Num momento em que o mundo procurava respostas para proteger os mais vulneráveis, a Universidade de Oxford trouxe, em novembro de 2020, uma notícia de esperança cautelosa: a sua vacina contra a covid-19 revelou-se segura e capaz de despertar o sistema imunitário dos idosos com uma força comparável à dos mais jovens. O achado importa porque é precisamente nos mais velhos que o sistema imunitário se vai apagando com o tempo, tornando-os os primeiros a precisar de proteção e os mais difíceis de proteger. Os dados, publicados na Lancet, não encerram a questão — a eficácia real aguarda confirmação
Vacina de Oxford demonstra segurança e eficácia em idosos
O sistema imunitário enfraquece com a idade, deixando os idosos mais vulneráveis
Porque é que este estudo sobre idosos é tão importante neste momento?
Porque a maioria das vacinas funciona pior em pessoas mais velhas — o sistema imunitário enfraquece com a idade. Se a vacina de Oxford não funcionasse bem neste grupo, seria um problema grave, já que os idosos são dos primeiros a serem vacinados.
Mas espera — o estudo diz que a resposta imunitária é semelhante à dos jovens. Semelhante não é a mesma coisa que proteção real, certo?
Exato. Eles mediram anticorpos e células T, que são sinais de que o sistema imunitário está a responder. Mas isso não prova que a vacina previne efetivamente a doença.
E quanto aos efeitos secundários? Foram graves?
Não. Dor no local, fadiga, dores de cabeça — coisas ligeiras. Houve 13 reações graves em seis meses, mas nenhuma foi ligada à vacina.
Qual é a limitação mais óbvia aqui?
A amostra. Tinham 73-74 anos em média e eram saudáveis. Muitos idosos têm diabetes, problemas cardíacos, outras doenças. Não sabemos como a vacina funciona neles.
Então o que vem a seguir?
A terceira fase, que já estava em curso, com pessoas mais velhas e com doenças crónicas. Só aí saberemos se isto funciona de verdade.
E quanto à duração? Quanto tempo dura a proteção?
Ninguém sabe ainda. É uma das grandes questões em aberto.
Il Polso
- A pandemia de covid-19 expunha os idosos a um risco desproporcional, tornando urgente saber se uma vacina conseguiria protegê-los — precisamente o grupo em que as vacinas costumam ser menos eficazes.
- O estudo da Lancet com 560 voluntários, 240 deles com mais de 70 anos, revelou que a vacina de Oxford não só foi tolerada pelos participantes mais velhos como gerou neles menos efeitos secundários do que nos adultos jovens.
- Treze voluntários registaram reações adversas graves nos seis meses seguintes, mas nenhuma foi atribuída à vacina, preservando o perfil de segurança do candidato vacinal.
- Os investigadores alertam que a amostra era relativamente saudável e pode não espelhar a complexidade médica da população idosa real, deixando a questão da eficácia verdadeira em aberto.
- A terceira fase de testes clínicos, já em curso com populações mais velhas e com doenças pré-existentes, é o próximo e decisivo passo para transformar esperança em certeza.
Num momento em que o mundo procurava respostas para proteger os mais vulneráveis, a Universidade de Oxford trouxe, em novembro de 2020, uma notícia de esperança cautelosa: a sua vacina contra a covid-19 revelou-se segura e capaz de despertar o sistema imunitário dos idosos com uma força comparável à dos mais jovens. O achado importa porque é precisamente nos mais velhos que o sistema imunitário se vai apagando com o tempo, tornando-os os primeiros a precisar de proteção e os mais difíceis de proteger. Os dados, publicados na Lancet, não encerram a questão — a eficácia real aguarda confirmação — mas abrem uma porta que muitos temiam encontrar fechada.
Em novembro de 2020, a revista científica Lancet publicou resultados preliminares da segunda fase de testes clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford contra a covid-19. Os dados trouxeram uma descoberta encorajadora: a vacina mostrou-se segura e capaz de gerar respostas imunitárias em adultos com mais de 56 anos comparáveis às observadas em pessoas entre os 18 e os 55 anos — um resultado de particular relevância, dado que o sistema imunitário tende a enfraquecer com a idade.
O estudo envolveu 560 pessoas saudáveis, das quais 240 tinham mais de 70 anos. Surpreendentemente, os participantes mais velhos toleraram a vacina ainda melhor do que os adultos jovens. Os efeitos secundários foram ligeiros — dor local, fadiga, dores de cabeça e febre — e, embora treze voluntários tenham registado reações adversas graves nos seis meses seguintes, nenhuma foi atribuída à vacina.
Andrew Pollard, investigador principal, sublinhou a importância de testar vacinas especificamente nesta faixa etária, que é simultaneamente a mais vulnerável e uma das prioridades de vacinação. A vacina induziu respostas tanto ao nível das células T como na produção de anticorpos. Ainda assim, Sarah Gilbert, outra investigadora do projeto, reconheceu que a amostra — com uma idade média de 73 a 74 anos e relativamente saudável — pode não representar plenamente a diversidade médica da população idosa.
Os autores consideraram os resultados encorajadores, mas condicionados: só a terceira fase de testes clínicos, já em curso com populações mais velhas e com doenças pré-existentes, poderia confirmar se a resposta imunitária observada se traduziria em proteção real contra o SARS-CoV-2.
A vacina que a Universidade de Oxford está a desenvolver contra a covid-19 mostrou-se segura e capaz de gerar uma resposta imunitária robusta em adultos com mais de 56 anos, de acordo com resultados preliminares da segunda fase de testes clínicos publicados pela revista científica Lancet em novembro de 2020. Os dados indicam que a resposta do sistema imunitário neste grupo etário é comparável à observada em pessoas entre os 18 e os 55 anos — um achado particularmente relevante porque o sistema imunitário tende a enfraquecer com a idade, deixando os idosos mais vulneráveis a infeções.
O estudo envolveu 560 pessoas saudáveis, das quais 240 tinham mais de 70 anos. A análise revelou que a vacina foi inclusive melhor tolerada nos participantes mais velhos do que nos adultos jovens. Os efeitos secundários registados foram ligeiros: dor no local da injeção, fadiga, dores de cabeça, febre e dores musculares constituíram as reações mais comuns. Treze voluntários experienciaram reações adversas graves nos seis meses seguintes à vacinação, mas nenhuma foi atribuída à vacina propriamente dita.
Andrew Pollard, investigador principal do estudo em Oxford, sublinhou a importância destes resultados. Porque o sistema imunitário se deteriora naturalmente com a idade, tornando os idosos mais suscetíveis a doenças infeciosas, é crucial que as vacinas contra a covid-19 sejam testadas especificamente nesta população — que é também uma das prioridades para vacinação. Os dados mostraram que a vacina induziu respostas imunitárias tanto ao nível das células T como na produção de anticorpos.
Contudo, os investigadores reconhecem limitações importantes. A amostra de participantes mais velhos tinha uma idade média de 73 a 74 anos e era relativamente saudável, o que significa que pode não ser totalmente representativa da população idosa em geral. Sarah Gilbert, outra investigadora envolvida no trabalho, alertou que o estudo fornece algumas respostas sobre a proteção de pessoas mais velhas, mas deixa em aberto questões críticas sobre a eficácia real da vacina e a duração da proteção conferida.
Este foi o quinto estudo clínico de uma vacina contra o novo coronavírus a ser testado especificamente em grupos etários mais avançados. Os resultados são considerados encorajadores pelos autores, mas apenas sob uma condição importante: que as reações imunitárias observadas se traduzam efetivamente em proteção contra a infeção pelo SARS-CoV-2. Essa confirmação só será possível através da terceira fase de testes clínicos, que já estava em curso e incluía populações ainda mais velhas e pessoas com doenças pré-existentes — o verdadeiro teste para determinar se a vacina funcionaria na população idosa real, com toda a sua complexidade médica.
Citazioni salienti
É crucial que as vacinas para a covid-19 sejam testadas em pessoas mais velhas porque o sistema imunitário se deteriora com a idade, deixando-as mais suscetíveis a infeções— Andrew Pollard, investigador principal, Universidade de Oxford
O estudo dá algumas respostas sobre a proteção de pessoas mais velhas, mas ainda há dúvidas sobre a eficácia e a duração da proteção— Sarah Gilbert, investigadora