite B segue-se com descidas em 18 países, enquanto a difteria, tétano e tosse convulsa caíram em 17 países. As vacinas contra o sarampo e a rubéola apresentam tendências relativamente menos desfavoráveis, embora também tenham sofrido reduções em vários Estados-membros.

Os autores do estudo alertam para a necessidade de acompanhar de perto esta evolução. A diminuição da vacinação cria condições para o reaparecimento de doenças infecciosas que têm sido controladas através de elevadas taxas de imunização durante décadas. Doenças como a poliomielite, que foi praticamente erradicada da Europa, ou a meningite B, que causa morte e incapacidade em crianças, poderiam voltar a circular se as taxas de vacinação continuarem a cair. O ressurgimento seria particularmente perigoso para as crianças não vacinadas e para aquelas que vivem em comunidades com baixa cobertura vacinal.

A diminuição da vacinação pode criar condições para o reaparecimento de doenças infecciosas que têm sido controladas através de elevadas taxas de imunização
— Autores do estudo publicado na The Lancet Regional Health
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